7. POTENCIOMETRIA E ELÉTRODOS SELETIVOS

Documentos relacionados
Eletrodo redox. Eletrodos construídos com metais inertes: platina, ouro, paládio. do sistema de óxido-redução presente na solução.

Respondem à atividade do analito, de forma rápida e reprodutível. Assim... ΔE = função da atividade do analito

Minicurso: Medição de ph e Íons por Potenciometria

CÉLULAS ELETROLÍTICAS

CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA - IV REGIÃO (SP)

QUÍMICA ELETROANALÍTICA

Eletroquímica. Eletroquímica: Pilhas Galvânicas. Potencial de redução. Força eletromotriz. Equação de Nernst. Electrólise.

Aula 13: Prof. Rafael Sousa

CÉLULAS GALVÂNICAS OU CÉLULAS ELECTROQUÍMICAS

Potenciometria. Fundamentos

Eletroquímica. Universidade Federal de Ouro Preto Instituto de Ciências Exatas e Biológicas Departamento de Química

ELETROQUÍMICA. Prof a. Dr a. Carla Dalmolin

Redox: objectivos principais

PILHAS ELETROQUÍMICAS

E cel = E catodo - E anodo E cel = 0,337 ( 0,763) E cel = 1,100 V. ZnSO 4(aq) 1,0 mol L -1 CuSO 4(aq) 1,0 mol L -1

Aula 13: Prof. Rafael Sousa

Química A MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA DO AMBIENTE. 1º Semestre /2013. Doutor João Paulo Noronha.

para as soluções e pressão para gases. Identificar o par

REAÇÕES DE ÓXIDO-REDUÇÃO

Aula 12. Prof. Rafael Sousa

Cálculo da Força Eletromotriz de uma Pilha

Força relativa de oxidantes e redutores

Estudo das reações químicas para geração de energia.

QUI 154 Química Analítica V Análise Instrumental. Aula 4 Potenciometria

QUI 070 Química Analítica V Análise Instrumental. Aula 8 Potenciometria

QUI201 (QUI145) QUÍMICA ANALÍTICA B (Química Industrial) Prof. Mauricio X. Coutrim

Introdução à Eletroanalítica

QUI 070 Química Analítica V Análise Instrumental. Aula 7 Química Eletroanalítica

Analítica V: POTENCIOMETRIA. Prof. Rafael Sousa Departamento de Química - ICE Notas de aula:

QUI 070 Química Analítica V Análise Instrumental. Aula 7 Química Eletroanalítica

Reações de oxirredução

Polarização e cinética de eletrodo

CORROSÃO E ELETRODEPOSIÇÃO

REACÇÕES DE OXIDAÇÃO-REDUÇÃO (REDOX)

Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio

Introdução à Eletroanalítica

INTRODUÇÃO À ELETROQUÍMICA

Departamento de Química Inorgânica IQ / UFRJ IQG 128 / IQG ELETRÓLISE

QUI 070 Química Analítica V Análise Instrumental. Aula 8 Química Eletroanalítica

ELETROQUÍMICA. paginapessoal.utfpr.edu.br/lorainejacobs. Profª Loraine Jacobs DAQBI

Análise Química Aplicada

PMT AULAS 1 E 2 Augusto Camara Neiva. PMT Augusto Neiva

Reações em Soluções Aquosas

Química Analítica Avançada

ELETROQUÍMICA. paginapessoal.utfpr.edu.br/lorainejacobs. Profª Loraine Jacobs DAQBI

Aluno (a): Data: / / Obs: Data de entrega: 12/11 (Todas as respostas devem apresentar justificativa) Resposta à caneta, organizada e completa.

RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS PROPOSTOS AULA 28 TURMA ANUAL

1- Números de oxidação (Nox) Indicam a espécie que perde elétrons e a que ganha elétrons, ou seja, é a carga elétrica da espécie química.

