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Transcrição:

Comunicado 73 Técnico ISSN 1808-6802 Janeiro, 2007 Bento Gonçalves, RS BRS Margot Nova cultivar de uva para vinho tinto Umberto Almeida Camargo 1 Celito Crivellaro Guerra 2 Introdução O Rio Grande do Sul é o principal produtor brasileiro de vinhos, com mais de 95% da produção nacional. Os dados estatísticos dão conta de que, no período de 2000 a 2004, os vinhos de mesa representaram cerca de 86,79% e os vinhos finos 13,21% em relação ao total produzido no Estado (MELLO, 2004). A grande maioria dos vinhos de mesa são elaborados com uvas americanas, principalmente cultivares Vitis labrusca. São muito apreciados por uma importante parcela dos consumidores brasileiros pelas suas características de sabor e aroma, típicos das uvas labruscas. De consumo popular, estão disponíveis no mercado a preços competitivos. Em geral os vinhos finos, elaborados com uvas Vitis vinifera, apresentam características organolépticas bem distintas dos vinhos elaborados com uvas labruscas e, em geral, seus preços são mais elevados, o que pode constituir-se em limitação de consumo de vinho para quem aprecia o sabor labrusca. 1 Engenheiro Agrônomo, M.Sc., Melhoramento Genético Vegetal, Pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Caixa Postal 130, CEP 95700-000 Bento Gonçalves, RS. E-mail: umberto@cnpuv.embrapa.br 2 Engenheiro Agrônomo, Dr., Enologia, Pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Caixa Postal 130, CEP 95700-000 Bento Gonçalves, RS. E-mail: celito@cnpuv.embrapa.br

Visando diversificar a oferta de vinhos brasileiros, a Embrapa Uva e Vinho desenvolve, desde 1977, um programa de melhoramento genético da videira sendo um dos objetivos prioritários a criação de novas cultivares para a elaboração de vinhos de mesa com características organolépticas não distinguíveis dos vinhos finos, porém, com baixo custo de produção. Nas novas cultivares busca-se a qualidade em renomadas castas viníferas e a redução de custos na combinação genética envolvendo diversas espécies de Vitis que conferem adaptação, produtividade, resistência às doenças e facilidade de manejo. Nesta ótica, e tendo em conta os novos conceitos de qualidade, que priorizam a saúde humana e a proteção ambiental, está sendo lançada a cultivar BRS Margot como alternativa para a competitividade do vinho brasileiro. Origem A cultivar BRS Margot é uma híbrida interespecífica cuja constituição genética é composta por 74,22% de Vitis vinifera, 14,84% de Vitis rupestris, 4,69% de Vitis aestivalis, 3,52% de Vitis labrusca, 1,95% de Vitis riparia e 0,78% de Vitis cinerea. Foi obtida a partir do cruzamento Merlot x Villard Noir, realizado na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves-RS, em 1977. Deste cruzamento foram obtidas 78 sementes, originando 9 plântulas que foram cultivadas em canteiro. Em agosto de 1983, a população foi enxertada sobre o porta-enxerto R 110, em área experimental da Embrapa Uva e Vinho, sendo a planta original desta cultivar identificada como CNPUV 28-6. A primeira colheita foi obtida no verão de 1985, prosseguindo-se as avaliações até a colheita de 1988. CNPUV 28-6 apresentou bom desempenho, destacando-se pela capacidade produtiva, potencial glucométrico, boa resistência às doenças fúngicas. Em 1990 foi propagada para avaliação mais detalhada em campo de seleções, coletando-se dados de produção e qualidade da uva nas safras de 1992 a 1996, comprovando o potencial observado na primeira etapa de avaliações. Em 1998, foi enxertada em lote semi-industrial nos campos da Embrapa Uva e Vinho, onde foi definido e ajustado o sistema de produção, realizando-se colheitas e testes enológicos de 2001 a 2006. Em novembro de 2003, em parceria com a Vinícola Gilioli, foi implantada uma área de 1,1 hectares na propriedade da empresa, em Flores da Cunha-RS, para os testes finais de validação. Nesta propriedade foram realizadas duas colheitas, em 2005 e 2006, e foi elaborado vinho em escala industrial.

