Fratura coronal do osso ganchoso

Documentos relacionados
FRACTURA DO UNCIFORME com Luxação Carpometacarpica

A fratura da apófise coracoide associada a luxação acrómioclavicular

Is it really necessary to restore radial anatomic parameters after distal radius fractures? Injury, Int. J. Care Injured 45S(2014) S21-S26

Lesões Traumáticas da Cintura Escapular. Prof. Reinaldo Hashimoto

PALAVRAS-CHAVE: Fratura-luxação de Monteggia; Classificação de Bado; Complicações.

Lesões Traumáticas do Punho e Mão. Prof. Reinaldo Hashimoto

TRAUMATOLOGIA DOS MEMBROS SUPERIORES

Propedêutica Ortopédica e Traumatológica. Prof André Montillo

FRACTURA CORONAL DO CAPITELLUM E TRÓCLEA UMERAL EM IDADE PEDIÁTRICA

Traumatologia. Distúrbios do Aparelho Locomotor tendo como Etiologia Sempre o TRAUMA, não importando a sua Magnitude.

Lesões Traumáticas do Membro Superior. Lesões do Ombro e Braço Lesões do Cotovelo e Antebraço Lesões do Punho e Mão

FRATURAS TROCANTÉRICAS ESTADO DA ARTE

Propedêutica Ortopédica e Traumatológica

Patologia do punho e mão

Prótese total trapézio-metacarpiana

Fracturas do Rádio distal

Tratamento das lesões em martelo ósseo pela técnica do bloqueio da extensão com fio de Kirschner

Lesões Traumáticas dos Membros Inferiores

Fratura do côndilo medial do úmero na criança

Fratura do Punho. Como é a anatomia normal do punho? Porque ocorre a fratura do punho?

Estudo por imagem do trauma.

Fratura-Luxação Tarsometatarsiana (Lisfranc)

Fractura-luxação de Monteggia

WALABONSO BENJAMIN GONÇALVES FERREIRA NETO FRATURA DA CABEÇA DA MANDÍBULA. CARACTERÍSTICAS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO.

Traumatologia. Lesões Fundamentais do Trauma:

AVALIAÇÃO POR IMAGEM DA COLUNA LOMBAR: INDICAÇÕES E IMPLICAÇÕES CLINICAS

Curso AOTrauma do Pé e Tornozelo

Lesões Traumáticas do Membro Superior. Lesões do Ombro e Braço Lesões do Cotovelo e Antebraço Lesões do Punho e Mão

FRACTURA-LUXAÇÃO DE MONTEGGIA

Princípios do tratamento das fraturas

Lesões Traumáticas do Membro Superior. Lesões do Ombro e Braço Lesões do Cotovelo e Antebraço Lesões do Punho e Mão

Tratamento cirúrgico da fratura-luxação de Lisfranc *

FIXAÇÃO PERCUTÂNEA DA FRACTURA DA GLENÓIDE COM APOIO ARTROSCÓPICO, EM DISRUPÇÃO TRIPLA DO COMPLEXO SUSPENSOR SUPERIOR DO OMBRO

Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga

Lesões Traumáticas do Membro Superior. Lesões do Ombro e Braço Lesões do Cotovelo e Antebraço Lesões do Punho e Mão

FRATURA POR ESTRESSE CUNEIFORME LATERAL UMA FRATURA RARA

TROCLEOPLASTIA: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

03 - AZUL PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA DA SBOT-RJ ORTOCURSO SBOT-RJ/ Mão e Punho CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEOT 18 de Julho de 2015

INTRODUÇÃO PUNHO. A mão é uma ferramenta valiosa, através da qual nós controlamos nosso ambiente e expressamos idéias e talentos.