QUI219 QUÍMICA ANALÍTICA (Farmácia) Prof. Mauricio X. Coutrim

Volumetria de Óxido-redução

AULA DE RECUPERAÇÃO PROF. NEIF NAGIB

LISTA DE EXERCÍCIOS Eletroquímica

ÓXIDO-REDUÇÃO REAÇÕES REDOX : CONCEITO E IMPORTÂNCIA PILHAS E BATERIAS POTENCIAL DE ELETRODO CORROSÃO E PROTEÇÃO ELETRÓLISE

Resposta Capítulo 17: Eletroquímica: Pilhas

Reacções de Redução/Oxidação. Redox

Trataremos da lei limite de Debye-Hückel e definiremos as células

CQ049 FQ Eletroquímica.

MINERALIZAÇÃO E DESMINERALIZAÇÃO DA ÁGUA

OXIDAÇÃO - REDUÇÃO. - Oxidantes e redutores; - Pares conjugados; - Número de oxidação; - Acerto de equações redox; -Série eletroquímica;

QUÍMICA. Transformações Químicas e Energia. Eletroquímica: Oxirredução, Potenciais Padrão de Redução, Pilha, Eletrólise e Leis de Faraday - Parte 3

ELETROQUÍMICA OU. Profa. Marcia M. Meier QUÍMICA GERAL II

Aula 6 MÉTODOS ELETROANALÍTICOS PARTE I. Elisangela de Andrade Passos

SOLUÇÃO PRATIQUE EM CASA

INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA. Departamento de Engenharia Química e do Ambiente. QUÍMICA II (1º Ano/2º Semestre)

QUI-110 LABORATÓRIO DE ELETROQUÍMICA II / 2011 ROTEIRO DE LABORATÓRIO

Introdução à Eletroanalítica

Reacções de Oxidação-Redução

APLICAÇÕES DOS POTENCIAIS PADRÃO DE ELETRODO

Colégio FAAT Ensino Fundamental e Médio

INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA. Departamento de Engenharia Química e do Ambiente. QUÍMICA I (1º Ano/1º Semestre)

ELETROQUÍMICA: PILHAS GALVÂNICAS

Determinação de Fluoreto em Soluções por Eletrodo Íon Seletivo (ISE)

QUI109 QUÍMICA GERAL (Ciências Biológicas) 3ª aula /

ph DAS ÁGUAS NATURAIS.

ESTUDO DA INTERFERÊNCIA DO AJUSTE DE ph EM ANÁLISE DE FLUORETO POR ÍON SELETIVO WANESSA SOARES GOMES DE CARVALHO

P3 - PROVA DE QUÍMICA GERAL - 16/06/12

Reacções de oxidação-redução em solução aquosa. Livro Química Inorgânica Básica na página da cadeira no Moodle Capítulo 4, p.

TEMA: EQUILÍBRIO REDOX

REVISÃO DE QUÍMICA CEIS Prof. Neif Nagib

mol / kg de água do mar NaCl 0,4186 MgCl 2 0,0596 Na 2 SO 4 0,02856

MÉTODOS ELETROANALÍTICOS. Potenciometria e Condutimetria

P4 - PROVA DE QUÍMICA GERAL - 05/12/07

RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS PROPOSTOS AULA 08 TURMA INTENSIVA

Equilíbrio Heterogéneo

QUÍMICA 12º ANO ACTIVIDADE DE PROJECTO CONSTRUÇÃO DE UMA PILHA PROPOSTA DA METODOLOGIA 2010/ º Período

CQ049 FQ Eletroquímica. prof. Dr. Marcio Vidotti Terça / Quarta: 15:30 17:30

QUI 070 Química Analítica V Análise Instrumental. Aula 4 Química Eletroanalítica

Ano letivo 2014/2015 8º ano Ficha formativa de Ciências Físico-Químicas 8º ano Átomos, moléculas, iões e substâncias iónicas

ELETROQUÍMICA Profº Jaison Mattei

Eletroquímica. Profa. Marcia Margarete Meier. Disciplina de Química Geral Profa. Marcia Margarete Meier

RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS PROPOSTOS AULA 09 TURMA INTENSIVA

ELETROQUÍMICA. 1. Introdução

Transcrição:

7. POTENCIOMETRIA E ELÉTRODOS SELETIVOS 7.1. Conceitos básicos Potenciometria uso de elétrodos para medir diferenças de potencial com o objetivo de obter informação sobre sistemas químicos Espécie eletroativa - espécie química que pode ceder ou aceitar eletrões de um elétrodo Elétrodo indicador - elétrodo que responde diretamente ao analito Elétrodo de referência - elétrodo cujo potencial é constante e independente da composição do sistema em estudo Voltagem da célula - diferença de potencial entre o elétrodo indicador, que responde à atividade do analito, e o elétrodo de referência que é constante (normalmente o contato com o sistema em estudo é feito através de uma ponte salina)

7.2. Elétrodos de referência Considere-se como exemplo uma solução contendo Fe 3+ /Fe 2+. Como é que o potencial de um elétrodo inerte pode fornecer informação sobre a concentração destas espécies em solução?

Considere-se uma célula galvânica contendo dois semielementos Elétrodo indicador Fe 3+ (aq) + e - Fe 2+ (aq) Eº = +0,771 V Elétrodo de referência AgCl(s) + e - Ag(s) + Cl - (aq) Eº = +0,222 V Equações de Nernst 2+ 0,05916 Fe E 3+ 2+ ( ) = 0,771 log Fe Fe 3+ 1 Fe E ( AgCl Ag) = 0,222 0,05916 1 log Cl - E célula = E Fe 3+ E Fe 2+ AgCl Ag = 0,771 0,05916 log Fe Fe 2+ 3+ [ 0,222 0,05916 log Cl ] Como a Cl - é mantida constante (elétrodo de referência) a diferença de potencial resultante só depende da razão Fe 2+ / Fe 3+.

Elétrodo de referência de cloreto de prata - prata

Equação química que traduz a reação de elétrodo AgCl(s) + e - Ag(s) + Cl - (aq) Eº = +0,222 V E ( AgCl Ag) = 0,222 0,05916 1 log Cl - Quando a solução de KCl se encontra saturada, diz-se que se trata do elétrodo saturado de AgCl/Ag e o valor do potencial do elétrodo é: E (KCl saturado) = +0,197 V Elétrodo de dupla junção - o objetivo é minimizar o contato entre a solução de KCl saturada e o sistema em estudo, de modo a perturbá-lo o menos possível

Elétrodo de referência de calomelanos Equação química que traduz a reação de elétrodo ½ Hg 2 Cl 2 (s) + e - Hg(l) + Cl - (aq) Eº = +0,268 V E = 0,268 2 2 ( Hg Cl Hg) 0,05916 log Cl 1 - Quando a solução de KCl se encontra saturada, diz-se que se trata do elétrodo saturado de calomelanos e o valor do potencial do elétrodo é: E (KCl saturado) = +0,241 V

Conversão da diferença de potencial medida entre diferentes sistemas de referência Exemplo de aplicação: Considere-se dois sistemas químicos A e B, para os quais o potencial medido relativamente ao elétrodo padrão de hidrogénio foi: A -0,220 V e B +0,230 V Qual será o potencial desses sistemas relativamente aos sistemas de referência saturado de calomelanos e saturado de AgCl/Ag? A -0,220 V -0,417-0,461 +0,197 V AgCl/Ag +0,241 V calomelanos 0 V H + /H 2 0 0,1 0,2 Potencial vs. Elet. Padrão de hidrogénio (V) +0,033 B +0,230 V -0,011

7.3. Elétrodos indicadores Elétrodos metálicos o potencial do elétrodo corresponde à sua resposta a um sistema oxido- -redutor Elétrodos seletivos o potencial do elétrodo deve-se à de iões migração seletiva das espécies iónicas através de membranas não a pares oxido-redutores Elétrodos indicadores metálicos O mais utilizado é o elétrodo de platina, pelo facto deste metal ser relativamente inerte. A função do elétrodo é possibilitar a transferência de eletrões de e para as espécies com caraterísticas de oxidação-redução existentes em solução. Outros exemplos: elétrodos de ouro, elétrodos de carbono (grafite, carbono vítreo, pasta de carbono)