ampelográficas Broto: extremidade semi-aberta, com pêlos longos sobre a superfície, dandolhe um aspecto lanoso, cor Foto: Umberto Almeida Camargo Características esbranquiçada, com tonalidade cobreada; ramo jovem verde com tonalidade vermelho-púrpura na face superior, verde na face inferior, com pêlos longos esparsos sobre a superfície; folhas jovens inteiras, com Figura 1. Folha de BRS Margot. pêlos longos esparsos sobre o limbo. Flor: perfeita, com estames e pistilo totalmente desenvolvidos. Cacho: tamanho médio, 180 g a 200 g, cilindro-cônico, freqüentemente alado, Folha adulta: tamanho médio, deltóide, solto a cheio, pedúnculo médio (Figura inteira; limbo revoluto, em forma de V, 2). peciolar, um pouco bolhoso, glabro na face superior, pubescente na face inferior, com maior intensidade sobre as nervuras; nervuras verdes com leve tom avermelhado em sua base, na face Foto: Viviane Z. B. Fialho fracamente gofrado próximo ao ponto superior; seio peciolar meio aberto, em forma de U, com base côncava; dentes curtos, alternando dentes com ambos os lados retilíneos e dentes com ambos os lados convexos; pecíolo mais curto do Figura 2. Cachos de BRS Margot. que a nervura central, verde com tonalidade avermelhada mais ou menos intensa em função da exposição ao sol, glabro (Figura 1). Baga: pequena, esférica, preta, película de espessura média, polpa incolor, fundente, sabor neutro, doce, sementes de tamanho médio. Sarmento: marrom escuro.

Características agronômicas A complexidade genética da cv. BRS Margot combina as características de qualidade para vinho da espécie Vitis vinifera com a rusticidade, fertilidade e resistência a doenças das demais espécies do gênero Vitis. É uma cultivar de vigor moderado, interrompendo naturalmente o crescimento dos ramos na fase de enchimento do cacho. Isto, associado ao pequeno desenvolvimento dos netos, proporciona boa penetração de luz e boa aeração da copa. Apresenta hábito de crescimento ereto, adaptando-se bem a sistemas de condução verticais. O ciclo vegetativo é relativamente tardio, equivalente ao ciclo da cv. Cabernet Sauvignon. Nas condições da Embrapa Uva e Vinho (670 m de altitude e latitude de 29 S 10 17 ), a brotação ocorre, em média, entre 15 e 22 de setembro e a colheita, em média, entre 22 e 28 de fevereiro. A BRS Margot apresenta alta fertilidade de gemas, inclusive nas gemas basais, o que lhe confere grande capacidade produtiva, 25 a 30 t/ha de uvas com 20 º a 21 º Brix, acidez total em torno de 90 meq/l e ph médio de 3,30 (Figura 3). Resiste bem ao oídio (Uncinula necator) e à podridão cinzenta da uva (Botrytis cinerea) e comporta-se melhor do que a cv. Isabel em relação ao míldio (Plasmopara viticola). É medianamente sensível à antracnose (Elsinoe ampelina) e está sujeita a ataques de filoxera (Dactylosphaera vitifolia) em sua forma galícola. Foto: Umberto Almeida Camargo Figura 3. Produção da BRS Margot. Particularidades de manejo Em função do vigor limitado, a cv. BRS Margot deve ser plantada em densidades relativamente altas, recomendando-se espaçamentos de 2,5 m entre linhas x 1,2 m a 1,5 m entre plantas na linha. Pode ser conduzida em sistema de latada, no qual foram realizados grande parte dos testes, mas também apresenta boa adaptação aos sistemas verticais e inclinados, em espaldeira e em Y. Considerando-se o vigor da cultivar e a elevada capacidade produtiva, recomenda-se o uso de portaenxertos vigorosos como R 110 e Paulsen 1103, adequado acompanhamento do estado nutricional e controle da carga para evitar depauperamento das plantas. Em solos de alta fertilidade podem ser utilizados

porta-enxertos menos vigorosos como o 101-14 Mgt, no qual já foi testada com bons resultados. É indicada a poda a esporão, o que facilita a execução desta prática e o controle da carga já na poda de inverno. A carga adequada situa-se em torno de 5 esporões/m 2 para a obtenção de 25 a 30 t/ha. Assim, no espaçamento de 2,5 m x 1,5 m seriam deixados cerca de 20 esporões/planta. Apesar do bom comportamento geral em relação às doenças, é recomendável que sejam feitas aplicações preventivas de fungicidas em períodos críticos para o controle da antracnose e do míldio. Características enológicas O vinho de BRS Margot apresenta características organolépticas de vinho Vitis vinifera. Tendo em vista o elevado potencial alcoólico, o vinho BRS Margot pode, também, ser utilizado em corte com vinhos de Vitis labrusca, contribuindo especialmente para a melhoria do teor alcoólico natural e agregando-lhes maior fineza. Nas safras 2004, 2005 e 2006, a cultivar BRS Margot foi utilizada na elaboração de vinho tinto de mesa em escala semiindustrial (2.000 L), na Embrapa Uva e Vinho. O protocolo de vinificação adotado nos três anos foi: esmagamento e desengaçamento da uva; adição de SO 2, adição de leveduras Saccharomyces cerevisiae selecionadas; vinificação em tanques verticais de aço inoxidável com controle de temperatura; maceração de oito dias; remontagem de duas vezes o volume de líquido do tanque nos primeiros quatro dias de maceração, divididas em quatro manipulações diárias, e de uma vez o volume de líquido do tanque nos últimos quatro dias, divididas em duas manipulações diárias; fermentação malolática espontânea; período de estabilização tartárica, polifenólica, protéica e microbiológica de sete meses; duas trasfegas com aeração e desborra durante a estabilização; controle periódico dos níveis de O 2 e SO 2. Não houve adição de quaisquer outros produtos enológicos. Tampouco houve passagem por barricas de carvalho, uma vez que o objetivo foi detectar todo o potencial enológico da uva. O engarrafamento, nas três safras, ocorreu oito meses após o início da vinificação. Os produtos obtidos apresentaram as seguintes características físico-químicas (Tabela 1) e organolépticas:

Tabela 1. Média dos principais parâmetros físico-químicos dos vinhos tintos varietais BRS Margot elaborados nas safras 2004, 2005 e 2006 (análises efetuadas seis meses após o início da vinificação da respectiva safra). Rendimento em mosto (%) Álcool ( GL) Acidez total (meq/l) ph Variáveis Físico-químicas Extrato seco reduzido (g/l) Antocianinas (g/l) Cor (intensidade) Polifenóis totais Taninos totais (g/l) 70,00 12,04 70,00 3,52 21,35 465,20 0,50 37,30 1,64 Os vinhos elaborados nas três safras mencionadas apresentaram perfil sensorial semelhante, embora as condições climáticas tenham variado significativamente de ano para ano. Este fato demonstra uma característica positiva da uva que é a capacidade de gerar vinhos de qualidade constante em diferentes condições climáticas. As principais características sensoriais dos vinhos elaborados são: Aspecto visual: cor vermelho rubi, com reflexos violáceos. Foi observado, no vinho 2004, um início de transformação do matiz violeta para marrom-alaranjado ao final de 2006, o que denota um bom potencial de longevidade; Aroma: de intensidade média, delicado, lembra pequenas frutas vermelhas (cereja, amora, groselha). Ausência de aroma foxado (possui característica de vinho de uvas 100% Vitis vinifera, lembrando as características do vinho fino varietal Merlot); ausência de amargor, retrogosto agradável e persistência média dos sabores. Trata-se se um vinho de estilo jovem, com algum potencial de guarda, podendo ser consumido a partir da sua elaboração até cerca de três anos após. Recomendações de uso A uva BRS Margot é recomendada para cultivo na Serra Gaúcha para a elaboração de vinho tinto de mesa. Disponibilidade de material propagativo Material propagativo da cultivar BRS Margot pode ser obtido, sob encomenda, junto à Embrapa, no seguinte endereço: Embrapa Transferência de Tecnologia/Escritório de Negócios de Campinas Av. Anchieta, 173 Sala 41 13015-100 Campinas, SP Fone/fax: (19) 3232 1955/1107 Sabor e características gerais: estrutura tânica média, bom equilíbrio em boca, acidez e adstringência moderadas,

Bibliografia Citada MELLO, L. M. R. de. Dados da vitivinicultura: produção de vinhos e mosto. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, 2004. Disponível em: <http://www.cnpuv.embrapa.br/servicos/v itivinicultura/producao/2000_2004rs.html >. Acesso em: 17 Jan. 2007. Agradecimentos Os autores agradecem: À Vinícola Gilioli pela efetiva colaboração e participação na implantação e condução dos ensaios de validação agronômica e industrial desta cultivar; Ao tecnólogo Roque Antônio Zilio e ao Técnico Agrícola Valtair Comachio, responsáveis pela coleta de dados ao longo do processo de seleção e validação; Embrapa Uva e Vinho que, sob a liderança do Dr. Mauro Celso Zanus, procedeu à avaliação sensorial do vinho durante os testes experimentais; À equipe de genética molecular que, liderada pelo Dr. Luís Fernando Revers, procedeu à caracterização molecular da nova cultivar; A todos os funcionários da Embrapa Uva e Vinho que de alguma forma contribuíram no processo de desenvolvimento da cultivar BRS Margot. À equipe de análise sensorial da

Comunicado Técnico, 73 Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Uva e Vinho Rua Livramento, 515 C. Postal 130 95700-000 Bento Gonçalves, RS Fone: (0xx)54 3455-8000 Fax: (0xx)54 3451-2792 http:// www.cnpuv.embrapa.br 1ª edição 1ª impressão (2007): 1.000 exemplares Comitê de Publicações Expediente Presidente: Lucas da Ressurreição Garrido Secretária-Executiva: Sandra de Souza Sebben Membros: Jair Costa Nachtigal, Kátia Midori Hiwatashi, Osmar Nickel e Viviane Zanella Bello Fialho Normatização Bibliográfica: Kátia Midori Hiwatashi CGPE 6020