Autores: CHRISTIANE CABRAL E HUGO RODRIGUES

Documentos relacionados
Material elaborado pela professora Tásia Wisch - PNAIC

DIREITO E INCLUSÃO, GARANTIA DO ACESSO DEMOCRÁTICO AO CONHECIMENTO ESCOLAR

Material Para Concurso

EDUCAÇÃO INCLUSIVA. Julho de 2018

O direito à Educação das pessoas com deficiência intelectual SAMIRA ANDRAOS MARQUEZIN FONSECA

CAPÍTULO II NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS. Maristela Rossato

ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA

A ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL CONGÊNITA E ADQUIRIDA ATRAVÉS DE JOGOS PEDAGÓGICOS.

O TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR: ANALISE, REFLEXÃO E FORMAÇÃO EM FOCO.

ÍNDICE 1 - REGIMENTOS E LEGISLAÇÃO DE ENSINO

A partir da década de 1990, no Brasil e no mundo, o paradigma tende a ser deslocado da integração para a inclusão. A Educação Inclusiva surgiu, e vem

Para fins de aplicação desta Lei, consideram-se: DO DIREITO À EDUCAÇÃO

PREFEITURA MUNICIPAL DE BLUMENAU SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DIRETORIA DE PROGRAMAS E PROJETOS INTEGRADOS

PROFESSORES DE ENSINO FUNDAMENTAL E A INCLUSÃO ESCOLAR

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Educador A PROFISSÃO DE TODOS OS FUTUROS. Uma instituição do grupo

EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Política de atendimento a pessoa com deficiência Curso Superior de Tecnologia em RadiologiaJaneiro de 2016

A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NO CAMPUS NATAL-CENTRAL E A QUALIFICAÇÃO DOS PROFESSORES: DESAFIOS E PROPOSTAS

ESCOLAS INCLUSIVAS. Susana Bagatini

TGD - O POSICIONAMENTO DA ESCOLA REGULAR NA INCLUSÃO DE ALUNOS COM AUTISMO. PALAVRAS - CHAVE: Autismo. Ações pedagógicas. Escola inclusiva.

Caderno 2 de Prova AE02. Educação Especial. Auxiliar de Ensino de. Prefeitura Municipal de Florianópolis Secretaria Municipal de Educação

Algumas discussões relacionadas à educação inclusiva no contexto social e principalmente o escolar

SALA DE AULA EM SITUAÇÃO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA

DECRETO 7611/2011 Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências

TÍTULO: A EDUCAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA- SURDOCEGUEIRA: UM DESAFIO EDUCACIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO.

Oficina para Comunicação Assistiva em Deficiência Auditiva

DIFERENCIAÇÃO PEDAGÓGICA ALIADO AO USO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA NA PERSPECTIVA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA E NO ATENDIMENTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL.

Da inclusão: Incluir por incluir?

REGULAMENTAÇÃO INTERNA NÚCLEO DE APOIO ÀS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECÍFICAS NAPNE \CAMPUS BARREIRAS

ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA PARA ALUNOS CEGOS A PARTIR DO APLICATIVO MINIMATECAVOX

A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA ESCOLA MUNICIPAL DE CAMPINAS EDUCAÇÃO INFANTIL Profa. Espa. Susy Mary Vieira Ferraz RESUMO

Rodrigo Machado Merli Diretor Escolar da PMSP Pedagogo Didática de Ensino Superior PUC/SP Estudante de Direito

Relações pedagógicas. Professor aluno. Ensino aprendizagem. Teoria e prática. Objetivo e avaliação. Conteúdo e método

Escola para todos: Inclusão de pessoas com deficiência

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE ALAGOAS ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR ARTHUR RAMOS PARLAMENTO JUVENIL DO MERCOSUL. João Victor Santos

