Estabelecimento Empresarial É a base física da empresa, que consagra um conjunto de bens corpóreos e incorpóreos, constituindo uma universalidade que pode ser objeto de negócios jurídicos. É todo o complexo de bens organizados, para o exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária (art. 1142). O estabelecimento consagra a reunião, de forma organizada, de todos os instrumentos voltados ao desenvolvimento da atividade empresarial e à obtenção de lucro. Assim, estão abrangidos nesse conceito, bens corpóreos móveis e imóveis (sede da empresa, terrenos, depósitos, maquinário, matéria-prima etc.) e também bens incorpóreos (marca, nome empresarial, patente, ponto comercial etc.). O estabelecimento comercial por possuir valor econômico e tutela jurídica, é suscetível de negociação no mercado empresarial. Pode, assim, ser objeto unitário de direitos e negócios jurídicos constitutivos ou translativos, desde que compatíveis com sua natureza (art. 1143). Importante: O estabelecimento por ser um conjunto de bens com valor econômico, é uma das principais garantias dos credores da empresa; na hipótese de eventual inadimplência, estes poderão executar esse patrimônio. De acordo com Fábio Ulhoa Coelho, a sociedade empresária, poderá possuir mais de um estabelecimento, sendo que o mais importante será a sede e o outro ou outros serão as filiais ou sucursais. Em todos os seus estabelecimentos, a sociedade empresária exercerá cada um de seus direitos. Porém, tratando-se de competência judicial, o foro competente para a resolução de um conflito se dará conforme a origem da obrigação. E, no caso de pedido de falência ou de recuperação judicial, o foro competente será o do mais notável estabelecimento da sociedade, sob o ponto de vista financeiro. NATUREZA JURÍDICA Universitas facti, Universalidade de fato. Em outras palavras, um complexo de bens cuja finalidade é determinada pela vontade de uma pessoa natural ou jurídica.
No decorrer dos tempos, surgiram diversas teorias sobre a natureza do estabelecimento, contudo, para tal compreensão vale ressaltar apenas três pontos fundamentais: 1 - o estabelecimento empresarial não é sujeito de direito; 2 - o estabelecimento empresarial é uma coisa; 3 - o estabelecimento empresarial integra o patrimônio da sociedade empresária. Desta forma, não se pode confundir estabelecimento com sociedade empresária (sujeito de direito) e nem com a própria empresa (possuidora de atividade econômica). O art. 1.143, Código Civil, prevê: "Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos e constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza". Desta forma, o Código Civil Brasileiro e a doutrina estruturam o estabelecimento empresarial como uma coisa coletiva, uma vez que os bens integrantes do estabelecimento poderão ser vendidos tanto unificadamente, como no trespasse, quanto isoladamente. Ou seja, tais bens poderão ser objetos de diversas relações jurídicas, sejam elas autônomas ou unificadas. Portanto, o estabelecimento empresarial é uma coisa que se diferencia da própria empresa, pois, esta, corresponde à atividade exercida pelo empresário. Vale ressaltar que por ser integrante do patrimônio da sociedade empresária, o estabelecimento é objeto de direito, podendo ser alienado, onerado, arrestado, penhorado ou objeto de sequestro. ELEMENTOS DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL O estabelecimento empresarial é formado por elementos materiais (corpóreos) e imateriais (incorpóreos). Os elementos corpóreos compreendem os mobiliários, utensílios, máquinas, veículos, mercadorias em estoque e todos os demais bens que o empresário utiliza para o bom desenvolvimento e organização de sua atividade econômica. Por sua vez, os elementos incorpóreos do estabelecimento empresarial compreendem, principalmente, os bens industriais registro de desenho industrial, marca registrada, patente de invenção, de modelo de utilidade, nome empresarial e título de estabelecimento; e o ponto local ao qual a atividade econômica é explorada.
