)1( oãdróca atneme86242 DE-SM Diário da Justiça de 09/06/2006 03/05/2006 TRIBUNAL PLENO RELATOR : MIN. GILMAR MENDES EMBARGANTE(S) : UNIÃO ADVOGADO(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO EMBARGADO(A/S) : FERNANDA FIUZA BRITO ADVOGADOS : CARLOS AUGUSTO DE ARAUJO CATEB E OUTROS EMENTA: Embargos Declaratórios. 2. Alegação de contradição, obscuridade e omissão. 3. Dúvida quanto à exata conformação da parte dispositiva do julgado embargado. 4. Segurança deferida para assegurar observância do princípio do contraditório e ampla defesa (CF, art. 5º, LV) 5. Explicitação, na parte dispositiva do julgado embargado, do restabelecimento imediato da percepção do benefício previdenciário cancelado pelo Tribunal de Contas da União. 6. Embargos declaratórios acolhidos. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do, em Sessão Plenária, sob a presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. Brasília, 03 de maio de 2006. MINISTRO GILMAR MENDES - RELATOR
)2( oirótaler 03/05/2006 TRIBUNAL PLENO RELATOR : MIN. GILMAR MENDES EMBARGANTE(S) : UNIÃO ADVOGADO(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO EMBARGADO(A/S) : FERNANDA FIUZA BRITO ADVOGADOS : CARLOS AUGUSTO DE ARAUJO CATEB E OUTROS R E L A T Ó R I O MINISTRO GILMAR MENDES (RELATOR): Trata-se de embargos declaratórios opostos pela União contra decisão que deferiu pedido em mandado de segurança para assegurar a observância do princípio do contraditório e da ampla defesa em processo administrativo de cancelamento de benefício previdenciário junto ao TCU, em decisão assim ementada: EMENTA: Mandado de Segurança. 2. Cancelamento de pensão especial pelo Tribunal de Contas da União. Ausência de comprovação da adoção por instrumento jurídico adequado. Pensão concedida há vinte anos. 3. Direito de defesa ampliado com a Constituição de 1988. Âmbito de proteção que contempla todos os processos, judiciais ou administrativos, e não se resume a um simples direito de manifestação no processo. 4. Direito constitucional comparado. Pretensão à tutela jurídica que envolve não só o direito de manifestação e de informação, mas também o direito de ver seus argumentos contemplados pelo órgão julgador. 5. Os princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados pela Constituição, aplicamse a todos os procedimentos administrativos. 6. O exercício pleno do contraditório não se limita à garantia de alegação oportuna e eficaz a respeito de fatos, mas implica a possibilidade de ser ouvido também em matéria jurídica. 7. Aplicação do princípio da segurança jurídica, enquanto subprincípio do Estado de Direito. Possibilidade de revogação de atos administrativos que não se pode estender indefinidamente. Poder anulatório sujeito a prazo razoável. Necessidade de estabilidade das situações criadas administrativamente. 8. Distinção entre atuação administrativa que independe da audiência
MS 24.268-ED / MG do interessado e decisão que, unilateralmente, cancela decisão anterior. Incidência da garantia do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal ao processo administrativo. 9. Princípio da confiança como elemento do princípio da segurança jurídica. Presença de um componente de ética jurídica. Aplicação nas relações jurídicas de direito público. 10. Mandado de Segurança deferido para determinar observância do princípio do contraditório e da ampla defesa (CF art. 5º LV). (fl. 284). Nos embargos declaratórios, sustenta-se: a) a existência de obscuridade e contradição, tendo em vista que o pedido do mandado de segurança era o imediato restabelecimento do benefício previdenciário e a decisão embargada teria se limitado a deferir a realização de novo processo administrativo, com a observância do princípio do contraditório e da ampla defesa; e b) caracterização de omissão quanto ao exato provimento expedido no julgado embargado, ou seja, esclarecimento se a referida decisão autorizou, ou não, o restabelecimento imediato do pagamento de benefício previdenciário que fora cancelado pelo Tribunal de Contas da União (fls. 288-294). É o relatório.
)3( SEDNEM RAMLIG - otov 03/05/2006 TRIBUNAL PLENO V O T O MINISTRO GILMAR MENDES (RELATOR): 1. Conhecimento Tempestivos os embargos (fls. 286 e 288) e regular a representação, deles conheço. 2. Mérito Os embargos declaratórios estão previstos no Título X Dos Recursos - do Código de Processo Civil (arts. 496, IV). O objetivo desse recurso é o aperfeiçoamento do pronunciamento judicial, seja para esclarecê-lo ou para complementá-lo, com a eliminação de contradição, obscuridade ou omissão. No entanto, por vezes, visa reformar ou invalidar a decisão, pela ocorrência de manifesto equívoco. Nessa hipótese é que se tem admitido o efeito infringente ou modificativo do julgado, por não haver, no sistema legal, previsão de outro recurso para a correção de eventual erro cometido. A única ressalva que fazem a doutrina e a jurisprudência, em tais casos, é quanto à observância do contraditório. No caso dos autos, o mandado de segurança foi deferido pelo Plenário do para determinar a observância do princípio do contraditório e da ampla defesa (CF, art. 5º, LV, da CF/88) no processo administrativo de investigação da legalidade de pensão da Impetrante junto ao Tribunal de Contas da União (fls. 220-284), nos seguintes termos:
MS 24.268-ED / MG É possível que, no caso em apreço, fosse até de se cogitar da aplicação do princípio da segurança jurídica, de forma integral, de modo a impedir o desfazimento do ato. Diante, porém, do pedido formulado e da causa petendi limito-me aqui a reconhecer a forte plausibilidade jurídica desse fundamento. Entendo, porém, que se há de deferir a segurança postulada para determinar a observância do princípio do contraditório e da ampla defesa na espécie (CF, art. 5º, LV). (fl. 249) A Embargante, alegando obscuridade, contradição e omissão, pretende ver sanada dúvida quanto à exata conformação da parte dispositiva do julgado embargado. Eis as razões dos embargos declaratórios: Surge, daí, a obscuridade que se visa sanar através dos presentes embargos declaratórios, porquanto não resta claro se a segurança foi integralmente concedida, o que acarretaria o restabelecimento imediato da pensão, ou se, ao contrário, houve tão-somente a concessão parcial do writ, apenas para os fins de determinar que o processo administrativo observe os direitos constitucionalmente previstos da ampla defesa e do contraditório. (...) Sendo assim, é necessário que o Supremo Tribunal Federal esclareça se o julgado proferido no presente feito autoriza, ou não, a percepção imediata do benefício previdenciário cancelado pelo Tribunal de Contas da União, no exercício de sua competência constitucionalmente fixada. (fls. 291-293). Diante das circunstâncias dos autos e da redação da parte dispositiva da decisão embargada, reputo fundadas as razões dos presentes embargos, de forma que os ACOLHO, por omissão e obscuridade, para que conste expressamente da sua parte dispositiva: Entendo, porém, que se há de deferir a segurança postulada para
MS 24.268-ED / MG determinar a observância do princípio do contraditório e da ampla defesa na espécie (CF, art. 5º, LV), restabelecendo-se, de imediato, a percepção do benefício previdenciário cancelado pelo Tribunal de Contas da União.
)1( ata ed otartxe TRIBUNAL PLENO EXTRATO DE ATA RELATOR : MIN. GILMAR MENDES EMBARGANTE(S) : UNIÃO ADVOGADO(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO EMBARGADO(A/S) : FERNANDA FIUZA BRITO ADVOGADOS : CARLOS AUGUSTO DE ARAUJO CATEB E OUTROS Decisão: O Tribunal, à unanimidade, acolheu os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. Presidiu o julgamento a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 03.05.2006. Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie. Presentes à sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Ricardo Lewandowski. Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário