Cateterismo Vesical Intermintente

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Enfermagem

Cateterismo Vesical Intermintente Alessandra Cristiane da Silva Resumo Uso do cateterismo vesical intermitente em pacientes com disfunção neurogênica do trato urinário inferior. Palavras-chave Cateterismo; disfunção neurogênica do trato urinário inferior. Cateterismo vesical intermitente (CVI) é a técnica utilizada para o esvaziamento periódico da bexiga (ou de um reservatório urinário criado através de procedimento cirúrgico), pela introdução de um cateter através de uretra (ou de um estoma continente. Ex. Mitrofanoff). É o tratamento de primeira escolha de pacientes com Disfunção Neurogênica do Trato Urinário Inferior (DNTUI). Nesse caso o cateter é removido imediatamente após a drenagem da urina diferentemente da cateterização interna ou também conhecida como cateterismo vesical de demora. O cateterismo vesical é uma técnica invasiva, potencialmente traumática, que agride o trato urinário inferior, principalmente com possíveis infecções urinárias resultantes. É um procedimento indicado para pessoas com esvaziamento incompleto da bexiga não gerenciado por outros métodos. Situações como disfunção idiopática ou bexiga neurogênica são causas para o cateterismo intermitente. O (CVI) é considerado um procedimento de fácil execução, que mais se aproxima da função renal normal, reduz episódios de infecção urinária, melhora a auto-estima e preserva a função renal, entre outras vantagens como: relação custo benefício e promoção da reeducação vesical. O objetivo do tratamento é possibilitar que a bexiga armazene uma determinada quantidade de urina a uma baixa pressão e esvazie em intervalos apropriados. Todos os métodos de drenagem da urina pretendem essencialmente alcançar três metas: Proteger o aparelho urinário, principalmente os rins de danos; minimizar a infecção urinária associada ao cateter e livrar o paciente o mais breve da cateterização quando isso é possível. O esvaziamento regular da bexiga reduz a pressão intravesical e melhora a circulação sanguínea na parede da bexiga, tornando-a mais resistente às bactérias patogênicas. Melhora no esvaziamento da bexiga reduz a incidência de Infecção do Trato Urinário (ITU), levando a melhor prognóstico e melhora na qualidade de vida. Atualmente o número de pessoas que necessitam do CVI vem aumentando consideravelmente em decorrência do trauma raquimedular ocasionado pelos acidentes automobilísticos. No Brasil todos os anos ocorrem cerca de 4.500 casos novos de trauma raquimedular como resultado do aumento da violência urbana e maior acesso a bens de consumo como automóveis e motocicletas. Outras causas que levam ao uso do CVI são acidentes por arma de fogo e acidentes com mergulho, sendo que dos sobreviventes 70% tornam-se paraplégicos. 82 4º Congresso Integrado do Conhecimento

