29 de Fevereiro de 2012 Tax Alert Angola Tax Alert 2-2012 Reforma Fiscal Imposto sobre a Aplicação de Capitais, Imposto do Selo e Imposto de Consumo Decreto Legislativo Presidencial n.º 5/11 Aprova a revisão do Código do Imposto sobre a Aplicação de Capitais No uso da autorização legislativa concedida pela Assembleia Nacional ao abrigo do artigo 1. da Lei n. 35/11, de 16 de Dezembro, e nos termos do n. 1 do artigo 102., do n. 1 do artigo 125., da alínea o) do artigo 165. e do n. 4 do artigo 170., todos da Constituição da República de Angola, foram aprovados e publicados, em diário da República, com data de 30 de Dezembro de 2011, os seguintes diplomas fiscais que se inserem no programa de reforma fiscal: Decreto Legislativo Presidencial n.º 6/11 Aprova o Código do Imposto do Selo Decreto Legislativo Presidencial n.º 7/11 Altera o Regulamento do Imposto de Consumo Decreto Legislativo Presidencial n.º 5/11 Aprova a revisão do Código do Imposto sobre a Aplicação de Capitais; Decreto Legislativo Presidencial n.º 6/11 Aprova o Código do Imposto do Selo e revoga o Diploma Legislativo n. 3841/68, de 6 de Agosto, o Decreto n. 7/89, de 15 de Agosto, o Decreto Executivo n. 85/99, de 11 de Junho, igualmente o Decreto n. 18/92, de 15 de Maio, o Decreto Executivo Conjunto dos Ministérios das Finanças e Justiça, e o Decreto Executivo n. 71/04, de 9 de Julho, bem como a demais legislação contrária ao disposto no presente diploma; Decreto Legislativo Presidencial n. 7/11 Altera os artigos 1.º, 2., 5., 9., 11, 12. e 14. do Regulamento do Imposto de Consumo, aprovado pelo Decreto n. 41/99, de 10 de Dezembro. Apresentamos infra as principais alterações introduzidas pelos diplomas acima elencados.
Imposto sobre a Aplicação de Capitais Os rendimentos sujeitos a imposto continuam a ser repartidos entre a Secção A e a Secção B, sendo que passam a ser tributados na Secção B alguns rendimentos que anteriormente não se encontravam sujeitos a imposto ou beneficiavam de isenção: Juros de depósitos à ordem e dos depósitos a prazo constituídos junto de instituições financeiras regularmente constituídas; Juros dos bilhetes do tesouro e das obrigações do tesouro; Juros de títulos do Banco Nacional de Angola (BNA); Ganhos decorrentes da alienação de participações sociais ou outros instrumentos que gerem rendimentos sujeitos a Imposto sobre a Aplicação de Capitais, desde que não obtidos no âmbito da actividade comercial do sujeito passivo e como tal sujeitos a Imposto Industrial; Prémios de jogo de fortuna ou azar, rifas, lotarias ou apostas, qualquer que seja a sua natureza ou proveniência; Quaisquer outros rendimentos derivados da aplicação de capitais, não compreendidos na Secção A. Por conseguinte, genericamente, os rendimentos enquadráveis nas referidas Secções e as respectivas taxas de imposto passam a ser os seguintes: Secção A Secção B Juros de capitais mutuados 15% Dividendos e outros rendimentos equiparados Juros de contratos de abertura de crédito Juros pelo diferimento de uma prestação ou mora no pagamento 10% 15% Juros de obrigações emitidas por sociedades 10% 15% Juros de suprimentos 10% Saldo de juros apurados em conta 15% corrente Indemnizações pela suspensão de 15% actividade Emissão de acções com reserva de 10% preferência na subscrição Royalties 10% Juros de depósitos bancários 10% Juros de bilhetes do tesouro e de 10% obrigações do tesouro Juros de títulos do BNA 10% Mais-valias mobiliárias, não sujeitas a 10% Imposto Industrial Rendimentos do jogo, rifas, lotarias 15% ou apostas Outros rendimentos de capitais 15%
