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Valor Bruto da Produção (VBP) 23
24 Balanço 2016 Perspectivas 2017
Perspectivas 2017 AGRICULTURA PUXA CRESCIMENTO DO VBP EM 2017 O cenário econômico internacional será o responsável pelo comportamento dos preços das principais commodities agrícolas em 2017. Os estoques mundiais estão em relativa normalidade e os juros baixos nas economias desenvolvidas estão gerando especulação financeira em todo o mundo. As inversões de capital externo não deverão ser aplicadas na produção e comercialização de produtos agropecuários. Desta forma, o valor bruto da produção (VBP) brasileiro no próximo ano deve atingir R$ 554,2 bilhões, crescimento de 2,3% em relação a 2016 (R$ 541,7 bilhões). Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2017, a expectativa para a agricultura é de faturamento de R$ 354,9 bilhões (3,4% a mais que em 2016). A receita projetada para a pecuária é de R$ 199,2 bilhões, resultado estável na comparação com este ano (0,4%). A alta do VBP no próximo ano resulta, principalmente, do aumento do faturamento das seguintes culturas: feijão (19,8%), algodão (15,1%), arroz (13,8%), milho (7,6%), frango (7,3%), laranja (7%) e soja (4,9%). Por outro lado, estima-se queda no VBP do trigo (17,6%), cacau (11,1%), café (6%), leite (4,6%) e carne bovina (0,5%). O crescimento previsto para o feijão se dará tanto pela ampliação de área plantada na próxima safra como pelo aumento da produtividade. Contudo o preço não deverá se manter nos níveis recordes observados em 2016. Assim, o VBP da leguminosa deverá atingir R$ 10,1 bilhões. O algodão e o arroz devem seguir a mesma tendência de expansão de área e elevação de produtividade. Os preços se manterão nos patamares médios de 2016 e o faturamento destas culturas será de R$ 4,7 bilhões e R$ 10,3 bilhões, respectivamente. Para o milho, a previsão também é de aumento de área cultivada e produtividade. No entanto as cotações serão inferiores às observadas em 2016. Assim, o VBP do setor em 2017 deve atingir R$ 54,4 bilhões, variação de 7,6% em relação a este ano. Para a laranja, a expectativa é de crescimento da produção, mas os preços ficarão nos mesmos níveis de 2016. Estima-se que o VBP da laranja alcance R$ 6,2 bilhões, elevação de 7% se comparado ao faturamento de 2016. O crescimento previsto para a produção é decorrente do impacto da seca nas principais regiões produtoras (São Paulo e Minas Gerais) em 2016, nos períodos de formação e crescimento dos frutos. No caso da soja, apesar da queda das cotações no país, puxada pelas boas safras norte- -americana e argentina, a produção brasileira deve atingir 104 milhões de toneladas na safra 2016/2017, recorde histórico para a cultura. O crescimento se dará pelo aumento da produtividade, pois a área plantada terá aumento de no máximo 2%. Dessa forma, o faturamento da oleaginosa alcançará a cifra de R$ 133,1 bilhões, elevação de 4,9% frente aos R$ 126,9 bilhões estimados para 2016. 25
Entre as principais quedas previstas na receita, o café deve ser uma das culturas mais afetadas. Com VBP estimado em R$ 23,7 bilhões, o setor deve ter recuo de 6% na comparação com 2016. Os preços do grão devem subir 6%, mas a elevação não será suficiente para reverter a tendência de retração do faturamento total, pois a queda na produção está estimada em 11,4% (44 milhões de sacas). Vale destacar que 2017 é ano de bienalidade negativa da cultura. Será importante observar o desenvolvimento da safra nos principais países produtores de café, pois efeitos climáticos adversos nessas regiões devem impactar positivamente os preços aqui no Brasil. Para o cacau, haverá leve queda na produção, reflexo dos impactos da seca no período de formação dos frutos no sul da Bahia, uma das principais regiões produtoras do país. A queda na produção está estimada em 8,5% e os preços vão ter redução de 2,8% em 2017. É importante lembrar que os preços ainda ficarão em patamares historicamente altos, mas o boom de preços observados em 2016 ocorreu devido à quebra de safra nos países africanos. A tendência de queda nas cotações da amêndoa já pode ser observada nos contratos futuros (vencimentos em 2017 e 2018) negociados na Bolsa de Nova Iorque. O faturamento do setor deve ser de R$ 2,5 bilhões em 2017. Para o trigo, o VBP estimado é de R$ 4,0 bilhões. A queda no faturamento é atribuída à queda dos preços. A produção deve ser mantida em 6,34 milhões de toneladas. Na pecuária, as principais quedas no faturamento observadas são para o leite (4,6%) e para a carne bovina (0,5%), com valores de R$ 37,1 bilhões e R$ 97,8 bilhões, respectivamente. O crescimento estimado em 2% na produção de carne bovina não será suficiente para a manutenção do faturamento. Os preços devem cair 2,5%, devido à crise econômica brasileira e, consequentemente, à queda na renda dos consumidores. Este fator tem estimulado a substituição da carne bovina por carne de frango e suína. Embora a previsão para o leite é de manutenção na oferta, os preços pagos aos produtores devem ficar abaixo dos observados na média deste ano, com queda prevista de 4,6%. Gráfico 1. Principais variações no VBP estimado para 2017 22,0% 19,8% 17,0% 12,0% 15,1% 13,8% 7,0% 7,6% 7,3% 7,0% 4,9% 2,0% -3,0% -0,5% -8,0% -4,6% -6,0% -13,0% -11,1% -18,0% -17,6% -23,0% Feijão Algodão Arroz Milho Frango Laranja Soja Carne Bovina Leite Café Cacau Trigo Fonte: CNA. 26
