COMENTÁRIO DA PROVA DE PORTUGUÊS Um mérito a ser destacado em qualquer prova é o de que ela tenha uma filosofia, um projeto que oriente o seu corpo de questionamento. Isso é o que, mais uma vez, felizmente, se observa no exame de Língua Portuguesa da UFPR. A abrangência de textos e de fontes, assim como a variedade de gêneros e de assuntos, extraídos da imprensa de informação geral (IstoÉ) e publicações especializadas em divulgação científica e em cultura e arte (Ciência Hoje e Cult), contribui para essa boa impressão. O candidato leitor certamente não teve maiores dificuldades diante do leque de informações que lhe foi apresentado. Como pequenas ressalvas, a fim de que este exame fique ainda mais exemplar, lembramos que não seria despropositada a inserção de alguma questão mais objetivamente ligada a um aspecto gramatical da língua. Não se trata de conservadorismo ou tradição, mas uma ampliação ao leque de abordagem que se tem mostrado aberto a um questionamento dessa natureza. Não seria exagero, certo? Importante, também, seria a atenção a pequenos detalhes de grafia, como a ausência da preposição para no enunciado da questão 2, e a mudança na grafia do nome do presidente norte-americano, na questão 08. Por fim, mais uma vez a prova parece exaustiva demais, dados os textos muito longos, não? A despeito desses deslizes menores, o conjunto é um prêmio a um aluno bem preparado. 1 PORTUGUÊS
PORTUGUÊS O trecho... com a ascensão do País a um papel protagonista, ainda que emergente, no cenário mundial... justifica a afirmação. a) O interesse não se manteve constante, mas aumentou. c) Em vez de desconfiança, é vista com curiosidade. d) Os temas econômicos, sociais e ambientais suplantam os antropológicos. e) O exotismo motivava o antigo interesse, não o atual. O déjà vu se refere à repetição da batalha entre Ocidente e Oriente, uma reedição da Guerra Fria das décadas de 60 e 70. 2 PORTUGUÊS
Para perceber os pressupostos, o leitor deve saber ler as informações que estão nas entrelinhas da tira. Assim: 1. Falsa. Não há relação direta entre conhecer as ideias de Umberto Eco para interpretar a tira de Laerte. 2. Verdadeira. Na tira, em meio a uma mortandade generalizada, a geladeira é a responsável pela sobrevivência dos dois pinguins. 3. Verdadeira. A compra idiota a que se refere a personagem aciona a ideia de que vender uma geladeira a um pinguim seria algo sem propósito, por motivos óbvios, e só mesmo o consumismo explicaria a aquisição desse tipo de eletrodoméstico. 4. Falsa. Não há nenhuma pista, no texto, sobre ataques de armas nucleares. 5. Verdadeira. A ideia aqui veiculada pode ser depreendida pela imagem dos diversos pinguins mortos em torno da geladeira com o casal a salvo. Está sugerido, neste caso, o aquecimento global como causa da mortandade. 3 PORTUGUÊS
PORTUGUÊS Ainda que a leitura dos dois textos (somada à leitura de todos os textos da prova) possa ter prejudicado a sua resolução em função do tempo, a questão número 04 pode ser tranquilamente resolvida com a leitura atenta dos textos. A afirmação 1 revela-se verdadeira com a apreensão do conteúdo, por exemplo, das linhas 1 e 2 do texto 1 e das últimas três linhas do texto 2. A afirmação 2 é claramente inadequada (linhas 3 a 7 do texto 1) já que a atitude seiscentista era de franca exploração da natureza. A afirmação 3 é esclarecida pela leitura das duas linhas iniciais do texto 1 e pelo final do texto 2. A assertiva de número 4 é inadequada, conforme se percebe da leitura das linhas 3 a 7 do texto 1. 4 PORTUGUÊS
Sem sombra de dúvida, o texto 1 volta-se ao passado, haja vista as expressões Apenas poucos séculos atrás,...,...na Inglaterra Tudor... e...quando os ingleses seiscentistas mudaram-se para Massachussets.... Essa questão não apresenta dificuldade alguma, pois a leitura do meio da linha 4 até o meio da linha 6 do texto 2 torna o conceito da biodiversidade claríssimo. 5 PORTUGUÊS
A segunda frase da primeira resposta da entrevista justifica esta alternativa: Então, rigorosamente falando, ele não criou vida, eu diria que ele reprogramou uma vida, pois transformou uma forma de vida A em uma forma de vida B. 6 PORTUGUÊS
As questões éticas pautam tanto a reação do presidente americano Barack Obama quanto a do Vaticano e também as ressalvas na segunda resposta da entrevista de Lygia da Veiga Pereira. Em nenhum momento do fragmento de entrevista, Lygia da Veiga Pereira abordou qualquer uma das objeções descritas pelas afirmações 2 e 4. 7 PORTUGUÊS
Questão de coesão referencial, em que uma palavra ou expressão se refere a passagens específicas do texto. Na linha 4, o termo disso recupera uma passagem que lhe é imediatamente anterior o fato de que a descoberta havia despertado a atenção de diversos setores da sociedade. A ação de Obama ideia posterior é a prova mencionada junto ao pronome disso. Excetuando o quinto trecho, todas as outras passagens continham palavras ou expressões que as impediam de ser o início do texto original: Embora essa seja ;...essas vantagens ; O índice... ; Essa preferência pela moto... ; O fenômeno.... Com isso, já se eliminavam as alternativas b) e d). O fenômeno a que se refere o último trecho é a preferência pela moto em vários setores de atividades, como enunciado no penúltimo trecho. Isso significa que a última passagem dos enunciados deve figurar como o segundo parágrafo do texto, o que elimina a alternativa a). O segundo trecho menciona vantagens, o que o obriga, portanto, a ser imediatamente posterior ao quarto trecho; ambos, assim, finalizam o texto, como itens 6 e 5, respectivamente. 8 PORTUGUÊS
a) perspicácia significa percepção aguçada, sagacidade. b) dissuadiu equivale a desaconselhou, despersuadiu. c) em detrimento de equivale a em prejuízo de. e) grosso modo equivale a de forma aproximada, de forma pouco precisa. Vale comemorar o comentário que fizemos na véspera: Não obstante quando seguido de vírgula equivale a mas e quando não vem seguido de vírgula equivale a apesar de. Caso da alternativa D. 9 PORTUGUÊS