Os rendimentos ficam sujeitos a Imposto sobre a Aplicação de Capitais, desde que: Secção A sejam produzidos em Angola isto é, sejam derivados de capitais aplicados no país ou devidos por entidades estabelecidas em Angola ou sejam atribuídos a pessoas singulares ou colectivas estabelecidas em Angola; Secção B sejam pagos por entidade residente em Angola, sejam postos à disposição através de um estabelecimento estável localizado em Angola, sejam recebidos por pessoas singulares ou colectivas estabelecidas em Angola ou sejam atribuídos a um estabelecimento estável sito em Angola. No que concerne a isenções, as alterações também são significativas, passando somente a estar isentos de imposto os seguintes rendimentos: Secção A Secção B Os rendimentos das instituições financeiras e das cooperativas, quando sujeitos a Imposto Industrial, ainda que dele isentos Os juros das vendas a crédito dos comerciantes Os lucros distribuídos por uma entidade com sede ou direcção efectiva em território angolano no caso em que a entidade beneficiária seja uma pessoa colectiva ou equiparada com sede ou direcção relativos a produtos ou serviços do seu comércio ou indústria, bem como o juro ou qualquer compensação da mora no pagamento do respectivo preço Os juros dos empréstimos sobre apólices de seguros de vida, feitos por sociedades de seguros efectiva em território angolano sujeita a Imposto Industrial, ainda que dele isenta, que detenha no capital social da entidade que distribui os lucros uma participação não inferior a 25% por um período superior a um ano anterior à distribuição dos lucros Os juros de instrumentos que se destinem a fomentar a poupança que sejam devida e previamente aprovados pelo Ministro das Finanças sob parecer da Direcção Nacional dos Impostos, ouvido o Banco Nacional de Angola e a Associação Angolana de Bancos (ABANC), apenas aplicável a juros auferidos de qualquer produto relativamente ao capital que não exceda AKZ 500.000 por pessoa Juros das conta-poupança habitação criadas pelas instituições financeiras com o objectivo de fomentar a poupança com vista à aquisição de habitação própria e permanente A liquidação do imposto deve ser efectuada: Secção A pelo titular do rendimento (auto-liquidação) ou pelo devedor se o primeiro não se encontrar estabelecido em Angola; Secção B pelo devedor do rendimento (retenção na fonte) ou pelo titular do rendimento (apenas no que respeita a rendimentos respeitantes à emissão de acções com reserva de preferência na subscrição, a mais-valias mobiliárias, não sujeitas a Imposto Industrial, e a outros rendimentos de capitais). As alterações introduzidas pelo Decreto Legislativo Presidencial n.º 5 /11, de 30 de Dezembro, aplicam-se aos pagamentos de rendimentos sujeitos a imposto que sejam Angola - Tax Alert 2-2012 3
efectuados em data posterior a 1 de Janeiro de 2012. Contudo, no que respeita a juros dos bilhetes do tesouro e das obrigações do tesouro, bem como juros dos títulos do Banco Central, a presente lei apenas se aplica aos títulos adquiridos após a referida data, salvaguardando-se assim o regime anterior relativamente às aplicações efectuadas até 31 de Dezembro de 2011. Imposto do Selo Foi aprovado um novo Código do Imposto do Selo (Decreto Legislativo Presidencial n.º 6/2011, de 30 de Dezembro), com efeitos a partir do dia 1 de Janeiro de 2012. O novo Código do Imposto do Selo procede a uma reforma profunda deste imposto, simplificando de forma significativa a Tabela anexa, reduzindo para 26 as verbas que consubstanciam a incidência objectiva do imposto. O novo Código do Imposto do Selo adopta uma perspectiva dualista ao nível da incidência subjectiva, identificando os sujeitos passivos, ou seja as entidades que são obrigadas a proceder à liquidação do imposto, e os sujeitos que devem sustentar o encargo económico do mesmo. São sujeitos passivos do imposto: Notários, Conservadores dos Registos Civil, Comercial, Predial e de outros bens sujeitos a registo, bem como outras entidades públicas, incluindo os estabelecimentos e organismos do Estado, relativamente aos actos, contratos e outros factos em que sejam intervenientes, com excepção dos celebrados perante notários relativos a crédito e garantias concedidos por instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras entidades a elas legalmente equiparadas e por quaisquer outras instituições financeiras, e quando, os contratos ou documentos lhes sejam