Contabilidade Avançada
Professor conteudista: Walter Rodrigues Dominas
Sumário Contabilidade Avançada Unidade I 1. INTRODUÇÃO...1 1.1 Legislação e pronunciamentos... 1.2 Técnicas de consolidação...9 1.3 Eliminações...11 1.4 Legislação e pronunciamentos...11 1. Investimentos...1 1.6 Acionistas não controladores...16 1.7 Duplicatas a receber...18 1.8 Contas correntes...18 1.9 Vendas e custo das vendas...19 Unidade II 2. COMISSÕES SOBRE VENDAS, JUROS E OUTRAS RECEITAS E DESPESAS... 2.1 Dividendos... 21 2.2 Lucros nas transações intercompanhias... 21 2.3 Estoques...22 2.4 Ativo imobilizado...24 2. Impostos na consolidação...2 2..1 Imposto de renda e contribuição social...2 2..2 ICMS, IPI e PIS...26 2..3 ISS e COFINS...27 2.6 Exemplo completo de consolidação...28 2.7 Apresentação das demonstrações financeiras...32 2.8 Legislação e pronunciamentos...33
CONTABILIDADE AVANÇADA Unidade I CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 1 INTRODUÇÃO A Consolidação das Demonstrações Contábeis é uma técnica que permite conhecer a posição financeira da empresa controladora e das demais empresas do grupo, para isso as empresas precisam elaborar demonstrações consolidadas. 1 Segundo o pronunciamento técnico CPC 36, demonstrações consolidadas são as demonstrações contábeis de um conjunto de entidades (grupo econômico) apresentadas como se fossem as de uma única entidade econômica. Grupo econômico é a controladora e todas as suas controladas. Controladora é uma entidade que tem uma ou mais controladas. Controlada é a entidade, incluindo aquela não constituída sob a forma de sociedade, mas sim como uma parceria, na qual a controladora, diretamente ou por meio de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Controle é o poder de governar as políticas financeiras e operacionais da entidade de forma a obter benefício das suas atividades. 1
Unidade I Participação de não controlador é a parte do patrimônio líquido da controlada não atribuível, direta ou indiretamente, à controladora. 1 Demonstrações separadas são aquelas apresentadas por controladora, investidor em coligada ou empreendedor em entidade controlada em conjunto, nas quais os investimentos são contabilizados com base no valor do interesse direto no patrimônio das investidas, em vez de nos resultados divulgados e nos valores contábeis dos ativos líquidos das investidas. O objetivo da consolidação é apresentar aos acionistas e credores os resultados das operações e a posição financeira da sociedade controladora e de suas controladas, como se fosse uma única empresa. A consolidação é obrigatória para a companhia aberta que possua investimento em empresas controladas, incluindo sociedades controladas em conjunto; e para a sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. O período de abrangência das demonstrações contábeis deve ser idêntico para todas as empresas envolvidas na consolidação. Havendo defasagem, ocorrida nesse período, deve ser eliminada. 2 30 As demonstrações contábeis consolidadas devem ser preparadas utilizando-se políticas contábeis uniformes para transações e outros eventos iguais, em circunstâncias similares. Se uma entidade do grupo econômico utiliza políticas contábeis diferentes daquelas adotadas nas demonstrações contábeis consolidadas para transações e eventos de mesma natureza, em circunstâncias semelhantes, serão necessários ajustes para adequar as demonstrações contábeis dessa entidade quando da elaboração das demonstrações contábeis consolidadas. 2
CONTABILIDADE AVANÇADA 1 2 As empresas obrigadas à consolidação deverão elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstrações financeiras, as demonstrações consolidadas, não podendo publicar as demonstrações individuais da controladora separadamente das demonstrações consolidadas. A consolidação de demonstrações contábeis é bastante utilizada em países onde a emissão de ações através da Bolsa de Valores é um importante instrumento de captação de recursos. A consolidação permite um entendimento da situação financeira como um todo e do volume global de operações das companhias. Em alguns países, as demonstrações