3 MÉTOOS E USTEIO 3.1 usteio por Absorção O método de custeio denominado de custeio por absorção é aquele que distribui todos os custos de produção de um período, sejam fixos ou variáveis, diretos ou indiretos, às quantidades de produtos fabricados. O custeio por absorção está relacionado com a visão societária da contabilidade, cuja ênfase é a avaliação dos estoques e o atendimento a normas e princípios contábeis. O primeiro passo na operacionalização do método de custeio por absorção é a separação entre custos e despesas do período. o ponto de vista absolutamente prático, custos são os gastos que ocorrem no ambiente de produção e despesas são gastos que ocorrem em áreas fora da ambiente de produção. Os custos são atribuídos aos produtos e as despesas do período são consideradas gastos do período. O quadro 3.1 apresenta um exemplo de gastos típicos que são classificados como custos e como despesas. Quadro 3.1: Separação de custos e despesas Gastos alor lassificação Matérias-primas $ 8.000 usto Materiais de embalagem $ 4.000 usto elétrica (consumo na produção) $ 3.000 usto epreciação do prédio da fábrica $ 2.000 usto Aluguel de equipamentos da produção $ 2.000 usto Salários de pessoal da fábrica $ 5.000 usto Salários de pessoal de escritório $ 500 espesa Salários de pessoal de vendas $ 800 espesa Pagamento de juros de dívidas $ 200 espesa Honorários da diretoria $ 300 espesa epreciações de equip. escritório $ 200 espesa
Em seguida, os gastos classificados como custos de produção são separados em custos variáveis dos custos fixos. Os custos variáveis podem ser objetivamente identificados aos produtos, já que possuem a natureza de custos diretos a unidades de produtos. Os custos fixos, por sua vez, serão distribuídos aos diversos produtos por meio de algum critério de rateio. Portanto, os custos fixos são, juntamente com os variáveis, estocados e levados a resultado somente na ocasião da venda dos produtos, ao invés de no momento em que ocorrem. amos considerar, por exemplo, uma empresa que produz dois produtos, com os dados mostrados no quadro 3.2. Quadro 3.2: Estrutura de custos ados 1 2 Total olume 18.000 6.000 un. un. usto ariável $ 9.000 $ 6.000 $ 15.000 ustos ixos $ 9.000 A empresa distribui os custos fixos a cada um dos dois produtos, utilizando como critério de rateio a proporção de custos variáveis dos produtos. Assim, os produtos ficarão com os seguintes valores de custos fixos, custos totais e custos unitários. Quadro 3.3: usteio dos produtos ados 1 2 Total olume 18.000 un. 6.000 un. usto variável $ 9.000 $ 6.000 $ 15.000 usto fixo $ 5.400 $ 3.600 $ 9.000 usto total $ 14.400 $ 9.600 $ 24.000 usto unitário $ 0,80/un. $ 1,60/un.
omo conseqüência da utilização do custeio por absorção, fundamentalmente em função da alocação dos custos fixos aos produtos, observa-se que o custo unitário do produto fica impactado por dois fatores: (i) pelo critério de rateio utilizado para alocação de custos fixos aos produtos e (ii) pelo volume de produção do período. A alocação dos custos fixos aos produtos depende da utilização de critérios subjetivos de rateio. Uma alteração do critério de rateio provoca uma modificação no custo unitário do produto. O custo unitário é uma divisão de um montante de custo por uma quantidade de produto. Tendo em vista que o volume de custo fixo permanece de certa forma constante (numerador) e o volume de produção pode variar (denominador) o custo unitário oscila de período para período em função do volume e mix de produção. Assim, a ociosidade, um problema decorrente de baixo volume de produção e de vendas e, portanto de baixa utilização da capacidade instalada, passa a ser interpretada equivocadamente como sendo um problema de custo unitário de produto. Observamos que o P 16 trata esse assunto de forma tecnicamente correta. As duas principais variantes da aplicação do custeio por absorção são o custeio pleno e o custeio por atividades. iferentemente do custeio por absorção, o custeio pleno distribui tanto os custos quanto as despesas do período aos diferentes produtos, isto é, os procedimentos de rateio são utilizados para distribuir não apenas os custos fixos, mas também as despesas fixas aos produtos. O custeio por atividades, por sua vez, trabalha conceitualmente como um custeio pleno, porém adotando entidades e procedimentos analíticos próprios. Os custos e despesas fixos são identificados inicialmente com as atividades analíticas de interesse de gestão e depois, via direcionadores de custos, os custos e despesas são alocados aos produtos ou outros objetos, como por exemplo, clientes. eve ser observado que a teoria convencional de custos não recomenda o uso do método de custeio por absorção para finalidades gerenciais. O uso desse método de custeio é voltando para atendimento de requisitos normativos. Esquematicamente, o processo de apropriação de custos utilizando-se o custeio por absorção é apresentado na figura a seguir:
igura 3.1: usteio por Absorção Mão-de-Obra epreciação Aluguel Seguros ustos do Produção em Andamento Estoque Acabado Pela enda RESULTAO Receitas (-) P espesas espesas de endas espesas de endas espesas do Período (=) Resultado Bruto (-) espesas (-) espesas de enda (=) Resultado Operacional 3.2 usteio ariável O método de apropriação de custos denominado de custeio variável é aquele que distribui apenas os custos variáveis de produção às quantidades de produtos produzidos no período. Os custos fixos de produção não fazem parte do custo do produto e são tratados como gastos de período da mesma forma que as despesas administrativas, comerciais e financeiras. O primeiro passo na aplicação da metodologia de custeio variável é a classificação dos custos de produção em custos fixos e custos variáveis. Em seguida, atribui-se aos produtos apenas os custos variáveis e os custos fixos são levados para a apuração do resultado do período. A partir da aplicação do método de custeio variável é efetuado o cálculo da margem de contribuição dos produtos. A margem de contribuição corresponde a receitas de vendas menos as despesas variáveis de venda e menos os custos variáveis dos produtos vendidos. O total de margem de contribuição gerada pelos produtos deve ser suficiente para cobrir todas as despesas fixas industriais, administrativas, comerciais e financeiras e proporcionar o lucro esperado da empresa. Tendo em vista que os custos fixos não são rateados aos produtos, o custo unitário do produto não sofre o impacto das oscilações de critérios de rateio e das oscilações do volume de produção e vendas. Por outro lado o custo fixo afeta diretamente o lucro do período não impactando o valor dos estoques de produtos.
O método de custeio variável é voltado especificamente para uso gerencial. eve ser observado que o método do custeio variável não é aceito para finalidades fiscais e societárias. Toda a lógica de tomada de decisão de rentabilidade apresentada na segunda e terceira parte desta obra é fundamentada no método de custeio variável. Esquematicamente, o processo de apropriação de custos utilizando-se o custeio variável é apresentado na figura a seguir: igura 3.2: usteio ariável Mão-de-Obra epreciação Aluguel Seguros espesas espesas de endas espesas de endas RENTABILIAE OS PROUTOS Produção em Andamento Estoque Acabado RESULTAO Receitas (-) espesas ariáveis endas (-) P (=) Margem ontribuição (-) ustos ixos Produção (-) espesas (-) espesas ixas de enda (=) Resultado Operacional