apresentados para qualquer efeito legal, hipóteses em que o sujeito passivo do imposto é o titular do rendimento decorrente do acto; Entidades concedentes de crédito e de garantias ou credoras de juros, prémios, comissões e outras contraprestações derivadas de contratos de natureza financeira; Instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras entidades a elas legalmente equiparadas residentes em território nacional, sem prejuízo da legislação específica, sobre sociedades e cooperativas de micro-crédito, que tenham intermediado operações de crédito, de prestação de garantias ou juros, comissões e outras contraprestações devidas por residentes no mesmo território a instituições de crédito ou sociedades financeiras não residentes; Angola - Tax Alert 2-2012 4
Entidades mutuárias, beneficiárias de garantias ou devedoras dos juros, comissões e outras contraprestações no caso das operações referidas na alínea anterior que não tenham sido intermediadas por instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras entidades a elas legalmente equiparadas, e cujo credor não exerça a actividade no território nacional; Locadores, no âmbito de contratos de locação financeira ou operacional, relativamente às contraprestações cobradas; Arrendatário e subarrendatário, nos arrendamentos e subarrendamentos; Nos contratos de trabalho, o empregador; Empresas seguradoras, relativamente à soma do prémio de seguro, custo da apólice e quaisquer outras importâncias cobradas em conjunto ou em documento separado, bem como às comissões pagas a mediadores; Entidades emitentes de letras e outros títulos de crédito, entidades emissoras de cheques e livranças ou, no caso de títulos emitidos no estrangeiro, a primeira entidade que intervenha na negociação ou pagamento; Segurados, relativamente à soma do prémio do seguro, custo da apólice e quaisquer outras importâncias cobradas em conjunto ou em documento separado, no âmbito de contratos de seguro celebrados com seguradoras estrangeiras, nos termos da legislação em vigor, ou autorizados pelo Ministro das Finanças, cujo risco se localize em território nacional; No trespasse de estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, o trespassante; Nas subconcessões e trespasses de concessões feitas pelo Estado e Províncias para exploração de empresas ou de serviços de qualquer natureza, o subconcedente ou o trespassante; Outras entidades que intervenham em actos e contratos ou emitam ou utilizem os documentos, livros, títulos ou papéis; Representantes que, para o efeito, sejam nomeados em Angola pelas instituições de crédito ou sociedades financeiras que, prestando serviços financeiros no estrangeiro a clientes residentes ou estabelecidos em território nacional não sejam intermediados por instituições de crédito ou sociedades financeiras domiciliadas em Angola ou, na falta daqueles, o cliente enquanto titular do interesse económico da operação. Por sua vez, o imposto constitui encargo dos titulares do interesse económico da operação relevante, considerando-se como tal: Na aquisição de bens a título gratuito ou oneroso, do direito de propriedade ou de figuras parcelares desse direito sobre imóveis, o adquirente; Na concessão do crédito, o utilizador do mesmo; Angola - Tax Alert 2-2012 5
Nos contratos de locação financeira ou operacional, o locatário; No arrendamento e subarrendamento, o locador e o sublocador; Nas apostas de jogo, o apostador; Nas garantias, as entidades obrigadas à sua apresentação; Nos juros, comissões e restantes operações financeiras realizadas por ou com intermediação de instituições de crédito, sociedades ou outras instituições financeiras, o cliente destas; Nos seguros, o segurado; Na actividade de mediação, o mediador, individual ou colectivo; Nas outras operações financeiras, o cliente da entidade que presta o serviço; Nas operações de angariação de crédito ou de garantias, o angariador; No comodato, o comodatário; Na publicidade, o publicitante; Nos cheques, o titular