FILOSOFIA, O PRINCIPIO DE TUDO:

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Aluno: Série/ano: 7 Turma: Turno: Professor: Data: / / FILOSOFIA, O PRINCIPIO DE TUDO: Já estudamos no 6º ano que a Filosofia surgiu do espanto do homem diante da natureza. Os primeiros filósofos procuravam ver um sentido de ordem, um princípio ordenador que pudesse explicar de alguma forma o que para eles parecia confuso. De fato, a observação da natureza, nos leva a supor que as coisas parecem estar em permanente conflito, numa guerra constante, em que uns querem, em funções de suas diferenças, dominar os outros: os homens lutam contra os animais e os animais lutam entre si; o mar parece lutar contra a terra, que resiste a invasão; o fogo destrói o ar e é por ele destruído; a água destrói o fogo e luta contra o ar, quando chove e por aí vai. Afinal de contas, o mundo é organizado ou desorganizado? O universo é um cosmo ou um caos? PARA REFLETIR OS FILÓSOFOS DA NATUREZA: Os primeiros Filósofos gregos são frequentemente chamados de filósofos da natureza, porque se interessavam, sobretudo, pela natureza, pelos processos naturais. Já tivemos oportunidades de nos perguntar de onde vêm todas as coisas. Hoje em dia muitas pessoas acreditam, umas mais, outras menos, que em algum momento tudo surgiu do nada. Esse pensamento não era muito difundido entre os gregos. Por alguma razão, eles sempre partiam do fato de que sempre existiu alguma coisa A grande questão, portanto, não era saber como tudo surgiu do nada. O que instigava os gregos era saber como a água podia se transformar em peixes vivos, ou como a terra sem vida podia se transformar em árvores frondosas ou em flores multicoloridas. Tudo isso sem falar em como um bebê podia sair do corpo de sua mãe! Os filósofos viam com seus próprios olhos que havia constantes transformações na natureza. Mas como essas transformações eram possíveis? Como uma substância podia se transformar em algo completamente diferente; numa forma de vida, por exemplo? Os primeiros filósofos tinham uma coisa em comum; eles acreditavam que determinada substância básica estava por trás de todas essas transformações. Não é muito fácil explicar como eles chegaram a essa ideia. Sabemos apenas que ela se desenvolveu a partir da noção de que deveria haver uma substância básica, que fosse a causa oculta, por assim dizer, de todas as transformações da natureza. GAARDER jostein. O mundo de Sofia, romance da história da filosofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

1.1 Os três filósofos de mileto: Tales Anaximandro Anaxímenes Foi na cidade de Mileto, situada na Jônia, litoral Ocidental da Ásia menor, às margens do mar Egeu, que nasceu a filosofia. Mileto era uma cidade que tinha o comércio bastante desenvolvido e sofreu várias influências culturais. Foi nessa cidade que viveram os três primeiros pensadores da história ocidental, a quem chamamos de filósofos de Mileto. São eles: Tales de Mileto (624 546), Anaximandro (611 546) e Anaxímenes (586 825). Todos eles viveram entre os séculos VII e V a.c. Os filósofos de Mileto foram os primeiros a tentar entender a origem do universo sem a ajuda ou a interferência dos mitos. Tales, o primeiro deles, se perguntou: De que tudo é feito? note que a pergunta de Tales não era sobre a criação, mas se refere à composição das coisas. Perguntar pela composição das coisas é uma virtude essencialmente científica. Ao pensar em composição e não em criação, Tales inaugurou uma forma de entendimento do mundo a partir da observação dos próprios elementos que constituem o mundo, buscando no mundo e não fora dele um sentido para que ele seja como é. Tales inferiu da observação da natureza e chegou a conclusões obtidas apenas pelo pensamento, pela razão. 1.2 A ÁGUA É O PRINCIPIO DE TUDO Tales de Mileto é considerado o primeiro filósofo da história, porque foi ele o primeiro homem de que se tem noticia a criar uma teoria para explicar o princípio de tudo a partir de um elemento da própria natureza. Tales acreditava que a água era a primeira e que ela fazia parte da composição de todas as coisas que existem no mundo, sendo, por isso, as coisas materiais de todas. Ele compreendeu a importância da água, observando que ela está em todas as partes do Universo, na Terra em sua superfície ou no subsolo e no ar, sendo também indispensável a todas as formas de vida existentes. A água está presente em todo lugar que há vida e onde ela não existe não há vida. Para ele sem a água o universo não existiria.

1.3 O PRINCÍPIO DE TUDO É INDETERMINADO Parara Anaximandro, contemporâneo e, provavelmente, discípulo de Tales, o principio de todas as coisas o elemento primordial, não poderia ser uma coisa determinada, como a água, a terra, o fogo ou o ar. Ele acreditava não ser possível eleger uma única substância natural como o princípio de todos os seres existente no Universo. Como princípio, esse elemento deveria ser diferente de tudo. Deveria ser algo que sintetizasse a qualidade de todos os elementos da natureza, algo de que todas as coisas se originassem e para a qual tudo retornasse. Daí, o princípio primeiro deveria ser alguma coisa eterna, infinita e indeterminada, ou seja, sem princípio nem fim e sem determinações quantitativas e qualitativas: o ápeiron (= o infinito/indefinido). 1.4 O AR É O PRINCÍPIO PRIMORDIAL, DE TODAS AS COISAS. O terceiro grande filósofo de Mileto foi Anaxímenes, discípulo de Anaximandro, que, discordando dos mestres, propôs que o princípio de todas as coisas é o ar infinito. Para Anaxímenes, o elemento primeiro deveria ser algo infinito, mas não indeterminado. Como elemento natural, o ar em pleno movimento preenche todos os espaços sendo, pois, do ar, através da condensação e da rarefação, que procederam todos os outros elementos e, por consequência, todas as coisas existentes no Universo. Além do que o Ar é o princípio vital, já que todo ser vivo necessita de ar para respirar. Vimos que os três filósofos de Mileto acreditavam que tudo se originara a partir de uma única substância primordial. Como seria possível uma só coisa transformar-se em algo completamente diferente? Como o uno se transformou em múltiplo? 1.5 ÁGUA FONTE DE VIDA A água é fundamental para o planeta. Nela, surgiram as primeiras formas de vida e, a partir dessas, originaram-se as formas terrestres, as quais somente conseguiram sobreviver na medida em que puderam desenvolver mecanismos fisiológicos que lhes permitiram retirar água do meio e retê-la em seus próprios organismos. A evolução dos seres vivos sempre foi dependente da água. Existe uma falsa ideia de que os recursos hídricos são infinitos. Realmente, há muita água no nosso planeta, mas menos de 3% da água no mundo é doce, da qual mais de 99% apresenta-se congelada nas regiões polares ou nos rios e lagos subterrâneo, o que dificulta sua utilização pelo ser humano. A água é o mais critico e importante elemento para a vida humana. Compõe de 60 a 70% do nosso peso corporal, regula a nossa temperatura interna e é essencial para todas as funções orgânicas. Em média, no mínimo, nosso organismo precisa de 4 litros de água por dia. Além disso, a água também é usada na preparação de mamadeiras, de comidas e sucos. Por isso, temos de garantir uma água segura, com qualidade, pura e cristalina.

PITÁGORAS: O NÚMERO É O PRIMEIRO PRINCÍPIO DE TODAS AS COISAS Pitágoras prossegue a indagação iniciada pelos filósofos Jônios acerca do princípio de todas as coisas. E, assim, como os primeiros filósofos, identificou um elemento como principio de tudo. Graças a sua genialidade matemática, pôde identificar que o primeiro principio de todas as coisas era um elemento imaterial, o número, o qual representa a ordem e harmonia cósmica. Assim, a harmonia do Universo poderia ser deduzida da geometria e expressa em números. Para ele, o mundo possuía uma harmonia que podia ser expressa matematicamente. Conta-se que essa ideia teria surgido quando Pitágoras observou que os sons produzidos pela lira (instrumento musical semelhante a um violão) obedeciam as proporções numéricas, e que essas proporções produziam concordância entre sons discordantes, sendo, portanto, a base para a harmonia entre os acordes. Pitágoras intuiu que o mesmo se daria com o Universo: deveria haver uma relação de proporção por meio do qual se daria a harmonia dos discordantes: o frio e o quente, o seco e o úmido, o bem e o mal, o justo e o injusto, o verdadeiro e o falso, e que essa harmonia poderia ser expressa através dos números. Na verdade, tudo no Universo se exprime matematicamente, todos os fenômenos se expressam como soma, subtração, multiplicação, e divisão. Conta-se ainda que ele teria afirmado haver uma música universal tão perfeitamente harmoniosa que só os deuses seriam capazes de ouvir. 2.1 A ESCOLA PITAGÓRICA A escola pitagórica foi fundada por Pitágoras (580 500 a.c) em Crotona, Magna Grécia, no Sul da Itália. Essa escola exerceu grande influência não só por seus princípios filosóficos, mas também por sua éticapura e austera e por suas tendências politicas. Diferentemente de jônica, não se preocupava mais com a constituição de todas as coisas, ou com seu aspecto material e físico, pois os pensadores queriam saber que o representavam as coisas e a resposta que encontraram foi a de que tudo se reduz ao número. Os discípulos mais famosos de Pitágoras foram Filolau de Tarento (século V a.c.), um importante matemático e astrônomo; desenvolveu a doutrina Pitagórica com certo rigor cientifico; Hicetas de Siracusa (século V a.c), destacou-se por afirmar a rotação da terra sobre seu eixo; Hipócrates de Quino (470 419 a.c.), Arquitas de Tarento (século IV a.c.), e Alcmeon (século VI a.c.) foram outros importantes matemáticos da escola pitagórica. HERÁCLITO: TUDO FLUI Outro grande filósofo do mundo grego foi Heráclito (535 470 a.c). Ele concebia a realidade do mundo como algo dinâmico, isto é, em constante mudança. Segundo Heráclito, no Universo tudo flui, tudo está em constante movimento e transformação.

Heráclito chamou a atenção para a plena mobilidade de todas as coisas, criando assim, a doutrina do eterno mobilismo. Segundo ele nada permanece imóvel e nada é estável. No mundo não existe nada parado ou acabado, mas tudo se move, tudo muda, tudo se transforma sem cessar e sem exceção. Para ele, só a transformação das coisas é permanente, no sentido de que as coisas não tem realidade senão justamente a eterna mudança. Tudo no mundo está se fazendo e se desfazendo num processo que não para nunca. É famosa a frase de Heráclito: É impossível que alguém se banhe num mesmo rio duas vezes, porque ao entrar pela segunda vez tanto ela quanto o rio já não são os mesmos. Para Heráclito, a transformação é um continuo conflito dos contrários, que se alternam, que trocam de lugar; é uma permanente luta de um contra o outro, uma guerra eterna. Ele dizia que todas as coisas possuem em si almas e demônios. A realidade não são as coisas e os seres, mas a mudança. Tudo muda, a única coisa que sempre fica é a própria mudança. Mas, para ele, essa guerra é ao mesmo tempo paz e harmonia porque é pela luta das forças opostas que o mundo evolui. Da mesma forma que se, não existisse a morte, não saberíamos dá valor a vida, se não existissem as guerras não poderíamos dar valor à paz. Os contrários se unem e é isso que faz a magia do Universo: o dia e a noite, o claro e o escuro, o quente e o frio, o cheio e o vazio etc. Todas as coisas formam uma coisa só que é o Universo, a pluralidade vira unidade. O Universo é ao mesmo tempo muitos e um só. É na síntese dos opostos que está o princípio que explica toda a realidade e, por isso mesmo, é exatamente nisso que consiste Deus ou o divino. Deus é a harmonia dos contrários, a unidade dos opostos. Ele entendia ser o fogo o elemento primordial da natureza. Para ele, o fogo simboliza a essência da natureza, porque ele representa a dinâmica de transformação e a mudança que há em todas as coisas. Muitas de suas frases são consideradas, até hoje, misteriosas e difíceis de decifrar. Por ter um estilo de difícil compreensão, Heráclito ganhou o apelido de o obscuro.