CONTRATO DE TRESPASSE A alienação de estabelecimento de um empresário individual ou sociedade empresária a outro. Contrato que tem por objeto a alienação, o usufruto ou arredamento de estabelecimento; deve ser registrado na junta comercial ao registro de empresa, bem como publicado na imprensa social (art. 1144). O trespasse implica a transferência do conjunto de bens organizados pelo alienante ao adquirente, de modo que este possa prosseguir com a exploração da atividade empresarial. Obs.: O alienante, a não ser que exista autorização expressa, não poderá fazer concorrência ao adquirente pelo prazo de 5 anos, subsequentes a alienação (art. 1147). SUCESSÃO EMPRESARIAL O adquirente assumirá a posição do empresário primitivo, devendo arcar com todos os contratos já celebrados por este, por força da atividade desenvolvida. Aquele que adquire fica responsável pelos débitos anteriores à aquisição, se regularmente contabilizados, devendo ele ser acionado pelos credores do antigo dono do estabelecimento. O devedor primitivo (alienante) permanece solidariamente obrigado com aquele pelo prazo de 1 ano, a contar da publicação da transferência (art. 1146). Assim como o adquirente assume os débitos, também pode haver cessão de créditos a que tinha direito o alienante, enquanto no comando; essa cessão produzirá efeito perante os respectivos devedores partir da publicação da transferência (art. 1149). CLÁUSULA DE NÃO CONCORRÊNCIA Art. 1.147, CC: Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos 5 (cinco) anos subsequentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. TRANSFERÊNCIA Art. 1.148, CC: Salvo disposição em contrário, a transferência importa a subrogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se
não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. DO TÍTULO DO ESTABELECIMENTO É o nome ou símbolo dado para identificar o estabelecimento e não se confunde com nome empresarial. Trata-se de uma faculdade conferida a este de utilizar ou não de expressão idêntica, semelhante ou diferente. O título pode ser composto por um nome fantasia e ou por uma insígnia, que seria uma representação gráfica do título. Ex: Nome Empresarial: Silva & Souza Cosméticos Ltda. Título do Estabelecimento: Loja do Silvio DO PONTO COMERCIAL Trata-se do endereço que o empresário exerce sua atividade; lugar físico que foi firmado o estabelecimento. É um elemento incorpóreo do estabelecimento, que é juridicamente protegido, dotado de valor econômico. AVIAMENTO Aviamento é um dos elementos integrantes do estabelecimento empresarial. É resultante da boa organização dos elementos e fatores da produção, decorrentes da atividade empresarial. Significa a capacidade do estabelecimento de apresentar lucros para o seu empresário. O aviamento exercita-se por meio da clientela, que é o fluxo dos compradores dos bens e serviços produzidos pelo estabelecimento. CLIENTELA Fábio Ulhoa Coelho ensina que clientela é o conjunto de pessoas que habitualmente consomem os produtos ou serviços fornecidos por um empresário. LOCAÇÃO EMPRESARIAL Residencial
Não residencial: Quando desenvolve a atividade em imóvel alugado. (lei 8.245/91 arts. 51, 52, 71 a 75). Nas locações aqui destinadas o locatário terá direito à renovação compulsória, mas para isso deverá observar os requisitos do art. 51 da lei acima. Empresarial: Surge aderência ao ponto; só podendo o locador pedir o ponto quando em conformidade com 51 e 52 da lei referida. CONTRATO DE LOCAÇÃO EM SHOPPING CENTER E A AÇÃO RENOVATÓRIA Deve ser considerado shopping center o empreendimento em que um empresário, proprietário de um determinado prédio, constituído de espaços relativamente autônomos, organiza e distribui estes espaços, para locá-los a pessoas interessadas em desenvolver e explorar atividades econômicas previamente determinadas. O objetivo do shopping center é colocar à disposição dos consumidores, num determinado local, com facilidade de acesso e seguro, variados produtos e serviços, no atendimento das necessidades dos consumidores. Deve ser compreendido que o empresário que desenvolve a atividade econômica do shopping center, não dirige tão somente um negócio imobiliário, mas um empreendimento complexo, para o atendimento de exigências que envolvem necessidades de pessoas. A doutrina diverge quanto a natureza do contrato firmado entre o empreendedor do shopping center e o lojista, quanto a ocupação deste, para o exercício de sua atividade empresarial, de uma das lojas existentes no empreendimento ou em outro espaço nele existente, considerando-o como contrato atípico misto ou como uma coligação de contratos, dentre os quais o de locação. No entanto como a Lei regula esta relação em alguns dos seus dispositivos, uma outra parte dos doutrinadores, muito embora admitam a existência de aspectos muito específicos nesta relação contratual, atribuem à mesma a natureza de locação, assim existirá um contrato de locação, revestido de cláusulas especiais para o atendimento às especificidades do Shopping Center. A Lei 8.245/91, no 2º, do art. 52, admite a renovação compulsória do contrato de locação de espaço em shopping center. Importante : lei 8.245/91