INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS NO ÂMBITO AMBULATORIAL 1

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Transcrição:

INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS NO ÂMBITO AMBULATORIAL 1 SILVA, Suelem Lopes 2 ; KRUEL, Cristina Saling 3 1 Trabalho de Prática de Estágio_UNIFRA 2 Acadêmico do Curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil 3 Docente do Curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil E-mail: suelemsilva913@hotmail.com; cristinask@terra.com.br; RESUMO O presente trabalho tem como pretenção expor as intervenções em psicologia possíveis no ambiente ambulatorial. O trabalho é teórico, mas foi desenvolvido a partir de um estágio obrigatório do curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano/UNIFRA, localizado na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. O trabalho justifica-se pela importância da realização de intervenções psicológicas no âmbito hospitalar, mais precisamente o ambulatório, por ser a porta de entrada para procedimentos a serem realizado no hospital. Dentre as atividades possíveis de serem desenvolvidas pelo estagiário de psicologia no ambulatório está o acolhimento e o grupo de sala de espera, visando o bem estar do sujeito. A partir deste trabalho, percebeu-se que a psicologia pode contribuir na atenção destinada os pacientes no período pré-operatório e pós-operatório, criando um espaço de escuta qualificada por meio de acolhimentos e grupos, em busca da amenização das angústias vivenciadas por estes pacientes. Palavras-chave: Acolhimento; Ambulatório; Intervenções. 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como pretenção expor as intervenções em psicologia possíveis no ambiente ambulatorial. O trabalho é teórico, mas foi desenvolvido a partir de um estágio obrigatório do curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano. Estas atividades forão desenvolvidas em um Hospital mais diretamente no ambulatório do mesmo, no qual são realizados atendimentos hospitalares a população de Santa Maria e região. A população que freqüenta o hospital, contou com acadêmicas do curso de psicologia que estão cursando a disciplina de Estagio Específico I, onde cumpriram no local 1

a carga horária de 12 horas semanais divididas em três dias da semana sendo estes segundas-feiras, terça-feira e quinta-feira todos pela parta da tarde. Pensando nas atividades que pudessem ser desenvolvidas no âmbito hospitalar pode-se buscar meios para intervenções psicológicas, promoção e prevenção de saúde, acolhimento, grupos na sala de espera e atendimento breve focal, todos esses denominados através da ênfase de processo clínicos assim compondo a clínica ampliada. Ao se dar inicio em um trabalho de psicologia no ambiente hospitalar e necessário conhecer bem o local onde se vai atuar é de estrema importância fazer um primeiro momento de observação das particularidades do novo local de trabalho como quem são as pessoas que freqüentam o local, qual a rotina de atendimentos, quais as características da população atendida, como é a divisão das tarefas etc (MALDONADO e CANELLA, 2009). Mas estas atividades só poderão ser decididas após um espaço de observação para assim começar a se perceber quais são as demandas do local, assim estas atividades podendo ser construídas junto com a equipe e com os próprios usuários que freqüentam o local. 2. REFERENCIAL TEÓRICO Ao iniciar um trabalho de psicologia no ambiente hospitalar é necessário conhecer bem o local, portanto é de extrema importância fazer um primeiro momento de observação das particularidades do local de trabalho, conhecendo as pessoas que freqüentam o local, a rotina de atendimentos, as características da população atendido e a divisão das tarefas. O psicólogo atua melhor quando vê a instituição como um sistema, observando e escutando todos que fazem parte da instituição como os médicos, os enfermeiros, os serventes e os pacientes. É função do psicólogo no hospital atuar como facilitador da comunicações entre os membros da equipe de saúde, pacientes e familiares em seus diversos atendimentos (MALDONADO e CANELLA, 2009). Porém, deve-se explicitar que não é necessário transplantar para o hospital os mesmos procedimentos que ocorrem no consultório clínico, os parâmetros são diferentes o contexto dos atendimentos são outros, portanto, o psicólogo não perde sua identidade profissional e muito menos passa a ser um quebra-galho quando se aproxima do leito de um paciente para perguntar como este esta se sentindo (MALDONADO e CANELLA, 2009). A psicologia hospitalar vem do objetivo da minimização do sofrimento que a hospitalização 2

