IV Seminário de Iniciação Científica

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Transcrição:

PREVALÊNCIA DE ESTRABISMO NO LABORATÓRIO DE MOTILIDADE OCULAR EXTRÍNSECA ORTÓPTICA PARA CAPACITAÇÃO E ATUAÇÃO NA ÁREA DE FISIOTERAPIA OCULAR NA CLÍNICA ESCOLA DA ESEFFEGO EM GOIÂNIA, GOIÁS, BRASIL. MAURO CORRÊA DE ALBUQUERQUE 1,4 ; FRANASSIS BARBOSA DE OLIVEIRA 2,4 ; ALANA PARREIRA COSTA 3,4. 1 DOCENTE DE ENSINO SUPERIOR MESTRE DA FUEG 2 DOCENTE DE ENSINO SUPERIOR ESPECIALISTA DA FUEG 3 ALUNA DE GRADUAÇÃO DO 3º PERÍODO DE FISIOTERAPIA 4 CURSO DE FISIOTERAPIA, ESEFFEGO, UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE GOIÂNIA, UEG. RESUMO O ESTRABISMO É UMA CONDIÇÃO DE ALTERAÇÃO DA MOTILIDADE OCULAR EXTRÍNSECA COMUM NA POPULAÇÃO HUMANA. NO SEU TRATAMENTO DIFERENTES PROFISSIONAIS ESTÃO ENVOLVIDOS, TAIS COMO: MÉDICOS E FISIOTERAPEUTAS. NO SERVIÇO DE MOTILIDADE OCULAR EXTRÍNSECA DA CLÍNICA ESCOLA DA ESEFFEGO O DESVIO OCULAR MAIS COMUM FOI A ESOTROPIA E O TRATAMENTO PRECONIZADO FOI A CORREÇÃO CIRÚRGICA. OS AUTORES ATENTAM PARA O FATO DE QUE A AMBLIOPIA ESTRABÍSMICA FOI A FORMA DE AMBLIOPIA MAIS COMUM ENCONTRADA PODENDO SER TRATADA QUANDO PRECOCEMENTE DIAGNOSTICADA. ESTRABISMO, VESGUICE, VESGO. Introdução O estrabismo (vesguice) é o desvio ocular que ocorre na população humana com uma prevalência de 2-4%. A motilidade ocular extrínseca estuda o desvio ocular, avaliando a função de cada músculo responsável pela movimentação ocular, inferindo a partir desta a função de seu respectivo nervo. A ortóptica é o ramo da ciência da saúde que estuda a movimentação ocular de forma isolada em cada olho e conjugada entre os dois olhos. A fisioterapia ocular seria a atuação do profissional em fisioterapia na motilidade ocular 844

