BOTULISMO EM CÃES: RELATO DE CASO

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Transcrição:

EQUALIS ENSINO E QUALIFICAÇÃO SUPERIOR CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE PEQUENOS ANIMAIS Felipe Silva Sento Sé BOTULISMO EM CÃES: RELATO DE CASO Salvador/BA 2016

2 EQUALIS ENSINO E QUALIFICAÇÃO SUPERIOR CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE PEQUENOS ANIMAIS Felipe Silva Sento Sé BOTULISMO EM CÃES: RELATO DE CASO Monografia apresentada como requisito para conclusão do Curso de Pós-Graduação em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, da EQUALIS Ensino e Qualificação Superior, orientado pelo M.V. MSc. Salvador Santana Silva Júnior Salvador/BA 2016

3 Felipe Silva Sento Sé BOTULISMO EM CÃES: RELATO DE CASO Monografia apresentada como requisito para conclusão do Curso de Pós-Graduação em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, da EQUALIS Ensino e Qualificação Superior, orientado pelo M.V. MSc. Salvador Santana Silva Júnior Salvador/BA, de de 20 Salvador Santana Silva Júnior Salvador/BA 2016

4 Dedicatória À minha família, que sempre me apoiou, me incentivou e me forneceu a base necessária para que eu seja o que sou hoje.

5 AGRADECIMENTOS À Deus, por ter me concedido sabedoria, inspiração, saúde e muita coragem para continuar seguindo em frente sempre pelo caminho certo. À minha companheira Vanessa Rayane pelo apoio e conforto À toda minha família pelo apoio. À todos os professores do curso de Pós graduação da EQUALIS por seus ensinamentos. À todos que contribuíram direta e indiretamente para realização deste trabalho, muito obrigado!

6 Ouvi, esqueci. Vi, lembrei. Fiz, aprendi. Confúcio

7 RESUMO O botulismo é uma doença rara em cães, resulta da ingestão de comida deteriorada ou carcaças em decomposição contendo a toxina pré - formada produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Os sinais clínicos do botulismo, que se desenvolvem de 7 a 14 dias após a ingestão da toxina. O diagnóstico de rotina é baseado nas manifestações clínicas e histórico do animal. A prova biológica em camundongos é o método de diagnóstico definitivo para a doença. O tratamento do botulismo baseia - se principalmente em medidas de suporte. Os antibióticos quase não tem utilidade, pois a toxina é pré-formada. O animal examinado tinha 4 anos, da raça Cane Corso, 30kg e apresentou incoordenação e que, logo, evoluiu para decúbito. Foi relatado que no dia anterior o animal teve acesso a uma carcaça de um ovino que foi abatido na propriedade. Animal apresentava esquema vacinal em dias, inclusive a anti-rábica com vacinas éticas e controle de ectoparasitas atualizada com o uso de coleira com deltametrina e propoxur e sem presença de carrapatos. Foi coletado amostra de sangue e urina para realização de hemograma e pesquisa de hemoparasitas e urinálise, onde não foram encontrados nenhuma alteração. O animal foi tratado com terapia de suporte de enfermagem e fisioterapia e antibioticoterapia, utilizando se cefalexina 900 mg, BID, durante 14 dias. O animal apresentou retorno dos movimentos inicialmente nos membros torácicos, o que é justificado pela paralisia ser ascendente e obteve cura total em 18 dias, dentro do prazo médio descrito por diversos autores. Palavras-chaves: Botulismo; relato de caso; toxina.

8 LISTAS DE TABELAS E ILUSTRAÇÕES Lista de Ilustrações: Figura 1- Clostridium botulinum mostrando a localização subterminal do endósporo...13 Figura 2 - Bloqueio da acetilcolina nos receptores nervosos...15 Lista de Tabelas: Tabela 1 Cuidados de enfermagem e fisioterapia para cães...18

9 LISTA DE SÍMBOLOS E SIGLAS Ng nanograma kda unidade de massa atômica kg - Quilograma IM - intramuscular % - Porcentagem mg - miligramas

10 SUMÁRIO BOTULISMO EM CÃES RELATO DE CASO INTRODUÇÃO... 11 1. OBJETIVO GERAL... 12 2. REVISÃO DE LITERATURA... 13 2.1. Botulismo em cães... 13 2.2. Patogenia... 15 2.3. Manifestações Clínicas... 16 2.4. Diagnóstico... 17 2.5. Diagnóstico Diferencial... 17 2.6. Tratamento... 18 2.7. Medidas de controle... 19 3. RELATO DE CASO... 20 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 21