Gráfico 2. Previsão do VBP em 2016 e 2017 R$ 700,0 R$ 600,0 2,3% R$ 500,0 R$ 400,0 3,4% Bilhões R$ 300,0 6,2% 0,4% R$ 200,0-0,9% R$ 100,0 R$ - Safra de Grãos Outros Prod. Agrícolas Agricultura Pecuária Agropecuária 2016 2017 Fonte: CNA. 27
Balanço 2016 RECEITA DO SETOR FICA ABAIXO DO VBP DE 2015 Intempéries climáticas afetam a produção no Brasil e impactam a rentabilidade do setor. O VBP de 2016 não atinge seu potencial máximo devido à quebra na produção de algodão, arroz, feijão e milho. As regiões produtoras de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Matopiba sentiram os impactos da estiagem prolongada no início do ano que afetou as safras de algodão e milho safrinha. No Rio Grande do Sul, o excesso de chuvas causou grande impacto na cultura do arroz. Desta forma, o VBP em 2016 deve atingir R$ 541,7 bilhões, 1,3% a menos do que o resultado de 2015. O valor estimado para os produtos agrícolas está projetado em R$ 343,2 bilhões, queda de 1,1%. Na pecuária, a receita será de R$ 198,4 bilhões, decréscimo de 1,6% quando comparado com o ano anterior. No segmento agrícola, observou-se, ao longo do ano, queda significativa na produção nestas atividades: uva (34,2%), feijão (21,7%), milho (21,2%), algodão (17,6%), arroz (14,8%), tomate (6,8%), laranja (4,8%) e soja (0,8%). Já os produtos que tiveram recuo nos preços foram a banana (24,7%), tomate (23,8%), cebola (8,0%) e a batata-inglesa (5,0%). De acordo com o último relatório de safra, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2015/2016 atingiu 186,4 milhões de toneladas, queda de 10,3% quando comparada com a safra anterior. Este resultado interrompe uma sequência de seis safras consecutivas de crescimento. Os impactos foram sentidos em 21 estados produtores e essa quebra impactou diretamente o faturamento bruto do setor. O faturamento da soja, que corresponde a 23% do total do VBP, apresentou queda de 2,1% em relação a 2015. A queda na produção de 0,8% foi suficiente para influenciar a receita dos produtores da oleaginosa e a estimativa do VBP atingiu R$ 126,9 bilhões neste ano. A cana-de-açúcar foi o segundo produto de maior relevância econômica no setor agrícola em 2016. O VBP da atividade deve encerrar o ano com faturamento de R$ 51,9 bilhões, queda de 7,6% frente ao desempenho de 2015 (R$ 56,1 bilhões). O terceiro destaque na agricultura é o milho, com elevação de 10,7% quando comparado com o VBP de 2015. O setor deve faturar R$ 50,6 bilhões. A quebra de safra (21,2%), ocasionada por motivos climáticos, não foi suficiente para derrubar o faturamento, pois a valorização do cereal foi muito significativa 40,5% em relação à safra anterior. O café deve ter faturamento de R$ 25,3 bilhões neste ano, alta de 16,1% em relação a 2015. O fator responsável por este desempenho foi o crescimento da produção (14,8%), aliado a uma leve valorização nos preços (1,1%). O produto apresentou nos últimos dois anos safras muito abaixo do esperado, afetadas por motivos climáticos. A safra deste ano, de 49,6 milhões de sacas beneficiadas, apenas retorna aos níveis de produção da safra de 2013. 28
Para os produtos pecuários, o destaque de faturamento para este ano é a carne bovina, com VBP de R$ 98,3 bilhões. O setor apresenta queda de 3,6% frente a 2015. Este resultado é reflexo da produção menor e do recuo dos preços reais. Parte desse comportamento é reflexo da crise econômica brasileira. Com renda menor, as famílias optaram por substituir a carne bovina por frango, suínos e ovos. A receita da carne de frango deve totalizar R$ 37,5 bilhões, com elevação na produção de 0,4%. O faturamento dos suínos será de R$ 13,3 bilhões, com crescimento de 7,1% na oferta. A produção de ovos apresentou o maior crescimento no VBP no ramo pecuário em 2016. Com elevação de 4,7%, o setor encerra o ano com previsão de faturamento de R$ 10,3 bilhões. A pecuária de leite apresentou o segundo maior crescimento do faturamento pecuário em 2016. Mesmo com pequena queda na produção (0,6%), a alta de 2% nos preços foi suficiente para sustentar um crescimento de 1,2% na receita do setor, que deverá ser de R$ 38,5 bilhões em 2016. Gráfico 3. Previsão do VBP em 2016 e 2015 R$ 600,0 R$ 549,0 R$ 541,8 R$ 500,0 R$ 400,0 R$ 347,2 R$ 343,3 Bilhões R$ 300,0 R$ 200,0 R$ 201,8 R$ 198,5 R$ 100,0 R$ 0,0 Agricultura Pecuária Agropecuária 2015 2016 Fonte: CNA. 29