Imaginologia Por radiografias. Profº Claudio Souza

O PRESENTE ESTUDO É DIRECIONADO AO ALUNO DO SEXTO ANO PARA DAR NOÇÕES MÍNIMAS DE ORTOPEDIA- TRAUMATOLOGIA

42º Congresso Bras. de Medicina Veterinária e 1º Congresso Sul-Brasileiro da ANCLIVEPA - 31/10 a 02/11 de Curitiba - PR

Radiologia do Esqueleto Apendicular Fraturas e complicações

Protocolo de Atendimento de Luxações do Pé e Tornozelo

Fraturas de stress. Fratura do escafoide társico em atleta profissional. Rui Pimenta Ribeiro, Paulo Amado, Paulo Carvalho, Pinto Freitas

DOENÇA ARTICULAR DEGENERATIVA ARTROSE Diagnóstico- Prevenção - Tratamento

Antebraço, Fossa Cubital e Mão

COMPLICAÇÕES NEUROLÓGICAS PÓS-CIRURGIA BARIÁTRICA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA ORTOCURSO PUNHO E MÃO CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEOT 25 de Junho de 2016

ÓRTESES PARA MMSS APOSTILA 04

Tratamento da fratura-luxação de Galeazzi *

Fratura do processo anterior do osso calcâneo uma fratura incomum e comumente esquecida

2º ENCONTRO NACIONAL DOS MÉDICOS AUDITORES E CODIFICADORES CLÍNICOS

PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MÉDICA EM ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA PROJETO PEDAGÓGICO

Imagem 1: destacada em vermelho a redução do espaço articular.

FUNDAMENTOS E CLÍNICA EM ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA I. Profº Ms. Marcos Antonio P. Brito 6ºTermo UniSalesiano Araçatuba

Fixação intramedular nas fraturas do colo dos metacarpianos *

Redução intrafocal e fixação percutânea das fraturas do colo do quinto metacarpo Descrição de técnica cirúrgica

PROTOCOLO DE ACESSO ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA HCFAMEMA

PREFEITURA MUNICIPAL DE MIRACEMA 2014 MÉDICO ORTOPEDISTA PLANTONISTA PROVA OBJETIVA

02 - AMARELA PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA DA SBOT-RJ ORTOCURSO SBOT-RJ/ Mão e Punho CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEOT 18 de Julho de 2015

PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA DA SBOT-RJ ORTOCURSO SBOT-RJ/ Mão e Punho CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEOT 18 de Julho de 2015 NOME:

PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA ORTOCURSO PUNHO E MÃO CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEOT 25 de Junho de 2016

PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA ORTOCURSO PUNHO E MÃO CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEOT 25 de Junho de 2016

FERNANDO DENEZ SOARES. Médico Residente em Ortopedia e Traumatologia do HONPAR.

TÉCNICA PERCUTÂNEA PARA ALINHAMENTO DE CAVILHA ENDOMEDULAR NA CORREÇÃO DE DEFORMIDADES ANGULARES DO FÉMUR

Síndrome escafocapitato *

SÍNDROME DO CANAL CÁRPICO EM DOENTE COM ANASTOMOSE DE MARTIN-GRUBER E SINOSTOSE RÁDIO-CUBITAL PROXIMAL CONGÉNITA: CASO CLÍNICO

ESPONDILOLISTESE TRAUMÁTICA DO AXIS FRATURA DO ENFORCADO

TRÍADE TERRÍVEL DO COTOVELO: AVALIAÇÃO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO

A enfermidade de Kienböck em adolescentes

LESÕES TRAUMÁTICAS DA COLUNA

Luxação do Ombro. Especialista em Cirurgia do Ombro e Cotovelo. Dr. Marcello Castiglia

SIMPÓSIO DE CIRURGIA GERAL

S UMÁRIO 1 DIAGNÓSTICO DAS AFECÇÕES MUSCULO-ESQUELÉTICAS CONSIDERAÇÕES GERAIS TRAUMATOLOGIA CONSIDERAÇÕES GERAIS PREFÁCIOS...

