UTILIZAÇÃO DO DIRIGÍVEL PARA TRANSPORTE DE CARGAS Daniel Ferrer Palmas 1, Gabriel Ferrer Palmas 2, Gilmerson Inácio Gonçalves 3 1 Graduando em Logística FATEC JAHU, daniel.g2_ferrer@hotmail.com 2 Graduando em Logística FATEC JAHU 3 Prof.Mestre FATEC JAHU 1 INTRODUÇÃO Atualmente os diversos meios de transporte vêm enfrentando vários problemas devido à falta de infraestrutura adequada proporcionada aos mesmos, principalmente quando se trata do transporte de cargas. Os modais mais utilizados para o transporte de cargas sejam eles ferroviários, rodoviários, hidroviários e aeroviários, apresentam grandes problemas em relação ás condições que são necessárias para um transporte eficiente e de qualidade. Todas essas dificuldades enfrentadas inicialmente geram aos consumidores finais um aumento nos custos. Com isso, um dos meios para solucionar esses problemas seria por meio do transporte aéreo, através do uso de dirigíveis para o transporte de cargas. Conforme Alves (2012) o General Conde Ferdinand Von Zeppelin, no ano de 1890, se dedicou inteiramente no desenvolvimento do primeiro balão rígido dirigível com motor, concluído em 1900, o grande Zeppelin, como ficou conhecido, serviu de protótipos para muitos modelos. Os dirigíveis conquistaram fama, devido ao sucesso de suas operações e foi utilizado, em 1917, na Primeira Guerra Mundial. Em seguida, de acordo com Alves (2012), no ano de 1939, foi utilizado na Segunda Guerra Mundial e logo após o seu termino os dirigíveis foram desativados, por serem aeronaves frágeis para o emprego militar. No ano de 1937, o mais famoso dirigível Hinderburg foi destruído em segundos por um incêndio, quando pousava em New Jersey. Com o uso da tecnologia foi possível o desenvolvimento de novos protótipos de dirigíveis, com o emprego de novos gases, não inflamáveis, novas estruturas e composições. Um exemplo disso é a empresa AirShip do Brasil, que está desenvolvendo um dirigível moderno para o transporte de cargas. Por tanto, o objetivo geral desse trabalho é mostrar que o uso do dirigível para o transporte de cargas é viável, graças aos novos estudos, pesquisas e tecnologias empregadas para que esse meio de transporte volte a proporcionar economia,
sustentabilidade e rapidez para as distribuições de cargas, seja elas de pequeno, médio e grande porte. Através dos estudos o dirigível será usado para cargas de grande porte, já que os mesmo apresentam dificuldades quanto ao seu deslocamento por via terrestre, em função das limitações das ferrovias, rodovias, viadutos, pontes, túneis, etc. Os resultados obtidos nas pesquisas mostram que haverá probabilidade das aeronaves que estão sendo projetada no Brasil, como o ADB-3-30, se transformarem em um novo modal logístico, além de fazer o Brasil se destacar frente aos países que também estão com projetos semelhantes, como a Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e Rússia. Assim, o objetivo desta pesquisa é mostrar argumentos que indicam um potencial de emprego dos dirigíveis no mercado especifico do transporte de cargas. 2 MATERIAL E MÉTODOS Quanto ao desenvolvimento, trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva. Exploratória na medida em que o tema é pouco debatido e a bibliografia atualizada é escassa, portanto, há pouco conhecimento acumulado disponível para estudo. Descritiva por pretender expor as características técnicas e operacionais dos dirigíveis como meio de transporte, bem como a opinião do autor. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES O balão dirigível pode ser controlado por um condutor e sustenta-se através do uso de uma grande cavidade que é preenchida com um gás menos denso que o ar, como o gás hélio ou mesmo o inflamável gás hidrogênio. Segundo Alves (2012) o histórico dos balões dirigíveis começa no ano de 1662 quando Boyle enunciou a Lei dos gases. Em 1782 os irmãos Montgolfier criaram o primeiro balão destinado a voos, construído de um artefato que constituía um grande invólucro de seda que possuía uma abertura em sua cavidade inferior, preenchida com ar quente que é menos denso, que possibilitava o levantamento lento do balão. Foi construído em 1852 o primeiro dirigível motorizado pelo Henri Giffard, no qual apresentava um formato de charuto com 44 metros de comprimento, com bolsa preenchida com gás e hélice motorizada por um motor a vapor de três cavalos de força.