7.4. Potenciais de junção Sempre que duas soluções de eletrólitos com composição diferente estão em contacto, estabelece-se uma pequena diferença de potencial (denominado potencial de junção) na interface. Por exemplo: nas pontes salinas, em cada extremidade existirá um pequeno potencial de junção A existência de potenciais de junção limita a exatidão das medições da diferença de potencial em células eletroquímicas Em geral a contribuição dos potenciais de junção não é rigorosamente conhecida e não pode ser compensada

7.5. Medição de ph com elétrodo de vidro Elétrodo de vidro (medição do ph) Elétrodo seletivo Responde seletivamente a determinadas espécies químicas Não é, contudo, imune a interferências Considerações termodinâmicas sobre o funcionamento dos elétrodos seletivos de iões Não dependem de processos de oxidação-redução Baseiam-se no uso de membranas na superfície sensora através da qual um dado ião pode migrar, enquanto que outras não podem migrar Essa migração resulta no aparecimento de uma diferença de potencial a nível da membrana

Mas, como se pode prever essa diferença de potencial? Quando uma espécie se difunde de uma zona de atividade A 1 para uma zona de atividade A 2 (A 1 > A 2 ), a variação da energia de Gibbs é dada por: G = RT ln A 1 A 2 Por seu lado, o movimento dessas espécies através da membrana vai originar o estabelecimento de um potencial de membrana que é dada por:

G = n F E Quando o sistema atinge o equilíbrio as dois valores de G igualam-se: RT ln A 1 A 2 = n F E G devido às diferenças de atividade G devido à polarização da membrana E = RT nf 0,05916 = ln A1 log A A2 n 1 A 2 (volts a 25 ºC) Diferença de potencial elétrico que se estabelece num elétrodo seletivo Esta equação aplica-se a todos os elétrodos seletivos, incluindo o elétrodo de vidro para medição do ph De acordo com esta equação uma diferença de potencial de 59,16 mv (a 25 ºC) estabelecer-se-á quando a n diferença de atividade varia 10 vezes

Exemplo: No elétrodo de vidro quando a A H+ varia 10 vezes (Ex: A H+ = 10-5 para 10-6 ) a variação de potencial será de 59,16 mv (a 25 ºC). No elétrodo seletivo de Ca 2+ uma variação de atividade de 10 vezes corresponderá a uma variação de potencial de 59,16 mv (a 25 ºC) 2 Elétrodo de vidro

Normalmente é um elétrodo combinado que incorpora o elétrodo de referência e o elétrodo de vidro num corpo único A célula eletroquímica pode ser representada por: membrana de vidro Ag(s) AgCl(s) Cl - (aq) H + (aq, sol. ext.) H + (aq, sol. int.); Cl - (aq) AgCl(s) Ag(s) elétrodo de referência combinado solução externa em contacto com o elétrodo de vidro (solução a testar) solução no Interior do elétrodo de vidro elétrodo de referência no elétrodo de vidro Os dois sistemas de referência servem para medir a diferença a diferença de potencial elétrico que se estabelece através da membrana Onde se encontra a ponte salina nos elétrodos combinados? Para que serve essa ponte salina? Como se pode explicar esta capacidade dos elétrodos de vidro responderem a variações na atividade de H + em solução?

Admite-se que a superfície do vidro que constitui a ampola pode absorver água e expandir-se muito ligeiramente, criando uma camada hidratada. Nessas camadas (que se estabelecem em cada uma das faces do vidro) admite-se que pode ocorrer difusão de catiões da estrutura do vidro para a solução, essencialmente o catião sódio, e de H + da solução para a camada hidratada. Resulta daí uma diferença de potencial a nível da membrana que é relacionável com as diferenças na atividade de H + nas duas faces. Resposta do elétrodo de vidro E = constante + β ( A ) ( A + ) + H ( externo) ( 0,05916) log H ( interno) Potencial de assimetria devido à existência de diferenças nas caraterísticas das duas faces de vidro expostas (interna e externa) Eficiência eletromotriz Este valor deve ser próximo de 1,00 O objetivo da calibração dos elétrodos de ph é obter os valores de β e da constante (potencial de assimetria)

