MACACO PREGO Cebus nigritus

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Transcrição:

MACACO PREGO Cebus nigritus CURY, Letícia Duron; PAULA, Bruna; BATISTA, Pedro H.L.; SANTOS, Edvaldo Silva Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva RESUMO Este trabalho teve como objetivos, analisar o comportamento de Cebus nigritus através do estudo do padrão de atividades dos indivíduos em um fragmento de Mata Estacional Semidecidual sob forte influência antrópica no norte do estado do Paraná. Quer-se verificar quais procedimentos realizados pela espécie para a retirada da resina do Pinus e qual o motivo da ocorrência. ABSTRACT This study aimed to analyze the behavior of Cebus nigritus by studying the pattern of activities individuals in a fragment of semideciduous forest under strong anthropogenic influence in the northern state of Paraná. We wanted to see what procedures were taken across species to remove the resin from Pinus and why this happened. 1. INTRODUÇÃO

O Macaco-Prego Cebus nigritus, distribuem-se pela Mata Atlântica e seus arredores, habitando o sudeste e sul do Brasil (VILANOVA et al., 2005; LUDWIG; AGUIAR; ROCHA, 2005). Essa espécie esta sendo considerada por produtores rurais como uma nova praga florestal ao invadir e atacar pomares e plantações (ROCHA, 1992, 2000). No Norte do Estado do Paraná é possível encontrar esta espécie de primata que sobrevive em pequenos fragmentos e áreas degradadas, além de se adaptar com facilidade em ambientes antrópicos (BICCA-MARQUES; SILVA; GOMES, 2006). Cebus nigritus consegue habitar-se em pequenos locais na região, desde que haja plantações nos arredores, são animais aptos a explorarem diversos hábitats devido seu comportamento oportunista; Seu nome se deve ao formato do órgão sexual do macho que nos adultos lembra um prego e pelo formato do topete na cabeça de indivíduos machos e fêmeas (ROCHA, 1992). Possuem hábito diurno,porém já foram registrados deslocamentos durante o período noturno (RÍMOLI, 2001). Geralmente, pesam de 2 a 3 quilos (NAPIER; NAPIER,1967). Sua dieta é composta por frutas, folhas, sementes, flores, artrópodes, (RÍMOLI, 2001; SAMPAIO, 2004) ovos e pequenos vertebrados como anfíbios, répteis, aves e mamíferos, havendo registro de predação em quatis e filhotes de outros primatas como sauás (SAMPAIO, 2004; SILVA, 2007). 2. VOCALIZAÇÃO ENTRE PRIMATAS Os macacos-prego assim como outros primatas neotropicais possuem um vasto repertório de vocalizações, utilizados para a comunicação extragrupal e intragrupal, como a atração de parceiros, defesa e coordenação do grupo respectivamente (OLIVEIRA; ADES, 2004). As vocalizações também podem ser consideradas funcionalmente como um sinal de referência associada à presença de alimento, onde os indivíduos que mais se dedicam na vocalização podem encontrar novos recursos alimentares e obter grande quantidade de alimento, minimizando o custo energético que foi investido na vocalização (DI BITETTI, 2003, 2005). Há também

vocalizações de contato que visam estabelecer a coesão entre os indivíduos do grupo (HILL, 1960 citado por ROCHA, 1992; DOBRORUKA, 1972) e vocalizações de alarme que podem anteceder a fuga de todo o grupo diante de possíveis predadores (DOBRORUKA, 1972). Wheeler (2008) alerta que a vocalização de alarme pode ser interpretada mais como um comportamento altruísta do que egoísta, porque atrai a atenção de predadores para os indivíduos mais novos. 3. PRAGA FLORESTAL Nas plantações de Pinus spp. esses animais encontram um recurso alimentar abundante e disponível o ano todo, a resina. Os primatas atacam quase sempre o terço superior da árvore, causando às vezes um anelamento pela retirada da casca, consequentemente essa parte seca e posteriormente, cai pela ação do vento. A ação dos animais se agrava principalmente durante a estiagem, quando ocorre uma menor oferta de seus alimentos naturais. Outra constatação importante é que além do prejuízo causado a árvore, a ação dos primatas, também pode aumentar a possibilidade de ocasionar um acidente de trabalho pela queda dos ponteiros nos operários durante o corte da madeira (PIZZANI, 1997). 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Foi constatado três grandes hipoteses referente ao ataque do macaco prego ao Pinus, uma das justificativas seria que os animais são atraídos aos Pinus devido à alta palatabilidade da resina; Existe uma escassez de recursos naturais forçando os animais a procurar novas fontes de alimentos; Existe um aumento populacional dos macacos devido à ausência de predadores e alta disponibilidade de recursos. 5. CONCLUSÃO Pode-se concluir através de algumas informações que para diminuir o ataque do Macaco prego é necessario manter em dia o desbaste dos Pinus e fazer aceiros para evitar pontes naturais (galhos) entre a área de Pinus e a área de

floresta nativa. Avaliar a disponibilidade de recursos naturais para Cebus nigritus para verificar se existe a necessidade de se fazer um enriquecimento ambiental, com espécies nativas utilizadas pelos animais. Reintrodução de predadores naturais. Vasectomização dos machos dominantes, esse método é importante, pois, os animais não perdem sua posição hierárquica dentro do grupo e continuam copulando. Translocação de grupos problemas ou parte destes para outras áreas. 6. REFERÊNCIAS BICCA-MARQUES, J. C.; SILVA, V. M.; GOMES, D. F. Ordem Primates. In: REIS, N. R.; PERACCHI, A. L.; PEDRO, W. A.; LIMA, LIMA, I. P. Mamíferos do Brasil. Universidade Estadual de Londrina. Londrina, Paraná, 2006. DI BITETTI, M. S. Food-associated calls of tufted capuchin monkeys (Cebus apella nigritus) are functionally referential signals. Behaviour. v. 140, n. 5, p. 565-592, 2003. DOBRORUKA, L. J. Social communication in the brown capuchin. International Zoo Yearbook, v. 12, p. 43-45, 1972 NAPIER, J. P.; NAPIER, P. H. Evolutionary aspects of primate locomotion. American Journal of Physical Anthropology, v. 27, p. 333-341, 1967. OLIVEIRA, D. A. G.; ADES, C. Long-distance calls in Neotropical Primates. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 76, n. 2, p. 393-398, 2004. PIZANI, A.J. 1997. Alerta sobre os riscos de acidentes ocasionados pelo ataque

de macaco-prego em florestas de Pinus spp.: Estudo de casos. Monografia. Setor de Ciências Agrárias Escola de Florestas. Universidade do Paraná. Curitiba SP. RÍMOLI, J. Ecologia de Macacos-Prego (Cebus apella nigritus, Goldfuss, 1809) na estação biológica de Caratinga (MG): implicações para a conservação de fragmentos de Mata Atlântica. 2001. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) Universidade Federal do Pará, Belém. ROCHA, V. J. Macaco-prego, como controlar esta nova praga florestal? Floresta, v. 30, n. 1 e 2, p. 95 99, 2000. SAMPAIO, D. T.; FERRARI, S. F. Predation of an Infant Titi Monkey (Callicebus moloch) by a Tufted Capuchin. Folia Primatologica, v. 76, n. 2, p. 113-115, 2005. SILVA, C. R. Registro de alimentação noturna em macaco-prego (Cebus). Neotropical Primates, v. 14, n. 2, p. 72-74, 2007.