Médico Cirurgia de Joelho

Estudo de caso: abordagem fisioterapêutica em paciente com pós - operatório de Síndrome do Túnel do Carpo

Autoria: Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS PARA ATRIBUIÇÃO DE IDONEIDADE FORMATIVA PARA O INTERNATO DE ORTOPEDIA

OSTEOMIELITE FRACTURÁRIA DO ÚMERO TRATADA COM FIXADOR EXTERNO DE ILIZAROV

Fratura de Hoffa. Dificuldades de diagnóstico e opções de tratamento

GABARITO PÓS-RECURSO

Fracturas do Joelho no Desporto

Punho - Mão. Punho - Mão Cinesiologia. Renato Almeida

Avaliação a médio e longo prazo

ARTRODESE ATLANTOAXIAL COM PARAFUSOS TRANSLAMINARES EM C2 UMA NOVA OPÇÃO NO TRATAMENTO DAS INSTABILIDADES ATLANTO-AXIAIS

Fraturas Diáfise Umeral

Prof André Montillo

Prof André Montillo

Fixação transpedicular percutânea em fraturas toraco-lombares

FRATURA-AVULSÃO DO GRANDE TUBEROSIDADE DO ÚMERO COM LESÃO DA COIFA NUM ATLETA ADOLESCENTE UM PADRÃO LESIONAL RARO

Acta Ortopédica Brasileira ISSN: Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.


Tratamento das complicações de fraturas diafisárias dos ossos do antebraço*

Transcrição:

Rev Port Ortop Traum 21(2): 215-220, 2013 Caso clínico Fratura coronal do osso ganchoso Rui Rocha, André Sarmento, André Costa, Andreia Ferreira, Pedro Canela, Rolando Freitas Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho. Serviço de Ortopedia. Portugal. Rui Rocha André Sarmento André Costa Andreia Ferreira Interno do Internato Complementar de Ortopedia Pedro Canela Assistente Hospitalar de Ortopedia Rolando Freitas Chefe de Serviço, Diretor de Serviço Serviço de Ortopedia. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho Submetido em: 12 dezembro 2012 Revisto em: 11 março 2012 Aceite em: 12 abril 2013 Publicação eletrónica em: 28 junho 2013 Tipo de Estudo: Terapêutico Nível de Evidência: IV Declaração de conflito de interesses: Nada a declarar. Correspondência: Rui Rocha Rua Particular das Regadas nº28 ap. 3.1 4400 340 Vila Nova de Gaia Portugal ruimiguelreisrocha@gmail.com RESUMO Objetivo: A fratura do osso ganchoso é uma lesão rara correspondendo a 2-4% das fraturas do carpo tendo uma grande percentagem de atraso no diagnóstico. Pode atingir o corpo ou a apófise (sendo esta a mais frequente). O ganchoso promove a estabilidade dos 4º e 5º metacarpianos e qualquer alteração na sua geometria pode resultar em artrose ou impotência funcional. Descrição: Os autores apresentam um doente do sexo masculino com 3 semanas de evolução após fratura da base do 4º metacarpiano, com clínica de dor na região cubital do punho, diminuição da força de preensão e compressão do nervo cubital. Constatou-se fratura coronal do osso ganchoso e o doente foi submetido a osteossíntese do ganchoso com libertação do canal de Guyon. Avaliou-se o doente subjetiva e objetivamente 2 e 4 meses após a cirurgia, utilizando como critérios a satisfação do doente, o questionário DASH e estudos de imagem. Encontra-se satisfeito com o resultado obtido, sem dor local, com força de preensão mantida, sem clínica de compressão cubital, tendo retomado a sua atividade profissional. Comentários: As fraturas coronais do osso ganchoso são raras e geralmente cursam com fraturas da base do 4º metacarpiano. São de difícil avaliação com reiterados atrasos de diagnóstico. Sempre que existir uma fratura da base do 4º metacarpo com encurtamento do raio ou se a clínica não coincidir com a imagiologia, deve-se aprofundar a investigação. A fixação das fraturas coronais do osso ganchoso é importante para a estabilidade cárpica e tem bons resultados na literatura. Palavras chave: Osso ganchoso, articulações carpometacárpicas, osteossíntese, fratura www.rpot.pt Volume 21 Fascículo II 2013 215

Rui Rocha et al ABSTRACT Objective: A hamate fracture is a rare injury corresponding to 2-4% of carpal fractures and has a large percentage of delayed diagnosis. It may reach the body or apophysis (this being the most common). The hamate promotes the stability of the 4 th and 5 th metacarpal and any change in its geometry can result in arthritis or functional impairment. Description: The authors describe a male patient with 3 weeks of development after fracture of the 4th metacarpal base with clinical pain in the ulnar wrist, decreased grip strength and compression of the ulnar nerve. It was found a coronal fracture of the hamate and the patient underwent osteosynthesis with the release of Guyon's canal. The patient was evaluated subjectively and objectively 2 and 4 months after surgery, using criteria such as patient satisfaction, the DASH questionnaire and imaging studies. The patient is satisfied with the result obtained without local pain, grip strength maintained with no clinical cubital compression, having resumed his occupation. Comments: The coronal bone fractures of the hamate are rare and usually occur with fractures of the base of the 4th metacarpal. Whenever there is a fracture of the 4th metacarpal base with shortening of the radius or if the clinic does not match the imaging, should further research be optimized. The fixation of coronal fractures of the hamate is important to obtain carpal stability. Key words: Hamate bone, carpometacarpal joints, osteosynthesis, fracture INTRODUÇÃO A fratura do osso ganchoso é uma lesão rara, correspondendo a 2-4% das fraturas do carpo, sendo uma patologia pouco descrita na literatura[ 1 ]. Pode atingir o corpo ou a apófise (sendo esta mais frequente). O ganchoso é um osso que ajuda a promover a estabilidade dos 4º e 5º metacarpianos e qualquer alteração na sua geometria pode resultar em artrose cárpica ou impotência funcional com perda de mobilidade e de força de preensão[ 2 ]. A lesão coronal ocorre quando o 4º e 5º metacarpianos sofrem uma carga axial ou subluxam dorsalmente[ 1 ]. A imagem da radiologia cárpica convencional pode ser obscura e pouco esclarecedora pois o fragmento ósseo não é facilmente visível. O diagnóstico diferencial deve sempre incluir as fraturas/ luxações do piramidal ou de qualquer outro osso do carpo limítrofe. Outros critérios para suspeitar desta lesão são a fratura da base do 4º metacarpiano com encurtamento concomitante desse mesmo raio e uma disparidade evidente entre a clínica e os exames de imagem obtidos. As lesões coronais normalmente apresentam instabilidade e necessitam consequentemente de fixação interna[ 3 ]. A radiografia do punho com 30º de pronação é a melhor incidência para caracterizar a fratura, o seu desvio ou mesmo a luxação articular inerente[ 1, 4-6 ]. Em caso de dúvida ou para estudo e planeamento pré-cirúrgico a tomografia axial computorizada deve ser realizada. 216 REVISTA PORTUGUESA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

