PROCESSO N* 13.583 ACÓRDÃO



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Transcrição:

12 TRIBUNAL MARÍTIMO PROCESSO N* 13.583 ACÓRDÃO L/M ETC-H. Água aberta, naufrágio, perda total; sem vitimas; ação do mar tendo em vista a utilização da embarcação em área para qual não estava classificada, como também apresentando precárias condições de conservação de casco. Condenação. Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. Trata-se de apreciar o naufrágio da lancha "ETC-II ocorrido no dia 05/06/88, cerca das 13:30h. ao norte do Portocel distante da costa do litoral do Espírito Santo, cerca de uma milha e meia. Nào houve vítimas, somente danos materiais. Consta dos autos que estando na posição Lat. I99 48 00" S e Long. 040 00' W, a contrabordo do rebocador SEA OIL GRACE *, naufragou a lancha ETC-II, classificação G-2-a, tie armação de Engenharia Transportes Comercio ETC S/A. A Embarcação era empregada na faixa de amarração e desamarração de navios, no quadro de bóias do Terminal de l-agos Parda, da Pctrobrás distrito de Regência Linhares ES. Após participar da faina de desamarração do N/T CARAVELAS, cerca das 11::00h. a lancha ETC-H, juntamente com o rebocador SEA OIL GRACE, iniciaram a viagem de regresso para Portoccl. Segundo depoimento dos tripulantes da lancha ETC-H, na ocasião o mar se apresentava revolto com fortes vagas c, muito vento. A lancha ETC-II construída para navegar cm interior de porto, com porões de 2.5m dc largura por 4,5m dc comprimento fechados por tábuas dispostas lado a lado. com pequenas frestas entre elas. foi alagada por sucessivas vagas de mar. sem que a bomba de esgoto desse conta, advindo a paralisação do funcionamento do motor c da bomba do esgoto quando cobertos pela água do mar. Apesar de a tentativa de salvamento leita pelo rebocador SEA O il, GRACE, a lancha veio a afunda por volta das I3:05h. conforme Termo de Socorro, emitido por aquele rebocador ás lis 15/17. Do naufrágio resultou a perda total da embarcação sendo os seus 3 (três) tripulantes resgatados pelo RB SEA OILGRACE. A L/M ETC-H estava sobocom andodo Arrais José Alberto Martins c o RB SEA OIL GR ACE sob o comando de Pedro Mendes Cassimiro Filho. Josc Alberto Martins. Mestre da lancha ETC-II. disse que as duas bombas existentes a bordo não davam va/ão à água que entrava por cima do convcs, daí ter solicitado socorro via-rádio ao Rebocador SEA OIL GRACE que navegava nas proximidades; que sendo atendido, foi passado o cabo de reboque na lancha; que após uma hora de viagem a lancha afundou totalmente; que nào observou qualquer anormalidade com a lancha; que não sabia qual o motivo da lancha ETC-II. estar trafegando fora dos limites para a qual a mesma estava classificada. Pedro Mendes Cassimiro Hlho. Mestre do Rebocador SEA OIL GRACE, cont inuou que o tempo estava ruim e que atendendo at) pedido de socorro da ETC-H, passou o cabo e iniciou reboque da referida lancha; que quin/e minutos após iniciada a operação, o mestre da ETC-II comunicou que a bomba de esgoto sobressalente havia dado o fora e o rádio VHP trinta minutos depois, quando então os tripulantes da lancha avisaram que a embarcação não tinha mais condições de navegar; que fora

ANUÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 13 providenciada a transferência desses tripulantes e seus pertences para bordo do rebocador; que prosseguiu o reboque porem bem lentamente, devido a lancha estar totalmente alagada; que meia hora depois a lancha afundou. Esclareceu que devido as condições do tempo não foi possível fazer uma vistoria para verificar as condições de navegabilidade da lancha antes de iniciar o reboque; que a lancha possuia material de salvatagem. Finalmente, declarou que por ocasião da manobra de reboque o encarregado de manobras da Petrobrás, Sr. Sérgio, o eximiu de responsabilidades, visto as condições precárias da lancha. Sergio da Siqueira Albuquerque, disse que cm ocasião anteriores, a lancha já apresentara problemas de alagamento no porão da máquina e que durante a manobra do navio o tempo estava bom, favorável para a abordagem da lancha ao rebocar: que no entanto, quando da desamarração, as condições de tempo mudaram drasticamente, com ventos vindo da direção SSW 25 nós de intensidade c mar com vagas de 2m de altura; foi quando os problemas de estanqueidade com a lancha começaram a aparecer, pois ate então a mesma operava cm perfeitas condições. Quanto à ETC-U, classificada para interior do porto, estar operando em mar aberto disse que a mesma fora despachada coni a finalidade de viajar de Portocel ao quadro de bóias e realizar as fainas com navios, o que fazia acreditar que a Capitania dos Portos local tinha pleno conhecimento desta operação; disse que nào alertou aos seus superiores que a lancha ETC-H estava classificada tão somente para navegar cm interior de porto porque em outras fainas contratadas, todas as em barcações de apoio eram da mesma classificação c despachadas normal* mente para atendim ento a navios no terminal da Lagoa Parda com anuência da Capitania local. Finalmente declara que desde o início do contrato fez vera Empresa proprietária Engenharia Transporte e Comércio S/A. que a lancha ETC-U por possuir casco de madeira não era apropriada para o tipo de serviço para a qual estava sendo contratada, principalmente quando cni condições adversas de mar. Autode Exame Pericial indireto limitou-se a relatar o acidente conforme descrito pelos tripulantes, que atribuíram como causa determinante do mesmo o mau tempo enfrentado pela embarcação resultando no seu alagamento, sem que as bombas de esgotos dessem vazão, conseqüentemente a paralisação do motor quando coberto pela água do mar. Daí advindo o naufrágio e a perda total da embarcação. Documentação da lancha ETC -ll com vistorias em dia e outros de praxe acostados aos autos. O Encarregado do Inquérito concluiu que o fator material contribuiu para o acidente cm questão, uma vez que a embarcação naufragada estava apta apenas a navegar em águas interiores, devendo ser empregada no transporte de passageiros e carga de acordo com sua classificação G-2-a, no entanto, estava navegando cm mar aberto, sendo empregada em serviço para o qual não estava capacitada. As condições de estanqueidade da embarcação também eram precárias, uma vez que o porão da embarcação estava fechado por tábuas dispostas lado a lado com pequenas frestas (conforme Laudo Pericial de lis.). Contribuiu também o fator operacional pelo fato de o Mestre da embarcação José Martins e o Encarregado de Manobras da Petrobrás Sr. Sergio da Siqueira Albuquerque, utilizarem a embarcação fora dos limites de navegação permitidos e cm serviço para a qual não estava capacitada demonstrando a

14 TRIBUNAL MARÍTIMO im prudência de ambos no desem penho das suas atividades. Finalmente, apontou com o possível responsável direto pelo acidente o Arrais José Alberto M artins. M estre da L/M **ETC-II*\ por navegar fora dos limites permitidos, além dc empregar a embarcação em serviço para a qual não estava autorizada. Como possíveis responsáveis indiretos: O Encarregado da Petrobrás Sr. Sérgio da Siqueira Albuquerque por perm itir que a L/M ETC-II" fosse utilizada cm um serviço para o qual, como ele mesmo já havia constatado, não estava capacitada, conform e declarado em seu depoimento às fls. 61/62 c a Petrobrás - Petróleo B rasileiro S/A por perm itir que uma embarcação sem as devidas condições lhe prestassem serviço, ainda que. por duas vezes anteriores, a embarcação havia apresentado problemas semelhantes, porém dc menor intensidade, sendo tal falo registrado nos relatórios de amarração, conforme declarado pelo próprio encarregado de manutenção da Petrobrás em seu depoimento às lis. 61/62v. Notificados, os indiciados ofereceram defesas previas de fls. O Arrais José Alberto M artins, em sua defesa prévia, alega. eni síntese, que somente era um executor de ordens emanadas pelo representante da Petrobrás; que a lancha ETCi r já havia apresentado problemas anteriormente, sem que fossem tomadas providências pela Capitania dos Portos, Petrobrás e pela armadora da embarcação; que a em barcação estava operando fora dos seus limites dc navegação c que também cabia a Capitania dos Portos coibir as manobras, e paralelamente a Petrobrás, conform e contrato. Finalmente, alega que o mar sc encontrava bastante revolto, o que também propiciou o naufrágio da referida embarcação. O Encarregado da Petrobrás Sérgio Siqueira Albuquerque, por sua vez. alega que inúmeras vezes admoestara a Empresa proprietária da lancha sinistrada, mas aquela, sempre se dissera autorizada pelo órgão competente para prestar os serviços contratados, apresentando inclusive declaração à Petrobrás que a lancha ETC-II estava autorizada pela Capitania dos Portos de Vistória-ES para prestar serviços de am arração dc navios, transportes de passageiros, no porto de Barra do Riacho e Terminal de Lagoa Parda, Regência-ES. A Petrobrás, em sua defesa prévia, alega que não contratou a lancha ETC-II e sim embarcação fornecida pela Engenharia, Transportes e Comércio E TC S/A, para apoio aos serviços que. na forma da legislação em vigor, atendesse ao objeto contratado, ou seja, amarração e desamarração de petroleiros no Quadro de Bóias do Terminal de Regência. Que a contratada apresentou declaração que a lancha ETC-II ' eslava autorizada pela Capitania dos Portos de Vitória-ES para prestar tal serviço. Alega, ainda, que a embarcação procedente do Rio de Janeiro, singrou nada mais nada menos que os mares do Estado do Rio de Janeiro, atingindo a metade do Espírito Santo, na to/ do rio Doce. Finalmente, alega que considerando ler a lancha ETC-II prestado serviço da data da assinatura do contrato até o dia de seu naufrágio, é de sc supor, também, que. sc não houve qualquer ad\ crtência doórgao liscali/adorcompetente e x>rquc nao hav ia qualquer irregularidade a ser reparada. A Douta Procuradoria, após diligências, olcrcccu representaçao cm lace dc Engenharia Transporte Comerc lo F. I C S/A e Petróleo Brasileiro S/A com tulcro no Art 14 alínea a (Naufrágio )) Alt. 15 alínea a", (impropriedade da embarcação para o serviço cm que era ulili/ada) e letra e" do mesmo Artigo!5 (todos os

ANUÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 15 falos...) ambos da Lei N* 2180/54, por entender que as representadas são responsáveis pelo naufrágio da em barcação, que navegava em atividade nüo autorizada e fora de seus lim ites de navegação, consequentem ente pondo cm risco a própria lancha, as vidas c fazendas de bordo. Assim, fundamentou por imprudência, negligência e imperícia somado ao dolo de Falsidade Ideológica" por parte da I* representada c negligência e imperícia da 2 - representada. Recebida a representação, citadas, as representadas foram defendidas por Advogados constituídos. Defesas de fls e fls. Provas foram produzidas na fase instrutória. pelas partes. Em alegações finais Procuradoria e Petróleo Brasileiro S/A. manifestaramsc. ratificando suas peças iniciais. Examinados os presentes autos, verifica-se que as representadas não conseguiram destruirás acusações de que as mesmas foram imprudentes, imperitas c negligentes. A I- representada, na qualidade de proprietária e armadora da embarcação sinistrada, permitiu que a mesma atuasse em atividade para a qual não estava autori/ada (fls. 109) e fora dos limites de navegação para a qual estava classificada, conseqüentemente, pondo em risco a própria embarcação, as vidas c fazendas de bordo, fatores contribuintes para o acidente, acrescido do fato do mau estado da embarcação que. segundo testemunhas, já apresentara problemas de alagamento antes dessa última viagem. A 2- representada tambémi não obteve sucesso em sua defesa pois a cláusula 9a do contrato firmado entre os representados (lis. 41/57) diz que a 2- representada se obrigava a fiscalizaras operações desenvolvidas pela I - representada, inclusive recusar o emprego de equipamentos ou ferramentas impróprias ou inadequadas (clausula 9* itens 9.1.4). O próprio chefe de manutenção da Petrobrás, em seu depoimento às lis. 62, in fine, declara conhecedor da impropriedade daquela embarcação para o serviço, mesmo assim a 2* representada não invocou a cláusula 9? item 9.2 do referido contrato "sic - suspender os serviços em razão da impropriedade da embarcação, sustando assim os pagamentos à contratada, **ou seja, a I5 representada. Ressaltar-se ainda que qualquer observação deveria ser feita por escrito e não verbal, corno diz ter feito o representante da Petrobrás, em seu depoimento. Nào restam dúvidas de que os fatores acima, aliados ao mau tempo, sob o qual navegava a L/M "ETC-ir. foram causas preponderantes para o acidente em apreciação. Pelo exposto e considerando as provas testemunhais, auto de exame pericial e relatório do Encarregado do Inquérito: Considerando os documentos de lis. 2S. 4 1a 57. 113 e 109 dos presentes autos: Por tudo isto e por tudo o mais que dos autos consta, é de se julgar procedente a promoção da Douta Procuradoria, responsabilizando as representadas pelo acidente em apreciação. Deve-se esclarecer que no presente caso o fato o lato da navegação capitulado pela Douta Procuradoria em sua representação de fls. Artigo 15 letras "a" e "c*. da Lei n 2180/54. deve ser considerado como causa do acidente, portanto absorvido pelo Art. 14. letra a da mesma lei.

16 TRIBUNAL MARÍTIMO ACORDAM os Juizes do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto ã natureza e extensão do acidente: água aberta, naufrágio com perda total da embarcação, sem vítimas; b) quanto à causa determinante: ação do mar tendo cm vista a utilização da embarcação em área para a qual não estava calssificada, como também apresentando precárias condições de conservação de casco; c) decisão: julgar o acidente da navegação previsto no Artigo 14, letra a", da Lei 2180/54, como decorrente de imperícia e negligência de Engenharia Transportes Comércio ETC S/A c Pctrobrás - Petróleo Brasileiro S/A. condenando-os à pena de multa de CR$ 135.970,20 c CR$ 113.308,50, respectivamente. Custas, proporcionais na forma legal. P.C.R. Rio de Janeiro, RJ., cm 2 1de março de 19 9 1. EDSON FERRACCIÚ, Vice-Almirante (RRm) Juiz Presidente MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA PADILHA. Juíza-Rclalora.