financeiras consolidadas são as demonstrações financeiras primárias da controladora, dispensando a divulgação de suas demonstrações financeiras individuais. Os principais problemas contábeis relativos à consolidação de demonstrações financeiras são: determinar quando elas devem ser apresentadas; quais entidades devem ser nelas incluídas ou excluídas; como deve ser o tratamento de interesses minoritários; e as divulgações a serem feitas. As demonstrações contábeis da controladora e de suas controladas utilizadas na elaboração das demonstrações contábeis consolidadas devem ser de mesma data. Quando a data de encerramento da controladora for diferente da data de uma controlada, esta última deve elaborar, para fins de consolidação, uma demonstração financeira adicional na mesma data das demonstrações da controladora, a menos que isso seja impraticável. 30 Nesse caso, se as demonstrações contábeis de uma controlada, utilizadas para fins de consolidação, forem de uma data diferente da data de encerramento das demonstrações da controladora, devem ser feitos os ajustes necessários em razão 3
Unidade I dos efeitos de eventos ou transações relevantes que ocorrerem entre aquela data e a data das demonstrações contábeis da controladora. 1 Independente disso, a defasagem máxima entre as datas de encerramento das demonstrações da controlada e da controladora é de até dois meses. A duração dos períodos abrangidos nas demonstrações contábeis e alguma diferença entre as respectivas datas de encerramento deverão ser iguais de um período para outro. As demonstrações contábeis consolidadas devem incluir todas as controladas de uma controladora. Se a aquisição de uma controlada atender aos requisitos para sua classificação como um ativo não circulante mantido para venda, ela será classificada nessa conta na consolidação. Presume-se que exista controle quando a controladora possui, direta ou indiretamente, por meio de suas controladas, mais do que metade do poder de voto de uma entidade, a menos que, em circunstâncias excepcionais, possa ficar claramente demonstrado que tal relação de propriedade não constitui controle. O controle também pode existir no caso de a controladora possuir menos da metade do poder de voto de uma entidade, quando houver: 2 30 poder sobre mais da metade dos direitos de voto por meio de um acordo com outros investidores; poder para governar as políticas financeiras e operacionais de uma entidade conforme especificado em estatuto ou acordo; poder para indicar ou destituir a maioria dos membros da diretoria ou conselho de administração, quando o controle 4
CONTABILIDADE AVANÇADA da entidade é exercido por essa diretoria ou conselho de administração; poder para mobilizar a maioria dos votos nas reuniões da diretoria ou conselho de administração, quando o controle da entidade é exercido por essa diretoria ou conselho. Uma controlada não deve ser excluída da consolidação porque suas atividades de negócio são diferentes daquelas das demais entidades do grupo econômico. 1 Informações relevantes são fornecidas pela consolidação de tais controladas, e pela divulgação de informações adicionais nas demonstrações contábeis consolidadas sobre as diferentes atividades de negócio dessas controladas. Por exemplo, podem ser divulgadas informações por segmento para descrever a relevância das diferentes atividades de negócio dentro do grupo econômico. 1.1 Legislação e pronunciamentos A Lei nº 6.404/76, conhecida como Lei das Sociedades por Ações, normatizou em seus artigos 249 e os procedimentos para a elaboração e publicação das demonstrações contábeis. O art.249 delegou para a Comissão de Valores Mobiliários poderes para expedir normas de caráter obrigatório para as companhias de capital aberto. A Lei nº 11.638, de 28 de Dezembro de 07, não alterou esses artigos. 2 Usando dessas atribuições, a CVM, através de sua instrução nº 1, de 3 de novembro de 1980, atualizada pela instrução nº 247, de 27 de março de 1996, introduziu mudanças significativas nos procedimentos vigentes. O Ibracon com a NPC XXI, aprovada em março de 1982, também fez menção às normas de consolidação.