Nesses casos uma das seqüelas é a disfunção vesicoesfincteriana de origem neurológica, também conhecida como bexiga neurogênica. Fazem parte desse grupo também pessoas com seqüelas de acidente vascular cerebral, mielomeningocele e tumores malignos. Para Wyndaele (2002) a complicação mais freqüente do cateterismo vesical é a infecção urinária, entretanto prevenível, justificando esforços para o seu controle. O CVI a nível hospitalar é realizado com técnica estéril, sendo está bem conhecida pelos profissionais de saúde, entretanto a técnica limpa para o cateterismo intermitente ainda é controversa para profissionais e pacientes na observação do cotidiano, mesmo a nível ambulatorial e domiciliar. Os profissionais algumas vezes não demonstraram clareza quanto aos critérios utilizados quando prescrito o cateterismo intermitente, realizando com técnica parcialmente estéril (apenas cateter estéril), porém poucos eram orientados quanto à técnica limpa (reutilização de cateteres). O Cateterismo Intermitente Limpo (CIL) é efetivo nos casos de prejuízo e alteração da contração do detrusor (hipocontratilidade, hiperreflexia), naqueles em que o esvaziamento vesical PE incompleto do esfíncter uretral. Tem como objetivos preservar a função do trato urinário superior reduzindo o risco de refluxo vesico-uretral, prevenção de ITU diminuindo o reíduo urinário e controlando as perdas urinárias, melhorando a continência e, consequentemente, a qualidade de vida. Tipos de cateterismo intermitente O cateterismo intermitente asséptico é realizado com técnica e materiais estéreis, com indicação exclusiva para o ambiente hospitalar. O CIL foi descrito em 1972, por um grupo liderado pelo médico americano Jack Lapides, e consiste na utilização de técnica e materiais não estéreis, realizandose apenas a lavagem das mãos e região genital. A técnica consiste na higiene rigorosa das mãos, seguida da introdução de cateter uretral descartável de uso único e lubrificado com gel aquoso ou anestésico, para a retirada da urina residual. Atualmente temos disponíveis cateteres com revestimento hidrofílico, que possuem uma camada externa de polímero com alta afinidade pela água e que formam uma superfície deslizante, facilitando sua entrada na uretra, sendo prontos para o uso, e que diminuem o risco de infecções urinárias. Temos também cateteres de PVC, prélubrificados com solução de glicerina e água, revestidos por um filme de polietileno flexível, que também permitem a técnica sem toque e que podem vir acoplados a uma bolsa coletora. Os cateteres pré-lubrificados facilitam a técnica de cateterismo intermitente e reduzem as complicações associadas ao procedimento. A recente publicação do manual Diretrizes para a atenção à pessoa com lesão medular, por parte do Ministério da Saúde, que destaca o cateterismo vesical intermitente limpo como procedimento mandatório para a retirada do resíduo pós-miccional foi um importante marco no cuidado prestado a todas as pessoas que precisam dessa assistência e frequentemente se deparam com profissionais que não estão atualizados ou enfrentam desafios em suas instituições para a implementação desse tipo de capacitação do paciente para o autocuidado. REFERÊNCIAS Buschini H; Kano, H; Damião, R. I Consenso Brasileiro - Incontinência Urinária, Uroneurologia, Disfunções Miccionais. Sociedade Brasileira de Urologia. 1999. Diez MBL, Montoya RO. Cateterismo uretral. Um tema para La reflexion. Invest educ enferm 2005; 2: 118-137. Instrução de trabalho: Atendimento ao usuário ano 4, nº 4, vol. 4, 2013 83

com necessidade de cateterismo vesical intermitente. Prefeitura do Município de Londrina; 2008. p07-35. Lenz LL. Cateterismo vesical: cuidados, complicações e medidas preventivas. Arquivos Catarinenses de Medicina 2006; 1: 82-91. Moore KN, Fader M, Getliffe K. Long-term bladder management by intermittent catheterisation in adults and children. Cochrane Database Syst Rev [artigo on line]; 2007. [citado em 17 out 2010]; 4:cd006008. Disponível em URL: www.cochrane.org/reviews/ab006008. Moroóka M, Faro ACM. A técnica limpa do cateterismo vesical intermitente: descrição do procedimento realizado pelos pacientes com lesão medular. Ver Esc Enferm USP 2002; 4: 324-331. Souza ACS, Tipple AFV, Barbosa JM, Pereira MS, Barreto RASSB. Cateterismo urinário: conhecimento e adesão ao controle de infecção pelos profissionais de enfermagem. Revista eletrônica de enfermagem [artigo on line]; 2007. 9: 724-735. Disponível em URL: www.fen.ufg.br/revista/v9/ n3/v9n3a12.htm Vapnek JM, Maynard FM, Kim J. A prospective randomized Trial of the lofric hydrophilic coated catheter versus conventional plastic catheter for clean intermittent catheterization. The journal of urology. 2003; 169:994-998. Wyndaele JJ. Complications of intemittent catheterization: their prevention and treatment. Spinal cord 2002; 40(10):536-41. Raciocínio clínico e pensamento crítico no processo de cuidar em enfermagem Profa. Dra. Cristiane Giffoni Braga Resumo A tomada de decisão é uma atividade essencial na prática clínica do enfermeiro, exigindo competências e habilidades para intervir com qualidade no processo do cuidar. Nesse contexto o raciocínio clínico e o pensamento crítico constituem elementos essenciais para o julgamento e a tomada de decisão para definir o melhor diagnóstico de enfermagem, intervenção e resultados. Palavras-chave Enfermagem; pensamento crítico. O cuidar em enfermagem se concretiza no uso do processo de enfermagem, do raciocínio clínico e pensamento crítico. Como ferramenta, o processo de enfermagem se estrutura em modelos e/ou referenciais teóricos, define e estabelece diretrizes para que o enfermeiro implemente uma assistência qualificada às reais e potenciais necessidades do indivíduo, família e da comunidade (Cf. 84 4º Congresso Integrado do Conhecimento