extrínseca, avaliando e identificando um desvio ocular, fazendo mensurações apropriadas, identificando qual(is) músculo(s) ocular(es) extrínseco(s) de qual(is) olho(s) está(ão) paralisado(s) ou parético(s), orientando e supervisionando o tratamento do estrabismo através de exercícios e tratamentos clínicos capazes de melhorar a função ocular e ainda realizando avaliações pré e pós operatórias capazes de auxiliar o médico oftalmologista no tratamento cirúrgico desta condição segundo Souza-Dias (1999). A população usuária do Sistema Único de Saúde em Goiás, tem como única opção de tratamento ortóptico o Centro de Referência em Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (CEROF HC UFG) em Goiânia, Goiás. Assim todo o interior do estado está desassistido de profissionais capacitados. Em todo o estado de Goiás não há nenhum curso superior ou de pós-graduação em ortóptica capaz de capacitar profissionais para prestarem este tipo de atendimento. A falta de profissionais capacitados, aliada a dificuldade de acesso aos serviços de saúde tornam inexistentes estatísticas confiáveis a respeito da prevalência de estrabismo na população do estado de Goiás. A competência do profissional de fisioterapia em atuar nesta área do conhecimento foi discutida por Rezende (2004). Além de a presente pesquisa buscar a prevalência dos desvios oculares na população goiana, especificamente goianiense, é também o meio pelo qual buscamos a capacitação dos fisioterapeutas nesta área do conhecimento humano. Material e Métodos Fizemos o levantamento dos prontuários dos pacientes atendidos na Clínica Escola de Fisioterapia da ESEFFEGO, UnU Goiânia, GO. Ao serem inicialmente acompanhados os pacientes autorizavam que os dados produzidos nestes atendimentos fossem posteriormente utilizados através de um termo de consentimento informado. Os pacientes foram-nos encaminhados de diversos serviços de assistência médica em oftalmologia de Goiânia, tais como o CEROF HC UFG, Fundação Banco de Olhos de Goiás (FUBOG) e Hospital Geral de Goiânia (HGG). Após avaliação dos casos, estes foram reencaminhados aos serviços de origem quando havia necessidade de intervenção cirúrgica, ou adequadamente acompanhados por nossa equipe de profissionais. Ainda, após a intervenção cirúrgica estes pacientes retornavam ao nosso serviço para acompanhamento pós-operatório. Os exames foram executados para diagnóstico, a fim de traçar a conduta dos casos e para acompanhamento pós-operatório. 845

Primeiramente foi realizada a anamnese. Em seguida era medida a acuidade visual com e sem correção óptica numa tabela de optotipos de snellen colocada a 6,0m de distância do paciente. A fixação monocular era avaliada com auxílio de uma lanterna, bem como a fixação binocular. Feita a avaliação das duções e versões oculares também com auxílio de uma lanterna. Finalmente era realizado o teste de cover e uncover, cover alternado, prisma e cover alternado e prisma e cover simutâneo. Para a realização dos testes de prisma eram utilizadas réguas de prismas verticais e horizontais, caixa de prismas e pá de cover. Estes últimos testes eram realizados não somente na posição primária do olhar, mas também nas outras oito posições diagnósticas conforme descrito por autores como Díaz & Dias (2002), Souza-Dias & Almeida (1993), Barbosa (1997) e Almeida & Curi (1997). Resultados e Discussão Duzentos e setenta e três pacientes foram atendidos no período de 4 de abril de 2004 a 20 de setembro de 2006. A amostragem era, portanto de pacientes previamente selecionados por profissionais de saúde e que tinham disponibilidade de acesso ao serviço de saúde em questão. Sendo uma amostra de conveniência. Além disso, esta é uma pesquisa de revisão de prontuários, retrospectiva. A tabela 1 apresenta os principais diagnósticos quanto ao tipo de estrabismo encontrado. Tabela 1. Tipo de estrabismo ou disfunção muscular Número de casos Percentual * ocular extrínseca encontrada 846

Esotropia congênita Exotropia Esotropia infantil Ortotropia ou ortoforia Esotropia parcial ou totalmente acomodativa Insuficiência de convergência Exotropia secundária Esotropia consecutiva ou residual Disfunção de oblíquos Esotropia secundária Nistagmo Síndrome de Duane Exotropia consecutiva ou residual Desvio Vertical Dissociado Paralisia de nervo craniano Síndrome de Brown 176 45 28 25 17 15 11 9 8 7 7 7 5 5 5 1 64,5% 16,5% 10,2% 9,2% 6,2% 5,4% 4,0% 3,2% 2,9% 2,5% 2,5% 2,5% 1,8% 1,8% 1,8% 0,4% o total não perfaz 273 porque um mesmo indivíduo pode ter mais de um diagnóstico. * o total não perfaz 100% porque um mesmo indivíduo pode ter mais de um diagnóstico. Podemos observar que nosso serviço foi procurado em maior número por indivíduos portadores de esotropia de todos os tipos (237 indivíduos, 87% de 273 indivíduos), em seguida exotropia (61 indivíduos, 24% de 273 indivíduos) e finalmente ortotrópicos (25 indivíduos, 9% de 273 indivíduos). Dentro dos tipos de esotropia, a congênita foi a mais comum o que pode implicar em fatores genéticos que levam a ocorrência desta patologia. Dentro das exotropias observamos que aquelas ditas essenciais, sem causa definida, foram mais comuns. E ainda foi significativo o número de indivíduos que devem ter acreditado possuírem algum desvio ocular para procurar nosso serviço. A tabela 2 apresenta os principais diagnósticos quanto ao tipo de ambliopia encontrada. Tabela 2. Tipo de ambliopia Número de casos Percentual * Ambliopia estrabísmica Ambliopia ex-anopsia Ambliopia anisometrópica 66 4 4 90% 5% 5% 847

o total não perfaz 273 porque nem todos os indivíduos tinham alteração da acuidade visual e nem esta pode ser medida em alguns pacientes muito jovens. * 100% consiste no número total de indivíduos com ambliopia de qualquer tipo detectada. Aqui observamos que os indivíduos devem estar chegando ao serviço tardiamente encaminhados, pois já apresentam ambliopia estrabísmica na maioria das ambliopias detectadas (66 indivíduos, 90% de 74 indivíduos). Esta forma de ambliopia é aquela que primeiramente procuramos com a atuação do serviço erradicar, pois se for detectada precocemente será passível de correção. A tabela 3 apresenta as condutas tomadas nos casos avaliados. Tabela 3. Conduta Número de casos Percentual * Cirurgia Alta Oclusão Exercícios ortópticos 114 97 48 14 42% 35% 18% 5% o total perfaz 81 indivíduos. * 100% consiste no número total de 81 indivíduos. A maioria dos nossos pacientes foi encaminhada para a cirurgia. Isto indica que sua doença é passível de correção adequada, se for adequadamente avaliada para que o médico cirurgião oftalmologista possa realizar o planejamento cirúrgico adequado para cada caso. Observamos que o número de altas era superior ao de pacientes com ortotropia ou ortoforia o que indica que alterações ligeiras ou pequenas na motilidade ocular extrínseca, que mesmo sendo classificadas como doença, muitas vezes não precisavam de qualquer tratamento pela pouca repercussão de suas entidades nosológicas. Conclusões Nosso serviço de ortóptica presta um relevante papel assistencial à população goiana e em especial à goianiense. A procura do serviço tem crescido de forma exponencial desde sua implantação. Na amostra avaliada a maior parte dos desvios oculares era do tipo esotropia, em particular a forma congênita. É nosso papel e dever como profissionais de saúde atentar para a prevenção da cegueira em nosso meio através do tratamento precoce da ambliopia estrabísmica. 848

Ainda houve necessidade de correção cirúrgica numa parcela significativa de casos. Queremos salientar que a correção cirúrgica tardia dos casos de estrabismo apesar de não melhorar e nem corrigir a ambliopia estrabísmica é muito importante para recuperar a autoestima dos pacientes acometidos que passam a apresentar uma cosmese mais adequada, inserindo-se na sociedade ou resgatando seu papel na sociedade. Referências Bibliográficas Souza-Dias, C. R. 1999. Estrabismo. Editora Cultura Médica. Rio de Janeiro. Rezende, L. A. 2004. Fisioterapia ocular no estrabismo. Trabalho final de curso. ESEFFEGO. UEG, Goiânia. Almeida, H. C. & Curi, R. 1997. Manual de Estrabismo. Rio de Janeiro. Barbosa, P. H. 1997. Estrabismo. Editora Cultura Médica. Rio de Janeiro. Díaz. J. P. & Dias, C. S. 2002. Estrabismo. Editora Santos. São Paulo. Souza-Dias, C. R. & Almeida, H. C. 1993. Estrabismo. Roca. São Paulo. 849