Jogos não cooperativos

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Transcrição:

Jogos não cooperativos Sabino da Silva Porto Junior www.ppge.ufrgs.br/sabino Introdução Parlour games (xadrez, bridge, gamao, poker, etc) Game theory ou Teoria da decisao interativa (Aumann, 1987): situação de conflito e cooperação entre indivíduos racionais e inteligentes onde os objetivos são mais complexos do que simplesmente abater o oponentes. Ex: Firmas disputam mercados mas têm interesse em preços elevados. Interações estratégicas: ações individuais dependem essencialmente do que os outros indivíduos podem fazer. Objetivo: analisar a lógica dessas interações estratégicas. Sabino Porto Junior - 2005/3 1

História: John von Neumann e Oskar Morgenstern (1944) Theory of Games and Economic Behavior. Antecedentes na Economia: Cournot, 1838; Bertrand, 1883; Edgeworth, 1881; Von Stackelberg, 1930. Antecedentes na Matemática: Zermello, 1913; Borel, 1924; De Possel, 1936; Ville, 1938; von Neumann, 1928. Avancos: Nash, 1950a,b; 1951; 1953. John Harsanyi; Reinhard Selten; T. Schelling; Aumann; Shapley, Binmore. Tipo de jogos: Jogos não cooperativos: decisões dos jogadores são baseadas apenas em seu auto-interesse. Suposição: jogadores não podem construir compromissos legais (binding agreements) Compromissos (ameaças, acordos, promessas) não são ENFORCEABLE Pode ocorrer cooperação endógena Jogos cooperativos: Compromissos são totalmente bindings e enforceables Cooperação exógena Negociação sem atrito leva a acordo Grupos e coalizões (inclusive de todos os jogadores) Equidade e Justiça Sabino Porto Junior - 2005/3 2

Teoria dos jogos x Teoria da Decisão Generalização da teoria da decisão As expectativas dos agentes sobre as decisões dos agentes é endógena há incerteza estratégica: devo considerar as regras do jogo e o comportamento dos demais jogadores. Jogo com 2 pessoas onde uma delas é a natureza que usa um dispositivo aleatório para tomar decisão (Estado da Natureza). Incerteza apenas sobre os movimentos da natureza. crenças ou incertezas exógenas Ignoram as decisões dos outros ou as tratam como forcas de mercado impessoais. Equilíbrio em Jogos não cooperativos Cenário Racionalistico ou dedutivo (Osborne e Rubinstein, 1994); Introspectivo (Kreeps e F e T, 1991), Eductive (Binmore, 92) Jogador deduz como o outro irá se comportar a partir de racionalidade e conhecimento comum. Consequencialista Cenário holístico: outros aspectos determinam o equilíbrio: Fatos qualitativos: equidade, eficiência. Normas sociais e culturais. Ponto focal. Imitação e rotina Sabino Porto Junior - 2005/3 3

Cenário Evolutivo: O tempo compensa a racionalidade fraca Equilíbrio Extrapolativo: os jogadores fazem previsões por extrapolação a partir das observações passadas do jogo em situações interativas semelhantes com o mesmo oponente ou com oponente similar. Jogo é um modelo para explicar regularidades observadas quando tomadores de decisão interagem repetidas vezes no tempo. Modelar aprendizagem: regras de revisão continuadas e racionalidade limitada Autômatos passivos: selecionados em dinâmicas longas (Maynard Smith, 1982) cada jogador é uma sub-populacao de agentes similares e regras de mutação, selecao e reproducao eliminam os piores. Objetivo é encontrar steady states localmente estáveis das dinâmicas que dependem de eventos aleatórios e das condições iniciais Racionalidade Jogadores racionais: maximizam seu payoff dadas as suas crenças sobre o ambiente escolhas consistentes (reduz incerteza estratégica) Raciocínio mental em duas etapas: Racionalidade cognitiva: consistência entre informação e crença percebe a situação do jogo Racionalidade instrumental: inferir estratégias de crenças dadas. Sabino Porto Junior - 2005/3 4

Propriedades informacionais: Informação completa e perfeita:completa significa que é de conhecimento comum; Perfeita todo o passado é conhecido (propriedade estrutural do jogo) Informação completa e imperfeita: algumas jogadas são simultâneas ou alguns jogadores jogam no escuro. Jogos de informação Incompleta: os tipos dos jogadores não são de conhecimento comum Bibliografia Básica AXELROD, Robert. The evolution of cooperation. Harmondsworth: Peguin, 1990. BERGSTROM, Theodore & STARK, Oded. How altruism can prevail in a evolutionary environment. American Economic Review, v. 83, n. 2, may, 1993. BECKER, Gary S. Altruism, egoism, and genetic fitness: economics and sociobiology. Journal of Economic Literature. V. 14, n. 3, set. 1976. GIBBONS, r. Game Theory for Aplied Economists, Princenton, Princenton University Press, 1992. GOLIER, Christian. The economics of risk and time. MIT Press, London, 2001. HEAP, Shaun H. et al. The Theory of choice: a critical guide. Oxford, Blackwell, 1992. HIRSHLEIFER, Jack and RILEY, John G. The Analitics of Sabino Porto Junior - 2005/3 5

KREPS, D. A course in Microeconomic Theory. Cambridge: MIT Press. LEONARD, Robert J. Creating a context for game theory. History of Political Economy. Ed. Roy Weintraub. Annual Supplement v. 24, p. 29-76. MAS-COLLEL, A WHINSTON, M. D. E GREEN, J. Microeconomic Theory, Oxford University Press, 1995. MILGROW, Paul e ROBERTS, John. Economics, organization and management. Engewwod Cliffs: Prentice Hall, 1992. MYERSON, Roger B. Game Theory analysis of conflict. Havard University Press, 1991. OSBORNE, Martin J. & RUBINSTEIN, Ariel. A course in Game Theory. MIT press, 1999. RASMUSEN, Eric. Games & Information: an introduction to game theory. 3a edition, 2001. É Sabino Porto Junior - 2005/3 6