Notas de Aula - Mecânica dos Solos 93



Documentos relacionados
LISTA 1 CS2. Cada aluno deve resolver 3 exercícios de acordo com o seu númeo FESP

MECÂNICA DOS SOLOS II

TENSÕES EM SOLOS EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

3.0 Resistência ao Cisalhamento dos Solos

1. Noção de tensão e de deformação

Permeabilidade dos Solos. Mecânica de Solos Prof. Fabio Tonin

RELATÓRIO TÉCNICO ARGOPAR PARTICIPAÇÔES LTDA FUNDAÇÕES ITABORAÍ SHOPPING ITABORAÍ - RJ ÍNDICE DE REVISÕES

TECNICAS CONSTRUTIVAS I

O tornado de projeto é admitido, para fins quantitativos, com as seguintes características [15]:

UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL PARECER DE GEOTECNIA

Geotecnia e Fundações, Arquitectura Geotecnia e Fundações, Arquitectura

INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS PARA O

ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP DEPARTAMENTO DE

1. 2 Ocorrência de Água Subterrânea. b) - Solos Pedogênicos (Lateríticos):

Ensaios de Laboratório em Mecânica dos Solos Curva de Retenção de Água

COMPRESSIBILIDADE ADENSAMENTO. Disciplina: ST636A - Mecânica e Ensaios de Solos II

5ª LISTA DE EXERCÍCIOS PROBLEMAS ENVOLVENDO FLEXÃO

Observação do Contato Concreto-Solo da Ponta de Estacas Hélice Contínua

CURSO DE AQUITETURA E URBANISMO

3 Parâmetros dos Solos para Cálculo de Fundações

Prof. Vinícius C. Patrizzi ESTRADAS E AEROPORTOS

Professor Douglas Constancio. 1 Elementos especiais de fundação. 2 Escolha do tipo de fundação

Considerações sobre a Relevância da Interação Solo-Estrutura em Recalques: Caso de um Prédio na Cidade do Recife

Mecânica dos Fluidos PROF. BENFICA

Ivan Guilhon Mitoso Rocha. As grandezas fundamentais que serão adotadas por nós daqui em frente:

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Propriedades do Concreto

AULA 5. NBR Projeto e Execução de Fundações Métodos Empíricos. Relação entre Tensão Admissível do Solo com o número de golpes (N) SPT

3.2 Equilíbrio de Fases Vapor - Líquida - Sólida numa Substância Pura Consideremos como sistema a água contida no conjunto êmbolo - cilindro abaixo:

Geomecânica dos resíduos sólidos

Capítulo 3 Propriedades Mecânicas dos Materiais

Capítulo 1 - Estática

ESTRUTURAS DE CONCRETO CAPÍTULO 2 CARACTERÍSTICAS DO CONCRETO

Física Parte 2. Fórmulas para obtenção das grandezas: 1.Superfície 2.Volume 3.Densidades 4.Vazão 5.Pressão 6.Teorema de Pascal 7.

Equipe de Física FÍSICA

Disciplina: Resistência dos Materiais Unidade I - Tensão. Professor: Marcelino Vieira Lopes, Me.Eng.

7.0 PERMEABILIDADE DOS SOLOS

Fundações I. UNIVERSIDADE: Curso: Escoramento de Escavação / Abaixamento de Lençol Freático. Aluno: RA: Professor Douglas Constancio

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DOS MATERIAIS SETOR DE MATERIAIS

FATEC - SP Faculdade de Tecnologia de São Paulo. ESTACAS DE CONCRETO PARA FUNDAÇÕES - carga de trabalho e comprimento

POTENCIAL ELÉTRICO. por unidade de carga

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS. DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E FÍSICA Disciplina: FÍSICA GERAL E EXPERIMENTAL I (MAF 2201) Prof.

ESTRUTURAS METÁLICAS

SUPERESTRUTURA estrutura superestrutura infra-estrutura lajes

Relações entre tensões e deformações

APLICAÇÕES DA DERIVADA

DINÂMICA. Força Resultante: É a força que produz o mesmo efeito que todas as outras aplicadas a um corpo.

As forças atrativas entre duas moléculas são significativas até uma distância de separação d, que chamamos de alcance molecular.

Mecânica de Solos Prof. Fabio Tonin


Rebaixamento de lençol freático

Análise de Percolação em Barragem de Terra Utilizando o Programa SEEP/W

Estrada de Rodagem Terraplanagem

5 Análises de probabilidade de deslizamento de muro de arrimo

Admissão por Transferência Facultativa 2. a Transferência Facultativa/2010 ENGENHARIA CIVIL

ɸ E = ΣE.A (5) 14/04/2015. Bacharelado em Engenharia Civil. Física III

RESUMO 2 - FÍSICA III

( ) ( ) ( ( ) ( )) ( )

Lei de Gauss Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

5 Método de Olson (2001)

ANÁLISE DO ESCOAMENTO DE UM FLUIDO REAL: água

Ensaio de torção. Diz o ditado popular: É de pequenino que

Caso (2) X 2 isolado no SP

As leis de Newton e suas aplicações

18 a QUESTÃO Valor: 0,25

Hoje estou elétrico!

GENERALIDADES SOBRE PAVIMENTOS

PROBLEMAS DE OTIMIZAÇÃO

Física Aplicada PROF.: MIRANDA. 2ª Lista de Exercícios DINÂMICA. Física

Microfone e altifalante. Conversão de um sinal sonoro num sinal elétrico. sinal elétrico num sinal sonoro.

Unidade 2 - TENSÕES NOS SOLOS

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONA E MUCURI DIAMANTINA MG ESTUDO DIRIGIDO

Ensaio de tração: cálculo da tensão

MÓDULO 03 - PROPRIEDADES DO FLUIDOS. Bibliografia

UNIDADE IV: Ser humano e saúde Cultura indígena. Aula: 14.1 Conteúdo: Introdução a estática e suas definições.

As fundações podem ser classificadas como rasas ou profundas, diretas ou indiretas.

13 a Aula. Escolha do Tipo de Fundação

Teoria das Estruturas

Análise Dimensional Notas de Aula

Procedimento para Serviços de Sondagem

PPMEC UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI PROCESSO SELETIVO DO SEGUNDO SEMESTRE DE 2014

Filtros de sinais. Conhecendo os filtros de sinais.

Departamento de Matemática - UEL Ulysses Sodré. Arquivo: minimaxi.tex - Londrina-PR, 29 de Junho de 2010.

3B SCIENTIFIC PHYSICS

ANEXO XIII ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS - ESTUDOS GEOTÉCNICOS

Se ele optar pelo pagamento em duas vezes, pode aplicar o restante à taxa de 25% ao mês (30 dias), então. tem-se

Mecânica dos Fluidos

Mecânica 2007/ ª Série

Tópico 8. Aula Prática: Movimento retilíneo uniforme e uniformemente variado (Trilho de ar)

Estudo Comparativo de Cálculo de Lajes Analogia de grelha x Tabela de Czerny

UNESP DESENHO TÉCNICO: Fundamentos Teóricos e Introdução ao CAD. Parte 2/5: Prof. Víctor O. Gamarra Rosado

Compactação dos Solos

ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO AULA 2. CIV 247 OBRAS DE TERRA Prof. Romero César Gomes

Cap. 4 - Princípios da Dinâmica

Bloco sobre estacas Bielas Tirantes. Método Biela Tirante

Medição da resistividade do solo

Os princípios fundamentais da Dinâmica

Curso de Engenharia Civil. Universidade Estadual de Maringá Centro de Tecnologia Departamento de Engenharia Civil CAPÍTULO 6: TORÇÃO

Bacharelado Engenharia Civil

Manejo de irrigação Parâmetros solo-planta-clima. FEAGRI/UNICAMP - Prof. Roberto Testezlaf

Transcrição:

Notas de ula - Mecânica dos Solos 93 UNIDDE 7 PRESSÕES E TENSÕES NO SOLO 7.1 Introdução Em grande parte dos problemas de engenharia de solos, é necessário o conhecimento do estado de tensões em pontos do subsolo, antes e depois da construção de uma estrutura qualquer. s tensões na massa de solo são causadas por cargas externas ou pelo próprio peso do solo. s considerações acerca dos esforços introduidos por um carregamento externo são bastante complexas e seu tratamento, normalmente se dá, a partir das hipóteses formuladas pela teoria da elasticidade. 7. Tensões geostáticas (tensões iniciais no terreno) Dado o perfil geotécnico da Figura 7.1, no qual o nível do terreno (N.T.) é horiontal, a naturea do solo não varia horiontalmente e não há carregamento externo (cargas aplicadas e distribuídas) próxima a região considerada, caracteria uma situação de tensões geostáticas. Quando a superfície do terreno for horiontal, em um elemento de solo situado a uma profundidade da superfície não existirá tensões cisalhantes em planos verticais e horiontais, portanto, estes são planos principais de tensões. N.T. σ v Solo seco S = 0 % Z γ Prisma σ h b b (elemento de solo) σ h σ = tensão normal (perpendicular ao plano) τ = tensão cisalhante (no plano) Figura 7.1 - Perfil geotécnico Em uma situação de tensões geostáticas, portanto, a tensão normal vertical inicial (σv o ) no ponto pode ser obtida considerando o peso do solo acima do ponto dividido pela área. ( γ b ) = W σv0 = = γ b onde: W = γ. V (peso do prisma) V = b. (volume do prisma) = b (área do prisma) γ = peso específico natural do solo

Notas de ula - Mecânica dos Solos 94 Se o solo acima do ponto for estratificado, isto é, composto de n camadas, o valor de σv 0 é dado pelo somatório de γi. i, onde i varia de 1 a n. σ v n 0 = γ ( i) ( i) i= 1 Quando o peso específico da camada não for constante e se conhecer a sua lei de variação com a profundidade, a tensão poderá ser calculada: σ v 0 = γ ( ) 0 d 7.1.1 Água no solo O ingresso de água no solo, através de infiltração no terreno e a ocorrência de um perfil estratificado, com uma sucessão de camadas permeáveis e impermeáveis, permitem a formação de lençóis freáticos ou artesianos. Para entender estes fenômenos, pode-se imaginar que no local foram instalados três tubos,, B e C (Figura 7. - Ortigão, 1993), o primeiro atravessando a camada inicial permeável, seguindo por uma camada de solo impermeável e atingindo a camada inferior, onde ocorre lençol confinado, artesiano ou sob pressão. Estes nomes se aplicam porque o nível de água (N..) do tubo está acima do nível do terreno (N.T.). O tubo B encontra um lençol livre, situação que é verificada pelo operador no campo, pois a profundidade do nível d água no tubo permanece estacionária. Já a perfuração feita para instalar o tubo C atinge inicialmente o lençol livre. vançando-a, pode-se observar que a água subirá no tubo, indicando que se atingiu também o lençol artesiano inferior. Figura 7. apresenta também um caso de lençol pendurado ou cativo, ou seja, preso sobre uma fina camada de material impermeável. Se uma perfuração for aí realiada, ocorrerá perda d água repentina no furo assim que a perfuração atingir a camada permeável inferior. Considerando um maciço saturado com água em condições hidrostáticas (isto é, sem fluxo) a profundidade na qual a pressão na água é atmosférica é o chamado nível d água natural (N..) ou lençol freático. Portanto, abaixo do nível d água, a pressão na água, ou poro-pressão ou pressão neutra (u 0 ) é positiva. Sendo definida pela expressão: u 0 = γ w. w onde: u 0 = pressão neutra ou poro-pressão γ w = peso específico da água, tomado igual a 10 kn/m 3 = 1g/cm 3 w = profundidade em relação ao nível da água. água exerce pressão de igual valor, mesma direção e sentido contrário, portanto, a resultante é nula. pressão na água se transmite de um ponto para outro do solo, através do contato entre o líquido contido nos vaios do solo. No perfil geotécnico da Figura 7.3, a tensão normal vertical inicial (σv o ) no ponto pode ser obtido considerando o peso do solo saturado acima do ponto, dividido pela área. Portanto, temos: σv 0 = γ sat.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 95 Figura 7. - Perfil de solo estratificado com diversos níveis de água. N.T. N.. Solo saturado S = 100% γ sat Z Prisma Figura 7.3 - Perfil geotécnico. Solo saturado b b (elemento de solo) 7.1. Tensão vertical total tensão vertical total inicial no ponto, do perfil de solo da Figura 7.4, é: σv 0 = γ. 1 + γ sat. e a poro-pressão ou pressão neutra no mesmo ponto é: u 0 = γ w. w N.T. Z 1 γ N.. Z Z w γ sat Figura 7.4 - Perfil de solo.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 96 7.1.3 Princípio das tensões efetivas Em 195, Karl Teraghi definiu que o comportamento dos solos saturados quando à compressibilidade e à resistência ao cisalhamento depende fundamentalmente da pressão média intergranular denominado de tensão efetiva (tensão grão a grão), foi uma das maiores contribuições à engenharia e é considerado o marco fundamental do estabelecimento da Mecânica dos Solos com bases científicas independentes. comprovação desse princípio foi feita por Teraghi de maneira muito simples, utiliando um tanque com solo saturado e água. umentando o nível da água no tanque, a pressão total (σv 0 ) também aumenta no solo. Entretanto, não se observa qualquer diminuição de volume no solo, o que vem comprovar que seu comportamento é totalmente independente das tensões totais. Nos solos saturados (S = 100%) parte das tensões normais é suportada pelo esqueleto sólido (grãos) e parte pela fase líquida (água), portanto, tem-se que: σ = σ + u onde: σ = tensão total σ = tensão efetiva u = pressão neutra Exemplo 1: Calcule as tensões total, neutra e efetiva para os pontos assinalados (tensões verticais). Faça um gráfico da variação da tensão por profundidade. 0,0 m N.T. TENSÕES - (kn/m) 0 0 40 60 80 100 10 140 160 180 00 areia γ = 16,8 kn/m 3 Tensão total -,8 m argila - 7,0 m B N.. γ = 1,0 kn/m 3 C 47,0 4,0 93, Pressão neutra Tensão efetiva 135, PROFUNDIDDE - (m) - 9,5 m silte γ = 17,0 kn/m 3 D 67,0 110,7 177,7 Pontos Profundidade Tensão total (kn/m ) Pressão neutra (kn/m ) Tensão efetiva (kn/m ) (m) σv 0 = γ. 1 + γ sat. u 0 = γ w. w σ v 0 = σv 0 u 0 0 0 0 0 B,8 16,8.,8 = 47,0 0 47-0 = 47,0 C 7,0 47 + 1. 4, = 135, 4,. 10 = 4,0 135-4 = 93, D 9,5 135 + 17.,5 = 177,7 4 + 10.,5 = 67,0 177,5-67,5 = 110,7

Notas de ula - Mecânica dos Solos 97 7.1.4 Solos submersos Em solos submersos (portanto saturados) define-se o peso específico submerso (γ sub ou γ ) que permite calcular a tensão vertical efetiva (σ v 0 ), em qualquer plano do solo submerso (Figura 7.5). tensão total (σv 0 ) é: σv 0 = γ w. 1 + γ sat. u 0 = γ w. w = γ w ( 1 + ) Desta forma a tensão efetiva será: σ v 0 = σv 0 - u 0 σ v 0 = γ w. 1 + γ sat. - γ w ( 1 + ) σ v 0 = γ w. 1 + γ sat. - γ w. 1 - γw. σ v 0 = γ sat. - γ w. = (γ sat - γ w ). como, γ sub = γ sat - γ w, temos: σ v 0 = γ sub. Esta equação é independente de w, portanto a pressão efetiva não varia com a espessura da lâmina de água. N.. Z 1 γ w (lâmina de água) N.T. Z w Z γ sat Figura 7.5 - Perfil de solo submerso 7.1.5 Solos não saturados (solos parcialmente saturados) Para solos com 0 < S (grau de saturação) < 100 e que terá em seus vaios, dois fluídos, geralmente ar e água, está situação difere da anterior, em face das seguintes alterações: - não há uma continuidade da coluna d água - a pressão neutra total é a soma da pressão na fase gasosa mais a pressão na fase líquida e a equação σ = σ - u poderá ser colocada na forma proposta por Bishop (1959). σ = σ - u ar + χ (u ar - u w ) onde: u ar = pressão na fase gasosa u w = pressão na fase líquida χ = coeficiente que varia de 0 (solos secos) a 1 (solos saturados). O valor de χ, além de ser muito influenciado pelo grau de saturação do solo, sofre influência também da estrutura, do ciclo de inundação-secamento e de alterações havidas no estado de tensões.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 98 7.1.6 Pressões efetivas em condições hidrodinâmicas s tensões efetivas verticais em condições hidrodinâmicas são calculadas pela equação: σ = σ - u Nesta equação o valor da poro-pressão (u) é estimado ou medido (in situ) através de pieômetros. Um desses instrumentos, conhecido como o pieômetro Casagrande ou tubo aberto está esquematiado na Figura 7.6. O equipamento consta de uma ponta porosa (vela de filtro ou tubo perfurado, revestido com manta ou geossintético permeável), que é instalado no terreno através de uma perfuração, ao redor da qual executa-se um bulbo de areia. Este dispositivo permite que a água flua para o interior do tubo. ponta porosa se comunica com a superfície por um tubo plástico, através do qual o nível d água é medido. diferença de cota entre o nível d água medido e a ponta porosa corresponde à pressão neutra, em metros de coluna d água. Figura 7.6 - Pieômetro de Casagrande (Lambe & Whitman, 1969)

Notas de ula - Mecânica dos Solos 99 Exemplo : O perfil geotécnico abaixo apresenta um terreno onde os pieômetros de Casagrande instalados indicam artesianismo do lençol inferior. Calcular as tensões totais e efetivas iniciais e a pressão neutra nos pontos assinalados.,0 m 0,0 m -,0 m água N.T. N.. γ = 10,0 kn/m 3 TENSÕES - (kn/m) 0 0 40 60 80 100 10 140 160 0 0 Tensão total Pressão neutra - 5,0 m - 7,5 m - 9,5 m areia argila areia B C γ = 17,0 kn/m 3 γ = 14,0 kn/m 3 D γ = 18,0 kn/m 3 11 1 7 31 50 75 71 95 Tensão efetiva 106 115 14 PROFUNDIDDE - (m) - 11,5 m Pontos Profundidade Tensão total (kn/m ) Pressão neutra (kn/m ) Tensão efetiva (kn/m ) (m) σv 0 = γ w. 1 + γ sat. u 0 = γ w. w σ v 0 = σv 0 u 0,0 10. = 0 10. = 0 0-0 = 0 B 5,0 0 + 17. 3 = 71 10. 5 = 50 71-50 = 1 C 7,5 71 + 14.,5 = 106 10. (5,5 + ) = 75 (rgila) 106-75 = 31 10. (5,5 + 4) = 95 (reia) 106 95 = 11 D 9,5 106 + 18. = 14 10. (7,5 + 4) = 115 14-115 = 7 7.1.7 Tensões horiontais té agora foram vistas as tensões verticais iniciais, totais e efetivas, entretanto não é suficiente para se conhecer o estado de tensão inicial, pois considerando uma situação bidimensional, é necessário determinar as tensões que atuam em dois planos ortogonais. Devido ao peso próprio ocorrem também tensões horiontais, que são uma parcela da tensão vertical atuante: σ ' h k = σ ' v onde o coeficiente k é denominado de coeficiente de tensão lateral, que é função do tipo de solo, da história de tensões, etc.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 100 Existe uma situação em que a tensão horiontal efetiva e a tensão vertical efetiva se relacionam de maneira simples: quando não há deformação lateral do depósito (por exemplo, extensos depósitos sedimentares). Neste caso define-se o coeficiente de tensão lateral no repouso (ko), que é a relação entre tensões efetivas iniciais: k 0 σ ' h = σ ' v 0 0 O valor de K 0 pode ser obtido através de ensaios de laboratório em que simulam condições iniciais, ou seja, sem deformações laterais. In situ, pode-se determinar o valor de K 0 introduindo no terreno uma célula-espada (Figura 7.7), ou seja, um medidor de pressão semelhante a uma almofada, porém de pequena espessura, que é cravado verticalmente no terreno, como uma espada, e após a estabiliação permite deduir a tensão lateral total (σh 0 ). Conhecendo o valor da pressão neutra inicial (u 0 ) e da tensão efetiva vertical (σ v 0 ) obtém-se o valor de K 0 pela equação anterior. Valores típicos de K 0, em função do tipo de solo: - areia fofa 0,55 - areia densa 0,40 - argila de baixa plasticidade 0,50 - argila de alta plasticidade 0,65 Há algumas relações empíricas para a determinação de K 0, como as apresentadas na Tabela abaixo: Tabela 7.1 Relações empíricas para determinação de K 0 Relações Tipo de solo utor / no K 0 = 1 - sen φ solos granulares Jaky, 1944 K 0 = 0,95 - sen φ argilas normalmente adensadas Brooker e Ireland, 1965 K 0 = (1 - sen φ). OCR argilas pré-adensadas Meyerhof, 1976 K 0 = (1 - sen φ). OCR senφ argilas pré-adensadas Mayne e Kulhawy, 1981 Onde: φ = ângulo de atrito interno do solo (Unidade 9) OCR = raão de pré-adensamento (Unidade 8) σ OCR Vm =, (σ v m = tensão de pré-adensamento e σ v 0 = tensão efetiva atual) σ V 0 Figura 7.7 - Célula espada para a determinação da tensão horiontal total.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 101 Exemplo 3: Calcular tensão efetiva vertical inicial e a tensão efetiva horiontal inicial nos pontos, B, C e D no perfil geotécnico da figura abaixo e traçar o diagrama de variação das tensões com a profundidade. 0 m N.T. TENSÕES - (kpa) 0 0 40 60 80 100 10 140 160 - m areia - 5 m argila - 9 m areia B C γ = 17 e K 0 = 0,5 γ = 19 e K 0 = 0,5 γ = 15 e K 0 = 0,8 γ = 0 e K 0 = 0,6 N.. 17,0 30,5 34,0 48,8 48,6 61,0 64,8 Tensão efetiva vertical Tensão efetiva horiontal 81,0 PROFUNDIDDE - (m) - 14 m D 78,6 131,0 Pontos Tensão efetiva vertical (kpa) Tensão efetiva horiontal (kpa) σ vo = γ sub. = (γ sat - γ w ). σ h0 = k 0. σ v0 17. = 34,0 34. 0,5 = 17,0 B 34 + (19-10). 3 = 61,0 61. 0,5 = 30,5 61. 0,8 = 48,8 C 61 + (15-10). 4 = 81,0 81. 0,8 = 64,8 81. 0,6 = 48,6 D 81 + (0-10). 5 = 131,0 131. 0,6 = 78,6 7.1.8 Superfície de terreno inclinado Superfícies inclinadas geram tensões tangenciais (τ) nas faces horiontal e vertical de um elemento de solo (Figura 7.8). B i b 0 N.T. W γ T i N γ = peso específico natural i = inclinação do terreno Figura 7.8 Superfície do terreno inclinado

