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FICHA BIBLIOGRÁFICA. Título: Perfil da Mulher Metalúrgica do ABC. Autoria: Subseção DIEESE/Metalúrgicos do ABC

PL 8035/2010 UMA POLÍTICA DE ESTADO. Plano Nacional de Educação 2011/2020. Maria de Fátima Bezerra. Deputada Federal PT/RN

Transcrição:

objetivo. promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres mulheres ao longo do século 20, ainda há considerável desigualdade entre os gêneros no mundo. Em geral, as mulheres sofrem com a discriminação e possuem pouca participação decisiva na sociedade atual, por exemplo, na política e economia. Isso ocorre principalmente em países menos desenvolvidos ou onde aspectos culturais impedem a ascensão feminina. Enquanto não houver valorização das mulheres e igualdade entre os gêneros na sociedade, dificilmente os demais ODM serão OBJETIVO Apesar dos direitos adquiridos pelas alcançados (ONU, 2010a). Isso porque a qualidade de vida das mulheres e seu acesso à educação refletem diretamente em outros objetivos, tais como mortalidade materna, infantil e saúde. Para monitorar a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres na Amazônia avaliamos três grupos de indicadores: (i) educação feminina (anos de estudo, analfabetismo e frequência escolar); (ii) proporção de mulheres exercendo cargos políticos; e (iii) população feminina economicamente ativa e rendimento. O da Amazônia: Indicadores A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010 NãO HÁ DISPARIDADE ENTRE OS GÊNEROS NA EDUCAçãO Essa meta foi estabelecida principalmente para países com altas porcentagens de população rural e aspectos culturais e religiosos que discriminam a mulher. No Brasil, não há disparidade significativa na educação entre os sexos. De fato, a população feminina apresenta resultados ligeiramente superiores aos da população masculina. As mulheres estudam mais tempo que os homens na Amazônia. Em 2009, a média de anos de estudo das mulheres maiores de 15 anos na região era de 7,7 anos, enquanto a média entre os homens era de 7 anos (IBGE, 2010c). A frequência escolar de meninas de 7 a 14 anos subiu de 86%, em 1990, para 96% em 2007 (Tabela 4); enquanto a frequência dos meninos subiu de 84% para 95% nesse período. Entre os jovens de 15 a 17 anos, a frequência feminina aumentou de 67%, em 1990, para 82% em 2007. Por sua vez, entre os rapazes, a frequência subiu de 58% para 81%. Quanto ao analfabetismo, 11% das mulheres com mais de 15 anos na Amazônia eram analfabetas em 2007 (Figura 18). Isso representa uma diminuição de 9% na taxa feminina de analfabetismo desde 1990. Com relação aos homens, o analfabetismo caiu de 17% para 1% nesse período. O Maranhão é o da Amazônia que possui maior número de mulheres que não sabem ler e escrever (19%). As menores taxas de analfabetismo feminino foram registradas em Roraima (9%), Amazonas (8%) e Amapá (7%). O analfabetismo funcional também é maior entre os homens (1%) do que entre as mulheres (27%) na região (IBGE, 2005). 2

Tabela 4. Frequência escolar bruta (%) de crianças (7 a 14 anos) e de jovens (15 a 17 anos) por sexo nos s da Amazônia em 1990 e 2007 (Ipea, 2007). Frequência escolar de 7 a 14 anos (%) 1 Frequência escolar de 15 a 17 anos (%) 1 1990 2007 1990 2007 Mulher Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher Homem AC 76 80 92 91 67 67 80 70 AM 89 88 97 96 78 5 90 85 AP 86 84 97 98 7 7 85 86 MA 76 67 95 94 66 51 84 80 MT 84 81 96 97 52 45 79 81 PA 89 87 96 95 77 68 78 78 RO 89 89 96 94 66 6 78 70 RR 97 9 98 96 55 62 81 94 TO 0 0 98 98 0 0 81 84 Amazônia 86 84 96 95 67 58 82 81 Brasil 85 8 97 97 61 5 8 81 1 Não inclui população rural. O da Amazônia: Indicadores A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010 OBJETIVO Figura 18. Taxa de analfabetismo da população feminina (população 15 anos) nos s da Amazônia em 1990, 2001 e 2007 (Ipea, 2007).