CROSSETTI, et.al., 2011). O processo de enfermagem provê um guia sistematizado para o desenvolvimento de um estilo de pensamento que incorpora um continuum de perguntas-respostasperguntas, ancorado no contexto da situação de cada paciente, para nortear as decisões apropriadas sobre quais são as necessidades de cuidado (diagnósticos), sobre quais os resultados que se quer alcançar (resultados) e sobre quais os melhores cuidados para atender àquelas necessidades, considerando esses resultados desejáveis (intervenções) (cf. KENNEY, 1995; CRUZ, 2008). Neste contexto, os sistemas de classificação dos elementos da prática de enfermagem, têm trazido desafios ao processo de enfermagem, pois requerem certo reposicionamento, em termos de raciocínio clínico e pensamento crítico, com a finalidade de estabelecer uma linguagem comum para descrever o cuidado a indivíduos, famílias e comunidades, em diferentes locais - institucionais e nãoinstitucionais. Também auxiliam no raciocínio clínico, porque representam mapas do território da enfermagem clínica; permitindo ao enfermeiro distanciarse da experiência imediata, elaborando teoricamente sua prática clínica (cf. CRUZ, 2008). As classificações estimulam a pesquisa de enfermagem pela articulação dos dados disponíveis nos sistemas de informação de enfermagem com os disponíveis nos outros sistemas de informação de saúde; como provêem dados sobre a prática de enfermagem que podem influenciar decisões nas políticas de saúde e de ensino de enfermagem (cf. CRUZ, 2008). Esses sistemas de classificação, como a de diagnóstico descritos pela North American Nursing Diagnosis Association International (NANDA-I), a de intervenções de enfermagem descrita pela Nursing Interventions Classification (NIC) e a de resultados de enfermagem descrita pela Nursing Outcomes Classification (NOC), possibilitam ao enfermeiro diagnosticar, intervir e avaliar sinais, sintomas, fatores de risco e fatores relacionados com a saúde dos indivíduos utilizando uma linguagem padronizada. Além disso, fornecem termos para que o enfermeiro expresse e desenvolva o processo diagnóstico, bem como o de tomada de decisão (cf. CROSSETTI, et.al., 2011). A tomada de decisão é uma atividade essencial do enfermeiro, exigindo competências técnico-científica, estética e humanística, nas diferentes dimensões dos saberes e fazeres, na busca de resultados positivos em saúde. Constitui uma etapa do processo diagnóstico de qualquer situação clínica e se dá de modo dinâmico, em um continuum sistemático e complexo (cf. CROSSETTI, et.al. 2011). Para Lunney (2011) a tomada de decisão adequada resulta da habilidade e da qualidade com que o enfermeiro investiga, avalia, analisa e interpreta as informações do indivíduo, família e/ ou comunidade, assim como examina princípios, comportamentos, padrões, argumentos e inferências na prática clínica. Todavia, para que os enfermeiros possam tomar decisões acuradas, necessitam desenvolver as principais características de pensador crítico. E, para auxiliarem as pessoas a obter resultados de saúde positiva, precisam da inteligência para pensar sobre o pensar (metacognição), interpretar as situações clínicas e agir sobre elas. A inteligência de Sternberg (1988,1997), citado por Lunney (2011) constitui um arcabouço para a compreensão desse conceito. A partir dessa perspectiva, destaca-se o pensamento crítico como uma dimensão da inteligência na enfermagem que é necessária ao uso de elementos da prática de enfermagem, como o diagnóstico e a seleção dos resultados e das intervenções adequados. Pensamento crítico é a arte de pensar sobre o pensar; constitui um conjunto de habilidades do enfermeiro clínico no tocante à análise, avaliação e inferência, para a resolução de problemas (cf. CHAN, 2013). É um componente essencial da prestação ano 4, nº 4, vol. 4, 2013 85

