CASA ALTO DE PINHEIROS Local São Paulo Ano 2013 Escritório Nitsche Arquitetos Autores Célia Gonsales e Gerônimo Genovese Dornelles Implantação e Partido Formal A Casa Alto de Pinheiros é uma residência de uso regular projetada em 2013 pelo escritório Nitsche Arquitetos em bairro da zona oeste da capital paulista. O projeto compreende área construída em torno de 190m² em um lote de 470 m², aproximadamente (Figura 1). Figura 1: Implantação da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. O projeto, localizado em lote de meio de quadra, segue a configuração do bairro conformado por residências unifamiliares isentas. O partido compacto de acentuação horizontal, organizado em dois pavimentos seguindo a orientação do terreno, conforma um prisma alongado onde a irregularidade de um dos limites do lote é ignorada (Figura 1). A topografia do terreno é descendente no sentido frente fundos. O prisma compacto e isento com piano nobile elevado - estratégia compositiva que destaca a casa em relação ao contexto - permite uma acomodação da edificação ao desnível a partir de um térreo conformado por espaços de transição entre interior e exterior. Este pavimento se desenvolve a partir de uma zona de serviço com pequenos elementos de composição - patamar abaixo da rua a uma zona de estar em um nível ainda mais baixo - numa gradação do espaço público ao privado (Figura 2). O térreo vazado permite uma expansão da área social em direção aos recuos, dinamizando, assim, essa área inicialmente residual (Figura 3). Figura 2: Desnível descendente frente fundos da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. Figura 3: Vista dos fundos da Casa Alto de Pinheiros, 2013. Grande interação interior-exterior e expansão da área social em direção ao todo o espaço aberto, Nitsche Arquitetos.
Uma manipulação de planos configura um volume claro, elevado, mas cujos elementos de arquitetura planares continuam expressando sua individualidade através das diferentes texturas (Figura 4). Esse volume sofre um processo de subdivisão no nível superior e adição de pequenos elementos de composição no espaço inferior dentro da forma básica, organizando o acesso, parte do serviço e a zona social externa (Figura 5). Adição de sólidos Figura 4: Manipulação de planos da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. Fonte: www.nitsche.com.br Figura 5: Esquema de adição da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. A composição geral se dá a partir de uma grelha configurada a partir de 2 vigas vierendeel apoiadas em 4 pilares e dividida em 7 módulos mais balanços. Transversalmente a composição apresenta 3 módulos. Os planos frontal e posterior retrocedem criando uma proteção solar das superfícies envidraçadas (Figura 6). Configuração funcional Figura 6: Grelha do piso superior e os quatro pilares de sustentação do sistema de vigas vierendeel, no piso inferior, da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. O programa básico da casa se localiza em sua quase totalidade no nível superior ficando no térreo apenas alguns elementos de composição irregulares que conformam a zona de serviço e espaços intermediários de convívio que conectam o interior à parte externa da residência (Figura 7). Social Íntimo Serviço Figura 7: Esquema de zonas nos dois pavimentos da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos.
No piano nóbile, o programa se organiza de maneira clara com a localização do setor íntimo com 3 dormitórios na parte frontal - ocupando 4 dos 7 módulos - e a sala de estar e cozinha na parte posterior - ocupando os 3 módulos restantes. Estes dois últimos configuram um espaço único e contínuo com grande integração com o exterior através da transparência dos planos que o conformam. Os elementos de composição irregulares - sanitários e closet - e a escada estão contidos em faixas intermediárias transversais da grelha. No pavimento térreo os elementos irregulares seguem a modulação transversal superior mas não encaixam na grelha geral (Figura 8). Elementos irregulares Figura 8: Esquema de elementos irregulares da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. As linhas circulatórias da residência são sempre espacializadas e centralizadas, permitindo uma economia e compacidades desse elemento de composição. O acesso à casa se dá de maneira frontal conformando um sistema circulatório que conecta frente e fundos do lote ou frente e pavimento superior sem um sistema hierárquico definido - o estímulo ao acesso à área de convívio no fundo como aos cômodos situados no pavimento superior é o mesmo. No pavimento superior a escada distribui o deslocamento: à esquerda zona íntima mais escura e fechada; à direita zona de convívio, aberta e intensamente iluminada (Figura 9). Circulação principal Figura 9: Esquema circulatório básico no primeiro e no segundo pavimento, respectivamente, da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. Espacialidade A experiência espacial e a percepção dos espaços desta casa em relação ao entorno se dá essencialmente em dois "níveis"- literalmente falando. No nível inferior há uma relação com o exterior de maneira mais existencial e tátil e no nível superior de maneira mais contemplativa e visual.
As principais experiências espaciais se dão em três "momentos": 1. O acesso ao terreno proporciona um encontro frontal com a casa desencadeando uma visão ambígua: se tem, a menos de 2 metros de altura, o que seria o pavimento superior e mais abaixo um vazio entre dois cheios ao qual se tem acesso por uma escada descendente e que poderia ser interpretado como um acesso (Figura 10). Acima a visual é velada - setor íntimo - abaixo há um desenvolvimento unidirecional do espaço que convida ao acesso e à visita ao fundo do terreno. Figura 10: Vistas do observador ao acessar da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. 2. Ao se adentrar e passar por esse acesso/circulação espacializada se chega a um lugar onde o espaço se dilata totalmente descortinando uma visão multidirecional. Este é o espaço distribuidor onde se deve fazer a escolha de seguir em frente e desfrutar do espaço de convívio e do espaço externo ou tornar à direita, subir a escada e acessar a casa propriamente dita (Figura 11). O contraste aberto fechado e as variações de nível do plano horizontal proporcionam uma experiência dinâmica. O plano horizontal superior em balanço e a continuidade de piso entre interior e exterior conduzem o olhar em direção à paisagem resultando em uma expansão espacial multidirecional. Figura 11: Visual ao adentrar, esquema de tensão multidirecional do pavimento térreo e representação do contraste aberto-fechado aliado ao plano em balanço da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos. Fonte: ABRÃO, Josie, 2015 e www.nitsche.com.br
3. O topo da escada é o momento de maior tensão espacial. Contraste fechado aberto, espaço mais contido e estático e espaço dinâmico que se estende e ultrapassa os seus limites. A luminosidade que vem da direita antecipa e prepara o fruidor para a experiência que irá vivenciar. O contraste entre as duas zonas intensifica a qualidade espacial de cada uma delas (Figura 12). Figura 12: Esquema de tensão espacial e luminosidade seguido de vistas a partir do piso superior da Casa Alto de Pinheiros, 2013, Nitsche Arquitetos.