da conta; Nas letras e livranças, o sacado e o devedor; Nos títulos de crédito não referidos anteriormente, o credor; Nas procurações e substabelecimentos, o procurador e o substabelecido; No reporte, o primeiro alienante; Na constituição de uma sociedade de capitais, a sociedade a constituir; No aumento de capital de uma sociedade de capitais, a sociedade cujo capital é aumentado; Na transferência de sede estatutária ou de direcção efectiva de uma sociedade de capitais, para fora do território nacional, a sociedade cuja sede ou direcção efectiva é transferida; Nos contratos de trabalho, o empregador; Na matrícula de veículos sujeitos a registo, o requerente; No trespasse de estabelecimento comercial, industrial ou agrícola e nas subconcessões e trespasses de concessões feitas pelo Estado e Províncias para exploração de empresas ou de serviços de qualquer natureza, o adquirente; Angola - Tax Alert 2-2012 6
Em quaisquer outros actos, contratos e operações o requerente, o requisitante, o primeiro signatário, o beneficiário, o destinatário dos mesmos, bem como o prestador ou fornecedor de bens e serviços. Em termos de territorialidade, estabelece-se que o Imposto do Selo incide sobre todas as operações ocorridas em território angolano, prevendo-se uma extensão da mesma, nos seguintes casos: Os documentos, actos ou contratos emitidos ou celebrados fora do território nacional, nos mesmos termos em que o seriam se neste território fossem emitidos ou celebrados, caso aqui sejam apresentados para quaisquer efeitos legais; As operações de crédito realizadas e as garantias prestadas no estrangeiro por instituições de crédito, por sociedades financeiras ou por quaisquer outras entidades, independentemente da sua natureza, sedeadas no estrangeiro, por filiais ou sucursais no estrangeiro de instituições de crédito, de sociedades financeiras, ou quaisquer outras entidades, sedeadas em território nacional, a quaisquer entidades, independentemente da sua natureza, domiciliadas neste território, considerando-se domicílio a sede, filial, sucursal ou estabelecimento estável; Os juros, as comissões e outras contraprestações cobradas por instituições de crédito ou sociedades financeiras sedeadas no estrangeiro ou por filiais ou sucursais no estrangeiro de instituições de crédito ou sociedades financeiras sedeadas no território nacional a quaisquer entidades domiciliadas neste território, considerando-se domicílio a sede, filial, sucursal ou estabelecimento estável das entidades que intervenham na realização das operações; Os seguros efectuados no estrangeiro cujo risco tenha lugar no território nacional. Encontram-se estabelecidas as seguintes isenções: a) Os créditos, concedidos até ao prazo máximo de 5 dias, o micro crédito, bem como, os créditos concedidos no âmbito de "contas jovem" e "contas terceira idade", e outras com diferente designação mas igual propósito, cujo montante não ultrapasse, em cada mês, AKZ 17.600, podendo esje valor ser ajustado, mediante Decreto Executivo do Ministro das Finanças; b) Os créditos derivados da utilização de cartões de crédito quando o reembolso à entidade emitente do cartão for efectuado sem que haja lugar ao pagamento de juros nos termos contratualmente definidos; c) Os créditos relaciohados com exportações, quando devidamente documentados com os respectivos despachos aduaneiros; d) As contraprestações devidas no âmbito dos contratos de financiamento destinados à aquisição de casa de morada de família; e) O depósito-caução constituído a favor do Serviço Nacional das Alfândegas, para efeitos de desalfandegamento de bens; Angola - Tax Alert 2-2012 7
