Semiologia Geriátrica Dr. Vitor Last Pintarelli vitorpintarelli@yahoo.com.br Curitiba, PR 23/09/09 Envelhecimento Populacional 2 1
Expectativa de vida do idoso (EUA) Est. saúde Esperança de vida (anos) Idade (anos) 70 75 80 85 90 95 Homens Saudável 18,0 14,2 10,8 7,9 5,8 4,3 Média 12,4 9,3 6,7 4,7 3,2 2,3 Frágil 6,7 4,9 3,3 2,2 1,5 1,0 Mulheres Saudável 21,3 17,0 13,0 9,6 6,8 4,8 Média 15,7 11,9 8,6 5,9 3,9 2,7 Frágil 9,5 6,8 4,6 2,9 1,8 1,7 3 O que é envelhecimento? Conjunto de mudanças morfofuncionais, que ocorrem após a maturação sexual, e que, progressivamente, comprometem a manutenção da homeostasia e a capacidade de adaptação ao estresse ambiental. Confort, A. 1979 4 2
O que é envelhecimento? É o que acontece com o organismo com o passar do tempo. Jeckel-Neto EA, Cunha GL. 2006 5 O que é envelhecimento? Fenômeno comum a todos os seres vivos Fase de todo um continuum que é a vida Limites imprecisos (ausência de marcadores biológicos objetivos) Senescência e senilidade 6 3
Por que envelhecemos? Poucas certezas, muitas teorias... Teorias genéticas: longevidade programada geneticamente; apoptose; fagocitose; telômeros Teorias neuroendócrinas: falência de processos regulatórios Teorias imunológicas: redução qualitativa e quantitativa da resposta imune 7 Fisiologia do envelhecimento Órgãos e tecidos sofrem alterações desiguais Envelhecimento não patológico proporciona redução da reserva funcional 120 anos: barreira biológica de sobrevida humana 8 4
Quem é idoso no Zimbábue? Expectativa de VIDA: 37 anos OMS 2008 9 Quem é idoso na Sardenha? Expectativa de vida na Itália, em 2007: Homens: 77,5 anos Mulheres: 83,5 anos Geral: 80,5 anos 22-100.000 (100 a.) OMS 2008 10 5
Quem é idoso no Brasil? Expectativa de vida em 2007: Homens: 68,8 anos Mulheres: 76,1 anos Geral: 72,4 anos OMS 2008 11 Gerontologia & Geriatria Cuidadores Serviço social Medicina: Geriatria Arquitetura e Engenharia Nutrição Gerontologia Psicologia Enfermagem Terapia ocupacional Fisioterapia Odontologia Fonoaudiologia 12 6
Envelhecimento e saúde Longevidade populacional: fator de risco para doenças crônico-degenerativas Transição epidemiológica Comorbidades e vida saudável em idades avançadas Qualidade de vida na velhice: funcionalidade 13 Declínio estimado em algumas funções (100% = 30 anos) % aos 60 % aos 80 V. de condução nervosa 96 88 Gasto metabólico basal 96 84 Índice cardíaco 82 70 Função renal 96 61 Fluxo plasmático renal 89 51 Capacidade vital pulmonar 80 58 14 7
Funcionalidade Atividades Básicas de Vida Diária (AVDs) Usar o banheiro sozinho Banho Alimentação Vestuário Deambular 15 Funcionalidade Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs): Uso do telefone Locomoção fora de casa Realização de compras Preparo da comida Trabalhos domésticos Administração de medicação Uso do dinheiro 16 8
Gigantes da Geriatria ( Is & Ds ) Imobilidade Incontinência Insuficiência cognitiva Iatrogenia Instabilidade e quedas Depressão Delirium Demência 17 Pacientes idosos podem apresentar múltiplos problemas interagindo entre si; Reconhecer esses problemas e suas interações (o paciente como um TODO); Identificar problemas atuais e potenciais. 18 9
Características da AGA Multidimensional, freqüentemente interdisciplinar; Determina as deficiências, incapacidades e desvantagens apresentadas pelo idoso, para o planejamento do cuidado e o acompanhamento a longo-prazo. Enfatiza a avaliação da capacidade funcional e da qualidade de vida e baseia-se em escalas e testes quantitativos. 19 Anamnese, exame físico, exames complementares; Funções cognitivas; Humor; Capacidade funcional; Estado nutricional; Equilíbrio e marcha; Risco de quedas; Déficits sensoriais; Avaliação ambiental e sócio-familiar. 20 10