de contas profissional e da qualidade do atendimento dos enfermeiros. Lunney (2011) enfatiza que os enfermeiros que raciocinam de forma crítica apresentam hábitos mentais como: confiança, perspectiva contextual, criatividade, flexibilidade, mente inquisidora, integridade intelectual, intuição, abertura mental, perseverança e reflexão. Praticam as habilidades cognitivas de análise, aplicação de padrões, discriminação, busca de informações, raciocínio lógico, previsão e transformação de conhecimentos; sendo considerados estratégia para o desenvolvimento do pensamento crítico e raciocínio clínico os estudos de casos ou discussão de casos clínicos. As sete habilidades cognitivas de pensamento crítico análise, aplicação de padrões, discernimento, busca de informações, raciocínio lógico, previsão e transformação do conhecimento são aplicadas durante o processo de enfermagem. Os 10 hábitos mentais desenvolvidos por pensadores críticos em enfermagem são evidentes em cada habilidade cognitiva. O uso de habilidades cognitivas e hábitos mentais estão interrelacionados no pensamento crítico (cf. LUNNEY, 2011). Assim, podemos afirmar que o raciocínio clínico e o pensamento crítico constituem elementos essenciais para o julgamento e a tomada de decisão para definir o melhor diagnóstico de enfermagem, intervenção e resultados. Já o raciocínio clínico é definido como um processo cognitivo, estruturado por estratégias que levam o enfermeiro a entender o significado dos dados do paciente (dados subjetivos, objetivos e de exames complementares), identificar os diagnósticos reais ou potenciais (interpretação dos dados, agrupamento, inferências, evidências clínicas), fazer o julgamento clínico (validação dos diagnósticos) com vista à tomada de decisão que conduzirá às intervenções e aos resultados de enfermagem esperados (cf. FORSBERG, et.al. 2011). Múltiplos conceitos têm sido usados como sinônimos de raciocínio clínico na prática clínica e literatura, tais como: raciocínio diagnóstico, resolução de problemas e julgamento clínico (cf. SIMMONS, 2010). O processo de raciocínio clínico envolve a interação de processos interpessoais, técnicos e intelectuais. Os processos interpessoais consistem na comunicação com o paciente e profissionais de saúde, com o objetivo de obter e analisar os dados para a tomada de decisão. Os processos técnicos envolvem o uso de ferramentas e habilidades específicas, como anamnese e exame físico, além da coleta de dados da família e/ou da comunidade. Os processos intelectuais incluem o desenvolvimento da inteligência, competências e o emprego do pensamento crítico (cf. LUNNEY, 2011). Nesse entendimento, conclui-se que os enfermeiros só podem oferecer cuidado, com base na qualidade, destacando-se dos demais profissionais de saúde, quando tiverem inteligência e competências de pensamento crítico e raciocínio clínico suficientes para utilizar os conhecimentos existentes na prática clínica, aliados ao conhecimento teórico de enfermagem, como disciplina para o cuidar. Torna-se essencial a capacidade de pensar o conhecimento e raciocinar clinicamente. Se usá-los com eficiência, a enfermagem será referência no cuidar. 86 4º Congresso Integrado do Conhecimento

Segurança do paciente: Um compromisso da equipe de enfermagem Profª Drª Adriana Giunta Cavaglieri Resumo Observa-se que nas últimas décadas a preocupação com a segurança no cuidado prestado ao paciente tem se tornado um dos assuntos mais discutidos na área da saúde, refletindo na busca de estudos e de evidências científicas. No Brasil a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente-REBRAENSP foi criada em maio de 2008 por enfermeiros e adotou estratégias para o desenvolvimento de articulação e de cooperação entre instituições de saúde e educação, com o objetivo de fortalecer a assistência de enfermagem, uma enfermagem segura e com qualidade. Trata-se de um movimento social na enfermagem brasileira bem sucedido que, reconhecendo o seu papel na assistência à saúde, busca por cooperação, parceria e mudanças. Palavras-chave Segurança do paciente; assistência de enfermagem; qualidade. Entende-se, por segurança, ato ou efeito de segurar-se; estado; qualidade ou condição de seguro; convicção. Observa-se que, nas últimas décadas, a preocupação com a segurança no cuidado prestado ao paciente tem se tornado um dos assuntos mais discutidos na área da saúde, refletindo na busca de estudos e de evidências científicas. Florence Nightingale, precursora da enfermagem, relatava que seria dever do hospital não causar mal ao paciente. Desde 1863, essa renomada enfermeira teve a visão de que poderiam ocorrer erros na assistência prestada ao paciente. Percebe-se que a segurança do paciente sempre foi uma tônica integrante da profissão de enfermagem e, na atualidade, a preocupação com este tema volta à tona. No ano 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um grupo de trabalho com o objetivo de avaliar, de forma sistemática, a segurança do paciente nos serviços de saúde baseadas em evidências científicas com melhores práticas voltadas à segurança do paciente. Em 2005, criou o programa denominado Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, com diretrizes e estratégias para incentivar e divulgar, em diferentes países, práticas que garantissem a segurança dos pacientes e criar o desenvolvimento de pesquisas. O termo usado pela OMS atualmente é Programa de Segurança do Paciente. No ano de 1999, o Ministério da Saúde criou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) com a missão de proteger e promover a saúde, garantindo a segurança sanitária dos produtos e serviços. Pacientes em todo o mundo, inclusive no Brasil, estão sujeitos a erros de assistência na saúde. A OMS estima que um, em cada dez pacientes, possa ser vítima de erros e eventos adversos durante a prestação de assistência à saúde no mundo e que medidas de prevenção precisam ser ano 4, nº 4, vol. 4, 2013 87