Modesta participação feminina na política objetivo Houve pequeno aumento na participação feminina em cargos políticos eletivos na Amazônia (Tabela 5). 19 A eleição de prefeitas nos municípios da região aumentou de 7%, em 1996, para 11% em 2008. Vale lembrar que elas governam para apenas 10% da população amazônica. Já a proporção de vereadoras eleitas manteve-se estável em 14% nos anos 2000 e 2008. Com relação ao parlamento federal e os s amazônicos, a participação das mulheres também é pequena. A proporção de deputadas estaduais aumentou de 9%, em 1994, para 14% em 2010. Por sua vez, as deputadas federais, que representavam 14% da Câmara Federal em 1994, tiveram sua representação reduzida para 12% em 2010 (Tabela 6). Em 2010 foram eleitas uma governadora (Roseana Sarney no Maranhão) e duas senadoras, uma no Amazonas e a outra no Pará 20. Tabela 5. Proporção de mulheres eleitas prefeitas e vereadoras na Amazônia (TSE, 2010). O da Amazônia: Indicadores A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010 Prefeitas (%) Vereadoras (%) 1996 2000 2004 2008 2000 2004 2008 AC 5 5 9 9 14 12 14 AM 5 11 1 1 11 AP 6 6 1 19 21 15 20 MA 9 9 10 15 14 17 17 MT 6 5 4 6 14 1 1 PA 6 8 8 10 14 15 14 RO 6 8 10 6 10 12 12 RR 1 20 27 0 10 1 11 TO 9 9 12 16 16 16 14 Amazônia 7 8 9 11 14 15 14 Brasil 5 6 7 11 12 1 16 Tabela 6. Proporção de mulheres eleitas deputadas (estaduais e federais) na Amazônia (TSE, 2010). Deputadas (%) Federais Estaduais 1994 2006 2010 1994 2006 2010 AC 25 1 25 0 21 17 AM 1 25 1 4 1 8 AP 25 50 8 6 1 29 MA 6 6 6 7 17 17 MT 1 1 0 1 4 8 PA 18 12 6 12 17 17 RO 1 1 1 21 4 1 RR 0 25 1 18 1 8 TO 25 1 1 0 1 17 Amazônia 14 16 12 9 1 14 Brasil 1 6 9 9 8 11 1 1 Inclui Deputadas Distritais. 4

PARTICIPAçãO DAS MULHERES NA ECONOMIA é DESIGUAL Metade das mulheres em idade de trabalhar estava economicamente ativa na Amazônia em 2009, enquanto essa proporção era superior entre os homens (72%) (IBGE, 2010c). Da população feminina economicamente ativa, 12% estavam temporariamente desocupadas naquele ano na Amazônia. 21 Segundo o IBGE (2010c), 17% das brasileiras economicamente ativas eram trabalhadoras domésticas; 16,8% estavam no comércio; e 16,7% na educação, saúde e serviços sociais. Com relação à formalidade (carteira assinada e direitos sociais garantidos), as mulheres representavam apenas 25% do número total de empregos formais na Amazônia em 2009 (MTE, 2010). Além disso, o rendimento das mulheres na região era inferior ao dos homens em até 8% para a mesma faixa de educação e cargo (Figura 19). Contudo, a Amazônia era menos desigual do que a média nacional para esse indicador. Figura 19. Percentual do rendimento médio das mulheres ( 16 anos) ocupadas em relação ao dos homens, por grupos de anos de estudo, na Amazônia em 2009 (IBGE, 2010c). O da Amazônia: Indicadores A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010 OBJETIVO 5

OBJETIVO OBJETIVO - PROMOVER A IGUALDADE ENTRE OS GÊNEROS Meta 5: Eliminar as disparidades entre os sexos no ensino fundamental e médio. Amazônia em 2007: Meta atingida em anos anteriores, ou seja, não há disparidade relevante entre a proporção de mulheres e de homens (entre 7 a 17 anos) que frequentam a escola. O da Amazônia: Indicadores A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010 Avaliação: Apesar de a meta ter sido alcançada, os demais indicadores que avaliam a igualdade entre os gêneros mostram que é preciso melhorias na região, principalmente na participação de mulheres na política e em um mercado de trabalho mais justo no que se refere à remuneração e aos benefícios sociais. 6