OS DESAFIOS DA INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NO CONTEXTO ESCOLAR REGULAR

EDUCAÇÃO INCLUSIVA SUPERANDO BARREIRAS. Kátia Marangon Barbosa

PERCURSO FORMATIVO CURRÍCULO PAULISTA

A inclusão dos portadores de necessidades especiais no atual contexto socioeducacional

Palavras-chave: Deficiência Intelectual, aluno, inclusão. Introdução

ANEXO I DO EDITAL DETALHAMENTO DOS SERVIÇOS

Adaptação Curricular. Andréa Poletto Sonza Assessoria de Ações Inclusivas Março de 2014

A EDUCAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA: QUESTÕES LEGAIS E PEDAGÓGICAS.

Núcleo de Apoio as Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais NAPNE.

SEMINÁRIO LOCAL DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO PARA A UNIFESP UNIFESP PARA Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis - PRAE Junho/2015

O Atendimento Educacional Especializado - AEE

MISTURAS AZEOTRÓPICAS E EUTÉTICAS E SUA ABORDAGEM NO ENSINO PARA DEFICIENTES VISUAIS

A Educação do Superdotado no Contexto da Educação Inclusiva. Eunice Soriano de Alencar Universidade Católica de Brasília

DATA CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Aula/data Ficha-Resumo % Questões Revisão Prefeitura de Limeira - Prova 02/07/2017

Conhecimentos Pedagógicos

Inclusão e Educação Infantil: perspectivas curriculares

POLÍTICAS E LEIS QUE AMPARAM A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO MUNICÍPIO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ

ENTRE ESCOLA, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E SOCIEDADE, organizados na seguinte sequência: LIVRO 1 DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO NA RELAÇÃO COM A ESCOLA

Profa. Dra. VANESSA H. SANTANA DALLA DÉA

C A D E R N O D E P R O V A

INCLUSÃO: UMA PRÁTICA POSSÍVEL NA ESCOLA JOÃO BATISTA LIPPO NETO NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DA CIDADE DO RECIFE.

DESAFIOS DA INCLUSÃO: GESTÃO, FORMAÇÃO E CRIAÇÕES POSSÍVEIS. Dra. Cláudia Alquati Bisol Dra. Carla Beatris Valentini Universidade de Caxias do Sul

Adaptação Curricular e Diplomação de Alunos com Necessidades Educacionais Específicas

ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE BRAGANÇA/PA

INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR NA MODALIDADE À DISTÂNCIA: POSSIBILIDADES REAIS

Palavras-chave: Deficiência visual. Ensino-aprendizagem.

A ESCOLA REGULAR E OS DESAFIOS DA INCLUSÃO: ASPECTOS CONCEITUAIS E OPERACIONAIS

ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA PROF MARIA DA GRAÇA BRANCO

FACULDADE DE TECNOLOGIA ALCIDES MAYA

Currículo Escolar. Contextualização. Instrumentalização. Teleaula 2. Refletir sobre currículo. Profa. Me. Inge R. F. Suhr

LEI Nº DE 30 DE DEZEMBRO DE 2009 TÍTULO I PRINCIPAIS BASES DE ORDEM LEGAL TÍTULO II CONCEITUAÇÃO E ÓRGÃOS DO SISTEMA MUNICIPAL DE ENSINO

ORIENTAÇÕES PARA SISTEMATIZAÇÃO E ATUALIZAÇÃO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA

EDUCAÇÃO INCLUSIVA E DIVERSIDADE JUSTIFICATIVA DA OFERTA DO CURSO

PERSPECTIVAS DO PLANEJAMENTO NO ENSINO FUNDAMENTAL PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES

CURSO: PEDAGOGIA EMENTAS PERÍODO

Direitos da Pessoa com Deficiência

Diversidade na Natação

BNCC ENSINO FUNDAMENTAL

Secretaria Municipal de Educação Coordenação de Educação Especial -

DIREITO À EDUCAÇÃO: POLÍTICAS DE PLANEJAMENTO DAS TECNOLOGIAS E SUA INSERÇÃO NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE CAMPO GRANDE MS