No ano de 1890 o General Conde Ferdinand Von Zeppelin abandonou o exercito para dar inicio ao desenvolvimento ao primeiro balão rígido dirigível com motor, que se tornaria conhecido como Zeppelin. De acordo com Alves (2012) em julho de 1900 foi realizado o primeiro teste com o dirigível que possuía 128 metros de comprimento e 12 metros de diâmetro, transportando cinco pessoas e alcançando uma altura de 396 metros e percorreu a distancia de 16 quilômetros, no período de 17 minutos. Zeppelin em 1909 criou uma companhia de transporte aéreo com uma frota de dirigíveis. Assim em novembro de 1917 durante a Primeira Guerra Mundial mais de cem dirigíveis foram empregados pelo exercito e a marinha da Alemanha, com a função de enviar suprimentos bélicos e medicamentos para manter a posição. Para isso o dirigível LZ 59 foi empregado para transportar aproximadamente quatorze toneladas de carga desses fins e uma tripulação de 22 homens, em uma viagem de quatro dias a uma velocidade média de 65 km/h, e possuía ainda capacidade para voar em media mais 60 horas afirma White (1978), o que comprovava a grande capacidade dos dirigíveis para viagens intercontinentais. Os dirigíveis retornaram a levantar vôo em diversos países como um meio alternativo de transporte seguro e rápido para cargas e passageiros logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. Conforme Alves (2012) no ano de 1937, o dirigível deixou de ser um meio de transporte quando ocorreu um grande incêndio com o balão LZ 129 Hindenburg, as suas câmeras cheias de gás hidrogênio explodiu. Os dirigíveis apresentam em suas características gôndolas sólidas, hélices impulsionadas por motores e aletas traseiras sólidas e podem ser divididos em três tipos conforme o formato de seus balões (estrutura): Rígido - geralmente longo (maior que 120 m) e em forma de charuto, com estrutura interna de metal e bolsas preenchidas com gás. Exemplo: Hindenburg. Semirrígido - balão com gás pressurizado (envelope) anexado a uma quilha inferior de metal. Exemplos: Norge, Itália. Não-rígido (dirigível) - envelopes grandes preenchidos com gás. Exemplos: Goodyear, MetLife, Fuji. Atualmente já surgiram alguns modelos de protótipo para esta utilização. Para tal, a construção dessas novas aeronaves será composta por materiais resistentes, basicamente por um grande esqueleto e cobertos por um material leve, que ofereça uma quantidade menor de resistência ao ar.
Quando se trata de vantagens sobre o dirigível em comparação ao avião é que o mesmo não precisa de energia para flutuar. Além de suportar uma quantidade alta de peso, o que, por exemplo, pode ser útil para o transporte de carregamento variado. Como tecnologia do futuro para o transporte aéreo, a empresa AirShip do Brasil está desenvolvendo um protótipo de um dirigível no modelo ADB-3-30 que será utilizado para o transporte de cargas com a finalidade de transportar cargas em diferentes estados brasileiros e também ao interior da região amazônica. A AirShip do Brasil Indústria Aeronáutica Ltda (ADB) é uma empresa aeronáutica que nasceu para pesquisar, desenvolver, construir e comercializar soluções utilizando aeronaves e tecnologias mais leves que o ar (lighterthanair- LTA). A empresa é formada pela associação do Grupo Engevix e Transportes Bertolini, e esta localizada na cidade de São Carlos em São Paulo. O dirigível ADB-3-30 será movido a óleo diesel e no seu interior haverá gás hélio. O mesmo será composto por quatro motores a diesel e um motor elétrico. O mesmo terá capacidade para transportar de 30 a 54 toneladas e poderá atingir uma velocidade de ate 125 km/h a cerca de 1.200 pés, o equivalente a 400 metros. A figura 1 ilustra o modelo do dirigível ADB-3-30. Figura 1 modelo do dirigível ADB-3-30 Fonte: Foster (2014). O emprego de dirigíveis para o transporte de cargas é plenamente viável. O que se denota, em estudos específicos sobre a viabilidade econômica, é que quanto maior o dirigível, mais rentável se torna, pois a queda dos custos é exponencial. (Felippes, 2013). O Brasil, em termos de utilização comercial para o transporte de cargas, está sendo o pioneiro na utilização do dirigível, estando ás experiências internacionais relacionadas ao transporte de passageiros e utilizações militares de aeronaves mais leves que o ar.