Unidade I Segundo a Lei nº 6.404/76, as demonstrações consolidadas devem ser elaboradas conforme o disposto no artigo 249: 1 Art. 249 - A companhia aberta que tiver mais de 30% (trinta por cento) do valor do seu patrimônio líquido representado por investimentos em sociedades controladas deverá elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstrações financeiras, demonstrações consolidadas nos termos do art.. Ainda segundo o parágrafo único do art. 249, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pode expedir normas sobre as sociedades cujas demonstrações devam ser abrangidas na consolidação, e: determinar a inclusão de sociedades que, embora não controladas, sejam financeira ou administrativamente dependentes da companhia controladora; autorizar, em casos especiais, a exclusão de uma ou mais sociedades controladas. A instrução da CVM nº 247, de 27 de março de 1996, com as alterações introduzidas pelas instruções CVM nº 269/97, 28/98, 464/08 e 469/08 sobre o dever de elaborar e divulgar demonstrações contábeis consolidadas dispõe o seguinte: Art. 21 - Ao fim de cada exercício social, demonstrações contábeis consolidadas devem ser elaboradas por: 2 I. companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no artigo 32 desta Instrução; e II. sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. 6
CONTABILIDADE AVANÇADA 1 Art. 22 - Demonstrações contábeis consolidadas compreendem o balanço patrimonial consolidado, a demonstração consolidada do resultado do exercício e a demonstração consolidada das origens e aplicações de recursos, complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados consolidados. Art. 23 - Poderão ser excluídas das demonstrações contábeis consolidadas, sem prévia autorização da CVM, as sociedades controladas que se encontrem nas seguintes condições: I. com efetivas e claras evidências de perda de continuidade e cujo patrimônio seja avaliado, ou não, a valores de liquidação; ou II. cuja venda por parte da investidora, em futuro próximo, tenha efetiva e clara evidência de realização devidamente formalizada. 2 1º Em casos especiais justificados, poderão ser ainda excluídas da consolidação, mediante prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários, as sociedades controladas cuja inclusão, a critério da CVM, não represente alteração relevante na unidade econômica consolidada ou que venha distorcer essa unidade econômica. 2º No balanço patrimonial consolidado, o valor contábil do investimento na sociedade controlada excluída da consolidação deverá ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial. 30 3º Não será considerada justificável a exclusão, nas demonstrações contábeis consolidadas, de sociedade 7
Unidade I controlada cujas operações sejam de natureza diversa das operações da investidora ou das demais controladas. 1 2 Em seu pronunciamento XXI, Normas de Consolidação, parágrafo 2º, o Ibracon define as demonstrações contábeis consolidadas como o produto de agregação de demonstrações contábeis de uma ou mais controladas com as demonstrações contábeis da controladora, após a eliminação de saldos e transações entre as companhias e efetuada a constituição de provisão para os interesses de minoritários nas controladas. Segundo o parágrafo 3º, tais demonstrações são o reconhecimento de que as entidades legais, separadamente, são componentes de uma unidade econômica distinta da controladora ou de qualquer de suas controladas e devem refletir as operações da controladora e de suas controladas, no país ou no exterior, a partir da data de aquisição destas. A primeira condição necessária para a consolidação, de acordo com o parágrafo 4º do referido pronunciamento, é a participação majoritária (acima de 0%) no capital votante da controlada. O controle pode ser exercido de forma direta ou indireta (por intermédio de outras controladas). Assim, por exemplo, se duas subsidiárias integrais da companhia A possuírem, cada uma delas, 30% do capital votante da companhia C, então a companhia C é uma controlada da companhia A. 30 A recomendação encontrada no parágrafo º é a de que a Lei das Sociedades por Ações estabelece a obrigatoriedade da consolidação apenas para as companhias abertas e, mesmo assim, quando os investimentos nas controladas atingem ou excedem a 30% do patrimônio líquido da controladora. 8