f) As garantias inerentes às operações realizadas, assim como, os escritos de quaisquer contratos que devam ser celebrados no âmbito das operações realizadas, ambos registados, liquidados ou compensados através de entidade gestora de mercados regulamentados ou através de entidade por esta indicada ou sancionada no exercício de poder legal ou regulamentar, que tenham por objecto, directa ou indirectamente, valores mobiliários, de natureza real ou teórica, direitos a eles equiparados, contratos de futuros, taxas de juro, divisas ou índices sobre valores mobiliários, taxas de juro ou divisas; g) Os juros e comissões cobrados no âmbito das operações de financiamento provenientes das operações referidas nas alíneas a) e c); h) Os juros provenientes de Bilhetes de Tesouro e de Títulos do Banco Central; i) As comissões cobradas em virtude da subscrição, depósito ou resgate de unidades de participação em fundos de investimento, bem como as que constituem encargos de fundos de pensões; j) As comissões cobradas na abertura e utilização de quaisquer contas de poupança; k) As operações, incluindo os respectivos juros, por prazo não superior a um ano, desde que exclusivamente destinadas à cobertura de carências de tesouraria, quando realizadas por detentores de capital social a entidades nas quais detenham directamente uma participação no capital não inferior a 10% e desde que esta tenha permanecido na sua titularidade durante um ano consecutivo ou desde a constituição da entidade participada, contanto que, neste último caso, a participação seja mantida durante aquele período; l) Os empréstimos com características de suprimentos, incluindo os respectivos juros efectuados por sócios à sociedade em que seja estipulado um prazo inicial não inferior a um ano e não sejam reembolsados antes de decorrido esse prazo; m) O reporte de valores mobiliários ou direitos equiparados realizado em bolsa de valores; n) Os prémios recebidos por resseguros tomados a empresas operando legalmente em Angola; o) Os prémios e comissões relativos a seguros do ramo "Vida", seguros de acidentes de trabalho, seguros de saúde e seguros agrícolas ou pecuários; p) As operações de gestão de tesouraria entre sociedades em relação de grupo; q) Os documentos de representação forense nomeadamente procurações forenses ou substabelecimento de idêntica natureza. A liquidação do Imposto do Selo pelo sujeito passivo efectua-se por meio de verba e paga-se por meio da respectiva guia, eliminando-se a estampilha fiscal. Tratando-se de imposto devido por operações de crédito ou garantias prestadas por um conjunto de instituições de crédito ou de sociedades financeiras, a liquidação do imposto pode Angola - Tax Alert 2-2012 8
ser efectuada globalmente por qualquer daquelas entidades, sem prejuízo da responsabilidade, nos termos gerais, de cada uma delas em caso de incumprimento. O imposto devido pelas operações aduaneiras é liquidado pelo Serviço Nacional das Alfândegas, e depositado na Conta Única do Tesouro, até ao dia 15 do mês seguinte ao da arrecadação, através de Documento de Arrecadação de Receita. Nos documentos, títulos e livros sujeitos a imposto, são mencionados o valor do imposto e a data da liquidação. O Imposto do Selo é pago até final do mês seguinte àquele em-que a obrigação tributária se tenha constituído mediante apresentação do Documento de Liquidação de Imposto (DLI), discriminando, em anexo, o imposto cobrado nos termos de cada um dos artigos da Tabela, devendo as entidades escriturar, em conformidade, a sua contabilidade e os respectivos livros de registo, a fim de serem conferidos pelos Serviços, de Fiscalização Tributária. Os sujeitos passivos do imposto ou os seus representantes legais são obrigados a apresentar anualmente declaração discriminativa do imposto do selo liquidado. Esta declaração é de modelo oficial e deve ser apresentada até ao último dia útil do mês de Março do ano seguinte ao da realização dos actos, contratos e operações previstos na Tabela anexa. Os contribuintes que sejam obrigados a dispor de contabilidade nos termos do Plano Geral de Contabilidade, devem organizá-la de modo a possibilitar o conhecimento claro e inequívoco dos elementos necessários à verificação do imposto do selo liquidado, bem como a permitir o seu controlo. São objecto de registo as operações e os actos realizados sujeitos a imposto de selo nos seguintes termos, identificando: O valor das operações e dos actos realizados sujeitos a imposto, segundo a verba aplicável na tabela; O valor das operações e dos actos realizados isentos de imposto segundo o artigo aplicável da Tabela; O valor do imposto liquidado segundo o artigo aplicável da Tabela; O valor do imposto compensado. Os documentos de suporte aos registos referidos neste artigo e os documentos comprovativos do pagamento do imposto são conservados em boa ordem durante o prazo de 5 anos. Face ao mencionado acima, as principais operações sujeitas a Imposto do Selo e respectivas taxas podem ser sumarizadas como se segue: Angola - Tax Alert 2-2012 9
Operações Taxa Aquisição onerosa ou gratuita do direito de propriedade ou de figuras 0,3% parcelares desse direito, sobre imóveis Arrendamento e subarrendamento de imóveis 0,4% Autos e termos efectuados perante tribunais e serviços, estabelecimentos AKZ 1.000 e organismos públicos Cheques de qualquer natureza, passados em território nacional AKZ 100 Depósito civil, qualquer que seja a sua forma 0,01% Depósito, em qualquer serviços públicos, dos estatutos de associações e AKZ 4.400 outras instituições cuja constituição dele dependa Constituição de uma sociedade, transformação em sociedade, associação ou pessoa colectiva que não seja sociedade de capitais, aumento do capital 0,1% social de uma sociedade mediante a entrada de bens de qualquer espécie e aumento do activo de uma sociedade mediante a entrada de bens de qualquer espécie Escritos de qualquer contratos não especialmente previstos nesta tabela, AKZ 300 incluindo os efectuados perante entidades públicas Exploração, pesquisa e prospecção de recursos geológicos integrados no AKZ 3.000 domínio público do Estado Garantias das obrigações, qualquer que seja a sua natureza ou forma, Entre 0,1% e 0,3% salvo quando materialmente acessórias de contratos especialmente tributados na presente tabela Apostas de jogos, designadamente as representadas por bilhetes, boletins, cartões, matrizes, rifas ou tômbolas, bem como ingressos em salas de jogo AKZ 100 de fortuna ou azar, ou documentos equivalentes Licenças Entre AKZ 500 e AKZ 100.000 Marcas e patentes AKZ 3.000 Notariado e actos notariais Entre AKZ 100 e AKZ 2.000 Operações aduaneiras 1% Utilização de crédito, sob a forma de fundos, mercadorias e outros valores em virtude da concessão de crédito a qualquer título, incluindo a cessão de créditos, o factoring e as operações de tesouraria quando envolvam qualquer tipo de financiamento Entre 0,001% e 0,5% Entre 0,002% e 0,7% Entre 0,001% e 1% Operações realizadas por ou com intermediação de instituições de crédito, sociedade financeiras ou outras entidades a elas legalmente equiparadas e quaisquer outras instituições financeiras Outras operações financeiras Locação financeira de bens imóveis 0,3% Locação financeira e operacional de bens móveis corpóreos 0,4% Precatórios ou mandatos para levantamento e entrega de dinheiro ou valores 0,01% Publicidade Entre AKZ 25 e AKZ 25.000 Registos e averbamentos em conservatórias de bens móveis Entre AKZ 3.000 e AKZ 45.000 Reporte 0,5% Seguros Entre 0,1% e 0,4% Títulos de crédito Entre 0,1% e 1% Angola - Tax Alert 2-2012 10
Operações Taxa Títulos de dívida pública emitidos por governos estrangeiros 0,5% Trespasses de estabelecimento, industrial ou agrícola, bem como 0,2% subconcessões e trespasses de concessões feitos pelo Estado e pelas províncias para exploração de empresas ou de serviços de qualquer natureza tenha ou não principiado a exploração Imposto de Consumo Para além da produção de bens em Angola, da importação de bens, dos bens vendidos pelas autoridades aduaneiras ou por outros serviços públicos, da utilização de bens ou matérias-primas fora do processo produtivo e que beneficiaram da desoneração de imposto, do consumo de água e energia, dos serviços de telecomunicações e dos serviços de turismo (incluindo hotéis e restaurantes), que já se encontravam sujeitos a