Existem diversos protocolos Adaptações são feitas de acordo com o local e as circunstâncias de trabalho Emprega diferentes testes, escalas e instrumentos de avaliação Resultados devem ser contextualizados dentro da visão global do paciente 21 Cognição Instrumentos e Escalas Mini exame do estado mental (mini-mental) Fluência verbal Teste do desenho do relógio Inventário neuro-psiquiátrico Clinical Dementia Rating (CDR) 22 11
Avaliação Cognitiva Mini-exame do estado mental Folstein et al. 1975 Dependente de escolaridade; Falsos positivos e falsos negativos; Déficits sensoriais dificultam avaliação. 23 Avaliação Cognitiva Teste do Desenho do Relógio Sunderland, 1989 Quando comparado com outros instrumentos: Sensibilidade de 86% Especificidade de 96% Instrumento particularmente útil por sua simplicidade, rapidez e perfil amigável 24 12
HUMOR Escala de depressão geriátrica de Yesavage Não Sim 1. Você está basicamente satisfeito com sua vida? 1 0 2. Você deixou muitos de seus interesses e atividades? 0 1 3. Você sente que sua vida está vazia? 0 1 4. Você se aborrece com freqüência? 0 1 5. Você se sente de bom humor a maior parte do tempo? 1 0 6. Você tem medo que algum mal vá lhe acontecer? 0 1 7. Você se sente feliz a maior parte do tempo? 1 0 8. Você sente que sua situação não tem saída? 0 1 9. Você prefere ficar em casa a sair e fazer coisas novas? 0 1 10.Você se sente com mais problemas de memória do que a maioria? 0 1 11. Você acha maravilhoso estar vivo? 1 0 12.Você se sente um inútil nas atuais circunstâncias? 0 1 13.Você se sente cheio de energia? 1 0 14.Você acha que sua situação é sem esperanças? 0 1 25 15.Você sente que a maioria das pessoas está melhor que você? 0 1 Capacidade Funcional - AVDs Tentar obter essas informações com o paciente, caso seja possível 1. Tomar banho (esponja, chuveiro ou banheira): (I) Não precisa de ajuda. (A) Precisa de ajuda para lavar apenas uma parte do corpo (costas ou pernas). (D) Precisa de ajuda para higiene completa (ou não toma banho). 2. Vestir-se: (I) Pega as roupas e veste-se sem nenhuma ajuda. (A) Pega as roupas e veste-se sem ajuda, com exceção de amarrar os sapatos. (D) Precisa de ajuda para pegar as roupas ou para se vestir, ou fica parcial ou completamente não vestido. 3. Ir ao banheiro: (I) Vai ao banheiro, faz a higiene, e se veste sem ajuda (mesmo usando um objeto para suporte como bengala, andador, cadeira de rodas, e pode usar urinol à noite, esvaziando este de manhã). (A) Recebe ajuda para ir ao banheiro, ou para fazer a higiene, ou para se vestir depois de usar o banheiro, ou para uso do urinol a noite. (D) Não vai ao banheiro para fazer suas necessidades. 4. Locomoção: (I) Entra e sai da cama, assim como da cadeira, sem ajuda (pode usar objeto para suporte, como bengala ou andador). (A) Entra e sai da cama ou da cadeira com ajuda. (D) Não sai da cama. 5. Continência: (I) Controla a urina e movimentos do intestino completamente por si próprio. (A) Tem acidentes ocasionais. (D) Supervisão ajuda a manter controle de urina ou intestino, cateter é usado, ou é incontinente. 6. Alimentação: (I) Alimenta-se sem ajuda. (A) Alimenta-se, com exceção no caso de cortar carne ou passar manteiga no pão. (D) Recebe ajuda para se alimentar ou é alimentado parcial ou completamente por meio de tubos ou fluidos intravenosos. Quando o paciente não souber informar, favor anotar que a informação não foi dada por ele. 26 13