Notas de ula - Mecânica dos Solos 10 Onde: W = peso do solo W = γ. B. B = b 0. cos i W = γ. bo. cos i. N = W. cos i (tensão normal) T = W. sen i (tensão tangencial) Tensão total vertical inicial (plano paralelo a superfície) σv 0 = W / = W / (b 0. 1 m) = γ. b 0. cos i. / (b 0. 1 m) σv 0 = γ.. cos i Tensão total normal σn 0 = N / = W. cos i / (b 0. 1 m) = γ. b 0. cos i.. cos i / (b 0. 1 m) σn 0 = γ.. cos i Tensão cisalhante τ = T/ = W. sen i / (b 0. 1 m) = γ. b 0. cos i.. sen i / (b 0. 1 m) τ = γ.. sen i. cos i 7.1.9 Capilaridade É um processo de movimentação d água contrária à ação gravitacional (ascensão capilar). água se eleva por entre os interstícios de pequenas dimensões deixados pelas partículas sólidas (vaios ou poros), acima do nível d água. O nível d água ou freático é a superfície em que atua a pressão atmosférica e, na Mecânica dos Solos, é tomada como origem do referencial, para as poropressões, e no nível freático a poro-pressão é igual a ero. Os fenômenos de capilaridade estão associados diretamente à tensão superficial, sendo a que atua em toda a superfície de um líquido, como decorrência da ação da energia superficial livre. O perfil geotécnico da Figura 7.9, mostra-nos a distribuição típica da umidade do solo e da poro-pressão (u 0 ). N.T. Poro-Pressão água de contato N capilar ( - ) ( + ) altura de ascenção capilar saturação capilar parcial saturação capilar γ ST S < 100% S = 100% N de saturação N.. franja capilar - u 0 w γ SUB S = 100% u 0 = γ w. w Figura 7.9 - Distribuição do teor de umidade e poro-pressão em um perfil de solo.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 103 Na Figura 7.9, tem-se o diagrama de poro-pressões, verifica-se que graças à ascensão capilar a poro-pressão acima do nível d água é negativa (u < 0). O solo apresenta às vees seus poros interligados e formando canalículos, que funcionam como tubos capilares. ssim pode-se explicar, dentro da massa, a ocorrência de onas saturadas de solos, que estão situadas acima do nível d água. Para melhor compreensão do fenômeno da capilaridade é possível partir da idéia de que poros, entre os grãos dos solos, formam canalículos capilares verticais. Um modelo físico disso é emergir a ponta de um tubo capilar em água (Figura 7.10). água subirá até uma altura de ascensão capilar, tanto maior esta altura quanto menor o diâmetro do tubo, tal que a componente vertical da força capilar (Fc =.π.r.ts) seja igual ao peso da coluna d água suspensa. Ts Ts P 0 α Ts. cos α MENISCO TUBO CPILR φ = d h 0 u = γ w. h c P atm N.. Figura 7.10 - Modelo físico do fenômeno da capilaridade. Onde: Ts = tensão superficial da água (0,0764 g/cm) α = ângulo de contato que dependem do fluído e do sólido de contato. Portanto, para que ocorra o equilíbrio, temos que: π r Ts cos α = π r γ w hc Ts cosα 4Ts cosα hc = ou hc = r γ w d γ w verifica-se que a altura de ascensão capilar é inversamente proporcional ao diâmetro. Nos solos como estimativa da ascensão capilar máxima (α = 0 ) 0,306 hc =, com d em cm. d Onde d é o diâmetro dos poros. Portanto nos solos arenosos e pedregulhosos onde os poros são maiores, a altura de ascensão capilar na prática está entre 30cm e 1m. Já nos solos siltosos e argilosos, onde os poros são menores, a altura de ascensão capilar chega a deenas de metros. água em contato com o solo também tenderá a formar meniscos. Nos pontos de contato dos meniscos com os grãos (Figura 7.11) evidentemente agirão pressões de contato, tendendo a comprimir os grãos. Estas pressões de contato (pressões neutras negativas) somam-se as tensões totais: σ = σ - (-u) = σ + u

Notas de ula - Mecânica dos Solos 104 faendo com que a tensão efetiva realmente atuante seja maior que a total. Esse acréscimo de tensão proporciona um acréscimo de resistência conhecido como coesão aparente (ver Unidade 9), responsável, por exemplo, pela estabilidade de taludes em areia úmida. Uma ve eliminada a ação das forças capilares (saturação do solo) desaparece este ganho de resistência (coesão aparente tende a ero). GRÃOS DE SOLO MENISCOS Figura 7.11 - Pressões de contato em uma amostra de solo. Exemplo 4: Dado o perfil geotécnico abaixo, admitindo que na ona da franja capilar o solo esteja completamente saturado, qual o valor da pressão neutra e efetiva nos pontos e B. N.T. TENSÕES - (kpa) -15-5 5 15 5 35 45 55 65 75 Pressão neutra areia fina γ = 18 kn/m Tensão efetiva -,0 m -,5 m franja capilar γ = kn/m N.. -5 41 PROFUNDIDDE - (m) - 4,5 m B 0 71 Pontos Tensão total (kn/m ) Pressão neutra (kn/m ) Tensão efetiva (kn/m ) σv 0 = γ. 1 + γ sat. u 0 = γ w. w σ v 0 = σ v 0 - u 0 18. = 36 10. (- 0,5) = - 5 36 - (-5) = 41 B 36 +.,5 = 91 10. = 0 91-0 = 71 7. Propagação de tensões no solo devido a carregamentos externos São as tensões decorrentes das cargas estruturais aplicadas (tensões induidas), resultantes de fundações, aterros, pavimentos, escavações, etc. lei de variação das modificações de tensões, em função da posição dos elementos do terreno, chama-se distribuição de pressões. Existem várias teorias sobre a distribuição de pressões, mas vamos estudar a teoria simples ou antiga e a teoria da elasticidade.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 105 distribuição de tensões comporta duas análises: 1ª) as tensões induidas no interior do maciço; ª) as tensões de contato. 7..1 Tensões induidas no interior do maciço São usualmente calculadas pela teoria da elasticidade. 7.. Efeito de sobrecarga Quando se aplica uma sobrecarga ao terreno (no caso da Figura 7.1, a sobrecarga vertical Q foi aplicada à superfície), o elemento (x, ) tem seu estado de tensões original modificado, ou seja: N.T. Q x σv 0 = σ σh 0 = σx σv + σv 0 τ σh+σh 0 σh 0 + σh Figura 7.1 - Efeito de uma sobrecarga em um perfil de solo. τ σv + σv 0 a) tensão vertical - inicial (efeito do peso próprio)...σv 0 - final (após aplicação da sobrecarga)...σv 0 + σv b) tensão horiontal - inicial...σh 0 - final...σh 0 + σh c) tensão cisalhante - inicial...ero - final...τ