11 1. INTRODUÇÃO Botulismo animal é visto principalmente em ruminantes, equinos e aves domésticas, especialmente aquáticas. Raramente são afetados suínos, carnívoros e peixes (HIRSH; ZEE, 2003). Clostridium botulinum tipos C e D causam a maioria dos surtos de botulismo nos animais domésticos. Suínos e cães são relativamente resistentes às neurotoxinas, e o botulismo é raro em gatos domésticos (QUINN et al., 2005). O botulismo é uma doença rara em cães, resulta da ingestão de comida deteriorada ou carcaças em decomposição contendo a toxina pré - formada produzida pela bactéria Clostridium botulinum (NELSON & COUTO, 2001); sendo esta uma bactéria gram positiva, anaeróbica, formadora de esporos, saprófita do solo (ETTINGER & FEELDMAN, 1997). Botulismo é uma doença não contagiosa, resultante da ação de potente toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. A doença nos cães ocorre devido à ingestão de alimentos putrefatos ou carcaças decompostas que contenham a toxina botulínica do tipo C. O quadro clínico é de paralisia muscular flácida a partir do bloqueio da liberação do neurotransmissor acetilcolina nas junções neuromusculares. As neurotoxinas de C. botulinum são as mais potentes toxinas biológicas conhecidas. Toxinas pré - formadas nos alimentos, absorvidas no trato gastrointestinal, circulam na corrente sanguínea e agem nas junções neuromusculares dos nervos colinérgicos e nas sinapses autônomas periféricas. Os sinais clínicos do botulismo, que se desenvolvem de sete a 14 dias após a ingestão da toxina, são semelhantes em todas as espécies. Pupilas dilatadas, membranas mucosas secas, diminuição da salivação, flacidez na língua e disfagia são características da doença em animais de criação. Incoordenação e marcha rígida são seguidas por paralisia flácida e decúbito. A paralisia dos músculos respiratórios leva à respiração abdominal (QUINN et al., 2005). O diagnóstico de rotina é baseado nas manifestações clínicas e histórico do animal. A prova biológica em camundongos é o método de diagnóstico definitivo para a doença. O tratamento do botulismo baseia - se principalmente em medidas de suporte. Os antibióticos quase não tem utilidade, pois a toxina é pré-formada (TORTORA, 2003).

12 1. OBJETIVO GERAL Reunir informações sobre botulismo em cães, abrangendo todos os seus aspectos permitindo precoce diagnóstico e relatar um caso atendido na clínica ProntoVet em Petrolina-PE.

13 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Botulismo em cães Botulismo é uma doença não contagiosa, resultante da ação de potente toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. A doença nos cães ocorre devido à ingestão de alimentos putrefatos ou carcaças decompostas que contenham a toxina botulínica do tipo C. Figura 1- Clostridium botulinum mostrando a localização subterminal do endósporo Fonte: Tortora,G.J.; Funke,B.R.; Case,C.L., (2003). Assim que é ingerida, a toxina é absorvida pelo estômago e parte superior do intestino delgado até os linfáticos, as toxinas atuam nas junções neuromusculares, provocando paralisia funcional motora sem a interferência com a função sensorial induzindo à paralisia da musculatura esquelética através da inibição da liberação da acetilcolina pelas terminações colinérgicas das fibras nervosas (NELSON & COUTO, 2001). Os sinais clínicos observados são paralisia progressiva e ascendente do neurônio motor inferior acometendo nervos cranianos e espinhais. Os cães ficam

14 profundamente enfraquecidos perdem o tônus muscular e não apresentam reflexos espinhais, mas não há atrofia muscular. A propriocepção e a percepção da dor são normais, sem hiperestasia. É comum o acometimento extenso de nervos cranianos. Os cães acometidos podem ter sialorréia, tosse e dificuldade de apreender a comida. Pode ocorrer o aparecimento de megaesôfago, então é comum o animal apresentar regurgitação. Em cães gravemente acometidos pode - se observar midríase (NELSON & COUTO, 2001). O botulismo foi descrito pela primeira vez como uma doença clínica do século XIX, quando ficou conhecido como a doença da salsicha (botulus é a palavra latina para salsicha). Um tipo de linguiça vermelha era produzido enchendo-se o estômago de um porco com sangue e carne moída, atando firmemente as aberturas, fervendo por um curto período e defumando sobre uma fogueira. A lingüiça era então armazenada em temperatura ambiente. Esta tentativa de conservação dos alimentos incluía a maioria das exigências para um surto de botulismo. Ela matava as bactérias competidoras, mas permitia que os endosporos de Clostridium botulinum, mais termoestáveis, sobrevivessem, e fornecia as condições anaeróbicas e um período de incubação para a produção da toxina (TORTORA, 2003). Existem sete tipos de C. botulinum classificados de A até G, sendo o tipo C o principal responsável por casos de botulis mo em cães (COLBACHINI et al., 1999; BRUCHIM et al., 2006). As toxinas produzidas pelo C. botulinum são os mais potentes tóxicos conhecidos de origem microbiológica. Resistentes à ação proteolítica, são absorvidas pela mucosa intestinal e agem na placa neuromuscular, causando uma paralisia flácida (LINDSTRÖM e KORKEALA, 2006) Os reflexos dos pares de nervos cranianos I, III e IV estão alterados e pode-se observar, nistagmo vertical e estrabismo. A morte pode resultar da paralisia ou infecção respiratória secundária ou urinária,e a duração da enfermidade dos cães que se recuperam tem variado de 1-3 semanas (GREENE, 1997) O período de incubação da doença varia de algumas horas até 2 dias após a ingestão da toxina. Dependendo da gravidade da intoxicação, os cães apresentam diferentes quadros clínicos, demonstrando desde instabilidade ao moverem-se e fraqueza ascendente simétrica, até prostração profunda e paralisia flácida generalizada e psiquismo inalterado (NAFE, 1988).

15 O número de moléculas de toxina botulínica necessárias para causar intoxicação, morbidade e morte de animais e humanos é um assunto intrigante. Por exemplo, quando considerada em termos de células corporais totais, estima-se que 20-70 ng ou ~ 8x10 10 a 3x10 11 moléculas de neurotoxina botulínica (a massa molecular = 150 kda) é suficiente para produzir uma letalidade em um homem adulto de 70 kg (JOHNSON; MONTECUCCO, 2008 apud LAMANNA, 1959). 2.2 Patogenia Assim que é ingerida, a toxina é absorvida pelo estômago e parte superior do intestino delgado até os linfáticos, as toxinas atuam nas junções neuromusculares, provocando paralisia funcional motora sem a interferência com a função sensorial induzindo à paralisia da musculatura esquelética através da inibição da liberação da acetilcolina pelas terminações colinérgicas das fibras nervosas (NELSON & COUTO, 2001). A toxina é distribuída ao longo dos compartimentos extracelulares, vasculares e extravascular, e qualquer célula que tem terminações nervosas perifericamente e corpos celulares centralmente pode ser considerada um condutor potencial (SIMPSON, 2013) (Figura 2) Figura 2 - Bloqueio da acetilcolina nos receptores nervosos. Fonte: Rosseto, O. et al. (2013)

16 A morte pode resultar da paralisia respiratória. A duração da enfermidade nos cães que se recuperam tem variado de uma a três semanas (ETTINGER & FEELDMAN,1997). 2.3 Manifestações Clínicas Os sinais clínicos geralmente ocorrem entre 24 e 48 horas, podendo aparecer em até 6 dias após a ingestão. É observado uma fraqueza ascendente simétrica e progressiva a partir dos membros posteriores para os anteriores, que pode resultar em quadriplegia, paresia e paralisia flácida, acreditando-se que a toxina tenha ação no sistema nervoso central, podendo atuar também no sistema nervoso periférico (CORRÊA & CORRÊA, 1992). No início do curso da moléstia, ou em animais levemente afetados, ambulação pode ser rígida e os membros pélvicos podem ser utilizados de forma sincronizada, como salto de coelho (BRAUND, 1997). A percepção de dor está intacta e não ocorrem atrofia muscular, nem hiperestesia, a função proprioceptiva está normal (NELSON & COUTO 2001). Observa-se frequentemente paralisia facial, disfonia, disfagia e megaesôfago decorrentes do envolvimento do nervo craniano. Também são documentadas constipação e retenção urinária (CHRISMAN et al, 2005). Os reflexos dos membros estão deprimidos, e as respostas dos nervos motores cranianos afetadas, o que causa midríase, redução do tono mandibular, diminuição dos reflexos de engasgamento e salivação excessiva. Pode estar presente megaesôfago. A percepção de dor está intacta e não ocorrem atrofia muscular, nem hiperestesia, a função proprioceptiva está normal (NELSON & COUTO 2001).

17 2.4 Diagnóstico O diagnóstico baseia - se nos achados clínicos e/ou na história de ingestão de comida deteriorada. O período de incubação é inferior a seis dias. O botulismo é particularmente provável caso se observe um surto de paralisia neurônio motor inferior em um grupo de cães. A fraqueza dos músculos da face, da mandíbula e da faringe é muito pronunciada no botulismo (NELSON & COUTO, 2001). O diagnóstico confirmatório do botulismo está baseado na descoberta da toxina no soro, fezes, vômito ou amostras de comida que foram ingeridas. O soro deve ser colhido o mais cedo possível quanto ao curso da doença e quando os sinais clínicos são máximos, e ser injetado em camundongos saudáveis, que geralmente ficarão doentes em 24-48 horas (CHRISMAN, 1985). 2.5 Diagnóstico diferencial A raiva deve ser considerada como diagnóstico diferencial em cães gravemente acometidos, mas em geral, é rapidamente progressiva e associada a anormalidades do estado mental. A fraqueza dos músculos da face, da mandíbula e da faringe é muito mais pronunciada no botulismo do que na polirradiculoneurite aguda ou na paralisia causada pelo carrapato (NELSON & COUTO, 2001). Miastenia grave se apresenta comumente como fraqueza episódica ou induzida por exercícios decorrentes do comprometimento da transmissão da acetilcolina nas junções neuromusculares dos músculos esqueléticos. A intoxicação por aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina, e outros) podem causar ou exacerbar um bloqueio da junção neuromuscular.

18 2.6 Tratamento Não há tratamento específico para o botulismo. Pode-se utilizar antitoxina específica, porém, para ser eficaz, ela deve ser administrada antes de a toxina botulínica se ligar aos receptores na junção mioneural. A administração da antitoxina tipo C, 10000 unidades por via IM, em duas injeções com intervalo de quatro horas, é recomendada, mas essa droga se liga e inativa apenas a toxina circulante, que ainda não penetrou nas terminações nervosas (TAYLOR, 2010). O tratamento do botulismo em cães é baseado na terapia de suporte, incluindo principalmente hidratação, cuidados com a ventilação, manejo da disfagia e da retenção urinária, além de constante reposicionamento para evitar escaras de decúbito. (SILVA, R. O. S. et, al 2008) Se a ingestão recente está sob suspeita, esvaziamento do estômago e lavagens são úteis (HIRSH; ZEE, 1999). Laxantes e enemas podem auxiliar na remoção da toxina não absorvidas (CHRISMAN, 2005). Alguns cuidados de enfermagem com o paciente estão disponíveis na tabela 1: Tabela 1 Cuidados de enfermagem e fisioterapia para cães CUIDADOS DE ENFERMAGEM E FISIOTERAPIA PARA CÃES * Mantenha o animal sobre uma superfície limpa e acolchoada e vire-o para o lado oposto a cada 6 horas. * Monitore quanto a tosse, aumento de ruídos pulmonares e desconforto respiratório duas vezes ao dia (suspeita de pneumonia). * Monitore quanto a febre duas vezes ao dia. * Comprima a bexiga a cada 6 a 8 horas se for incapaz de urinar. * Use enemas ou amolecedores fecais para auxiliar na defecação, se for necessário * Mantenha a pele seca e livre de urina e fezes (aplique pomada repelente de águas em áreas perineais e abdominais caudais. * Pode-se precisar de lágrimas artificiais ou pomada lubrificante oftalmológicas se o reflexo palpebral estiver ausente. * Alimento de alta qualidade e água oferecido manualmente até que o cão consiga manter o decúbito esternal. * Massageie e realiza exercícios de extensão passiva e movimentos dos membros por 15minutos 3 a 4vezes por dia. * Administre banhos de turbilhonamento e permita natação diária. * Auxilie em tentativas de ficar em pé e sustentar o peso 3 a 4 vezes ao dia. * Caminhadas com tipoia podem começar quando algum movimento retornar Fonte: CHRISMAN et al, 2005, p. 212

19 2.7 Medidas de controle O botulismo é melhor prevenido pela diminuição do acesso à carne putrefata, não permissão ao consumo de carne crua ou comidas contaminadas e comidas inadequadamente cozidas (KRIEK; ODENDAAL,1994) Vacinar os animais com toxina de Clostridium botulinum tipo C protege, efetivamente contra o tipo C de intoxicação (CLOUB; CLOUGH, 2008). Há imunização disponível apenas para bovinos, caprinos e ovinos. Esses animais devem ser vacinados a partir do quarto mês de vida, revacinando os primovacinados quatro semanas após a primeira vacinação; a partir desse ponto, serão vacinados anualmente (BRASIL, 2002)

20 3 RELATO DE CASO O animal examinado tinha 4 anos, da raça Cane Corso, 30kg, que passava a maior parte do tempo em uma chácara na zona urbana de Petrolina, Pernambuco atendido na clínica veterinária ProntoVet no dia 15/03/2016. Animal apresentava esquema vacinal em dias, inclusive a anti-rábica e controle de ectoparasitas atualizada com o uso de coleira com deltametrina e propoxur (Leevre Ourofino). O proprietário relata que o animal apresentou incoordenação e que, logo, evoluiu para decúbito. Foi relatado, inclusive que, no dia anterior o animal teve acesso a uma carcaça de um ovino que foi abatido na propriedade. No exame clínico no dia 15/03/2016 o animal apresentou-se apático, em decúbito lateral, desidratação de 2% TPC de 3 segundos, linfonodos normais, mucosas normocoradas, frequência cardíaca e respiratória normais e temperatura 38,1ºC. Foi coletado amostra de sangue e urina para realização de hemograma e pesquisa de hemoparasitas e urinálise, onde não foram encontrados nenhuma alteração. A suspeita foi de botulismo, devido ao descarte de demais doenças e histórico de ingestão de carcaça apodrecida. Os sinais clínicos observados são sugestivos de botulismo e corroboram com relatos anteriores (DARKE et al., 1976; FARROW et al., 1983; BORS et al., 1988; BRUCHIM et al., 2006). O animal foi tratado com terapia de suporte de enfermagem e fisioterapia e antibioticoterapia, utilizando se cefalexina 900 mg (Celesporin 600mg-Ourofino), BID, durante 14 dias. O animal apresentou retorno dos movimentos inicialmente nos membros torácicos, o que é justificado pela paralisia ser ascendente e obteve cura total em 18 dias, dentro do prazo médio descrito por diversos autores. Mesmo com a troca de decúbito, foram desenvolvidas escaras e feridas de apoio devido ao longo tempo de internamento, que foram tratadas com pomada cicatrizante à base de alantoína e óxido de zinco (Alantol Vetnil)

21 CONCLUSÃO: O botulismo em cães pode ser considerado incomum. O risco da doença é maior em animais errantes ou de áreas rurais, que possam ter acesso à comida deteriorada ou carcaças decompostas. O prognóstico é bom quando não ocorrem complicações e animais que se recuperam não apresentam sequelas. 4 RERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

22 BRASIL. Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento. Instrução Normativa nº 23, de 18 de Março de 2002 BRAUND, K.G. Distúrbios dos nervos periféricos. In: ETTINGER, S.J.; FELDMAN, E.C. (Ed) Tratado de medicina veterinária, moléstias do cão e do gato. São Paulo: Manole, 1997. Vol 1, seção VII, cap.85, p. 990-992. BORS, M.; VALENTINE, B.A.; LAHUNTA, A. Neuromuscular disease in a dog. The Cornell Veterinarian, Ithaca, v.78, n.4, p.339-345, 1988. BRUCHIM, Y.; STEINMAN, A.; MARKOVITZ, M. et al. Toxicological, bacteriological and serological diagnosis of botulism in a dog. Veterinary Record, London, v.158, n.22, p.768-769, 2006. CLOUB, D.R; CLOUGH, N.E.C.Correlation of Clostridium botulinum type C antitoxin titers in mink and guinea pigs to protection against type C intoxication in mink. Anaerobe, vol. 14,p. 128 130, 2008. COLBACHINI, L.; SCHOCKEN-ITURRINO, R.P.; MARQUEZ, L.C. Intoxicação experimental de bovinos com toxina botulínica tipo D. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v.51, n.3, p.229-234, 1999. DARKE, P.G.; ROBERTS, T.A.; SMART, J.L. Et al Suspected botulism in foxhounds. Veterinary Record, London, v.99, n.6, p.99-99, 1976 DE PAULA, C.L. ; OLIVEIRA, F.C.; PINHEIRO, M.M. ; CAXITO, M.S. ; MORITA, E.L; MEGID, J.. Botulismo em cão: relato de caso. XI CONPAVET, 2011 ETINGER, S. J.; FEELDMAN, E. C.; Tratado de Medicina Interna Veterinária, 4ª ed., vol. 2, São Paulo: Manole, 1997.

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