Capacidade Funcional - AIVDs As alternativas devem ser escolhidas em relação aos últimos 30 dias) 1. Telefone: (I) capaz de olhar os números, discar, receber e fazer chamadas sem ajuda. (A) É capaz de receber chamadas ou ligar para a telefonista em uma emergência, mas necessita de um telefone especial ou ajuda para pegar o número ou discar. (D) É incapaz de usar o telefone (escreva _ não se aplica _ se o paciente nunca recebeu uma chamada ou usou o telefone). 2. Locomoção fora de casa: (I) É capaz de dirigir seu próprio carro ou andar em um ônibus ou de táxi sozinho. (A) É capaz de se locomover fora de casa, mas não sozinho. (D) É incapaz de se locomover fora de casa. 3. Compras: (I) É capaz de tomar conta de todas as compras, desde que o transporte seja providenciado. (A) É capaz de fazer compras mas não sozinho. (D) É incapaz de fazer compras. 4. Preparar a comida: (I) É capaz de planejar e preparar uma refeição completa. (A) É capaz de preparar pratos simples, mas incapaz de cozinhar uma refeição completa sozinho. (D) Incapaz de preparar qualquer comida. (Se o paciente nunca foi responsável por preparar uma refeição, pergunte algo como fazer sanduíche, pegar uma fruta para comer, etc. Verificar se essas atividades diminuíram e marcar da mesma forma.) 5. Trabalho doméstico: (I) é capaz de fazer o trabalho doméstico pesado (exemplo: limpar o chão). (A) É capaz de fazer o trabalho doméstico leve, mas precisa de ajuda nas tarefas pesadas. (D) É incapaz de fazer qualquer trabalho doméstico. 6. Medicação: (I) É capaz de tomar as medicações na dose e hora certa. (A) É capaz de tomar as medicações, mas precisa ser lembrado ou alguém precisa preparar a medicação. (D) É incapaz de tomar sozinho suas medicações. 7. Dinheiro: (I) É capaz de fazer as compras de coisas necessárias, preencher cheques e pagar contas. (A) É capaz de fazer as compras de uso diário, mas necessita de ajuda com o talão de cheques e para pagar as contas. (D) É incapaz de lidar com dinheiro. 27 Estado Nutricional Mini Avaliação Nutricional (MAN), antropometria (e.g. circunferência abdominal), parâmetros laboratoriais 28 14
Equilíbrio, Marcha e Risco de Quedas Get up and go Equilíbrio em uma perna Teste de equilíbrio e marcha de Tinetti Instabilidade e hipotensão postural Histórico de quedas 29 Testes de triagem Déficits Sensoriais Visão: cartão de Snellen Audição: teste do sussuro Comunicação e voz 30 15
Situação Sócio-Familiar e Ambiental Entrevista semi-estruturada: condições sócio-ambientais estrutura e contexto familiar situação econômica e previdenciária condições de moradia contexto social circunstâncias relacionadas ao cuidador ou cuidadores 31 Referências Bibliográficas 1. Pintarelli VL. Avaliação Médica. In: Toniolo Neto J, Pintarelli VL, Yamatto TH. À Beira do Leito Geriatria e Gerontologia na Prática Hospitalar. Barueri, Manole, 2007. pp. 03-09. 2. Monaco T. Um pouco de Geriatria... Disponível em: www.fm.usp.br/bandeira/aulas/geriatria.ppt, acessado em 14/08/2008. 3. Morley JE. Comprehensive Geriatric Assessment. Disponível em: www.activeseniorsoptions.com/files/morley_mattoon_5-9-08.ppt, acessado em 14/08/2008. 4. Sunderland T, Hill JL, Mellow AM, Lawlor BA, Gundersheimer J, Newhouse PA, Grafman JH. Clock drawing in Alzheimer s Disease: a novel measure of dementia severity. J Am Geriatr Soc. 1989; 37:725-729. 5. Freitas EV, Miranda RD. Parâmetros Clínicos do Envelhecimento e. In: Freitas, EV; Py, L; Cançado, FAX; Doll, J; Gorzoni, ML. Tratado de Geriatria e Gerontologia 2ª Ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2006. pp 900-908 32 16