ESTUDANTES COM DEFICIENCIA INTELECTUAL

EDUCAÇÃO INFANTIL VMSIMULADOS QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS PÚBLICOS

ESPORTE PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO

Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais

Serviço Público Federal Ministério da Educação Universidade Federal Fluminense

ATENA CURSOS MARGUETE DAL PIVA LONGHI. A SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL: entre o ideal e o real. Passo Fundo

SOLER, Reinaldo. Educação física inclusiva na escola: em busca de uma escola plural. Rio de Janeiro: Sprint, 2005.

Transcrição:

DEVERES DA ESCOLA NA OFERTA DE EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, COM IGUALDADE DE CONDIÇÕES E OPORTUNIDADES PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA: da convenção às orientações legais e pedagógicas para uma educação inclusiva. Autores: CHRISTIANE CABRAL E HUGO RODRIGUES Introdução A educação de alunos com deficiência ou necessidades especiais é um antigo desafio enfrentado por educadores e pela sociedade em geral. Contudo, este assunto tem recebido, cada vez mais, a atenção do poder público, das instituições de ensino, dos pesquisadores e dos educadores. A inclusão de alunos com deficiência nas atividades escolares, considerando suas possibilidades e limites, suas próprias decisões e a responsabilidade por suas escolhas permite que este aluno tenha maiores chances de ser bem sucedido no contexto escolar. Por outro lado, a falta de adequação no processo de ensino e aprendizagem nas próprias instituições de ensino (seja pedagogicamente, legalmente ou fisicamente), normalmente deixam em desvantagem o aluno com deficiência. 1 O principal objetivo deste trabalho é através da revisão e apresentação organizada de variados textos levar o leitor a refletir sobre a prática de inclusão adotada nas escolas e analisando sob a perspectiva da igualdade de condições e oportunidades às pessoas com deficiência no âmbito educacional. Referencial Teórico Apesar de não ser de conhecimento geral, cabe ao poder público garantir as pessoas com deficiência o pleno exercício dos direitos básicos individuais e sociais. Entende-se

por deficiência toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividades, dentro do padrão considerado normal para o ser humano (ECA, 2005, p.77). Segundo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência aprovado pelas Nações Unidas(ONU, 2006) no dia 6 de dezembro de 2006 através da resolução A/61/611, artigo 24, assegura um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. A escola deve oferecer ao aluno total acesso a sua estrutura física e pedagógica. Esta mesma conferência deixa claro que a escola ou qualquer outro lugar de acesso público, deverão incluir a identificação e a eliminação de obstáculos e barreiras à acessibilidade, ou seja, rampas para cadeirantes, sinalização em Braille para deficientes visuais, entre outras recomendações. A convenção da ONU (ONU, 2007) ainda garante, o desenvolvimento máximo possível da personalidade e dos talentos e criatividade das pessoas com deficiência. Mas como assegurar isto se muitas vezes nem os próprios professores acreditam no potencial destas pessoas? Este paradoxo entre o que diz a lei e o que nos é oferecido ainda se agrava devido ao desconhecimento dos discentes em relação às leis que regem a educação em nosso país. A lei rege que os educadores tomem medidas efetivas individualizadas de apoio em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, compatível com a meta da inclusão plena (Revista da Educação Especial, 2008), mas o desconhecimento da lei não isenta o professor de arcar com as conseqüências de seus atos como educador. 2 A educação é inclusiva quando dá aos alunos o direito efetivo à educação, à igualdade de participação e de oportunidades. O direito à educação encontra-se na Declaração dos Direitos Humanos e é reiterado nas políticas educacionais dos países. Entretanto, ainda existem milhões de pessoas que não têm acesso à educação. Ainda nos PCN s encontramos que: O direito da pessoa à educação é resguardado pela política nacional de educação independentemente de gênero, etnia, idade ou classe social. O acesso à escola extrapola o ato da matrícula e implica apropriação do saber e das oportunidades educacionais oferecidas à totalidade dos alunos com vista a atingir as finalidades da educação, a despeito da diversidade na população escolar. (PCN, 1999, p.15)

