CONTROLE E MOVIMENTAÇÃO DO HELICÓPTERO

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Transcrição:

1 CONTROLE E MOVIMENTAÇÃO DO HELICÓPTERO O helicóptero é um veículo aéreo composto por um corpo e duas hélices: uma hélice principal de grande porte horizontal e outra de pequeno porte vertical na cauda do aparelho. Um turbo-motor instalado no corpo do aparelho aciona a hélice principal e a hélice de cauda. O helicóptero tem grande monobrabilidade incluindo a capacidade de pairar no ar. Sua movimentação é produzida por comandos na cabine a disposição do piloto: manche, alavanca e pedais. O controle é realizado por um complexo dispositivo mecânico que controla o ângulo de ataque das pás das hélices a partir das ações do piloto. Os fundamentos básicos do vôo do helicóptero são descritos a seguir. SUSTENTAÇÃO DA HÉLICE Devido ao seu formato, as pás da hélice quando passam pelo ar com ângulo de ataque (angle of attack) produzem diferenças de pressão que causam uma força de sustentação L (lift). Também produz força de arrasto D (drag), conforme mostrado na figura. Devido a velocidade do helicóptero V r G e a rotação da hélice r ω a velocidade de um ponto P é r r dado por V = V + r ω ( P G). Como a velocidade em cada seção varia ao longo da pá, cada P G

2 segmento produz uma sustentação Li para um determinado ângulo de ataque. Simplificadamente considerando a pá rígida com comprimento R, a força resultante de sustentação em cada pá é L = R L dr. G i L i V P D i ω G Devido ao seu tamanho, a hélice principal tem um elevado momento angular ( H r G ) que contribui para estabilizar a atitude do helicóptero. Por sua vez a hélice de cauda produz uma força F r Horizon na direção horizontal necessária para anular o torque devido a força de arraste da hélice principal.

3 DISPOSITIVO DE CONTROLE (swash-plate) O controle do helicóptero é feito pelo comando do piloto em duas alavancas instaladas no interior da cabine, que acionam um dispositivo mecânico chamado de prato oscilante (swashplate) que controla o ângulo das pás da hélice. O prato oscilante possui duas partes: uma solidária ao helicóptero (mostrada em azul na figura) e outra que gira com a hélice (mostrada em vermelho).

4 Quando os pratos sobem devido ao comando do piloto na alavanca de comando (comando coletivo) o ângulo de todas as pás aumenta de forma conjunta, acionadas pelos eixos de controle de ângulo das pás (pitch control rods). Quando o prato se inclina devido ao comando do piloto no manche, o ângulo das pás varia em função da posição angular da hélice (comando no manche - cíclico). CONTROLE DA ALTURA O piloto controla a altura do helicóptero variando a força de sustentação L (lift) que se contrapõe à força da gravidade (mg). A ação do comando coletivo (alavanca lateral esquerda de comando) permite elevar a altura do helicóptero quando se aumenta o ângulo das pás (puxando a alavanca para cima) e a potencia do motor (girando a manete da alavanca) conforme mostrado na próxima figura (note que os comandos são duplicados para o co-piloto). A altura do helicóptero pode ser mantida constante permitindo o aparelho pairar no ar (hover) devido à velocidade de rotação da hélice (potência do motor) e o ângulo das pás (comando coletivo).

5 Então quando o piloto puxa a alavanca para cima o prato oscilante translada verticalmente (se eleva paralelo em relação ao plano horizontal do helicóptero) aumentando o ângulo de todas as pás da hélice de forma conjunta (braço de controle de ângulo da pá - pitch control rods), aumentando a força de sustentação L. O movimento deve ser sincronizado com o aumento da rotação do motor girando a manete da alavanca. CONTROLE DA DIREÇÃO Enquanto a hélice principal gira para manter a altura do helicóptero, a força de arraste das pás produz um binário de forças M r Gz que tende a rodar o helicóptero na direção oposta. A hélice de cauda tem a função de produzir um momento que se contrapõe a este efeito, controlando a direção do helicóptero. Este controle é feito pelo acionamento do comando de pedal (Pedals) que altera o ângulo das pás da hélice de cauda modificando a força horizontal F r Horizon e portatno r r r variando o momento direcional ( M = d F ). Z Horizon

6 M Gz F Horizon d CONTROLE DA ATITUDE Para alterar a atitude do helicóptero o comando cíclico (manche) permite criar força de sustentação em cada pá que varia conforme a posição angular da hélice, ou seja, o ângulo de ataque da pá varia a cada ciclo da rotação. O comando cíclico altera o plano do prato oscilante (swash plate) produzir mais sustentação (L+) de um dos lados do helicóptero causando um binário de momento M r Gx.

7 Este binário de momento altera o momento angular da hélice principal conforme &r r H G = M. Gx Assim por exemplo, quando o piloto empurra o manche para frente (comando cíclico) o prato se inclina segundo o eixo longitudinal (xx) fazendo com que a pá que passa pelo lado esquerdo do helicóptero aumente o ângulo de ataque (L+). Este fato produz o binário de momento altera a direção da quantidade de momento angular M r Gx que H r G. Desta forma o helicóptero se inclina para frente com ângulo θ produzindo uma componente da força de sustentação naquela direção ( F x = Lsenθ ) fazendo o helicóptero avançar. Naturalmente o piloto deve compensar a força de sustentação para manter o helicóptero na mesma altura ( F Z = L / cosθ ) girando ligeiramente a manete da alavanca do comando coletivo.

Laboratório de Dinâmica e Simulação Veicular 8 Este comando pode produzir efeito similar na direção lateral (para qualquer lado) ou na direção oposta se for o caso (marcha à ré). Desta forma o helicóptero tem a sua posição e atitude completamente controlada permitindo um vôo em qualquer direção no espaço 3D inclusive pairando no ar. Obs.: A descrição aqui apresentada de movimento de corpo rigido é simplificada para efeito didático e existem efeitos de segunda ordem que não foram incluídos neste texto. Devido à rotação da hélice, a velocidade máxima do helicóptero é limitada pela perda de sustentação da pá que recua (conhecido como estol) e velocidade sônica da pá que avança. Para mais informação consulte o livro: R. S. Bramwell, George Done, David Balmford (1976) Helicopter Dynamics. Second edition Editora Butterworth-Heinemann, pp. 373. Laboratório de Dinâmica e Simulação Veicular LDSV RSB LDSV site: www.usp.br/ldsv POLI-USP