provoca. É de suma importância que o psicólogo tenha clareza sobre sua atuação no contexto hospitalar onde não se obtém uma psicoterapia nos moldes de um setting terapêutico tradicional (CAMON, 1994). Sobre o paciente cirúrgico, é importante destacar que esse nunca se sente com total segurança, pois este procedimento gera desconforto emocional e o sujeito tende a manifestar sentimentos de impotência, medo da morte, da dor, de ficar incapacitado, da mudança na sua imagem corporal. Portanto, ao enfrentar os procedimentos para a realização de uma cirurgia, o paciente sente ameaçada sua integridade física e psicológica (SEBASTIANI e MAIA, 2005). Existem diversos sentimentos confusos e dolorosos que podem acompanhar o sujeito a partir do aparecimento da doença, consequentemente nenhum paciente está efetivamente preparado para a realização de uma cirurgia, sendo necessária a atuação do psicólogo neste momento. Este deve ter como objetivo a minimização das angústias e ansiedades tanto do paciente como da equipe (SEBASTIANI e MAIA, 2005). No ambiente hospitalar, existe uma certa falta de clareza quanto as atribuições dos diferentes profissionais, sendo este um dos fatores que dificulta o trabalho em equipe. O hospital é uma instituição complexa que envolve várias especialidades, estes muitas vezes preparados para tomar decisões importantes em curto espaço de tempo (TONETTO e GOMES, 2007). O contato direto com os seres humanos coloca o profissional de saúde a frente de sua própria vida, saúde ou doença, de seus conflitos e frustrações. O profissional pode buscar mecanismos de defesa que podem acabar prejudicando-o tanto em seu ambiente de trabalho como no pessoal, portanto este pode utilizar o distanciamento dos pacientes como uma defesa para si próprio (MOTA, MARTINS, VÉRAS, 2006). Neste contexto, o profissional de psicologia não pode colocar-se dentro do hospitall como uma força ideal e solitária. A humanização do hospital vem através de transformações da instituição hospitalar como um todo e evidentemente pela transformação social (CAMON, 1994). Entende-se que profissionais que trabalham com seres humanos devem tratar o outro como humanos, isto é com igualdade, aproximação, tentando lhes proporcionar o melhor, assim desenvolvendo ações para obter-se a humanização hospitalar para assim se obter mudanças no tratamento hospitalar. Mas para isto acontecer médicos, enfermeiros e pacientes devem estar envolvidos de forma harmônica (MOTA, MARTINS, VÉRAS, 2006). 3

Por meio da visão de humanização hospitalar, é de suma importância trabalhar a atitude dos profissionais de saúde, assim deixando de pensar e falar do doente como apenas um objeto de cuidados terapêuticos, um número sem nome. A humanização começa com a ampliação do conceito de saúde como o bem estar desse individuo, que é promovido em todas as dimensões física, mental, social e espiritual (MOTA, MARTINS, VÉRAS, 2006). O trabalho do profissional da psicologia no hospital vem de encontro aos sentimentos, pois o individuo, passa a assumir o papel de paciente perdendo sua autonomia e independência. O psicólogo vai além da aparência, valoriza aspectos qualitativos de fenômenos que são presentes na vida dos pacientes. Compreende significados da vida e por meio do processo do cuidado inclui a capacidade de compreender o ser humano, como ele está em seu mundo, como desenvolve sua identidade e constrói sua própria historia de vida (MOTA, MARTINS, VÉRAS, 2006). Os hospitais consideram importante e necessário o trabalho do psicólogo no ambulatório e em enfermarias para se atender os pacientes de uma forma mais humanizadora, pois percebe-se que muitas vezes a angustia ou a depressão do doente referem-se a fragilidade do corpo, sofrimento, invalidez e medo da internação, todos desencadeados pela relação estabelecida entre médico e paciente (MOTA, MARTINS, VÉRAS, 2006). Outra prática ambulatorial importante que pode ser desenvolvida pelo psicólogo está o grupo de sala de espera, onde um fator é importante: o território. O território da sala de espera é um lugar onde os pacientes aguardam atendimento de seus respectivos profissionais, portanto, torna-se um espaço dinâmico onde ocorre mobilização de diferentes necessidades. E um espaço onde os pacientes trocam entre si experiências de seus cotidianos, observam, emocionam-se, ocorre um processo interativo entre este, por meio da comunicação (TEIXEIRA e VELOSO, 2006). Em um primeiro momento o que percebe-se em salas de espera são pequenos agrupamentos, que são constituídos pelos pacientes para amenizarem sua angustia entrelaçada em torno da espera. Geralmente estas pessoas não se conhecem, mas quando a atividade é proposta por profissionais da área da saúde como enfermeiros e psicólogos, inicia-se o trabalho em grupo de modo singular e específico para cada contexto. Muitas vezes tenta-se manter sempre a ordem nestes espaços de espera, ter um certo controle, mas estes muitas vezes é parcial devido ao caráter transitório de pessoas. Por meio das 4