Ao tratarmos da educação, temos como base os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1999, p. 62), onde um dos objetivos do ensino fundamental é de que os alunos sejam capazes de saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. E para o favorecimento do acesso ao currículo, as escolas devem providenciar softwares educacionais específicos; adaptação de materiais escritos de uso comum: tamanho das letras, escrita em relevo, softwares educativos em tipo ampliado e textura modificada para os alunos com deficiência visual. Metodologia A pesquisa tem caráter explicativo e foi desenvolvida pelo método de pesquisa bibliográfica. Os vários textos, documentos e artigos sobre educação, contexto escolar, legislação, inclusão, aprendizagem, e outros assuntos relacionados aos desafios de alunos com deficiência foram organizados em uma seqüência lógica de forma a embasar a argumentação e, desta forma, propor ao leitor uma reflexão sobre o tema. 3 Considerações Finais Concluímos então que, ao considerarmos a diversidade de alunos nas escolas, prevemos medidas de flexibilização e dinamização do currículo para atender as necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência quem venham a diferenciar no processo com relação aos demais alunos de sala. Tais condições viabilizam a todos os alunos o acesso à aprendizagem e ao conhecimento no meio educacional. Com isso, entendemos que não podemos mais nos apoiar em preconceitos às diferenças cognitivas. Somos agentes do processo de inclusão de alunos com deficiência às escolas, quando aprendemos a lidar com as diferenças e olhamos sem preconceitos, passamos a acreditar incondicionalmente na capacidade que o outro tem de aprender, só assim somos realmente inclusivos.

Uma escola aberta à inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais precisa ser extremamente maleável em sua organização e no fornecimento de recursos para atender a diversidade. Neste sentido, a acessibilidade em geral seja ela estrutural ou digital ocupa lugar de grande relevância no processo de ensino e aprendizagem. Entendemos que, com algumas mudanças e adaptações na escola e no currículo, os alunos com deficiência obteriam melhoras na convivência e aprendizagem junto às outras pessoas. Enfatizamos também que é preciso a conscientização de educadores, funcionários e do próprio corpo discente no sentido de que seja direcionado ao aluno com deficiência um tratamento natural, com a mesma cordialidade e atenção dispensada aos demais alunos, porque, conforme argumentado ao longo deste trabalho, ele tem direito ao desenvolvimento de suas possibilidades e talentos. Agradecimentos Agradecemos ao Prof. Dr. Francisco José de Lima, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPE, aos Prof. Marco Antônio de Queiroz e Horácio Pastor Soares da Acesso Digital e demais professores, alunos e amigos que nos ajudam a ensinar e a aprender. 4 Referências ECA: Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Ministério da Educação: Assessoria de Comunicação Social. Brasília: MEC. ACS, 2005. p.77. ONU, Organização das Nações Unidas, Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2006. Disponível em: http://www.un.org/esa/socdev/enable/rights/. Acessado em 12/10/2009. Revista da Educação Especial, Volume 4, Número 2 - julho / outubro, 2008. MEC, Ministério da Educação e Cultura, Carta para o Terceiro Milênio, 1999. MEC, Ministério da Educação e Cultura, Convenção de Guatemala, 1999.

MEC, Ministério da Educação e Cultura, Constituição Federal. Artigo 205, 1998. MEC, Ministério da Educação e Cultura, Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão, 1996. MEC, Ministério da Educação e Cultura, Declaração de Madri, 2002. MEC, Ministério da Educação e Cultura, Declaração de Salamanca, 1999. MEC, Ministério da Educação e Cultura, Estatuto da Criança e do Adolescente, 2005. PCNs: Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1999. p.62. 5