adotadas para reverter esse panorama. A ANVISA, para obter informação qualificada sobre o desempenho dos produtos de saúde usados no Brasil, criou a Rede Brasileira de Hospitais Sentinela. Rede essa de serviços que tem o objetivo de notificar eventos adversos e queixas técnicas de produtos de saúde, sangue e hemoderivados, materiais e equipamentos médico-hospitalares. Os hospitais credenciados como Rede Sentinela, deveriam implementar o Gerente de Risco, designado pela Diretoria do Hospital para atuar como elemento de comunicação direto com a ANVISA com um papel importante nas iniciativas nacionais sobre segurança do paciente nas instituições. A criação dos comitês multidisciplinares nas instituições de saúde com a finalidade de articular e coordenar programas e atividades de prevenção de eventos adversos foi denominado Comitês de Qualidade, Comitê de Farmácia e Terapêutica ou Comitê de Segurança do paciente. Alguns hospitais privados adotaram essa iniciativa e influenciaram, de algum modo com exemplos de experiências bem sucedidas. Esses comitês foram criados com o objetivo de promover uma cultura hospitalar voltada para a segurança de pacientes por meio de planejamento, desenvolvimento, controle e avaliação de processos assistenciais. Quando instituídos, estão, geralmente ligados à mais alta administração e muitos são liderados por enfermeiros. O profissional enfermeiro é responsável pelo planejamento das ações de enfermagem quanto à disponibilização de recursos materiais considerados adequados e seguros, capacitando sua equipe e proporcionando condições no ambiente de trabalho, favorecendo a realização do cuidado, garantindo assim segurança para o paciente.no Brasil, a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente-REBRAENSP, criada em maio de 2008 por enfermeiros, adotou estratégias para o desenvolvimento de articulação e de cooperação entre instituições de saúde e educação, com o objetivo de fortalecer uma assistência de enfermagem segura e com qualidade. É um bem sucedido e exemplar movimento social na enfermagem brasileira que, reconhecendo o seu papel na assistência à saúde, busca por cooperação, parceria e mudanças. O Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (gestão 2008 2011) criou o Programa de Segurança do paciente. O programa foi desenvolvido com a participação de enfermeiros assessores da Câmara de Apoio Técnico (CAT) e conselheiros e em parceria com a REBRAENSP e com diversas lideranças na área, integrando docentes das Escolas de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo, da Universidade de São Paulo, enfermeiros da gestão e da assistência. Estabelecendo assim metas: - Identificação do paciente; - Cuidado limpo e cuidado seguro: higienização das mãos; - Cateteres e sondas : conexões corretas; - Cirurgia segura; - Sangue e hemocomponentes : administração segura; - Paciente envolvido com sua própria segurança; - Comunicação efetiva; - Prevenção de queda; - Prevenção de úlcera por pressão; - Segurança na utilização de tecnologia 4. A preocupação de alertar os profissionais sobre a Segurança do Paciente, traz um desafio para os Enfermeiros: pesquisas devem ser desenvolvidas para se evidenciar e buscar subsídios de uma assistência segura e com qualidade prestada ao paciente. Profissionais esses, como membros da equipe de saúde, estão em uma investigação consistente, para identificar as falhas no sistema e criar novas estratégias, mais efetivas para solucionar os problemas que colocam em risco a saúde do paciente 2. 88 4º Congresso Integrado do Conhecimento

Referências BOHOMOL E. Erros de Medicação: causas e fatores desencadeantes sob a ótica da equipe de enfermagem. [Dissertação]. São Paulo: Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo; 2002. CASSIANI SH de B. Enfermagem e a Pesquisa sobre Segurança dos Pacientes. Acta paul. enferm. vol.23 n.6 São Paulo, 2010. COREN-SP. Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo. Programa Segurança do Paciente do COREN-SP. Disponível em: http:// inter.corensp.gov.br. Acesso 29 de setembro 2013. DOMINGUES AN. Lurenti TC. Grazziano ES. Zem- Mascarenhas SH. A enfermagem e a segurança do paciente. Pólo de Segurança do Paciente São Carlos, outubro de 2010. ano 4, nº 4, vol. 4, 2013 89