Inflação e Desemprego

Documentos relacionados
Introdução à Macroeconomia

O Mercado Real. Macroeconomia Maria do Rosário Matos Bernardo fevereiro de 2015 (atualizado em abril de 2015)

O Modelo IS-LM ou Modelo a Preços Constantes

O Modelo AD-AS ou Modelo a Preços Variáveis

O Mercado Real Exercícios

O Modelo IS-LM ou Modelo a Preços Constantes Exercícios

Macroeconomia. 5. O Mercado de Bens e Serviços. Francisco Lima. 2º ano 1º semestre 2012/2013 Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial

Ficha de Unidade Curricular (FUC) Unidade Curricular: Análise Macroeconómica

Macroeconomia. 5. O Mercado de Bens e Serviços. Francisco Lima. 2º ano 1º semestre 2013/2014 Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial

Macroeconomia. 5. O Mercado de Bens e Serviços. Francisco Lima. 2º ano 1º semestre 2014/2015 Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial

1G202 - MACROECONOMIA I

1G202 - MACROECONOMIA I

CAPÍTULO 7. Agregando todos os mercados: o modelo OA-DA. Olivier Blanchard Pearson Education

LEC206 - MACROECONOMIA II

Universidade de Lisboa. Folha de Resposta

Macroeconomia Equilíbrio Geral

Macroeconomia. Capítulo 4 Dinâmica Macroeconómica

O Modelo AD-AS ou Modelo a Preços Variáveis - Exercícios

12 Flutuações de Curto Prazo

GRUPO I (7 valores) 1. Identifique um dos principais fatores que determinam a produção de bens económicos?

Exercícios de Macroeconomia

1E207 - MACROECONOMIA II

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA

Fig. 1-1 Procura e oferta agregadas no longo prazo. Produto (Y)

Macroeconomia Aplicada - Notas de Aula Professor: Waldery Rodrigues Júnior

Macroeconomia. 5. O Mercado de Bens e Serviços. Francisco Lima. 2º ano 1º semestre 2015/2016 Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial

MACROECONOMIA Teste Intermédio

Exemplo de Frequência / Exame de Macroeconomia. Grupo I (Teóricas)

1G202 - MACROECONOMIA I

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Ano lectivo 2004/2005 Exame 1ª Época

MACROECONOMIA I. Licenciatura em Economia 2006/2007 TÓPICOS DE RESOLUÇÃO Exame Época Especial - 11 Setembro Normas e Indicações: Bom trabalho!

MACROECONOMIA I. Licenciatura em Economia 2004/2005. Prova complementar 11 Fevereiro Normas e Indicações:

Modelo Oferta Agregada Demanda. Exercícios e Questões

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

II Projeções para a economia portuguesa em 2018

UNIVERSIDADE DA MADEIRA Departamento de Gestão e Economia MACROECONOMIA II. Ficha de Exercícios 1 Revisão de Conceitos

MACROECONOMIA I Curso de Gestão 2008/09

é maior (menor) do que zero. Assim, o multiplicador em (c) será maior se b 1 é grande (investimento é sensível à renda),

Inflação, atividade econômica e crescimento da moeda nominal

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DISCIPLINA: ECONOMIA ALUNOS: LEANDRO SUARES, LUIS FELIPE FRANÇA E ULISSES

MACROECONOMIA I LEC /08

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Teste Intermédio

Expectativas, produto e política econômica

Seminário de Economia Europeia

LEC206 - MACROECONOMIA II

Faculdade de Economia do Porto Ano Lectivo de 2006/2007

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO. Faculdade de Ciências e Letras FCLar Araraquara

MACROECONOMIA I. Licenciatura em Economia 2006/2007. Exame Época Especial - 11 Setembro Normas e Indicações: Bom trabalho!

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Exame de 1ª época

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Teste Intermédio

Política monetária: Inflação e o regime de metas

ANEXO 9.B. Análise Gráfica do Modelo Mundell-Fleming (IS-LM-BP)

IGEPP GESTOR Prof. Eliezer Lopes

Capítulo 6. Política Macroeconómica no curto prazo com câmbios fixos. Política macro de curto prazo

Introdução à Macroeconomia 3ª Ficha de trabalho

Modelos de determinação da renda: o Modelo Clássico

O Equilíbrio do Mercado de Moeda A Curva de LM e o Equilíbrio IS-LM

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Exame 2ª época

Economia. Modelo Clássico. Professor Jacó Braatz.

