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Transcrição:

MODERNISMO NO BRASIL

Referências históricas Início do século XX. O burguês comportado, tranqüilo, contando seu lucro. Capitalismo monetário. Industrialização e Neocolonialismo. Reivindicações de massa. Greves e turbulências sociais. Socialismo ameaça. Progresso científico: eletricidade. Motor a combustão: automóvel e avião. Concreto armado: arranha-céu. Telefone, telégrafo. Mundo da máquina, da informação, da velocidade. Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa. Abolir todas as regras. O passado é responsável. O passado, sem perfil, impessoal. Eliminar o passado. Arte Moderna. Inquietação. Nada de modelos a seguir. Recomeçar. Rever. Reeducar. Chocar. Buscar o novo: multiplicidade e velocidade, originalidade e incompreensão, autenticidade e novidade. Vanguarda - estar à frente, repudiar o passado e sua arte. Abaixo o padrão cultural vigente.

Primeira fase Modernista no Brasil (1922-1930) Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida efêmera. Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (RJ) para fundação do Partido Comunista do Brasil. Ainda no campo da política, surge em 1926 o Partido Democrático que teve entre seus fundadores Mário de Andrade. É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor.

Características Busca do moderno, original e polêmico Nacionalismo em suas múltiplas facetas Volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro Língua brasileira - falada pelo povo nas ruas Paródias - tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras A postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes: Nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas. Nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.

SEMANA DE 22 A Semana de Arte Moderna de 22, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, contou com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos. Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade com "a perfeita demonstração do que há em nosso meio em escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual", como informava o Correio Paulistano a 29 de janeiro de 1922. A produção de uma arte brasileira, afinada com as tendências vanguardistas da Europa, sem, contudo perder o caráter nacional era uma das grandes aspirações que a Semana tinha em divulgar. Os jovens modernistas da Semana negavam, antes de mais nada, o academicismo nas artes. A essa altura, estavam já influenciados esteticamente por tendências e movimentos como o Cubismo, o Expressionismo e diversas ramificações pós-impressionistas.

Principais Articuladores Na Literatura: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida e Sergio Millet, Monteiro Lobato. Nas Artes: Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsilla do Amaral e Ismael Nery.

Curiosidade Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo Cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época. Monteiro Lobato não poupou críticas à pintora, contudo, este episódio serviu como incentivo para a realização da Semana de Arte Moderna. No artigo publicado, Monteiro Lobato, preso a princípios estéticos conservadores, afirma que todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude. Mas Monteiro Lobato vai mais longe ao criticar os novos movimentos artísticos. Assim, escreve que quando as sensações do mundo externo transformaram-se em impressões cerebrais, nós sentimos ; para que sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso ou que a harmonia do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em pane por virtude de alguma grave lesão. Enquanto a percepção sensorial se fizer normalmente no homem, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá sentir senão um gato, e é falsa a interpretação que do bichano fizer um totó, um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes.

DI CAVALCANTI DESENHO NA CAPA DO CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO DE SAMANA DE ARTE DE 1922

DI CAVALCANTI PIERROT,1924 ÓLEO S/ TELA 30X22 CM

TARSILA DO AMARAL RETRATO DE OSWALD DE ANDRADE,1922 ÓLEO S/ TELA 61X42CM

AUTO RETRATO,1923 ÓLEO S/ TELA

VICTOR BRECHERET(1894-1955) A BAILARINA, 1920 TOCADOR DE GUITARRA, 1923 BRONZE, 38CM BRONZE, 75CM

LASAR SEGALL MENINO COM LAGARTIXA,1924 DUAS AMIGAS, 1913 ÓLEO S/ TELA 98X61 CM ÓLEO S/ TELA, 85X97 CM

ANITA MALFATTI MULHER DE CABELOS VERDES, 1915 O HOMEM AMARELO, 1915 ÓLEO S/ TELA 61X51 CM ÓLEO S/ TELA 61 X 51 CM

MOVIMENTO PAU BRASIL(1924-30) Manifesto Pau-Brasil: escrito por Oswald de Andrade, publicado no jornal Correio da Manhã, em 18 de março de 1924, apresentou uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira e às características culturais do povo brasileiro, com a intenção de causar um sentimento nacionalista, uma retomada de consciência nacional. O movimento Pau-Brasil defendia a criação de uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural e na aceitação e valorização das riquezas e contrastes da realidade e da cultura brasileira.

TARSILA A FEIRA, 1924 ÓLEO S/ TELA - ESTRADA DE FERRO CENTRAL DO BRASIL,1924 ÓLEO S/ TELA 142X126 CM

Verde-Amarelismo ou Escola da Anta (1926-1929) Verde-Amarelismo: este movimento surgiu como resposta ao nacionalismo afrancesado do Pau-Brasil, em 1926, apresentado, principalmente, por Oswald de Andrade, liderado por Plínio Salgado. O principal objetivo era o de propor um nacionalismo puro, primitivo, sem qualquer tipo de influência. Anta: parte do movimento Verde-Amarelismo, representa a proposta do nacionalismo primitivo elegendo como símbolo nacional a anta, além de vangloriar a língua indígena tupi.

ANTROPOFAGISMO A Antropofagia, a exemplo dos rituais antropofágicos dos índios brasileiros, nos quais eles devoram seus inimigos para lhes extrair força, Oswald propõe a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural. O Antropofagismo foi caracterizado pela assimilação ( deglutição ) crítica das vanguardas e culturas européias, com o fim de recriá-las, tendo em vista o redescobrimento do Brasil em sua autenticidade primitiva. Sua origem se dá a partir de uma tela feita por Tarsila do Amaral, em janeiro de 1928, batizada de Abaporu ( aba= homem e poru = que come).

TARSILA ABAPURU, 1928 ÓLEO S/ TELA 85X37CM ANTROPOFAGIA,1929 ÓLEO S/ TELA 126X142 CM

A Semana, na verdade, foi a explosão de idéias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX. Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela platéia através de muitas vaias e gritos. Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas idéias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.

DÉCADA DE 30 A 2 ª fase do modernismo, dita fase social, ocorre num clima de grande efervescência no plano político e econômico. A ascensão de Getúlio Vargas em 1930, dá fim ao liberalismo econômico e político interferindo na economia do país. Essa política junto com a depressão de 1929 e a 2 ª guerra mundial, favorecem o desenvolvimento industrial, urbano e a instalação de uma estrutura cultural nova, marcada por grande numero da adeptos do modernismo, e de diversificação de tendências em busca da interação da arte com a imediata realidade física, humana e social do país. No campo das artes, a expressão ligada aos estímulos do meio ganha força sob influencias da arte mural mexicana, da busca do social, das ideologias de esquerda e direita inspiradas no social.

Nesse contexto acontece o Salão Revolucionário de 1931, com Portinari com porta-voz dessa nova visão de Brasil e dos brasileiros, representando uma arte engajada e prestigiada nos meios oficiais. Paralelamente a essa arte destacam-se o NÚCEO BERNADELLI, A SPAM, o CAM, O GRUPO SANTA HELENA, A FAMÍLIA ARTÍSTICA PAULISTA e o SALÃO DE MAIO. O poder publico desse período concretiza algumas iniciativas na área cultural que a partir de propostas de Mário de Andrade, cria o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo ( DMCSP) em 1935 e um ano após o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( SPHAN). Cresce também a atividade crítica da arte, onde se destacam Mário de Andrade, Manoel Bandeira, Mário Pedrosa entre outros que, com base autodidata em revistas, jornais e alguns livros, defendem a crítica das obras com necessária para que alcancem o grande público.

LíVIO ABRAMO(1903-92) Por motivo de ordem econômica abandona o curso de arquitetura para ser jornalista profissional e iniciou-se na arte como autodidata. A principio pintou anúncios de rua e cenários teatrais. Influenciado por exposições de expressionistas nos anos 20 e pela admiração que já tinha por vinhetas gravadas, afirmou-se como gravador. Sua opção inicial foi pela xilogravura, mais tarde, em experiências em litografia. Junto com Goeldi e Segall, Abramo representa o núcleo da gravura moderna no Brasil. Na década de 30 seu trabalho esta estritamente ligado ao tema social.

OS OPERÁRIOS, 1935 XILOGRAVURA S/ PAPEL

SALÃO DE 1931 A XXXVIII Exposição Geral de Belas Artes foi reestruturada por Lúcio Costa e teve Anilta Malfati, Celso Antônio, Portinari e Manuel Bandeira também integrando a comissão organizadora. Destinado a permanecer único em experiência de abertura a todos os envios, o Salão de 31, serviu à propagação das vanguardas no Rio e sua irradiação pelo país. Servindo de marco para conscientização de uma realidade artística. A exposição reunia uma ala quase completa de modernos: Anita, Brecheret, Di Cavalcanti, Segall, Tarsila, Gomide, Ismael Nery, Celso Antônio, Cícero Dias e Portinari diante de um setor acadêmico desfalcado pelo boicote de suas principais vedetes. Dispostos em salas separadas dos modernos, os acadêmicos, alunos e professores da ENBA predominavam.

PORTINARI De volta ao Brasil, após ter permanecido dois anos em Paris por ter conquistado o prêmio do Salão Nacional de 1928, é convidado a participar do Salão Revolucionário de 31. Concentra-se no homem, nos problemas sociais, na tentativa de exprimir a terra brasileira. Em 1934 pinta o Café, onde o artista, onde o artista mostra a importância da cultura cafeeira para a economia brasileira. É a partir dessa obra que ele começa a retratar os morros e as favelas cariocas. Portinari busca nas tradições populares a fonte de sua criatividade, com o objetivo de uma tomada de consciência nacional.

Café,1935 óleo/tela - 130 x 195cm

TARSILA Na década de30, Tarsila passa por diversas dificuldades, mas apesar disso faz algumas viagens, visita a União Soviética, onde vende um de seus quadros para o Museu de Arte Moderna Ocidental. Em Paris simpatizante do socialismo, sensibiliza-se com os problemas da classe operária. Com seu retorno ao Brasil, participa de reuniões políticas, sendo com isso presa por um curto período. Em sua obra Operário e 2 ª Classe, ela mostra bem este momento, a chamada FASE SOCIAL. Representou questões sociais retratando pessoas tristes e oprimidas, a miséria, a dor e a desigualdade das raças.

OPERÁRIOS, 1933 ÓLEO S/ TELA -150X250CM

SEGALL Transforma sua arte em bandeira contra as violências da guerra, contra a perseguição aos judeus, contra a opressão e contra a miséria. Em geral seus trabalhos expressam sentimentos equilibrados e compassivos do mundo. Junto com artistas boêmios simbolizam para o expressionismo a fração da humanidade. Seu sentimento do mundo o afasta do cubismo. Isso será uma marca em seus desenhos, lembrará o abandono, pois as figuras encontram-se isoladas entre si. Para Segall aqueles que padecem são os únicos com chance de oferecer um padrão universal de justiça e igualdade.

NAVIO DOS IMIGRANTES,1939-41 ÓLEO S/ TELA 230X275 CM

DI CAVALCANTI Em a Realidade Brasileira, 1933 série de 12 desenhos, Di Cavalcanti faz a 1 ª manifestação escrita de um artista plástico nacional, sobre os problemas sociais e como a arte poderia ser usada na ajuda do problema políticosocial do homem. Em 1932, com Flávio de Carvalho, Antônio Gomide, Carlos Prado, funda o CAM.( CLUBE DOS ARTISTAS MODERNOS) Na sua obra, interessa-se pelas mulatas, onde denuncia dupla opressão da mulher da favela. Pinta figuras de uma monumentalidade heróica. Da ênfase ao erotismo avivado de luz, lições de Matisse. Di lança ao rosto da burguesia a valorização do mestiço e do nativo.

Mulheres com Frutas,. 1935 Familia na Praia. - 1932 óleo sobe tela - 100 x 86 cm óleo sobe tela - 60 x 100 cm

ISMAEL NERY Em 1930 o artista não pode mais lidar com as tintas, pois estava tuberculoso, dedicando-se ao desenho, criando assim obras que refletem a tragédia de sua vida. FIGURA,1927-28 ÓLEO S/ TELA 105X69,2 CM

NUCLEO BERNADELLI Fundado no Rio de Janeiro em 1931 Movimento Livre de Arte Moderna liderado por Edson Motta e que faziam parte : Milton Dacosta, José Pancetti, Ado Malagoli, Bustamante de Sá, entre outros. O grupo é formado para mudar os princípios tradicionais que predominavam o ensino da arte, em especial na Escola Nacional de Belas Artes, que seguia os padrões da Missão Artística Francesa. O nome se dá em homenagem aos irmãos Rodolfo e Henrique Bernadelli, ao qual contribuíram para renovação da arte brasileira. O núcleo como atelier livre nos porões da ENBA, com condições precárias, eqüivalendo-se a pobreza de seus mentores. Reuniam-se à noite para o desenho com modelo vivo e saíam nos fins de semana para o desenho do quadro composto. Com influência expressionista, os temas mais usados foram as paisagens e a figura humana. O núcleo Bernadelli adquire um sentido para o desenvolvimento da arte no Brasil na década de 30.

MILTON DA COSTA(1915-88) Freqüentou a ENBA e as reuniões do Núcleo Bernadelli. Em 1933 começa a expor. Teve fases sucessivas entre o figurativo e o abstrato. Seus primeiros quadros tinham cunho naturalista. A representação sintética da natureza em tons sombrios são substituídos por pinceladas estampadas e tons luminosos, dando cor as formas geométricas, atenuadas pelos contornos imprecisos. Utilizava-se de esquemas corpóreos livres, nos deixando uma rica série de figuras humanas. Em 1939 libertase do grupo adquirindo estilo próprio.

RODA,1942 ÓLEO S/ TELA

JOSÉ PANCETTI(1904/58) Em 1933, liga-se ao Núcleo Bernadelli e recebe orientação de Manuel Santiago, Edson Motta e principalmente do pintor Bruno Lechowsky. Será de sua experiência de marinheiro e sua convivência no mar que irá tirar os principais temas de sua pintura. Com o grupo seus quadros adquirem grande força expressiva, suas marinhas revelam sensibilidade aguçada e refinamento estético.

FIGURAS A BEIRA MAR, 1946 ÓLEO S/ TELA 33X41CM

SPAM- SOCIEDADE PRÓ-ARTE MODERNA Tem sua existência em SP de janeiro de 1932 à março de 1934 e reunia muitas das figuras do 1 º modernismo. Desejavam criar um ambiente propicio aos artistas e cultivar o ato local da alta classe patrocinar a arte. Organizavam bailes carnavalescos, exposições coletivas e outros eventos. A 1 ª exposição em abril/maio de 1933, contou com pinturas e esculturas de artistas da escola de Paris, e obras de membros da SPAM com Anita, Brecheret, Segall, Tarsila, Gomide, John Graz... A 2 ª em fevereiro de 34, era dedicada a artistas modernos do Rio, numa tentativa de aproximação dos movimentos artísticos das duas capitais : Di Cavalcanti, Ismael Nery, Guignard, Portinari, Orlando Teruz, Bruno Lechowisky e o pintor primitivo Cardoso Jr. Cisões internas acabaram a sociedade desde os fins de 1933, quando Segall demitiu-se da comissão executiva. Adeptos do integralismo pertencentes à sociedade paulistana, descriminavam brasileiros, estrangeiros e especialmente judeus, levando a organização a agremiação a uma situação moral insustentável e a sua própria extensão.

GRUPO SANTA HELENA Acontece por volta de 1935/36, com um grupo de artistas de classe modesta que reuniam-se nos escritórios do palacete Santa Helena, onde trabalhavam profissionais liberais. Descendia, na sua maioria de imigrantes italianos. Suas condições financeiras batia de frente com os demais modernistas dos anos 20. Diferenciavam-se principalmente por serem autodidatas ou ex-alunos do Liceu de Artes e Ofícios. Estavam distanciados dos intelectuais de vanguarda, mas também longe do academismo, criando um espaço próprio na modernidade brasileira. Suas obras refletiam a classe social a que pertenciam demonstrando seu proletarismo. Representam paisagens humildes, naturezas mortas, figura humana popular e temas religiosos, onde definiram limitações de suas vidas.

Alfredo VOLPI(1896-1988) Italiano, veio para o Brasil em 1898. A principio pintor de paredes, começou arte como autodidata. Não gostava de falar sobre seu trabalho nem admitia influências. Dizia que seu processo criativa partia da intuição. Em 1935 junta-se ao grupo Santa Helena. Sua 1 ª s obras retratam motivos populares e paisagens, pouco à pouco geometrizando as composições. Passa a expor regularmente em mostras coletivas, resultando, a partir de 37, a fundação da FAP ( grupo que se opunha à expressão artística da época).

FACHADA COM BANDEIRINHAS,1950 TÊMPERA S/ TELA73X116CM

ANTÔNIO GOMIDE(1895-1967) Em 1928, após 16 anos quase todos passados no exterior, Gomide retorna definitivamente ao meio de origem, onde sua linguagem será crescentemente alterada pelos estímulos locais, sobretudo pelos de conteúdo popular. Nos anos 30, voltou-se para temas populares e derivados de ritmos afro-brasileiros. Em 1932 participou da SPAM em SP, executando painéis decorativos de grandes dimensões. Além da tela executa afrescos, cartões para vitrais. Suas figuras são ligadas a temas tipicamente brasileiros.

REBOLO GONSALES(1902/80) Era decorador de paredes da burguesia de São Paulo e tinha interesse especial pela pintura. Fugia aos modismos e regras rígidas de arte. Suas pinturas são estritamente figurativas, mostrando seu interesse pelo homem e seu meio. Dizia não acreditar no abstracionismo, por lhe faltar conteúdo humano, como não acredito na arte depurada de qualquer realidade. Pintou principalmente os bairros de SP, que hoje constituem um documento importante da cidade da década de 30. Fez parte também da Família Artística Paulista.

Cena Rural 34 x 47 cm Óleo sobre madeira

MARIO ZANINI(1907/81) Em 1933 trabalha em pintura de interiores com Rebolo. Em 35 muda-se para o Palacete Santa Helena. De 1930 à 1940 suas pinturas sofrem influência da pintura de Cèzanne. Pintou naturezas mortas e a figura humana, dando ênfase a paisagem, registrando cenas urbanas e suburbanas. Além de pintor, foi também desenhista, gravador e professor.

MENINO COM CABRAS, S/D ÓLEO S/ EUCATEX 28X33CM