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RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO VETERINÁRIO

Anexo III. Alterações nas secções relevantes do resumo das caraterísticas do medicamento e do folheto informativo

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ANEXO RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

EXTRATO PROTEICO VEGANO BLOQUEADOR DE CARBOIDRATOS TRATAMENTO DE OBESIDADE

MASFEROL sulfato ferroso. FORMA FARMACÊUTICA Solução Oral

MODELO DE TEXTO DE BULA DE NALDECON DIA Comprimidos

INFARMED. Circular Informativa. N.º 011/CA Data: Assunto: Ceftriaxona - Informação de segurança

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR. ETALPHA, 2µg/ml, solução para perfusão. Alfacalcidol

ALCACHOFRA NATULAB MEDICAMENTO FITOTERÁPICO

BULA. Gino-Tralen (tioconazol)

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Pergo cloridrato de hidroxizina. Eurofarma Laboratórios S.A. Solução oral 2 mg/ml

ANEXO III SECÇÕES RELEVANTES DO RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO E FOLHETO INFORMATIVO

Nome do medicamento: FORTEVIT Forma farmacêutica: Solução Oral Concentração: 3,00 mg/ml ferro quelato + 0,05 mg/ml cloridrato de piridoxina + 0,80

SANILIN. Kley Hertz Farmacêutica S.A. Pastilhas 1,466 mg cloreto de cetilpiridínio monoidratado + 10 mg benzocaína

DIACEREINA. Anti-inflamatório

GLICONATO DE CÁLCIO. Blau Farmacêutica S.A. Solução Injetável 100 mg/ml. Blau Farmacêutica S/A.

É indicado para o alívio da dor de intensidade moderada a grave

SANILIN. Kley Hertz Farmacêutica S.A. Pastilhas 1,466 mg cloreto de cetilpiridínio monoidratado + 10 mg benzocaína

Transcrição:

Nome Científico: Mentha piperita var. citrata (Ehrh.) Briq. Sinônimos Científico: Mentha citrata Ehrh., Mentha aquática var. glabrata Benth. Nomes Populares: Hortelã, hortelã pimenta, menta, menta-inglesa, hortelãapimentada, hortelã-das-cozinhas, menta-inglesa, sândalo. Família Botânica: Lamiaceae Parte Utilizada: Folhas Descrição: Erva aromática, anual ou perene de mais ou menos 30 cm de altura, semi ereta, com ramos de cor verde escura a roxa-purpúrea. Folhas elíptico-acuminadas, denteadas, pubescentes e muito aromáticas. É originária da Europa de onde foi trazida no período de colonização do país, sendo muito cultivada como planta medicinal em canteiros de jardins e quintais em todo Brasil. Na região Nordeste, somente as plantas cultivadas nas serras úmidas de clima de montanha florescem uma vez por ano. Seu cultivo é feito a partir de pedaços dos ramos subterrâneos, devendo ser replantada a cada seis meses para garantir a boa qualidade da planta. Constituintes Químicos Principais: Óleo essecial, mentol, mentona, mentofurano, acetato de mentila,felandreno, limoneno, pineno, cineol, viridoflorol, isomentona, sabineno, ésteres de mentol, neomentol, piperitona, pulegona, flavonoides - rutina, mentosídeo e luteolina, ácidos fenólicos, ácidos rosmarínicos, ácido ursolíco, ácido oleanólico e lactonas.