Aula 3 - Modelo Keynesiano Simples

Avaliação Distribuída 2º Mini-Teste (30 de Abril de h30) Os telemóveis deverão ser desligados e guardados antes do início do teste.

Teoria Econômica II: Macroeconomia. Economia Fechada. Além, A.C., Macroeconomia, SP: Elsevier, 2010 Capítulos 3, 4 e 7

Programa de Unidade Curricular

MACROECONOMIA. O problema é que às vezes alguns pormenores importantes são omitidos.

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA IGE

Demanda e oferta agregadas

Teoria Econômica II: Macroeconomia. Economia Fechada. Além, A.C., Macroeconomia, SP: Elsevier, 2010 Capítulos 3, 4 e 7

CAPÍTULO. Progresso tecnológico, salários e desemprego. Olivier Blanchard Pearson Education

MACROECONOMIA (Curso de Economia Brasileira, DEP)

GRUPO I (7 valores) 3. Identifique uma das principais características do sistema de economia mista.

Ciclos Económicos: IS-LM-FE / AD- AS (SRAS-LRAS)

Oferta Agregada, Inflação e Desemprego Inflação e Desemprego ; salários, preços e curva AS

CAPÍTULO 17. Expectativas, produto e política econômica. Olivier Blanchard Pearson Education

PROVA-MODELO DE EXAME 2

Oferta Agregada, Inflação e Desemprego Inflação e Desemprego ; salários, preços e curva AS

MACROECONOMIA CADERNO DE EXERCÍCIOS

MACROECONOMIA I 1E201

Macroeconomia Equilíbrio Geral

Introdução à Economia

ISCTE IUL, Exame, Macroeconomia I (L0271), Licenciatura de Economia, 8 Janeiro Licenciatura de Economia MACROECONOMIA I

Transcrição:

Inflação e Desemprego Macroeconomia 61024 Esta apresentação não dispensa a leitura integral do capítulo 6 do livro Sotomayor, Ana Maria e Marques, Ana Cristina. (2007). Macroeconomia. Universidade Aberta. Lisboa. Maria do Rosário Matos Bernardo maio de 2015

Conteúdos Inflação e Desemprego Tipos de inflação A inflação pela procura: causas e efeitos A inflação pela oferta: causas e efeitos A curva de Phillips 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 2

Introdução A inflação pode ser definida como a subida generalizada e contínua de preços na economia. Classificações de inflação consoante os objetivos de análise: Inflação quanto às causas Inflação pela procura Inflação pela oferta Inflação quanto ao tipo Inflação interna Inflação importada Inflação quanto ao seu montante Inflação baixa Inflação moderada Inflação galopante Na nossa UC vamos estudar com mais pormenor a inflação quanto às causas. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 3

Inflação pela procura (1/2) A inflação pela procura é a subida generalizada e contínua de preços na economia, resultante de deslocações da curva de procura agregada para a direita. Segundo Samuelson e Northaus (2005) é a inflação dos preços causado, por exemplo, por um aumento significativo da procura agregada. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 4

Inflação pela procura (2/2) P AS P2 P1 0 AD1 Y1 Y2 Ype Y AD2 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 5

Deslocações da curva de procura agregada para a direita Retomando o que se estudou no capítulo 5 (páginas 206 a 209), a curva AD desloca-se para a direita quando manobradas as variáveis estratégicas da seguinte forma: Aumento dos gastos públicos ( G) Aumento das transferências autónomas (Tr) Diminuição dos impostos autónomos T Diminuição da taxa de imposto (t) Aumento do investimento autónomo ( I) Aumento das exportações autónomas ( X) Diminuição das importações autónomas ( Z) Aumento da massa monetárias ( M) 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 6