Atualmente a taxa de crescimento do Brasil é bastante precária, apesar do incremento da economia nacional ser ate mesmo considerável. Segundo Marcelo Felippes (2013), isso vem ocorrendo devido o déficit que o país possui com uma infraestrutura moderna e competitiva. Como resultado, o setor da logística brasileira opera com preços elevados, ocasionando a perda de competitividade em várias mercadorias, sejam elas commodities ou bens de maior valor agregado. De acordo com Felippes (2013), verifica-se que o encarecimento da logística onera tanto a itens de maior valor agregado, que em principio seria mais imunes a variações de custo, o seu transporte entre municípios próximos do estado de São Paulo, onde se encontra a melhor infraestrutura do país, eleva substancialmente o preço do produto final para o comprador. Logo, em um cenário como o do Brasil onde a associação de grande extensão territorial e de crescente descentralização da produção, principalmente agrícola, para regiões mais distantes dos grandes centros consumidores e/ou exportadores, estabelecem condições favoráveis ao desenvolvimento de modais de transporte que utilizem pouco uso de infraestrutura, como os dirigíveis. Se houver reduções de custos, o interesse dos produtores será maior em utilizar o novo modal que está sendo projetado. 4 CONCLUSÕES Atualmente, os clientes de empresas prestadoras de serviços, até mesmo a própria empresa necessita de uma logística adequada, ou seja, precisa receber seus produtos e serviços em tempo, lugar certo ao menor custo possível. Para isso é de extrema importância estudos e pesquisas que mostram alternativas para um melhor atendimento e que satisfaça as necessidades próprias e dos clientes. Observa-se que todos os meios de transporte apresentam problemas de infraestrutura e que o governo não está investindo nos mesmos, não buscam meios de melhorar as estradas, os portos, as ferrovias, etc. Ou seja, todos esses problemas geram para as empresas, que utilizam esse meios de transporte, gastos maiores ocasionando aos consumidores um custo elevado no valor do frete do produto e também na mercadoria final, gerando possivelmente a diminuição da compra de produtos. Analisa-se que o transporte aéreo esta se destacando cada vez mais no mercado, e através desse crescimento especialistas e empresas estão aprofundando estudos e
desenvolvendo novos meios para transportar suas cargas de modo que agreguem valores para os clientes e ao mesmo tempo para si mesmo. A nova modalidade para esse meio é a volta dos dirigíveis, pois eles estão sendo desenvolvidos com uma tecnologia e manuseio de alta capacidade proporcionando para o transporte de carga um agradável meio de se transportar cargas com qualidade, rapidez, e segurança. Esse modal não precisara de um grande investimento em estações de pouso e decolagens, pois poderá ser feitos em áreas livres e até mesmo sobre água. Com o estudo em questão foi concluído que a utilização dos dirigíveis será de grande importância para um contexto em geral, possibilitando a execução desse tipo de serviço uma relação de custo/ benefício superior aos meios tradicionais de transporte. No futuro, acredita-se que com modelos ainda maiores, os dirigíveis poderão até mesmo substituir os caminhões no transporte de soja. O equipamento poderá voar em segurança do campo diretamente para os navios, aliviando estradas e portos. 5 REFERÊNCIAS AIRSHIP DO BRASIL. Disponível em:<http://www.airshipdobrasil.com.br/default.aspx>. Acesso em: 30 jul. 2014. ALVES, Lívia. Balões Dirigíveis. Brasil Escola, Goiânia, mar. 2012. Disponível em:<http://www.brasilescola.com/quimica/baloes-dirigiveis.htm>. Acesso em: 30 jul.2014. CRAIG, C. Freudenrich. Historia do Dirigível. Como tudo funciona. Disponível em:<http://viagem.hsw.uol.com.br/dirigiveis4.htm>. Acesso em: 31 jul.2014. FELIPPE, Marcelo. AirShip do Brasil projeta dirigível para o transporte de cargas. Informativo Bertolini, Manaus. Ano XVII. 176º ed. Nov.2013. Disponível em:<http://oas.tbl.com.br/tblres/informativos/novembro_2013.pdf>. Acessoem:02 ago. 2014. FOSTER, Gustavo. Empresa avalia uso de dirigível para transporte de cargas pelo país. Zero Hora Notícias, Porto Alegre, fev. 2014. Disponível em:<http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/economia/noticia/2014/02/empresa-avalia-uso-de-dirigivel-paratransporte-de-cargas-pelo-pais-4413596.html>. Acesso em: 03 ago. 2014. PEREIRA, Ana Paula. Aviões- dirigíveis: um voo mais seguro e moderno. TECMundo, São Paulo, jul. 2011. Disponível em:<http://www.tecmundo.com.br/11519-avioes-dirigiveis-um-voo-maisseguro-e-moderno.htm>. Acesso em: 02 ago. 2014.