www2.jatai.ufg.br/oj/index.php/matematica Quanta equaçõe exitem? Rogério Céar do Santo Profeor da UnB - FUP profeorrogeriocear@gmail.com Reumo O trabalho conite em denir a altura de uma equação polinomial com coeciente inteiro, e depoi em calcular quanta equaçõe exitem com determinado grau e altura pré-xado. Em eguida, utilizaremo ete reultado para motrar que o conjunto deta equaçõe é enumerável. O trabalho conite num ótimo exercício de Análie Combinatória. Palavra chave: Enumerabilidade, Altura de uma Equação, Análie Combinatória. How many equation do exit? Abtract In thi work we dene the high of a polinomial equation with integer coecient and then calculate how many equation do exit in a given degree and height. After, we ue thi reult to how that the et of thi equation i enumerable. Keyword: Enumerability, height of an equation, combinatorial analyi. 1 Introdução A altura de uma equação polinomial a n x n +a n 1 x n 1 + +a 1 x+a 0 = 0 com coeciente a i inteiro é denida como a oma do módulo de eu coeciente. Noa propota é contar o número de equaçõe que pouem uma determinada altura h, o que conite numa boa aplicação da análie combinatória. Ao fazermo tal contagem, eremo capaze também de provar que o conjunto E de toda a equaçõe polinomiai com coeciente inteiro é enumerável, ito é, que exite uma função bijetora de domínio N = {1, 2, } e imagem E. Para tanto, vamo aumir o eguinte teorema, cláico da Análie Real, retirado de (FIGUEIREDO-1996: Teorema 1. Se {X 1, X 2, } é um conjunto enumerável, onde cada X i é um conjunto nito, então a união do X i ' é um conjunto enumerável. Um elemento típico em E erá denotado por a n x n + a n 1 x n 1 + + a 1 x + a 0 = 0, n > 0. Aim, a equaçõe x 2 2 = 0 e x 8 + 4x 6 13x = 0, de grau 2 e 8 repectivamente, Santo, R.C. - 1- Quanta equaçõe exitem?
www2.jatai.ufg.br/oj/index.php/matematica ão elemento de E. Vamo coniderar que a equaçõe de memo grau, ma que diferem em eu coeciente, ão ditinta, memo que tenham a mema raíze. Por exemplo, 2x 2 4 = 0 x 2 2 = 0. Segue abaixo a denição da altura de uma equação. Denição 2. Fixada uma equação de grau n, denimo a ua altura h como endo h = Oberve que, como o grau da equação é n, egue que a n 0, portanto, h > 0. n a i. i=0 2 Cálculo da altura h para o cao h maior do que o grau da equação Lema 3. Dado {0, 1, } e h tal que h ( + 1 0, então a quantidade de ( + 1- upla (t n 0, t 1 0, t 2 0,, t ( 0, oluçõe inteira e não negativa da equação h 1 t n +t 1 +t 2 + +t 1 +t = h (+1, é (combinação de h=1 elemento tomado a. Demontração. ( h 1 1º cao: h ( + 1 = 0. Temo: h=1 = e, portanto, = 1. Por outro lado, é fácil ver que a única olução da equação nee cao é a (+1-upla (0, 0,..., 0. 2º cao: h ( + 1 > 0. Temo: h > + 1 0 + 1 = 1 h 1 > 0. Trata-e de um problema cláico de análie combinatória (veja o o exercício C.1 do cap 26 em (PAIVA-1995: e dipuermo h ( + 1 barra e ímbolo de + em la, o problema e reume em determinarmo de quanta forma podemo permutar todo ete h 1 > 0 objeto. Ea quantidade correponde ao número de permutaçõe de h 1 elemento, do quai h ( + 1 e repetem, e e repetem: P (h (+1, h 1 = ( (h 1! (h ( + 1!! = (h 1! h 1 ((h 1!! = Corolário 4. Dado {0, 1, } e h tal que h=( + 1 0, a quantidade de ( + 1-upla (z n > 0, z 1 > 0,, z > 0, oluçõe poitiva da equação z n + z 1 + z 2 + + z = h, é ( h 1. Santo, R.C. - 2- Quanta equaçõe exitem?