CONTABILIDADE AVANÇADA 1 2 Consequentemente, poderá acontecer de a controladora deter 99% na controlada e, ainda assim, o investimento não atingir 30% do capital da controladora. Nesse caso, embora a norma contábil aqui enunciada recomende a consolidação, a controladora estaria desobrigada pela lei de fazê-la. Para os casos de empresas de um mesmo grupo econômico cujas operações sejam demasiado heterogêneas, o Ibracon recomenda, em seu parágrafo 7º, a consolidação com evidenciação das controladas, a natureza de suas operações e elementos que identifiquem, se possível, a procedência dos principais saldos. Segundo o parágrafo 8º, mesmo sendo, no caso específico das companhias abertas, a Comissão de Valores Mobiliários o órgão determinado pela Lei nº 6.404/76 para autorizar, em casos especiais, a exclusão ou inclusão de sociedades na consolidação, a opinião do Ibracon é: a consolidação é indevida se inexistir o efetivo controle sobre a controlada, mesmo que temporariamente, como no caso de falência, intervenção, ou acordo entre acionistas etc. O Ibracon, no item 2 da Interpretação Técnica nº 01/90, ao comentar a aplicabilidade das normas contábeis da Comissão de Valores Mobiliários às companhias não abertas, incentiva a adoção por estas sociedades de demonstrações financeiras consolidadas, quando elaboradas para divulgação a terceiros. 30 1.2 Técnicas de consolidação Na elaboração de demonstrações contábeis consolidadas, uma entidade controladora combina suas demonstrações contábeis com as de suas controladas, linha a linha, ou seja, somando os saldos de itens de mesma natureza: ativos, passivos, receitas e despesas. 9
Unidade I Para que as demonstrações contábeis consolidadas apresentem informações sobre o grupo econômico como uma única entidade econômica, os seguintes procedimentos devem ser adotados: 1 2 o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parte dessa controladora no patrimônio líquido das controladas devem ser eliminados; identificar a participação dos não controladores no lucro ou prejuízo das controladas consolidadas para o exercício social de apresentação das demonstrações contábeis; identificar a participação dos não controladores nos ativos líquidos das controladas consolidadas, separadamente da parte pertencente à controladora. A participação dos não controladores nos ativos líquidos é composta do montante da participação dos não controladores na data da combinação inicial e da parte dos não controladores nas variações patrimoniais das controladas consolidadas desde a data da combinação. O passo seguinte da consolidação é a eliminação dos saldos existentes ou transações realizadas entre as empresas do grupo, praticamente todas as operações realizadas entre as empresas que são consolidadas devem ser eliminadas, portanto, é necessário, durante o ano, o controle das transações e dos saldos intercompanhias. A consolidação das demonstrações financeiras pode ser feita usando-se papéis de trabalho ou fichas de razão extracontábeis, em que se lançam os saldos de cada empresa a ser consolidada e depois se registram todos os lançamentos de eliminação de consolidação. 30 Na consolidação, é importante haver uniformidade nas práticas contábeis entre as empresas consolidadas na
CONTABILIDADE AVANÇADA classificação dos ativos, passivos, receitas e despesas, para que os saldos consolidados representem valores de mesma natureza. 1.3 Eliminações Na consolidação há a necessidade de eliminar os saldos existentes ou transações realizadas entre as empresas do grupo para que as demonstrações contábeis não apresentem saldos em duplicidade. Os saldos de balanços e transações intragrupo (entre as entidades do grupo econômico), incluindo receitas, despesas e dividendos, são totalmente eliminados. Os resultados decorrentes das transações intragrupo que estiverem reconhecidos nos ativos, tais como um estoque ou um ativo imobilizado, devem ser totalmente eliminados. 1 As perdas intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável dos ativos correspondentes, que precisa ser reconhecida nas demonstrações contábeis consolidadas. Os impostos e contribuições decorrentes das diferenças temporárias pela eliminação de lucros ou prejuízos nas transações intragrupo devem ser reconhecidos no ativo ou passivo como tributos diferidos. 2 1.4 Legislação e pronunciamentos Conforme citamos anteriormente, nem todas as operações efetuadas pelas empresas de um determinado grupo deverão necessariamente ser representadas por uma única conta na consolidação. Tais procedimentos estão amparados pelo artigo da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 09, conforme segue: 11
Unidade I Art. - Das demonstrações financeiras consolidadas serão excluídas: I - as participações de uma sociedade em outra; II - os saldos de quaisquer contas entre as sociedades; III - as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo não circulante que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. 1º A participação dos acionistas não controladores no patrimônio líquido e no lucro do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e na demonstração do resultado do exercício. 1 2 30 2 o A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo não circulante, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. 3º O valor da participação que exceder do custo de aquisição constituirá parcela destacada dos resultados de exercícios futuros até que fique comprovada a existência de ganho efetivo. 4º Para fins deste artigo, as sociedades controladas, cujo exercício social termine mais de 60 (sessenta) dias antes da data do encerramento do exercício da companhia, elaborarão, com observância das normas desta Lei, demonstrações financeiras extraordinárias em data compreendida nesse prazo. 12