Notas de ula - Mecânica dos Solos 106 7..3 Teoria de distribuição de pressões no solo por efeito de sobrecarga Quando se aplica uma sobrecarga ao terreno, ela produ modificações nas tensões até então existentes. Teoricamente, tais modificações (acarretando aumento ou diminuição das tensões existentes) ocorrem em todos os pontos do maciço solicitado. Dependendo da posição do ponto (elemento do terreno) em relação ao ponto ou lugar de aplicação da sobrecarga, as modificações serão de acréscimo ou decréscimo, maiores ou menores. 7..4 Hipótese simples ou antiga distribuição de pressões ou tensões pela hipótese simples ou antiga admite-se que a carga Q aplicada à superfície se distribui, em profundidade segundo um ângulo (ϕ 0 ), chamado ângulo de espraiamento ou de propagação. Figura 7.13 apresenta a distribuição de tensões no interior do maciço segundo a hipótese simples. propagação das pressões restringe-se à ona delimitada pelas linhas de espraiamento MN. propagação das pressões restringe-se à ona delimitada pelas linhas de espraiamento MN. Figura 7.13 - Distribuição de pressões pela hipótese simples. Kogler e Scheidig (1948) sugerem valores para o ângulo de espraiamento segundo a tabela abaixo: Tipo de solo ϕ 0 Solos muito moles < 40 reias puras (coesão nula) 40 a 45 rgilas de coesão elevada (rijas e duras) 70 Rochas > 70 Para fins práticos, a propagação de pressões, devido à sobrecarga, restringe à ona delimitada pelas linhas de espraiamento. hipótese simples contraria todas as observações experimentais (feitas através de medições no interior do subsolo), pelas quais se verificou que a pressão distribuída em profundidade não é uniforme, mas sim variável, em forma de sino.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 107 faixa de validade para esta teoria restringe-se a: a) sobrecargas provenientes de fundações muito rígidas e/ou estruturas rígidas (chaminés, torres, obeliscos, blocos de máquinas) com tendência de recalques uniformes, as pressões tendem à uniformidade; b) profundidades muito grandes - achatamento do diagrama de pressões; c) valor de ϕ 0 a adotar - quanto mais resistente for o solo, tanto maior será o valor de ϕ 0. 7..5 Teoria da elasticidade teoria matemática da elasticidade fundamenta-se nos estudos, entre outros, de Cauchy, Navier, Lamé e Poisson, tendo suas equações fundamentais sido estabelecidas na década de 180. O estudo sobre a possível distribuição das tensões no solo, resultado da aplicação da teoria de Boussinesq, baseia-se na teoria da elasticidade. teoria de elasticidade linear é baseada no comportamento elástico dos materiais, ou seja, na proporcionalidade entre as tensões (σ) e deformações (ε), segundo a lei de Hooke. raão σ / ε = E denomina-se módulo de elasticidade ou módulo de Young. correspondente expansão lateral do material terá valor ε = - µ. σ / E, onde µ é o coeficiente de Poisson (para solos e rochas varia entre 0, e 0,4). Em resumo a teoria da elasticidade admite: a) material seja homogêneo (propriedades constantes na massa do solo); b) material seja isotrópico (em qualquer ponto as propriedades são as mesmas independente da direção considerada); c) material seja linear-elástico (tensão e deformação são proporcionais) Existem soluções para uma grande variedade de carregamentos. 7..5.1 Carga concentrada - Solução de Boussinesq O estudo do efeito de cargas sobre o terreno foi estudado inicialmente por Boussinesq (1885), através da teoria da elasticidade. Estudou o efeito da aplicação de uma carga concentrada sobre à superfície de um semi-espaço infinito. (Figura 7.14) Expressões: P = Q 3 P 3 σ ' v = x = r N.T. 5 π R x P 3 r σ h = π R ' 5 3 P τ = π R 5 r ( 1 µ ) ( ) R + R R σ v τ onde: R = r + µ = coeficiente de Poisson σ v = σ σ h = σx Figura 7.14 - Carga concentrada. σ h

Notas de ula - Mecânica dos Solos 108 Exemplo 5: Foi aplicado no perfil abaixo uma sobrecarga de 1500 kn na superfície do terreno. Determine as tensões iniciais, os acréscimos de tensões devido à sobrecarga e as tensões finais no ponto. P = 1500 kn Tensões iniciais: σ v 0 = γ. = 19. 3 = 57,0 kpa σ h 0 = k 0. σ v 0 = 0,5. 57 = 8,5 kpa τ 0 = 0 créscimo de tensão devido à sobrecarga N.T. R r = 3 m 3 m γ = 19 kn/m 3 µ = 0,5 K 0 = 0,5 R = 4,4 m 3 1500 3 σ ' v = 3 = 14,1 kpa 5 π 4,4 ( 1.0,5) ( ) 4,4 + 3 1500 3 3 3 σ ' h = = 14,1 kpa 5 π 4,4 4,4. 3 1500 τ = 3 3 = 14,1 kpa 5 π 4,4 Tensões finais σ v f = σ v 0 + σ v = 57 + 14,1 = 71,1 kpa σ h f = σ h 0 + σ h = 8,5 + 14,1 = 4,6 kpa τ f = τ 0 + τ = 0 + 14,1 = 14,1 kpa É importante observar que os solos, de modo geral, afastam-se das condições ideais de validade da teoria de Boussinesq. Não são materiais elásticos, nem homogêneos, nem isotrópicos. Entretanto, as diferenças entre os solos reais e o material ideal de Boussinesq não são de molde a impedir a aplicação da teoria da elasticidade aos solos, desde que observados certos requisitos. Requisitos para aplicabilidade da solução de Boussinesq (BRT, 1993): a) Deve-se haver compatibilidade nas deformações do solo. Portanto, as cargas aplicadas e distribuídas não se aproximem da máxima resistência ao cisalhamento do solo. Fator de segurança, no mínimo igual a 3, para haver proporcionalidade entre as tensões e deformações; b) resistência do solo deve ser constante, ao longo da profundidade (E = módulo de elasticidade). Nas argilas (solos coesivos) esse aspecto é mais viável. Nas areias (solos incoerentes), menos viável; c) Solos muito heterogêneos (com presença de camadas de origem, constituição e resistência muito diferentes) em contatos afastam-se muito do material de Boussinesq. Usar a solução de Westergaard, item 7..6; d) Somente cargas na superfície. Cargas abaixo da superfície - teoria de Mindlin;

Notas de ula - Mecânica dos Solos 109 e) Teoria admite que o material solicitado tenha resistência à tração e ao cisalhamento (ϕo = 90 o ) Nos solos argilosos o erro é menor; f) solução de Boussinesq é para carga concentrada, que na prática não ocorre nas fundações reais. teoria só se aplica sem erros grosseiros, quando: - Carga sobre área circular, > 3 d (d = diâmetro); - Carga sobre área retangular, >,5 lado menor; 7..5. Carga linear - Solução de Melan partir das expressões de Boussinesq para carga concentrada, usando o princípio da superposição (o efeito do conjunto considerado como a soma dos efeitos de cada um dos componentes) e por meio de integração matemática, foi possível que vários pesquisadores chegassem a expressões para o cálculo da distribuição causada por cargas lineares e áreas carregadas. s seguintes expressões foram propostas por Melan (Figura 7.15) σ ' v = q 3 ( + x ) q x σ ' h = τ xy q = ( + x ) x ( + x ) q σ v τ σ h Figura 7.15 - Solução de Melan. x 7..5.3 Área carregada - Carga uniforme sobre uma placa retangular de comprimento infinito Em placas retangulares em que uma das dimensões é muito maior que a outra, os esforços induidos na massa de solo podem ser determinados através das expressões propostas por Carothers e Teraghi, conforme o esquema da Figura 7.16. σ v = P (α + sen α. cos (α + δ))/π σ h = P (α - sen α. cos (α + δ))/π B = b P = qs x τ = P (sen α. sen (α + δ))/π P = carga distribuída por unidade de área δ σ v α σ h (x, ) Figura 7.16 - Solução de Carothers