Fratura coronal do osso ganchoso CASO CLÍNICO Doente do sexo masculino, 26 anos de idade, empregado da construção civil. Sem antecedentes médicos ou cirúrgicos e sem medicação habitual antes do traumatismo. Deu entrada no Serviço de Urgência com história de traumatismo axial do punho com três semanas de evolução tendo, na altura, sido imobilizado no mesmo Serviço com tala de gesso antebraquipalmar com o punho em posição neutra e flexão metacarpofalângica. Apresentava três semanas depois clínica de dor mantida na região cubital do punho, diminuição da força de preensão e compressão do nervo cubital. Radiologia do punho (face e perfil): fratura da base do 4º metacarpiano (Figura 1). Pela manutenção das queixas foi requisitada uma Tomografia Axial Computorizada que descreveu uma fratura coronal do osso ganchoso e da base do 4º metacarpiano (Figura 2). O doente foi submetido a osteossíntese do ganchoso com dois parafusos e libertação do canal de Guyon. Na avaliação aos 4 meses após cirurgia o doente encontrava-se satisfeito com o resultado obtido, sem dor local, um score DASH de 78 pontos, com força de preensão mantida, sem clínica de compressão cubital, tendo retomado a sua atividade profissional (Figura 3). DISCUSSÃO Este caso clínico está de acordo com os descritos na literatura, até no que diz respeito ao atraso no diagnóstico. Como são lesões raras ou raramente diagnosticadas, as referências bibliográficas não são muitas. Mesmo assim encontra-se uma proposta de classificação por Cain et al[ 7 ]: tipo Ia luxação ou subluxação carpometacárpica sem fratura do ganchoso; tipo Ib igual à primeira com fratura/ avulsão do osso ganchoso; tipo II luxação com fratura cominutiva da vertente dorsal do ganchoso; tipo III luxação com fratura coronal do ganchoso (equivalente ao caso descrito). Quanto ao tratamento proposto estão descritas várias formas: conservador, redução e fixação com fios de Kirschner, redução e osteossíntese com parafusos. O tratamento conservador apresenta várias contraindicações com exceção do tipo Ia, como sendo a necessidade de imobilização prolongada, a Figura 1. Radiologia do punho (face e perfil): fratura da base do 4º metacarpiano. www.rpot.pt Volume 21 Fascículo II 2013 217

Rui Rocha et al Figura 2. TAC que descreveu uma fratura coronal do osso ganchoso e da base do 4º metacarpiano. Figura 3. Radiologia do punho avaliação aos 4 meses após cirurgia. 218 REVISTA PORTUGUESA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

Fratura coronal do osso ganchoso dificuldade evidente de reavaliação com possibilidade de perda de redução e consequentemente maior risco de instabilidade, pseudartrose e desenvolvimento de artrose pancárpica. As lesões tipo II e III devem ser tratadas cirurgicamente, dependendo o método de tratamento do timing cirúrgico, sendo possível a fixação, a osteossíntese ou mesmo a artrodese carpometacárpica[ 8 ]. As descrições de atraso no diagnóstico vão de dias a meses[ 9 ]. A suspeita diagnóstica deve sempre levar em conta o mecanismo lesional, a dor e deformidade na região cubital do carpo, a instabilidade (difícil de avaliar), a fratura concomitante da base do 4º metacarpiano e a dissociação clínico-imagiológica. Uma referência ainda para as fraturas isoladas do ganchoso, tão raras que se deve suspeitar da presença de um osso ganchoso bipartido, sendo aconselhável obter imagens do punho contralateral. www.rpot.pt Volume 21 Fascículo II 2013 219

Rui Rocha et al REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Thomas AP, Birch R. An unusual hamate fracture. J Hand Surg [Br]. 1983; 15: 281-286. 2. Zoltie N. Fractures of the body of the hamate. Injury. 1991; 22:459-62. 3. Berquist TH, ed. Imaging of orthopedic trauma and surgery. Philadelphia: Saunders, 1986: 687. 4. Terrono A, Ferenz C. Displaced intra-articular coronal fracture of the body of the hamate treated with a Herbert screw. J Hand Surg. 1988; 13-A: 619. 5. Ebraheim NA, Skie MC, Savolaine ER, Jackson WT. Coronal fracture of the body of the hamate. J Trauma. 1995; 38 (2): 169-174. 6. Bora W, Didizian N. The treatment of injuries to the carpometacarpal joint of the little finger. J Bone Joint Surg. 1974; 56-A: 1459. 7. Cain JE, Shepler TR, Wilson MR. Hamatometacarpal fracturedislocation: classification and treatment. J Hand Surg [Am]. 1987; 12: 762-767. 8. Garcia Elias, Abanco M, Salvador J, Sanches E. Crush injury of the carpus. J Bone Joint Surg [Br]. 1985; 67-B: 286-289. 9. Henderson J, Arafa M. Carpometacarpal dislocation: an easily missed diagnosis. J Bone Joint Surg [Br]. 1987; 69-B: 212-214. Texto em conformidade com as regras do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, convertido pelo programa Lince ( 2010 - ILTEC). 220 REVISTA PORTUGUESA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA