í n d i c e Apresentação... 9 Introdução... 11 Texto integral de Sexta-Feira ou a Vida Selvagem... 13 Leitura guiada e propostas de trabalho... 137 1. A origem... 139 2. O autor... 141 3. A história... 142 4. As personagens... 144 5. O espaço e o tempo... 145 6. A filosofia... 146 7. A época em que a história foi escrita... 147 8. A atualidade da obra... 148 9. Guião de leitura... 149 Bibliografia... 158 7
ap r e s e ntação Se há livro que ainda hoje pode fascinar um adolescente (e que muito fascinou quem estas linhas escreve, no tempo da sua adolescência) esse livro é seguramente o Robinsoe Crusoe ou, mais propriamente, The Life and Strange Surprising Adventures of Robison Crusoe, de Daniel Defoe, livro publicado pela primeira vez em 1719. A história é conhecida e deu lugar a comentários, a adaptações e a versões diversas, com destaque para o cinema, porque as aventuras e desventuras do náufrago isolado numa ilha deserta encerram, de facto, uma riqueza humana apre ciável. E assim, o grande realizador espanhol Luis Buñuel dirigiu umas Aventuras de Robinson Crusoe em 1954; mais recentemente, em 1997, tivemos um outro Robinson Crusoe, de Georges Miller, protagonizado por Pierce Brosnan, o mesmo que já foi James Bond; e o filme O Náufrago (título original: Cast Away, de 2000, realizado por Robert Zemeckis e com o admirável Tom Hanks no papel principal) é, também ele, indissociável do episódio do homem perdido numa ilha longínqua e desconhecida. Quando o escritor francês Michel Tournier publicou em 1967 o livro Vendredi ou les Limbes du Pacifique era de novo o mito de Robinson Crusoe que reaparecia e, com ele, Sexta Feira. Mais tarde, foi este trazido para o título do relato que, provindo daquele outro, aqui se analisa: Vendredi ou la Vie sauvage, em por tuguês Sexta Feira ou a Vida Selvagem, de 1971. O reencontro com ambos, Robinson e Sexta Feira, traz nos de volta a comportamentos e a modos de ser que a leitura retoma, num contexto escolar próprio: aquele em que 9
jovens já com alguma vivência dos textos literários encontram numa obra da literatura francesa um desafio ficcional muito fecundo. Podendo ser considerado um livro para jovens, Sexta Feira ou a Vida Selvagem, de Michel Tournier, não é necessariamente um livro fácil e muito menos simples. O que desaconselha leituras superficiais e redutoras, meramente interessadas na componente por assim dizer aventurosa que a narrativa também encerra. Para além disso, Sexta Feira ou a Vida Selvagem dialoga com o remoto texto (o de Daniel Defoe) que lhe serviu de matriz e fonte de inspiração, recuperando para os nossos dias relevantes sentidos temáticos e valores culturais e civilizacionais. São esses sen tidos e esses valores que, na etapa formativa a que se reporta a leitura de Sexta Feira ou a Vida Selvagem (o terceiro ciclo do Ensino Básico), se me afiguram extremamente importantes: por exemplo, aqueles que estão implicados na relação do sujeito com o outro e com a diferença que ele pode representar. A análise de Sexta Feira ou a Vida Selvagem que Paulo Militão aqui nos propõe é um auxiliar de leitura que, não a substituindo, como é óbvio, a enquadra e acompanha. Contribuem para isso os vários componentes de trabalho que este livro nos faculta: a análise da história contada em Sexta Feira ou a Vida Selvagem e a sua origem, o trabalho de escrita empreendido por Michel Tournier dois séculos e meio depois do primeiro Robinson, as personagens de que nos fala e os cenários em que se movem, o contexto social e cultural em que a obra surgiu, os grandes sentidos que ela sugere. Tudo isso e também um guião de leitura que, passo a passo, apoia e incentiva a aventura do jovem leitor que penetra num mundo a vários títulos sedutor. Vale a pena, por isso, ler Sexta Feira ou a Vida Selvagem. Mas vale a pena sobretudo tentar perceber a atualidade de uma his tória que parece inesgotável, também por ser capaz de muito dizer a um mundo (o nosso mundo de hoje) bem mais amplo do que a pequena ilha onde tudo começou. 10 Carlos Reis
i n t r o d u ç ã o Neste livro, vais encontrar uma história de Michel Tournier. Trata se de uma das narrativas propostas como leitura obrigatória para o 3.º ciclo. Foi escolhida para que possas conhecer um autor estrangeiro que, pela importância da sua obra, é uma referência na literatura internacional. a proposta de leitura guiada, que se apresenta, baseia-se em alguns dos desempenhos (o que se espera que consigas fazer) que o novo programa de Português para o ensino básico prevê para a leitura do texto literário, a saber: a) distinguir diferenças, semelhanças ou a novidade de um texto em relação a outro(s); b) reconhecer e refletir sobre os valores culturais, éticos, esté ticos, políticos e religiosos que perpassam nos textos. De certeza, já ouviste falar de Robinson Crusoe e tens uma ideia geral sobre a história que vais ler. Sexta Feira ou a Vida Selvagem dá nos a conhecer uma história algo diferente daquela que foi escrita por Daniel Defoe no século xviii. Michel Tournier utiliza a literatura para escrever sobre filosofia e é por isso que a proposta de leitura que te apresentamos vai além da tentativa de explicação da história de um náufrago que acaba por viver numa ilha deserta com um indígena. Vais ficar a saber mais sobre a origem da história de Robinson e sobre as principais diferenças que existem entre as obras As Aventuras de Robinson Crusoe e Sexta Feira ou a Vida Selvagem. Conhecerás pormenores importantes da vida e 11
obra de Michel Tournier. Compreenderás aspetos interessantes que, de outro modo, poderão ser pouco explorados, ou até ignorados, se realizares uma leitura superficial e apressada da obra. 12