Notas de ula - Mecânica dos Solos 110 O bulbo de pressões correspondentes a esse tipo de carregamento é apresentado na Figura 7.17, onde: b = semi-largura = profundidade vertical x = distância horiontal do centro qs = P = carregamento σ 1 = σ v = tensão vertical efetiva σ 3 = σ h = tensão horiontal efetiva Para determinar as tensões induidas obtém-se do ábaco o fator de influência (I). Valor este que multiplicado pelo carregamento na superfície, nos dará o acréscimo de tensão no ponto desejado, conforme as expressões: σ v = P. I 1 e σ h = P. I 3 Figura 7.17 - Carregamento uniformemente distribuído sob uma área retangular de comprimento infinito.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 111 Exemplo 6: Determine os acréscimos de tensão vertical e horiontal nos pontos assinalados da figura abaixo q s = P = 00kPa 1 m Pontos x/b /b I 1 σ v I 3 σ h 0 1 0,8 164 0,18 36 x B 1 1 0,64 18 0,08 16 C 1 0,8 56 1 m D 0 0,55 110 E 1 0,47 94 1 m B C F 0,33 66 G 0 3 0,39 78 H 1 3 0,37 74 1 m D E F I 3 0,8 56 G H I 1 m 1 m 7..5.4 Área carregada - Carregamento uniformemente distribuído sobre uma placa retangular Para o caso de uma área retangular de lados a e b uniformemente carregada, as tensões em um ponto situado a uma profundidade, na mesma vertical do vértice. Na Figura 7.18 são dados, segundo Holl (1940), as expressões para a determinação das tensões induidas. P P σ ' v = arctg π a b R 3 a b + R 3 ( R + R ) 1 a P σ ' h = arctg π a b R 3 + a b R R 3 b x P a a τ = π R1 R R 3 σ v = σ σ h = σx R R R 1 3 = = = a b a + + + b + Figura 7.18 - Placa retangular. Pode-se utiliar o ábaco da Figura 7.19, a fim de determinar o acréscimo de tensão vertical ( σ v = σ) no vértice de uma placa retangular carregada uniformemente. Onde: m = b/ n = a/ temos, σ = σ v = P. I

Notas de ula - Mecânica dos Solos 11 0,5 0,4 P m = 3,0 m =,5 m =,0 m = 1,8 m = 1,6 0,3 a m = 1,4 0, 0,1 0,0 0,19 0,18 b σ v = σ σ h = x m=b/ n = a/ σ = P.I m = 1, m = 1,0 m = 0,9 m = 0,8 0,17 m = 0,7 Coeficiente de influência - I 0,16 0,15 0,14 0,13 0,1 0,11 0,10 m = 0,6 m = 0,5 m = 0,4 0,09 m = 0,3 0,08 0,07 0,06 m = 0, 0,05 0,04 0,03 m = 0,1 0,0 0,01 0,00 0,1 1,0 10,0 n Figura 7.19 - Carregamento uniformemente distribuído sob uma área retangular.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 113 Exemplo 7: Calcular o acréscimo de carga, na vertical do ponto, a profundidade de 5,0 m. placa superficial tem 4,0 m x 10,0 m, e esta submetida a uma pressão uniforme de 340 kpa. a = 10m = 5 m 340 KPa b = 4m ábaco: m = 4/5 = 0,8 I = 0,181 n = 10/5 = σ v = P x I = 340 x 0,181 = 61,5 kpa σ v = σ Utiliando a expressão para o acréscimo de tensão vertical, temos: R 1 = (10 +5 ) 0,5 = 11,18 R = (4 + 5 ) 0,5 = 6,40 R 3 = (10 + 4 +5 ) 0,5 = 11,87 10 m 4 m σ h = σx x 340 10 4 10 4 5 340 ' v = arctg + (11,18 + 6,4 ) arctg0,674 + 0,546 π 5 11,87 11,87 π 340 σ ' v = [ 0,593rad + 0, 546rad] = σ ' v = 0,181 340 = 61, 5kPa π σ = [ ] 7..5.5 Área carregada - Carregamento uniformemente distribuído sobre uma área circular (tanques e depósitos cilíndricos, fundações de chaminés e torres) s tensões induidas por uma placa uniformemente carregada, na vertical que passa pelo centro da placa, podem ser calculadas por meio da integração da equação de Boussinesq, para toda área circular. Esta integração foi realiada por Love, e na Figura 7.19 têm-se as características geométricas da área carregada. O acréscimo de tensão efetiva vertical induida no ponto, situado a uma profundidade é dada pela expressão: σ ' v = σ = 1 P 1 1 + 3 / ( R ) Onde: R = raio da área carregada = distância vertical x = distância horiontal a partir do centro da área carregada P = qs = carregamento R σ v P = qs x Figura 7.0 - Área circular.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 114 Para pontos situados fora da vertical que passa pelo centro da placa, o acréscimo de tensão efetiva vertical poderá ser calculado pelo ábaco da Figura 7.1, que fornece isóbaras de σ v/p, em função do afastamento e da profundidade relativa x/r e /R, respectivamente. Figura 7.1 - Carregamento uniformemente distribuído sob uma área circular.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 115 Exemplo 8: Calcular o acréscimo de tensão vertical nos pontos e B transmitido ao terreno por um tanque circular de 6,0 m de diâmetro, cuja pressão transmitido ao nível do terreno é igual a 40 kpa. Utiliando o ábaco, temos: R = 3 m Ponto X/R Z/R I σ v (kpa) 0 1 0,64 153,5 B 1 1 0,33 79, tensão final no ponto será: σ vf = 16,5. 3 + 153,5 = 03,0 kpa 3 m γ = 16,5 kpa σ v f σ v fb B P = 40 x 7..5.6 Área carregada - Carregamento Triangular Possui grande aplicação na estimativa de tensões induidas no interior de massa de solo por aterros, barragens, etc. Existem soluções para diversos tipos de carregamento (triângulos retângulos, escaleno, trapéios, etc.). Gráfico de Osterberg - determina a tensão vertical ( σ v) devido a uma carga em forma de trapéio de comprimento infinito (Figura 7.). a b P = qs σ ' v = σ I 1 σ v x a / b / I 1 Coeficiente de Influência Gráfico de Carothers - determina a tensão vertical e horiontal ( σ 1 = σ v, σ 3 = σ h ) devido a uma carga em forma de triângulo isósceles de comprimento infinito. (Figura 7.3). a a P = qs σ v x x / a / a σ 1 = σ ' v σ 3 = σ ' h

Notas de ula - Mecânica dos Solos 116 Gráfico de Fadum - determina a tensão vertical ( σ v) sob um carregamento trinagular de comprimento finito. (Figura 7.4) σ σ v a 1 b 1 x m = b 1 / n = a 1 / I Coeficiente de Influência Figura 7. - Carregamento trapeoidal de comprimento infinito - Gráfico de Osterberg.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 117 Figura 7.3 - Carregamento triangular de comprimento infinito - Gráfico de Carothers. Figura 7.4 - Carregamento triangular de comprimento finito - Gráfico de Fadun

