GESTÃO DO CONHECIMENTO MÓDULO 7
Índice 1. O conhecimento...3 2. Tipos de conhecimento...4 3. Atividades...5 4. Exercício para reflexão:...5 2
1. O CONHECIMENTO A palavra conhecimento deriva do latim cognoscere, que significa conhecer pelos sentidos. Algumas teorias privilegiam as sensações e as impressões no processo de conhecimento, outras privilegiam a associação de ideias e a cog nição (Larousse, 1998). O conhecimento deriva da informação assim como esta deriva dos dados. O conhecimento não é puro nem simples, mas é uma mistura de elementos; é fluido e formalmente estruturado; é intuitivo e, portanto, difícil de ser colocado em palavras ou de ser plenamente entendido em termos lógicos. Ele existe dentro das pessoas e por isso é complexo e imprevisível. Para Nonaka e Takeuchi (1995), o conhecimento é criado pelo fluxo de informações, porém, ancorado nas crenças e compromissos de seu detentor e está diretamente relacionado à ação humana: é sempre conhecimento com algum fim. Segundo Davenport e Prusak (1998), o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo que cresce e se modifica à medida que interage com o meio ambiente. Drucker (1999) enfatiza que o conhecimento é informação que modifica algo ou alguém, seja inspirando ação, seja tornando uma pessoa (ou uma instituição) capaz de agir de maneira diferente e mais eficaz. Carvalho & Tavares (2001) afirmam que a informação precisa ser organizada de um modo lógico, que permita a produção de um novo entendimento e, com isso, conhecer irá implicar na capacidade interpretativa do homem. Como as pessoas são diferentes e carregam histórias, crenças, valores diferentes isso acarretará em reações diferentes frente a um mesmo assunto. O conhecimento será produzido e adquirido pelas pessoas e organizações de acordo com suas emoções, interesses e motivações e, talvez isso possa explicar o fato de as definições de conhecimento conduzirem a ação e que o simples fato de possuir informação, não a transforma em conhecimento, uma vez que a informação precisa ser interpretada, contextualizada e conduzir a ação. Krogh et al (2001) afirma que o conhecimento em si é mutável e pode assumir vários aspectos em diferentes organizações, defendendo três pontos: 1) o conhecimento é crença verdadeira e justificada O conhecimento é uma construção da realidade, que se faz a partir das crenças, da sensibilidade e da experiência individual; 2) o conhecimento é tácito e explícito Existe um tipo de conhecimento que se pode expressar e outras formas de conhecimento que estão vinculadas aos sentidos, a algo individual, difícil de descrever. O próximo tópico trata com mais detalhes os tipos de conhecimento; 3) a eficácia da criação do conhecimento depende de um contexto capacitante Um espaço compartilhado que fomente novos relacionamentos. 3
Portanto, para Krogh et al (2001), o conhecimento é dinâmico, relacional e baseado na ação humana; depende da situação e das pessoas envolvidas, e não de verdades absolutas e fatos tan gíveis. Podemos observar nessas definições, que, apesar de partirem de pressupostos diferentes, o princípio é um só: conhecimento é algo mutável com o tempo e na visão de cada indivíduo que o detém. Em nenhum momento uma definição contradiz a outra, apenas a com plementa. 2. TIPOS DE CONHECIMENTO Michael Polanyi, citado por Schainberg (2002), foi o primeiro autor que se tem notícia a estabelecer uma distinção entre dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. O que ele defende é que os seres humanos adquirem conhecimentos criando e organizando ativamente suas experiências. Conhecimento tácito refere-se a elementos cognitivos e técnicos, é subjetivo e representa o conhecimento da experiência. Conhecimento explícito é o conhecimento da racionalidade e da objetividade. Conhecimento explícito é o que pode ser articulado na linguagem formal, inclusive em afirmações gramaticais, expressões matemáticas, especificações, manuais etc., facilmente transmitido, sistematizado e comunicado. Esse foi o modo dominante de conhecimento na tradição filosófica ocidental. O conhecimento tácito é difícil de ser articulado na linguagem formal. É o conhecimento pessoal incorporado à experiência individual e envolve fatores intangíveis como, por exemplo, crenças pessoais, perspectivas, sistema de valor, insights, intuições, emoções, habilidades. É considerado como uma fonte importante de competitividade entre as organizações. Figura Conhecimento explícito e tácito Nonaka e Takeuchi (1995) trabalharam esses conceitos propondo um modelo dinâmico de interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito. Stewart (1998) e Terra (2001) adotam o conceito de Nonaka sobre os tipos de conhecimento. alguém que deseje investir em pessoas inteligentes ou gerenciá -las - esse material intelectual precisa ser formalizado, capturado e alavancado a fim de gerar um ativo de maior valor. (Stewart, 1998) O trabalho de Nonaka & Takeuchi (1995), The Knowledge Creating Company, foi, por sua vez, aquele que provavelmente, mais do que 4
qualquer outro, conseguiu desenvolver um modelo bastan te coerente, que relaciona o processo de inovação aos conhecimentos tácitos e explícitos existentes em uma organiza ção. (Terra, 2001) Os conhecimentos tácitos e explícitos são unidades estruturais básicas que se complementam e a interação entre eles é a principal dinâmica da criação do conhecimento na organização de negócios. 3. ATIVIDADES Visite o site http://dici.ibict.br/archive/00000190/. Trata de um artigo que discute o papel da informação e do conhecimento na nova ordem mundial. 4. EXERCÍCIO PARA REFLEXÃO: Um locutor de rádio recebe um fax de uma pessoa não identificada com o seguinte texto: caiu uma tempestade. Ele logo procura saber quem a enviou e qual o lugar da catástrofe. Ele descobre que o fax veio do diretor da rádio e que a tempestade foi na cidade do Rio de Janeiro. Dois repórteres são designados para verificar o estado da cidade e como a população, dos mais diferentes bairros, está reagindo ao ocorrido. Os repórteres descobrem que a tempestade ocorreu com maior intensidade na região oeste da cidade do Rio de Janeiro, onde está concentrado o maior número de estabelecimentos comerciais, bem como várias áreas de plantação de legumes e verduras que abastecem a rede CEASA. Os comerciantes vão encarar essa catástrofe como uma provável ameaça ao seu negócio, ou seja, as áreas alagadas impedirão que seus clientes cheguem às lojas e, com isso, as vendas podem cair. Os donos do comércio de verduras irão pensar que terão suas plantações perdidas. Os negociantes de bolsa de mercadorias devem ficar preocupados com a queda das ações na bolsa. As autoridades públicas vão verificar os estragos causados pela inundação e, se necessário, vão solicitar auxílio ao governo estadual. Segundo as definições estudadas, explique e identifique no texto acima o que é dado, informação e conhecimento extraído de cada situação. (extraído de GOMES, E. & BRAGA. F. Inteligência competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 2001.) 5