Calibração do elétrodo de vidro Os elétrodos são calibrados usando soluções padrão de tampões de ph, cujo valor de ph é rigorosamente conhecido (± 0,01 ph) Normalmente são utilizadas duas soluções padrão de tampões de ph; por exemplo os conjuntos: 7,00 e 4,00 (a 25 ºC) ou 7,00 e 9,00 (a 25 ºC). Os elétrodos devem ser recalibrados com frequência porque o valor do potencial de assimetria varia acentuadamente com o tempo e com as condições de utilização do elétrodo Erros na medição do ph com o elétrodo de vidro Soluções padrão de tampões de ph normalmente a sua incerteza é de ± 0,01 unidades de ph Potencial de junção resulta das diferenças entre a composição iónica da solução amostra e das soluções padrão de tampões de ph usadas na calibração do elétrodo

Variação no tempo do potencial de junção a variação do potencial de junção com o tempo é devido a alterações na porcelana porosa (que atua como ponte salina) que se pode dever a fenómenos como deposição de AgCl, por exemplo. Erro alcalino (erro do sódio) quando a concentração de H + é muito pequena e a concentração de Na + é grande, a resposta do elétrodo ao catião sódio não pode ser desprezada. Como consequência surgirá um valor de H + superior ao real e o ph surgirá mais baixo que o real Erro ácido em condições de elevada acidez o ph medido é maior que o real (a concentração de H + medida é inferior à real). Admite-se que tal se deve à saturação da superfície de vidro hidratada com H + Tempo de equilíbrio a resposta do elétrodo necessita que se estabeleça um equilíbrio superficial. Numa solução com boa capacidade tampão o tempo de equilíbrio é, normalmente, curto (< 30 s). Em soluções com baixa capacidade tampão o tempo de equilíbrio terá de ser maior (alguns minutos, por vezes)

Hidratação do vidro se o elétrodo estiver seco, vai ser necessário aplicar várias horas de condicionamento ao elétrodo para que a sua resposta seja a adequada Temperatura a temperatura à qual é feita a calibração e as medições de ph deve ser a mesma Devido a todas estas limitações as medições dos valores de ph têm uma incerteza nunca inferior a cerca de ± 0,02 unidades de ph

7.6. Elétrodos seletivos de iões Membrana de vidro - essencialmente para medição do ph Elétrodos de estado sólido - baseados em cristais de sais inorgânicos Tipos de elétrodos seletivos de iões Elétrodos de membrana líquida - baseados numa membrana polimérica hidrofóbica saturada com um líquido hidrofóbico permutador de iões Elétrodos compostos - baseados na utilização de elétrodos seletivos protegidos por membranas que são capazes de separar compostos ativos Coeficiente de seletividade Nenhum elétrodo seletivo responde exclusivamente a uma única espécie o elétrodo de vidro é um dos mais seletivos, mas mesmo esse também responde a Na + : Se H + < 10-12 mol/l e Na + > 10-2 mol/l a interferência de Na + não pode ser desprezada

Definição de coeficiente de seletividade (para um elétrodo que responde à espécie A e X é uma interferência) K A, X = resposta à espécie X (interferente) resposta à espécie A quanto menor K A,X menor a interferência de X Exemplo de aplicação: O elétrodo seletivo de K + baseado no permutador líquido valinomicina possui os seguintes coeficientes de seletividade: K K+,Na+ = 1 x 10-5; K K+,Cs+ = 0,44 ; K K+,Rb+ = 2,8 Comente a interferência dos iões Na +, Cs + e Rb + na resposta do elétrodo ao ião K +? Os valores dos coeficientes de seletividade indicam que a interferência de Na + é muito reduzida; no entanto, quer o Cs +, quer o Rb + interferem fortemente. De acordo com os valores dos coeficientes de seletividade a resposta do elétrodo é maior para o Rb + do que para o K + Quererá isto dizer que o elétrodo não pode ser utilizado para a determinação de K +, por não ser suficientemente seletivo?