Notas de ula - Mecânica dos Solos 118 7..5.7 Área carregada - Carregamento uniformemente distribuído sobre uma superfície de forma irregular. (gráfico circular de Newmark) O gráfico circular de Newmark é baseado na equação de Love 3 / 1 σ ' v = σ = P 1 ( ) 1 + R σ = P I I σ = P Figura 7.5 apresenta a construção gráfica de Newmark que atribui valores para I e calculase o raio da placa necessário para produir o acréscimo de pressões à profundidade. I = σ/p R/ 0,0 0,000 0,1 0,70 0, 0,400 0,3 0,518 0,4 0,637 0,5 0,766 0,6 0,918 0,7 1,110 0,8 1,387 0,9 1,908 1,0 R = 0,400 INFLUÊNCI = 0,005p R = 0,70 Figura 7.5 - Ábaco circular de Newmark. - Dividindo cada círculo em 0 partes iguais, têm-se: σ = 0,1 P = 0,1. P / 0 = 0,005 P - Desenha-se a planta da superfície carregada na escala do gráfico (B = ) - O ponto onde se quer determinar o acréscimo de pressão deve coincidir com o centro do gráfico. O acréscimo de tensão vertical na profundidade será: onde: σ ' v = σ = P N I P = carregamento externo N = número de fatores de influência (quadradinhos) I = unidade de influência

Notas de ula - Mecânica dos Solos 119 Exemplo 9: Com os dados da figura abaixo calcule, pelo gráfico de Newmark, a pressão vertical a 3 m de profundidade, abaixo do ponto M, para a placa (a) e a m de profundidade para a placa (b). N 30 (a) 300 300 150 300 = 3 m M p = 3 kg/cm 3 σ ' v = 3. 30. 0,005 = 0,45 kg/cm = 45 kn/m B B = = 3m Valor da unidade de influência = 0,005 Escala 1:50 (b) 300 300 = m 00 M 100 100 00 p = 1 kg/cm 3 B B = = m Valor da unidade de influência = 0,005 Escala 1:100 N 83 σ ' v = 1. 83. 0,005 = 0,4 kg/cm = 4 kn/m B 7..6 Solução de Westergaard lguns terrenos, devido a condições especiais de sua origem (por exemplo, o caso de certas argilas sedimentares), apresentam dispersas, em sua massa, intrusões ou lentes de material diverso, de granulometria mais grossa (siltes, areias, pedregulhos etc.) que acarretam aumento de resistência a deformações laterais. Soluções desse tipo tornam inaplicáveis as expressões de Boussinesq em seu aspecto original, pois esses terrenos se afastam ponderavelmente das hipóteses que servem de base ao desenvolvimento teórico. Westergaard (1938) resolveu este problema específico, aplicando a teoria da elasticidade, mas imaginando que o solo estudado se constituísse de numerosas

Notas de ula - Mecânica dos Solos 10 membranas horiontais, finas, muito juntas uma das outras e de grande resistência a deformações horiontais, sem inferir, todavia, na deformabilidade vertical do solo ensanduichado. Em outras palavras, supôs, em sua análise, um material anisótropo, mas homogêneo e com um coeficiente de Poisson muito baixo, chegando à seguinte expressão para a tensão vertical num ponto qualquer da massa de solo, devido à ação de uma carga pontual Q: 3 / C Q 1 σ ' v = σ =, onde π C + ( x ) C = 1 µ µ Para µ = 0 (solo indeformável no sentido horiontal), obtém-se: C = ½ e os valores de σ, de pontos diretamente sob a carga, são os maiores possíveis. Compara-se com a expressão de Boussinesq, temos: Q σ ' v = σ = N Esta expresão e a de Westergaard estão representadas na Figura 7.6. expressão de Westergaard integrada e faendo-se µ = 0, permite obter as tensões causadas no solo, abaixo de uma área carregada uniformemente. Figura 7.7 apresenta o ábaco para o cálculo dessas tensões. Para condições do terreno semelhantes às supostas no desenvolvimento téorico de Westergaard, dar-se-á preferência à sua expressão. Note-se que para cargas pontuais, sendo x/ menor que 0,8 e para áreas uniformementes carregadas com (a/) e (b/) menores que a unidade, considerando µ = 0, as expressões de Westergaard dão resultados /3 das de Boussinesq. 0,5 0,4 0,3 N B N B σ Z Q N = 3 = π R 1 + 3 N 0, 0,1 N W N W 1 = π R 1 + 3 0,0 0,0 0,5 1,0 1,5,0,5 3,0 R / Figura 7.6 - Ábaco de Boussinesq (curva N B ) e Ábaco de Westergaard (curva N W ).