atividades de grupo os profissionais da saúde passam a se inserir neste espaço, podendo assim criar um dialogo acolhedor com seus respectivos pacientes (TEIXEIRA e VELOSO, 2006). Percebe-se que os profissionais da saúde que forem os coordenadores deste espaço não podem tentar controlar a forma de vida dos sujeitos, mas promover nestes o cuidado de si e a cidadania. O grupo de sala de espera, sendo um recurso para o propósito na educação em saúde, que entrelaça os saberes, na relação e nas formas de cuidado. Portanto, esta prática de intervenção em sala de espera mostra a possibilidade da interação do profissional com o paciente que encontra-se em espera, muitas vezes este suportando tensões e conflitos na relação de seu cotidiano (TEIXEIRA e VELOSO, 2006). 3. CONCLUSÃO É de suma importância a existência de atendimentos psicológicos aos pacientes que frequentam ambulatório hospitalar, já que estes muitas vezes chegam no âmbito hospitalar desorientados a cerca de suas doenças e cirurgias a serem realizadas, sendo que muitas vezes estão angustiados com os processos a serem realizados. Neste contexto, o papel do psicólogo é o de ajudar a suprir essas angustias e estes sofrimentos acerca da doença, sendo responsável por oferecer uma escuta qualificada e um acolhimento necessário, proporcionando um espaço potencial e acolhedor aos pacientes e seus acompanhantes. Porém, o profissional de psicologia tem seu trabalho muito recente no âmbito hospitalar, e os usuários não procuram o ambulatório para serem vistos por este profissional. Dessa maneira, os usuários podem ser surpreendidos pela presença do psicólogo e a possibilidade de receber uma escuta qualificada às suas demandas. Tal surpresa tende a ser bem vista pelos pacientes, mas ainda é um desafio para a psicologia encontrar o seu espaço nos atendimentos ambulatoriais e reinventar a atuação em clínica ampliada. 5

REFERÊNCIAS CAMON, V. A.; A.Psicologia Hospitalar: Teoria e Práticas São Paulo: Pioneira, 1994. MALDONADO, M. T.; CANELLA. P.Recursos de Relacionamentos para profissionais de saúde: A boa comunicação com clientes e seus familiares em consultórios, ambulatórios e hospitais. Ribeirão Preto, SP: Editora Novo Conceito, 2009. MOTA, R. A.; MARTINS, C., G., M.; VÉRAS, R., M. Papel dos profissionais de saúde em políticas de humanização hospitalar. Maringá, 2006. Disponível no site: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1413-73722006000200011&lang=pt>. SEBASTIANI, R. W.; MAIA, E. M. C. Contribuições da psicologia da saúde-hospitalar na atenção ao paciente cirúrgico. São Paulo, 2005. Disponível no site: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0102-86502005000700010&lang=pt>. TEIXEIRA, E., R; VELOSO, R., C. O grupo em sala de espera: Território de Práticas e Representações em Saúde. Florianópolis, 2006. Disponível no site <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0104-07072006000200017&lang=pt>. TONETTO, A., M.; GOMES, W., B. A prática do psicólogo hospitalar em equipe multidisciplinar. Campinas, 2007. Disponível no site <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0103-166x2007000100010&lang=pt>. 6