Resposta de um elétrodo seletivo E 0,05916 = constante ± β log A + n X A K A,X A X A A - atividade do ião A (ião principal) A X - atividade do ião X (ião interferente) K A,X - coeficiente de seletividade ± - o sinal será + se se tratar de um catião e se se tratar de um anião Exemplo: Um elétrodo de fluoreto tem um coeficiente de seletividade relativamente ao HO - de K A,X = 0,1. Qual será a variação do potencial do elétrodo quando o ph de uma solução 1,0 x 10-4 mol/l em F - com ph = 5,5 é aumentado para ph = 10,5? Resolução: A ph = 5,5 a concentração de HO - é desprezável, ficará então: E = constante 0,05916 log(1,0 10 4 ) = constante + 236,6 mv a ph = 10,5 HO - = 3,2 x 10-4 mol/l, ficará então: E = constante 0,05916 log 1,0 = constante + 229,5 mv 4 4 [ 10 + ( 0,1) ( 3,2 10 )]

A variação será de: 229,5 (236,6) = -7,1 mv Esta variação de potencial, se fosse totalmente considerada devida ao F- (não se considerando a interferência do HO-), corresponderia a uma diferença de concentração desta espécie de 32%; ou seja, se não se atendesse à diferença de ph o erro na concentração de F - seria de 32% Elétrodos de estado sólido

O elétrodo seletivo de ião fluoreto é um exemplo de um elétrodo deste tipo usa um cristal de LaF 3 (fluoreto de lantânio) dopado com Eu 2+ (ião európio) Resposta do elétrodo seletivo de F - E = constante β 0,05916 log A F - ( solução externa)

Na rotina laboratorial a medição de F - numa amostra é feita em condições de elevada força iónica e em condições de ph tamponado (ph = 5,5) Usa-se uma solução denominada TISAB (Total Ionic Strength Adjustement Buffer) para ajuste da força iónica e tamponar a solução a analisar Nestas condições de força iónica constante ficará: E = constante β = constante β constante ( 0,05916) log F - - ( 0,05916) logγ - β ( 0,05916) log F F γ F -

Mas, qual é o objectivo do ajuste de ph a 5,5? O ajuste de ph tem por objetivo eliminar a interferência do HO - e garantir que o F - se encontra totalmente desprotonado (a forma HF não é medida no elétrodo seletivo de F - ) Outro elétrodo seletivo deste tipo é o baseado num cristal iónico de Ag 2 S usa um cristal de Ag 2 S (sulfureto de prata) dopado com Cu 2+, Cd 2+, Pb 2+ Este elétrodo seletivo responde a Ag + e a S 2-

Elétrodos de membrana líquida Baseiam-se no uso de líquidos permutadores iónicos que atuam como transportadores iónicos através de uma membrana impregnada com esse líquido

Resposta do elétrodo seletivo ao ião Ca 2+ E 0,05916 = constante + β log ACa 2 2 + ( solução externa) Carga do ião é positiva Ião bivalente Elétrodos compostos Nos elétrodos deste tipo utilizam-se elétrodos seletivos convencionais rodeados por membranas que conferem maior seletividade à resposta

Exemplo: Elétrodo seletivo a CO 2 gasoso O CO 2 gasoso difunde-se através de uma membrana semipermeável e faz diminuir o ph da solução em contato com o elétrodo de vidro. Esse abaixamento de ph pode ser relacionado com o teor de CO 2 gasoso na solução exterior (amostra). Outras espécies que dão origem a gases com caraterísticas ácido-base podem igualmente ser medidas. Por exemplo: SO 2, H 2 S, NOx (óxidos de azoto), NH 3. Este mesmo princípio tem sido utilizado para o desenvolvimento dos chamados biossensores, baseados na imobilização de enzimas e na medição dos produtos da reação enzimática dos analitos

11.7. Aplicações dos elétrodos seletivos de iões Resposta linear entre o potencial medido e o logaritmo da atividade do analito Gamas de linearidade muito extensas tipicamente entre 10-3 e 10-6 mol/l O elétrodo de vidro tem uma gama linear ainda mais abrangente Tempos de resposta relativamente curtos e as medições podem ser realizadas em meios com elevada turvação ou cor podem ser aplicados como detetores em analisadores de fluxo contínuo Respondem à atividade das espécies pelo que é necessário adicionar uma solução de ajuste de força iónica para elevar a força iónica para valores elevados. Deste modo garante-se que a resposta é proporcional à concentração, devido ao facto de os coeficientes de atividade serem constantes.