CONTABILIDADE AVANÇADA A instrução da CVM nº 247, de 27 de março de 1996, com as alterações introduzidas pelas instruções CVM n os 269/97, 28/98, 464/08 e 469/08 sobre a técnica de consolidação dispõe o seguinte: 1 Art. 24 - Para a elaboração das demonstrações contábeis consolidadas, a investidora deverá observar, além do disposto no artigo, os seguintes procedimentos: I. excluir os saldos de quaisquer contas ativas e passivas, decorrentes de transações entre as sociedades incluídas na consolidação; II. eliminar o lucro não realizado que esteja incluído no resultado ou no patrimônio líquido da controladora e correspondido por inclusão no balanço patrimonial da controlada; III. eliminar do resultado os encargos de tributos correspondentes ao lucro não realizado, apresentandoos no ativo circulante/realizável a longo prazo - tributos diferidos, no balanço patrimonial consolidado. 2 30 Parágrafo único - No processo de consolidação das demonstrações contábeis, não poderá ser efetuada a compensação de quaisquer ativos ou passivos pela dedução de outros passivos ou ativos, a não ser que exista um direito de compensação e a compensação represente a expectativa quanto à realização do ativo e à liquidação do passivo. Art. 2 - A participação dos acionistas não controladores, no patrimônio líquido das sociedades controladas, deverá ser destacada em grupo isolado, no balanço patrimonial consolidado, imediatamente antes do patrimônio líquido. 13
Unidade I Art. 26 - O montante correspondente ao ágio ou deságio proveniente da aquisição/subscrição de sociedade controlada, não excluído nos termos do inciso I do artigo 24, deverá: I. quando decorrente da diferença prevista no parágrafo 1º do artigo 14, ser divulgado como adição ou retificação da conta utilizada pela sociedade controlada para registro do ativo especificado; e II. quando decorrente da diferença prevista no parágrafo 2º do artigo 14: a. ser divulgado em item destacado no ativo permanente,quando representar ágio; e b. ser divulgado em conta apropriada de resultados de exercícios futuros, quando representar deságio. 1 Art. 27 - A parcela correspondente à provisão para perdas constituída na investidora deve ser deduzida do saldo da conta da controlada que tenha dado origem à constituição da provisão, ou apresentada como passivo exigível, quando representar expectativa de conversão em exigibilidade. Art. 28 - Para a elaboração da demonstração consolidada do resultado do exercício a investidora deverá: 2 I. incluir os resultados de sociedade controlada, adquirida ou vendida no transcorrer do exercício social, tomando por base a data do respectivo registro ou baixa nos seus investimentos permanentes; e II. excluir todas as receitas e despesas decorrentes de negócios entre a investidora e as sociedades controladas, bem como entre estas. 14
CONTABILIDADE AVANÇADA Art. 29 - A participação dos acionistas não controladores no lucro líquido ou prejuízo do exercício das controladas deverá ser destacada e apresentada, respectivamente, como dedução ou adição ao lucro líquido ou prejuízo consolidado. A seguir estudaremos alguns casos de eliminações. 1. Investimentos A participação acionária, que uma empresa tiver na outra, representada pela conta Investimentos, deverá ser eliminada. Devem ser eliminados os investimentos da controladora e o patrimônio líquido das controladas Suponhamos que a controladora tenha 0% do capital da controlada. A controlada tem um capital de $ 1.000 e $.000 de Reservas de lucros. A eliminação de consolidação dos investimentos é: 1 Capital $ 1.000 Reservas de lucros $.000 a Investimentos $.000 Para transações envolvendo investimentos permanentes, se houver ágio na operação, a eliminação é efetuada levando em conta a amortização do mesmo. 2 Quando ocorrer redução de participação numa empresa que até então era consolidada e esta redução resultar em exclusão dessa empresa na consolidação, o efeito decorrente desse fato deve ser divulgado em nota explicativa. Tal divulgação deve incluir todos os efeitos relevantes no resultado do exercício e no patrimônio líquido consolidado, através da reconstituição dos montantes do ano anterior. 1