Efeito sobre as variáveis objetivo A inflação pela procura resulta da implementação de políticas expansionistas, como tal está associada ao aumento do rendimento (Y) e á diminuição da taxa de desemprego. Se resultar de uma política orçamental expansionista, o saldo orçamental (SO) deteriora-se e o saldo da balança corrente (BC) também se deteriora. Se resultar de uma política expansionista implementada pelas empresas, o saldo orçamental (SO) melhora, e o saldo da balança corrente (BC) melhora se as variáveis manobradas forem X ou Z, e deteriora-se se a variável manobrada for I. Se resultar se uma política monetária expansionista, o saldo orçamental (SO) melhora e o saldo da balança corrente (BC) deteriora-se. Relembrar o que estudou no capítulo 2 relativamente à relação entre as variáveis objetivo e estratégicas (página 95) Relembrar o que estudou no capítulo 4 relativamente à alteração do ponto de equilíbrio e relativamente à eficácia das políticas (pág 168 a 180) Estudar as páginas 235 a 237 do livro 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 7

Inflação pela oferta (1/2) A inflação pela oferta, ou pelos custos, consiste na subida generalizada e contínua de preços na economia, resultante de deslocações da função oferta agregada para a esquerda. Segundo Samuelson e Northaus (2005) é a inflação originada no lado da oferta do mercado devida a um forte aumento dos custos. É também designada por inflação por choques da oferta. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 8

Inflação pela oferta (2/2) P AS2 P2 P1 0 AS1 AD1 Y2 Y1 Ype Y 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 9

Deslocações da curva de oferta agregada para a esquerda Retomando o que se estudou no capítulo 5 (pág, 224 a 227), a curva AS desloca-se para a esquerda devido à manobra dos seguintes determinantes, um de cada vez: Retrocesso tecnológico Aumento dos custos de produção Aumento das preferências dos trabalhadores por lazer (ou diminuição das preferências dos trabalhadores por trabalho) 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 10

Efeitos obre as variáveis objetivo A inflação pelos custos gera diminuição do rendimento e, consequentemente, um aumento da taxa de desemprego. Seja qual for o determinante que origine a inflação pelos custos, o saldo orçamental (SO) deteriorar-se e o saldo da balança corrente (BC) melhora. Pois: SO = T + ty G Tr, diminuindo Y o SO vai diminuir também. BC = X Z my, diminuindo Y o BC vai aumentar Rever as equações de comportamento de SO e BC que foram estudadas nos capítulos 2 e 4 (ver, por exemplo, páginas 63 e 88) Estudar as páginas 237 a 238 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 11

A curva de Phillips (1/3) Em 1958, A. W. Phillips, então professor na London School of Economics, publicou um estudo abrangente sobre o comportamento dos salários no Reino Unido entre os anos de 1861 e 1957. A principal descoberta( )retirada deste artigo: a curva de Phillips representa uma relação inversa entre a taxa de desemprego e a taxa de crescimento dos salários nominais. Quanto maior for a taxa de desemprego, menor será a taxa de inflação dos salários. Por outras palavras: há conflituosidade entre a inflação salarial e a taxa de desemprego. (Dornbush, Fischer e Startz, 1998) 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 12

A curva de Phillips (2/3) A curva de Phillips original relaciona a taxa de crescimento dos salários, ou inflação salarial, com o desemprego, contudo, gradualmente a designação curva de Phillips passou gradualmente a ser utilizada também para referir a curva que relaciona a taxa de crescimento dos preços (taxa de inflação: π) com a taxa de desemprego (u). Curva de Phillips de curto prazo Estudar páginas 238 a 243 do livro 0 u 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 13

A curva de Phillips (3/3) A curva de Phillips tem inclinação negativa: Quando se pretende diminuir a taxa de inflação gera-se um agravamento da taxa de desemprego. Quando se pretende diminuir a taxa de desemprego gera-se um agravamento da taxa de inflação. A inflação subjacente à curva de Phillips é a inflação pelos custos, pois a análise é feita tem por base o mercado de trabalho e os custos com este fator de produção 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 14

A curva de Phillips Conceitos Taxa de desemprego efetivo A taxa de desemprego efetivo, num determinado período, corresponde á percentagem de população ativa que não se encontra empregada. Taxa natural de desemprego É a taxa de desemprego correspondente ao rendimento de pleno emprego (Verificar o slide 33 dos slides de apoio 5 ) Taxa de inflação observada A taxa de inflação observada é a percentagem, normalmente anual, de aumento no nível geral de preços. Esta a taxa de inflação que os agentes económicos vão considerar ao negociar os salários para o período seguinte. Taxa de inflação esperada A taxa de inflação esperada é a percentagem de aumento no nível geral de preços que ao agentes económicos esperam que se venha a verificar num determinado período 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 15

Rácio de sacrifício Rácio de sacrifício O valor da taxa de desemprego em excesso face à taxa natural de desemprego, necessário para que a taxa de inflação diminuía um ponto percentual. Este rácio depende da inclinação da curva de Phillips e da forma como os agentes económicos formulam as suas expetativas. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 16

A curva de Phillips Deslocações (1/2) A implementação de medidas de política orçamental, de política monetária ou a alteração das variáveis controladas pelas empresas originam deslocações ao longo da curva de Phillips. Medidas expansionistas: deslocação para cima com diminuição da taxa de desemprego e aumento da taxa de inflação Medidas contracionistas: deslocação para baixo com aumento da taxa de desemprego e diminuição da taxa de inflação 2 1 2 1 Curva de Phillips 3 0 3 u2 u1 u3 u 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 17

A curva de Phillips Deslocações (2/2) A inflação pelos custos origina a passagem de uma curva de Phillips para outra localizada mais à esquerda da primeira. Normalmente tem origem no aumento dos custos de produção, mas pode resultar de um retrocesso tecnológico ou de um aumento das preferências dos trabalhadores por lazer. Nesta situações temos um aumento simultâneo da taxa de 2 1 inflação (π 1 < π 2 ) e da taxa 0 de desemprego (u 1 < u 2 ). u1 u2 CP1 CP2 u 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 18

Estagflação A estagflação é um termo criado para designar uma situação de desemprego elevado ( estagnação, ou crescimento muito lento do produto da economia) acompanhado de taxas de inflação elevadas. Esta situação põe em causa a relação definida pela curva de Phillips 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 19

A curva de Phillips Condições de validade A curva de Phillips é válida no curto prazo quando se verificam as seguintes condições: Inflação com valores baixos e relativamente estável Expetativas dos agentes económicos, relativamente à taxa de inflação, estáveis A curva de Phillips original tinha como pressuposto que os trabalhadores sofriam de ilusão monetária e, como tal, negociavam os salários nominais, independentemente do poder de compra esperado. O fenómeno de estagflação levou à consideração das expetativas dos agentes económicos na curva de Phillips. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 20

A curva de Phillips aumentada das expetativas Graficamente, a curva de Phillips aumentada das expetativas não difere da curva de Phillips de curto prazo já apresentada. Contudo, esta curva de Phillips encontra-se estabilizada num determinado valor de taxa de inflação esperada (π e ). Quando as expetativas sobre o valor futuro de inflação se alteram a curva de Phillips desloca-se para a direita, se o valor da taxa de inflação esperada aumentar, ou para a esquerda, se o valor da taxa de inflação esperada diminuir. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 21

A curva de Phillips de longo prazo Os agentes económicos, vão revendo as suas expetativas de inflação esperada para um mesmo nível de taxa de desemprego, o que faz com que ao longo do tempo a curva de Phillips tenda a deslocar-se até chegar a um ponto no tempo em que a taxa de inflação esperada e observada vão coincidir. Nesse ponto a taxa de desemprego observada será igual à taxa de desemprego natural ( u) A curva de Phillips de longo prazo será vertical ao nível da taxa natural de desemprego. 0 u Curva de Phillips de longo prazo u 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 22

A curva de Phillips do curto para o longo prazo CPLP 5% 2% 0 u CPCP3 ( e = 5%) CPCP2 ( e = 2%) CPCP1 ( e = 0%) u Estudar as páginas 238 a 248 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 23

Bibliografia Leitura obrigatória Sotomayor, Ana Maria e Marques, Ana Cristina. (2007). Macroeconomia. Universidade Aberta. Lisboa. Consultada para a elaboração destes slides: Amaral, J.F.; Louçã, F.; Caetano, G.; Fontainha, E.; Ferreira, C. e Santos, S. (2007) Introdução à Macroeconomia (2ª edição).escolar Editora. Lisboa. Belbute, J.M.M. (2003). Princípios de Macroeconomia. Gradiva Publicações. Lisboa. Dornbush, R.; Fisher, S. e Startz, R. (1998). Macroeconomia (7ª edição). McGraw-Hill. Samuelson, P. A. e Nordhaus, W.D. (2005). Economia (18ª edição). McGraw-Hill. 2015 Maria do Rosário Matos Bernardo 24