Imposto de Consumo, passam também a ficar sujeitos a imposto os seguintes serviços: Serviços Locação de áreas especialmente preparadas para recolha ou estacionamento de veículos Locação de máquinas ou outros equipamentos, bem como trabalhos efectuados sobre bens móveis corpóreos, excluindo a locação de máquinas e outros equipamentos que, pela sua natureza, dêem lugar ao pagamento de royalties conforme definido no Código do Imposto sobre a Aplicação de Capitais Locação de áreas preparadas para conferências, colóquios, exposições, publicidade e outros eventos Serviços fotográficos, de revelação de filmes e tratamento de imagens, serviços de informática e construção de páginas de internet Taxa 5% 10% 10% 5% Serviços portuários e aeroportuários e serviços de despachantes 5% Serviços de segurança privada 5% Serviços de turismo e viagens promovidos por agências de viagens ou operadores turísticos equiparados 10% Serviços de gestão de cantinas, refeitórios, dormitórios, imóveis e condomínios 5% Acesso a espectáculos ou eventos, culturais, artísticos ou desportivos 5% Aluguer de viaturas, transportes marítimos e aéreos de passageiros, cargas e contentores, inclusive armazenagem relacionada com estes transportes, desde que realizados exclusivamente em Angola 5% Por outro lado, vem clarificar-se que o Imposto de Consumo deve ser liquidado pelo fornecedor dos bens ou prestador dos serviços. Contudo, no que se refere aos serviços que passaram a ficar sujeitos a Imposto de Consumo, a liquidação do imposto incumbe às entidades residentes em Angola sujeitas a Imposto Industrial, caso prestador dos serviços seja uma entidade não residente. Angola - Tax Alert 2-2012 11
No que respeita a isenções, de referir que qualquer benefício ou vantagem fiscal que tenham sido ou venha a ser concedidos em sede de Imposto de Consumo às operações de importação de determinados bens, deve ser também aplicável à produção desses mesmos bens. As alterações introduzidas pelo Decreto Legislativo Presidencial n.º 7/11 entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2012. Como pode a Ernst & Young ajudar? A Ernst & Young está disponível para prestar os esclarecimentos que se mostrem necessários quanto a esta temática, nomeadamente na aplicação a situações específicas e na obtenção, junto da Administração Fiscal, de informações relevantes sobre esta matéria. Ernst & Young Assurance Tax Transactions Advisory About Ernst & Young Ernst & Young is a global leader in assurance, tax, transaction and advisory services. Worldwide, our 152,000 people are united by our shared values and an unwavering commitment to quality. We make a difference by helping our people, our clients and our wider communities achieve potential. For more information, please visit www.ey.com For additional information, please contact: Alexandre Fernandes alexandre.fernandes@pt.ey.com Direct dial: +244 222 371 461 Mobile: +244 935 546 828/+35193 791 20 05 Paulo Mendonça paulo.mendonca@pt.ey.com Direct dial: +244 222 371 461 Mobile: +244 92 4516 158 António Neves antonio.neves@pt.ey.com Direct dial: +244 222 371 461 Mobile:+244 926 951 359 Ernst & Young 2012. All rights reserved. Ernst & Young refers to the global organization of member firms of Ernst & Young Global Limited, each of which is a separate legal entity. Ernst & Young Global Limited, a UK company limited by guarantee, does not provide services to clients. For more information, please visit www.ey.com. This publication contains information in summary form and is therefore intended for general guidance only. It is not intended to be a substitute for detailed research or the exercise of professional judgment. Neither EYGM Limited nor any other member of the global Ernst & Young organization can accept any responsibility for loss occasioned to any person acting or refraining from action as a result of any material in this publication. On any specific matter, reference should be made to the appropriate advisor. Angola - Tax Alert 2-2012 12