Unidade I 1.6 Acionistas não controladores A participação dos não controladores é a parte do patrimônio líquido de uma controlada não atribuível, direta ou indiretamente, à controladora. 1 2 A participação dos acionistas não controladores é a parcela do patrimônio líquido de empresas controladas que pertence a acionistas minoritários, representados por terceiros que não pertencem ao grupo. O valor dessa participação é constituído pela parte do capital desses minoritários e pelos outros itens do patrimônio líquido. Na consolidação do balanço, a parcela do capital desses minoritários (ou não controladores) deve ser destacada do patrimônio líquido consolidado. O lucro ou prejuízo do período e cada componente dos outros resultados abrangentes são atribuídos aos proprietários da controladora e à participação dos não controladores. O resultado abrangente total é atribuído aos proprietários da controladora e à participação dos não controladores, independentemente desses resultados tornarem negativa a participação dos não controladores. Se uma controlada tem em circulação ações preferenciais cumulativas classificadas como um componente do patrimônio líquido, as quais estão em poder de não controladores, a controladora calcula a sua parte no lucro ou prejuízo do período após a redução deste pelos dividendos pertinentes a essas ações, independentemente de os dividendos estarem declarados. 30 As mudanças na participação relativa da controladora sobre uma controlada que não resultem em perda de controle, devem ser contabilizadas como transações de capital,ou seja, transações com sócios, na qualidade de proprietários. 16
CONTABILIDADE AVANÇADA 1 Em tais circunstâncias, o valor contábil da participação da controladora e o valor contábil da participação dos não controladores devem ser ajustados para refletir as mudanças nas participações relativas das partes na controlada. A diferença entre o montante pelo qual a participação dos não controladores foi ajustada e o valor da quantia recebida ou paga deve ser reconhecida diretamente no patrimônio líquido atribuível aos proprietários da controladora. O Ibracon estabelece em seu pronunciamento que a absorção de prejuízos pelos minoritários se limita à sua participação no patrimônio líquido, devendo tal excesso e os prejuízos futuros serem absorvidos pelos sócios majoritários. Entretanto, os lucros futuros serão creditados aos sócios majoritários até que aqueles prejuízos sejam absorvidos pelos minoritários. Suponhamos que a controladora tenha 80% do capital da controlada. A controlada tem um capital de $ 1.000 e $.000 de Reservas de lucros. A participação dos acionistas não controladores será destacada da seguinte forma: Capital $ 3.000 ($ 1.000 x %) Reservas de lucros $ 1.000 ($.000 x %) a Participação de minoritários $ 4.000 ($.000 x %) 2 Na demonstração consolidada do resultado, a participação dos acionistas não controladores no lucro líquido ou prejuízo do exercício das controladas deverá ser destacada e apresentada, respectivamente, como dedução ou adição ao lucro ou prejuízo líquido consolidado. 30 17
Unidade I Suponhamos que a controladora tenha 80% do capital da controlada. A controlada tem um lucro líquido do exercício de $.000. A participação dos acionistas não controladores será destacada da seguinte forma: Débito: lucro líquido do exercício $ 1.000 ($.000 x %). Como os lucros estão colocados duas vezes, uma sob a forma de lucros acumulados no balanço patrimonial, e outra como saldo final na demonstração de resultados. Nesse sistema os lançamentos referentes a ajustes e eliminações na demonstração de resultados só são considerados nas parcelas que se referem às contas de resultado. 1.7 Duplicatas a receber 1 Se uma empresa do grupo vendeu, ao preço de custo, $ 40.000 de mercadorias para outra empresa do grupo, a empresa compradora tem um passivo de $ 40.000 para com a empresa vendedora e esta, por sua vez, tem a receber $ 40.000 da empresa compradora. Nesse caso os lançamentos de eliminações são: Fornecedores (empresa compradora) $ 40.000 a Duplicatas a receber (empresa vendedora) $ 40.000 1.8 Contas correntes 2 Várias operações podem ocorrer entre as empresas do grupo, que serão debitadas ou creditadas em conta corrente. Na data do balanço, por ocasião da consolidação, haverá saldo devedor em uma empresa e um correspondente saldo credor em outra; ambos deverão ser eliminados na consolidação, com o seguinte lançamento: Contas correntes credoras a Contas correntes devedoras 18
CONTABILIDADE AVANÇADA 1.9 Vendas e custo das vendas As vendas de uma empresa para outra empresa do grupo devem ser eliminadas, assim como a eliminação atinge também o custo dos produtos vendidos. Se uma do grupo vendeu, ao preço de custo, $ 40.000 de mercadorias para outra empresa do grupo, o lançamento seria da seguinte forma: Vendas (empresa vendedora) $ 40.000 a Custo dos produtos vendidos (empresa vendedora) $ 40.000 19