Notas de ula - Mecânica dos Solos 11 Figura 7.7 - Ábaco de Westergaard. 7.3 Bulbo de Pressões Um aspecto interessante da distribuição de tensões pode ser observado com a noção do chamado bulbo de pressões. distribuição ao longo de planos horiontais em diversas profundidades tem a forma de sino. O lugar geométrico de pontos de igual pressão em qualquer profundidade é uma superfície de revolução, cuja seção vertical (pelo eixo da carga tem o aspecto mostrado na Figura 7.8). É possível traçar-se um número infinito de isóbaras desse tipo, cada qual correspondendo a uma pressão ( σ v = σ = constante). tensão, em qualquer ponto no interior da massa limitada pela isóbara é maior que σ; qualquer ponto fora da isóbara tem tensão menor que σ. Para efeitos práticos, considera-se que valores menores que (0,1 p 0 ) não têm efeito na deformabilidade do solo de fundação. E, portanto, a isóbara ( σ v = σ = 0,1 p 0 ) como que limitaria a ona do solo sujeita às deformações. figura formada por essa isóbara denomina-se bulbo de pressões. Figura 7.8 - Bulbo de pressões.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 1 7.3.1 plicações práticas do conceito de bulbo de pressões (BRT, 1993) Pelos resultados experimentais e pelas expressões de σ v = σ para o caso de áreas carregadas, pode-se depreender que, quanto maiores às dimensões da fundação, maiores serão as tensões a uma dada profundidade, ou, em outras palavras, quanto maiores às dimensões da placa carregada, maior a massa de terra afetada pelo bulbo de pressões. Inicialmente, convém que se saiba que o bulbo de pressões atinge uma profundidade Zo = α. B, conforme esta representado na figura 7.9, sendo B a largura (menor dimensão) da área carregada e α um fator que depende da forma desta área. Valores de α são fornecidos na tabela na mesma figura, calculados pela teoria da elasticidade, para o caso de base à superfície do terreno (no caso de base abaixo da superfície, os valores de α serão menores que os da tabela, deles não diferindo substancialmente, todavia). Em solos arenosos os valores da tabela deverão ser acrescidos de aproximadamente 0%. Forma de área carregada α Circular ou quadrada (L/B=1) ~,0 1,5 ~,5 ~ 3,0 3 ~ 3,54 Retangular 4 ~ 4,0 L. B 5 ~ 4,5 10 ~ 5,5 0 ~ 5,50 Infinitamente longa ~ 6,50 S D ou B L/ L/ L S Planta D ou B N.T. 0,10. P 0 B Seção SS P 0 0 = α. B Figura 7.9 - plicação do bulbo de pressões. Exemplo 10: Num terreno como visto na figura abaixo, típico dos existentes no centro da cidade do Rio de Janeiro, é interessante observar a diferença entre os efeitos de uma pequena construção (área quadrada, de 4,5 m x 4,5 m) e os de uma construção maior (área quadrada, de 10 m x 10 m). O bulbo de pressões da pequena construção fica restrito à camada de areia, ou seja, praticamente não provocaria recalques sensíveis; o bulbo da grande construção, por outro lado, influenciaria a camada de argila mole (pressão no topo seria 30% de Po), acarretando adensamento e recalques consequentes.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 13 7.4 Pressão de Contato São as pressões sob a fundação e sobre o solo. Portanto, são muito complexas a sua distribuição e interferem a naturea do solo (argiloso ou arenoso), a rigide da fundação (expressa pelo produto E. I, do módulo de elasticidade pelo momento de inércia), a profundidade. Sob fundações flexíveis - Devido à flexibilidade das fundações, as pressões de contato são uniformes e idênticas às que são transmitidas pelas fundações (a fundação acomoda-se perfeitamente às deformações do solo). Se as pressões são uniformes, os recalques, ao contrário, não são uniformes. Verifica-se na Figura 7.30, que os solos coesivos (argilas) recalcam mais no centro da área carregada e menos nas bordas, o que se justifica, tendo-se em vista os valores dos recalques dados pelas expressões da teoria da elasticidade (onde as tensões são maiores no centro da área carregada). Os solos coesivos são os que mais se aproximam dos materiais ideais da teoria da elasticidade (homogêneo, isotrópico e elástico). Para os solos não coesivos (areias), o módulo de elasticidade aumenta com o confinamento e, portanto, cresce da ona das bordas para a ona central da área carregada; daí os recalques serem menores mo centro e maiores na bordas. Para fundações flexíveis é usual admitir que a distribuição de pressões se faça proporcionalmente às deformações. Figura 7.30 - Distribuição das pressões de contato sob fundações flexíveis. (a) solos coesivos; (b). solos não coesivos. Sob fundações rigídas - São indeformáveis em relação ao solo, impondo uma deformação contante ao solo sob a superfície de carga. s pressões de contato, nesta situação, não poderão ser uniformes. o comparar-se com o que ocorre sob fundações flexíveis, verifica-se que, para se obter um recalque uniforme, terá que haver uma redistribuição das pressões, como esta representado na Figura 7.31, com diminuição no centro e aumento nas bordas para solos coesivos e, ao contrário, aumento no centro e diminuição na periferia para solos não coesivos.. Figura 7.31 - Distribuição das pressões de contato sob fundações rigídas. (a) solos coesivos; (b). solos não coesivos.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 14 7.5 Exercícios 1) Dado o perfil geotécnico abaixo, calcule: a) as tensões devidas ao peso próprio do solo (σv e σ v) e as pressões neutras; b) adotando o valor de k 0 igual a 0,5 para todas as camadas, determine as tensões horiontais efetivas e totais; c) faça um diagrama da variação das tensões calculadas nos itens a e b, com a profundidade. 0,0 m N.T. -,0 m - 3,0 m - 4,5 m - 6,0 m B C D E γ = 15,0 kn/m 3 N.. γ = 17,0 kn/m 3 γ = 15,0 kn/m 3 γ = 17,5 kn/m 3 ) Para o perfil geotécnico abaixo, determine: a) o acréscimo de tensão vertical para um depósito circular nas profundidades indicadas; b) a tensão efetiva final final aos 7,5m e aos 90,0 m de profundidade. N.T. γ = ton/m = 45 m 7,5 m 15,0 m,5 m 30,0 m 45,0 m 60,0 m 75,0 m 90,0 m P = qs = 5 ton/m 3) Calcular a tensão induida por uma carga pontual de 1500 t a um ponto situado a 5 m de profundidade afastado 5,3 m da aplicação da carga. 4) Calcular a tensão induida (pressão transmitida) por uma carga circular (raio de 5 m) com 100 kn/m a pontos situados a 5 m de profundidade, sob o centro da placa e afastado a 6m do centro da placa.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 15 5) Calcular o acréscimo de tensão produida pela placa da figura abaixo, carregada com 78 kn/m, a um ponto situado a 5 m de profundidade abaixo do ponto O, indicado na figura, sabendo-se que a 1 = 3 m; a = 4 m; b 1 = 1 m; b = m; a 1 II III a I IV x b 1 b y 6) Dada a situação da planta abaixo, calcule o acréscimo de tensão devido a sapata carregada com 480 kn/m a 5 m de profundidade no ponto. 1 m 3 m 9 m 4 m 7) Dado o perfil geotécnico abaixo, traçar o diagrama das pressões totais, efetivas e neutras + 5,0 m N.T. reia fina γ = 19,4 kn/m 3 N.. +,0 m B -,0 m rgila mole γ ST = 17,4 kn/m 3 C reia grossa γ ST = 3,8 kn/m 3-7,0 m D rgila dura - 6,0 m E γ ST = 0,5 kn/m 3 Rocha

Notas de ula - Mecânica dos Solos 16 8) Traçar o diagrama das pressões totais, efetivas e neutras relativo ao perfil geotécnico abaixo N.T. N.. +,0 m reia fina argilosa γ d = 13, kn/m 3 Sr = 100% γ s = 6,4 kn/m 3-1,0 m B - 6,0 m rgila saturada γ s = 5,0 kn/m 3 e = 0,8 C reia média saturada γ s = 6,6 kn/m 3 w = 11% - 1,0 m Rocha D 9) Determinar, no perfil abaixo, a cota ou profundidade em que teremos σ v = 7,77 t/m = 77,7 kn/m. N.T. + 0,0 m rgila cina arenosa γ d = 15, kn/m 3-1,0 m B N.. reia fina γ s = 6,0 kn/m 3 e = 0,8-3,0 m C rgila preta γ s = 6,6 kn/m 3 Sr = 100% e = 1,08-6,0 m C reia grossa saturada γ ST = 19,8 kn/m 3-10,0 m Rocha D 10) Calcular o acréscimo de pressão causado por uma placa crcular, com 5 m de diâmetro, carregada com 0 t/m, em pontos situados sob o seu eixo, a,5; 5,0 e 10,0 m de profundidade e traçar o respectivo diagrama.

Notas de ula - Mecânica dos Solos 17 11) Dada a placa circular em forma de anel, abaixo representada, calcular o acréscimo de pressão nos pontos, B, C e D indicados, situados a,5m de profundidade. EM PLNT EM PERFIL B C D -,5 B C D Prof. (m) m 3m 4m 1) Determinar a variação de pressão à profundidade de 4,0 m provocada por uma placa circular com 8,0 m de diâmetro, carregada com 74 toneladas, conforme indica esquema abaixo e traçar o respectivo diagrama. Q = 74 t 0 m B C D E - 4 m m m 4m 4m x 13) Calcular a pressão transmitida ao ponto pelo atero dado no esquema abaixo. γ = kn/m 3 h at + 3 m 0 m α = 8,5º β = 56,0º δ = 4,0º α δ β - 9 m

Notas de ula - Mecânica dos Solos 18 14) Dada a situação em planta de um ponto, calcular a influência da sapata carregada com 480 kn/m a 5 metros de profundidade. 1m 3m 9 m 4m 15) Calcular o acréscimo de pressão sob os pontos, B, C e D, abaixo indicados, devido à construção do aterro dado e traçar o respectivo diagrama. 3m 1m 3m + 3 m γ = kn/m 3 0 m B C D 3m 3m - 6 m 16) Três pilares afastados 6,0 m de eixo a eixo, transmitem as cargas indicadas no perfil abaixo. Considerando as ditas cargas como puntiformes, calcular as pressões transmitidas ao meio da camada de argila, sob cada pilar. 6m 6m P1 = 48 t P1 = 64 t P3 = 80 t 0 m reia fina, medianamente compacta - 1,5 m - 3,5 m rgila cina média reia grossa compacta - 7,5 m

Notas de ula - Mecânica dos Solos 19 17) Calcular a pressão vertical nos pontos, B e C, abaixo indicados devido a uma estaca carregada com 500 kn, sendo que 350 kn são transmitidos pela ponta da estaca e 150 kn pelo seu atrito lateral. C = 15 m = 0 m x = 5 m 15 m c x B C 5m 5m