Indicação: Desde a mais remota antiguidade, esta e outras plantas deste mesmo gênero são utilizadas como condimento de carnes e massas, bem com para fins medicinais, alimentícios e cosméticos. A literatura etnobotânica registra suas propriedades espamolíticas, antivomitivas, carminativas, estomáquicas e anti-helmínticas, por via oral e, antibacterianas, antifúngicas e antiprurido em uso tópico. É empregada para dar sabor e odor a remédios, produtos cosméticos e guloseimas. As folhas e seu óleo essencial têm propriedades antiespasmódica, antiinflamatória, antiúlcera e antiviral, determinada com auxílio de ensaios farmacológicos. Tanto na medicina oficial como nas práticas caseiras da medicina popular, as folhas são usadas na forma de chá do tipo abafado (infusão), para os casos de má digestão, náuseas e sensação de empachamento, causada por acúmulo de gases no aparelho digestivo. O chá gelado é um excelente antivomitivo; morno, pode ser usado como gargarejo e bochecho nas inflamações da boca, das gengivas e mesmo de ferimentos, contusões e prurido. Externamente o óleo essencial de Hortelã esfregado sobre as têmporas, testa e pescoço tem tido resultado no alívio das dores de cabeça. Num experimento duplocego, feita por pesquisadores da Universidade de Kiel, na Alemanha, em 32 sujeitos que sofrem de cefaleias tensionais, demonstraram que o óleo essencial de Hortelã atuava em um grau maior aliviando esta afecção, do que o mesmo óleo misturado com essência de Eucalipto ou extratos de Eucalipto. As folhas de hortelã pimenta e o óleo apresentam propriedades carminativas, antiespasmódicas, diaforéticas e antissépticas, e são principalmente utilizados para aliviar sintomas de indigestão. A hortelã-pimenta é comumente utilizada como ingrediente flavorizante em alimentos, cosméticos e medicamentos. Farmacocinética: O chá da hortelã inibiu a atividade da subfamília CYP2E do citocromo P450 em até 40% em um estudo com ratos pré-tratados por 4 semanas com o chá. Em estudo in vitro, 20 a 500mg/mL do óleo da hortelã inibiu moderadamente a atividade das isoenzimas CYPEC8, CYP2C9, CYP2C19 e CYP2D6. Ambos os estudos demonstraram que não houve inibição significativa da CYP3A4 pela hortelã. O óleo da hortelã não parece ter qualquer efeito clinicamente relevante sobre a isoenzima CYP1A2 do citocromo P450.

Estocagem e validade: Deve ser estocado hermeticamente fechado, ao abrigo da luz solar direta e do calor. Prazo de validade: 36 meses a partir da data de fabricação. Poderá ocorrer formação de precipitado e/ou turbidez durante a estocagem, sem alterar as propriedades. Alterações da cor são esperadas por modificações dos compostos coloridos das plantas. Contraindicação e Efeitos Adversos: Em indivíduos sensíveis ao mentol pode acarretar insônia e irritabilidade nervosa. A introdução da essência por via inalatória pode promover depressão cardíaca, laringoespasmos e broncoespasmos, especialmente em crianças, devido a isso é desaconselhável o uso de unguentos mentolados ou preparados tópicos nasais a base de mentol. Da mesma forma a inalação do óleo essencial não deve ser feita durante longos períodos, pois pode ocorrer irritação das mucosas. Trabalhos experimentais feitos sobre os óleos essenciais têm demonstrado que algumas das substâncias que são encontradas em alta quantidade (cetonas terpênicas e fenóis aromáticos), podem provocar toxicidade. No caso da Hortelã, deve-se salientar que a forma isolada da pulegona possui efeitos convulsivos e abortivos; o limoneno e o felandreno efeito irritativo sobre a pele e o mentol efeitos narcótico, estupefaciente e em menor escala, irritativos dérmicos. Revisão de Interação: Alimentos e antiácidos podem comprometer o recobrimento entérico de algumas cápsulas de óleo de hortelã disponíveis comercialmente. O óleo da hortelã pimenta parece aumentar os níveis de ciclosporina e felodipina e topicamente, em altas doses, pode também melhorar a permeação cutânea de alguns medicamentos tópicos. O chá da hortelã contém constituintes semelhantes à digoxina, mas a relevância clínica disso é incerta. Pode também reduzir a absorção do ferro, e é improvável que apresente um efeito significativo sobre a farmacocinética da cafeína. a) Hortelã + Alimentos Os alimentos podem comprometer o revestimento entérico de algumas cápsulas de óleo de hortelã disponíveis comercialmente. Evidências, Mecanismo, Importância e Conduta: Os fabricantes de algumas formulações de óleo de hortelã de revestimento entérico advertem que elas não devem ser ingeridas imediatamente após alimentos. Presumidamente, a presença de alimentos no estômago retarda o esvaziamento gástrico e pode causar dissolução prematura do revestimento entérico e liberação do óleo da

hortelã antes que alcance o intestino. Isso pode resultar em efeitos adversos, como indigestão. b) Hortelã + Antiácidos Os antiácidos podem comprometer o recobrimento entérico de algumas cápsulas de óleo de hortelã disponíveis comercialmente. Os antagonistas dos receptores H 2 e os inibidores da bomba de prótons podem interagir similarmente. Evidências, Mecanismo, Importância e Conduta: Os fabricantes de algumas formulações contendo óleo de hortelã de recobrimento entérico advertem que os medicamentos para indigestão (antiácidos) não deveriam ser ingeridos ao mesmo tempo que o óleo de hortelã. O motivo é que o aumento acentuado do ph causado pelos antiácidos pode provocar dissolução prematura do recobrimento entérico e liberação do óleo de hortelã no estômago, o que aumenta o risco de azia com essa formulação. A administração de ambos, com intervalo de algumas horas normalmente evita esse tipo de interação com antiácidos. Algumas monografias estendem a advertência aos antagonistas dos receptores H 2 e aos inibidores da bomba de prótons e sugerem que tais fármacos sejam evitados. c) Hortelã + Bloqueadores do canal de cálcio As cápsulas do óleo da hortelã parecem elevar a biodisponibilidade da felodipina, e, portanto pode aumentar a incidência de efeitos adversos como cefaleia, delírios e rubor. Experimentos in vitro sugerem que o óleo da hortelã é um inibidor moderado do metabolismo da nifedipina. Evidências clínicas: Em um estudo randomizado, de dose única, realizado com 12 indivíduos saudáveis, a administração de uma cápsula de 600mg de óleo de hortelã aumentou a ASC e a concentração máxima de 10mg de felodipina de liberação prolongada em aproximadamente 55% e 40%, respectivamente, sem afetar o tempo de meia-vida. A ASC e a concentração máxima da deidrofelodipina, o metabólito da felidipina, foram aumentadas em 37 e 25%, respectivamente. Evidências experimentais: Em uma investigação in vitro com microssomas hepáticos humanos, observou-se que o óleo da hortelã e dois dos seus constituintes, mentol e acetato de mentila, foram inibidores reversíveis moderados do metabolismo da nifedipina. Mecanismo: Acredita-se que o mentol possa ser o causador de grande parte das interações reportadas para o óleo da hortelã. A felodipina participa de no mínimo dois pontos sequenciais do metabolismo mediado pela CYP3A4, e os autores do estudo clínico sugerem que a hortelã pode inibir seletivamente o ponto secundário como oposto ao ponto primário, no entanto, novos estudos são necessários. Em contraste, dois outros estudos in vitro observaram que a hortelã não afetou a CYP3A4. Importância e conduta: O estudo clínico sugere que o óleo da hortelã pode aumentar moderadamente a biodisponibilidade da felodipina, e, portanto,

elevar a incidência de efeitos adversos como cefaleia, delírios e rubor. Outros estudos são necessários, mas, até então, seria prudente considerar essa possibilidade em pacientes tratados como felodipina que ingerirem óleo de hortelã. É possível que nem todos os bloqueadores do canal de cálcio sejam afetados, uma vez que alguns, ao contrário da felodipina, são altamente biodisponíveis. Essa interação é similar àquelas do suco de toranja, que afetam a felodipina e a nisoldipina (baixa biodisponibilidade oral), mas afetam apenas minimamente a anlodipina e o diltiazem (alta disponibilidade oral). Há expectativas de relevância somente quando forem utilizadas doses terapêuticas do óleo, e não chás ou pequenas quantidades de alimentos, quando nenhuma interação clinicamente relevante é esperada. d) Hortelã + Cafeína O óleo da hortelã não parece afetar o metabolismo da cafeína, mas pode retardar brevemente sua absorção. Evidências clínicas: Em um estudo transversal realizado com 11 mulheres saudáveis, a administração de uma cápsula única contendo 100mg de mentol (o constituinte majoritário do óleo de hortelã), ingerida com café descafeinado, ao qual 200mg de cafeína foram adicionados, não apresentou efeito sobre a farmacocinética da cafeína, exceto por um aumento de aproximadamente 30 minutos no tempo necessário para alcançar a concentração máxima da cafeína. A redução máxima na frequência cardíaca observada com a cafeína foi menor na presença do mentol (diferença de aproximadamente 4 bpm), mas o mentol não apresentou efeito sobre a pequena alteração na pressão sanguínea observada com a cafeína. Evidências experimentais: Um estudo in vitro e um estudo com animais demonstraram que o óleo da hortelã ou o chá inibiram a isoenzima CYP1A2 do citocromo P450. Mecanismo: As evidências experimentais sugerem que a hortelã pode inibir a isoenzima CYP1A2 do citocromo P450, da qual a cafeína é um substrato; as evidências clínicas com o mentol (um constituinte majoritário do óleo da hortelã) demonstraram que o metabolismo da cafeína não foi alterado. O mentol retardou brevemente a absorção da cafeína. Importância e conduta: As evidências clínicas sugerem que o óleo da hortelã pode não apresentar efeitos clinicamente relevantes sobre o metabolismo dos substratos da CYP1A2, o que poderia explicar porque nenhuma dessas interações tenha sido reportada. A hortelã pode retardar levemente a absorção da cafeína, e presumidamente de outros fármacos, mas é improvável que um retardo de 30 minutos seja clinicamente relevante. e) Hortelã + Ciclosporina As interações entre óleo da hortelã e ciclosporina são baseadas somente em evidências experimentais. Evidências experimentais: Em um estudo de dose única realizado com ratos, 100mg/kg de óleo de hortelã misturado com ciclosporina quase triplicam a

ASC e a concentração máxima de 25mg/kg de ciclosporina. Estudos in vitro também observaram que 50mg/mL de óleo de hortelã inibem o metabolismo da ciclosporina nos microssomas hepáticos de ratos em até 85%. Mecanismo: Incerto. Os autores excluíram a inibição da glicoproteína-p como potencial modo de ação. Eles indicaram que a inibição da subfamília CYP3A do citocromo P450 pode desempenhar um papel, e o aumento da permeabilidade gastrintestinal pode ser outro fator. Importância e conduta: Embora os dados clínicos sejam falhos, o estudo experimental demonstrou que o óleo de hortelã aumentou significativamente a biodisponibilidade oral da ciclosporina em ratos. Novos estudos são necessários para avaliar se um efeito similar ocorreria em humanos. Até então, pode ser prudente considerar a possibilidade de que o óleo de hortelã aumente os níveis de ciclosporina. Se pacientes forem tratados com ciclosporina e for admnistrado o óleo de hortelã, é aconselhável monitorar os níveis de ciclosporina por algumas semanas após o início do uso concomitante, se isso já não estiver previsto. Os dados seriam relevantes somente se fossem utilizadas doses terapêuticas do óleo, e não chás ou pequenas quantidades em alimentos, com os quais não seria esperada uma interação clinicamente relevante. f) Hortelã + Compostos de ferro O chá da hortelã parece reduzir a absorção do ferro similarmente ao chá preto. Evidências clínicas: Em um estudo realizado com nove indivíduos saudáveis, a administração de 275mL do chá de hortelã reduziu em aproximadamente 85% a absorção do ferro contido em 50g de pão. O chá foi preparado pela adição de 300mL de água fervente a 3g da planta, por infusão por 10 minutos antes de agitar e servir. Nesse estudo, o efeito inibitório do chá de hortelã sobre a absorção do ferro foi equivalente aquele do chá-preto, conhecido por inibir a absorção do ferro. Evidências experimentais: Observou-se que 2,2 g/kg de chá das folhas da hortelã, administrados diariamente, inibem a absorção do ferro em ratos. O ferro sérico e os níveis da ferritina foram reduzidos em aproximadamente 20%. Autores sugeriram que o mentol, constituinte majoritário da hortelã está envolvido na inibição da absorção do ferro. Mecanismo: Os polifenóis do chá de hortelã podem se ligar ao ferro no trato gastrintestinal e reduzir sua absorção. Importância e conduta: O impacto clínico dessa interação entre o chá de hortelã e o ferro não é completamente conhecido, mas é importante considerar que alguns chás, como o da hortelã, reduzem a absorção do ferro similarmente ao chá preto. O chá e o café geralmente não são considerados bebidas adequadas para bebês e crianças, em função de seus efeitos sobre a absorção de ferro.

g) Hortelã + Glicosídeos digitálicos Algumas plantas medicinais contêm glicosídeos cardiotônicos, que poderiam, em teoria, apresentar efeitos sinérgicos com a digoxina ou digitoxina, ou interferir em seus ensaios. Entretanto, parece haver poucas interações reportadas. Evidências, Mecanismo, Importância e Conduta: Em um estudo in vitro, 46 plantas medicinais comercializadas embaladas e 78 chás preparados a partir de plantas foram avaliados em relação à presença de substâncias semelhantes à digoxina, com a utilização de anticorpos de reatividade cruzada com a digoxina, e esses valores foram utilizados para fornecer doses diárias equivalentes aproximadas de digoxina. A hortelã contém mais de 30mg de equivalentes de digoxina por xícara, e foi sugerido que forneceria uma dose terapêutica diária de digoxina se fossem ingeridas 5 xícaras de chá de hortelã por dia. Entretanto, alguns chás comuns desse estudo continham mais de 20mg de equivalentes de digoxina por xícara. Esses chás são comumente consumidos no Reino Unido, e interações com a digoxina não têm sido reportadas. A interpretação dos resultados desse estudo é incerta. As interações teóricas com medicamentos fitoterápicos não são sempre traduzidas na prática. Com base nesse estudo, nenhuma precaução especial deve ser tomada para pacientes tratados com digoxina e que ingerissem chá de hortelã. h) Hortelã + Medicamentos Fitoterápicos Nenhuma interação foi encontrada. i) Hortelã + Medicamentos Tópicos As informações sobre o uso de formulações tópicas do óleo da hortelã são baseadas somente em evidências experimentais. Evidências, Mecanismo, Importância e Conduta: Preliminarmente, experimentos in vitro utilizando amostras de pele humana demonstraram que uma pequena dose do óleo de hortelã (0,1% e 1%) aplicado sobre a pele pode reduzir significativamente a concentração do ácido benzoico tópico, penetrando na barreira dérmica. De forma contrária, em maiores concentrações (5%), o óleo da hortelã reduziu a integridade da barreira dérmica. Em outro estudo, o óleo de hortelã aumentou a permeação da 5- fluoruracila através da pele de ratos. Esses estudos experimentais sugerem que o óleo da hortelã tópico pode aumentar a absorção de outros fármacos tópicos; entretanto, as evidências atuais são insuficientes para apoiar qualquer recomendação clínica.

Referências Bibliográficas: 1. LORENZI, Harri; ABREU MATOS, F.J. Plantas Medicinais no Brasil Nativas e Exóticas. Instituto Plantarum, 2ª Edição, Nova Odessa SP - Brasil, 2008. 2. WILLIAMSON, E.; DRIVER, S.; BAXTER, K. Interações Medicamentosas de Stockley: Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos. Editora Artemed, Porto Alegre RS, 2012. 3. HORTELÃ. Disponível em: http://www.farmacam.com.br/monografias/hortelafarmacam.pdf