www2.jatai.ufg.br/oj/index.php/matematica Demontração. Tomando t n = z n =1, t 1 = z 1 =1,, t = z =1, etamo na hipótee do lema 3, ou eja, t n 0, t 1 0,, t 0 e t n + t i = h ( + 1, e o reultado egue imediatamente do lema 3. Corolário 5. Sejam h > n > 0, e conidere o conjunto {0 k 1 < k 2 < < k < n} formado por número inteiro. A quantidade M de equaçõe de grau n, altura ( h, e tendo o +1 coeciente de x n, x k, x k 1,, x k 1 h 1 não-nulo e o demai nulo é M = 2 +1. Demontração. A quetão conite em encontrar quanta ( + 1-upla (a n 0, a k 0,, a k1 0 reolvem a equação a n + i=1 a ki = h. i=1 Tomando a n = z n, a k1 = z 1,, a k = z, etamo na hipótee do colorário 4 (oberve que, como h > n > 0, então h >, e aim h + 1. Como o + 1 coeciente a n, a k1,..., a k etão em módulo, o inal de cada um dele não modica a altura h. E como podemo variar o inal de cada uma da (( + 1-upla (z n, z 1,, z obtida no corolário 4 h 1 de 2 +1 maneira, temo que M = 2 +1. Corolário 6. Fixado h > n > 0, a quantidade ( de equaçõe ( de grau n, altura h e pouindo h 1 n exatamente + 1 coeciente não nulo é 2 +1. Demontração. Na equaçõe que atifazem a hipótee, a n já é diferente de zero. Aim, a quetão conite em pegar coeciente não nulo do conjunto A = {a 0,, a n=1} para então realizarmo a mema contagem realizada no colorário 5. De quanta( forma podemo n pegar coeciente em A? Combinação de n elemento tomado a :. Aim, o ( ( h 1 n número de equaçõe com + 1 coeciente não nulo é 2 +1. O corolário a eguir dá, nalmente, o número de equaçõe com determinada altura h e grau n, no cao em que h > n. Corolário 7. O número de equaçõe em E com um dado grau n > 0 e uma dada altura h > n > 0 é n =0 ( h 1 ( n 2 +1 Santo, R.C. - 3- Quanta equaçõe exitem?
www2.jatai.ufg.br/oj/index.php/matematica Demontração. Como h > n > 0, o valor (número total de coeciente não nulo meno 1 do colorário 6 pode aumir dede o valor 0 até o valor n, veja o exemplo: na equação (n + 1 x n = 0, h = n + 1 > n e = 0, enquanto que na equação x n + x n 1 + + x + 1 = 0, h também vale n + 1 > n e = n. Bata, portanto, omarmo a quantidade de equaçõe coniderada no colorário 6 para cada = 0, 1,, n. 3 Cálculo da altura h para o cao h menor ou igual do que o grau da equação Corolário 8. O número de equaçõe em E com um dado grau n > 0 e uma dada altura 0 < h < n + 1 é h 1 ( h 1 =0 ( n 2 +1 Demontração. Suponha que a equação a n x n + a k1 x k 1 + + a k x k = 0, a n 0, a k1 0,, a k 0 tenha altura h < n+1. Portanto +1 a k1 + a k2 + + a k + a n = h n, ito é, a quantidade + 1 de coeciente não-nulo poderá er, no máximo, h. Logo, ao invé de variar de 0 até n como no colorário 7, deve variar de 0 até h=1. Oberve que, na demontraçõe do corolário 5 e 6, foi uado eencialmente que h > 4 Concluão Reumindo a concluõe do corolário 7 e 8, temo: xado n > 0 e h > 0, o número N n,h de equaçõe polinomiai com coeciente inteiro, grau n e altura h é: ( ( h 1 h 1 n =0 2 +1, e h n N n,h = ( ( n h 1 n =0 2 +1, e h > n Seguem algun exemplo (o cálculo de N n,h e a última tabela cam a cargo do leitor: n = 1, h = 1 N 1,1 = 2 n = 1, h = 2 N 1,2 = 6 n = 1, h = 3 N 1,3 = 10 x = 0 x + 1 = 0, x + 1 = 0, x 1 = 0, 3x = 0, 3x = 0, 2x + 1 = 0 x = 0 x 1 = 0, 2x = 0, 2x = 0 2x + 1 = 0, 2x 1 = 0 2x 1 = 0, x + 2 = 0 x + 2 = 0, x 2 = 0 x 2 = 0 Santo, R.C. - 4- Quanta equaçõe exitem?
REMat www2.jatai.ufg.br/oj/index.php/matematica n = 2, h = 1 N 2,1 = 2 n = 2, h = 2 N 2,2 = 10 n = 2, h = 3 N 2,3 = 26 x 2 = 0, x 2 = 0 2x 2 = 0, 2x 2 = 0, x 2 + x = 0, ±3x 2 = 0, (2 equaçõe x 2 + x = 0, x 2 x = 0, ±2x 2 ± 1 = 0, (4 equaçõe x 2 x = 0, x 2 1 = 0 ±2x 2 ± x = 0, (4 equaçõe x 2 + 1 = 0, x 2 1 = 0 ±x 2 ± 2x ± 1 = 0, (8 equaçõe x 2 1 = 0 ±x 2 ± x ± 2 = 0, (8 equaçõe n = 3, h = 1 N 3,1 = 2 n = 3, h = 2 N 3,2 = 14 n = 3, h = 3 N 3,3 = 50 Agora, denote por C n,h o conjunto da equaçõe de grau pré-xado n e altura pré-xada h, e C o conjunto de todo o conjunto C n,h, n = 1, 2, e h = 1, 2, Podemo enumerar C eguindo a etinha abaixo, começando por C 1,1 : C 1,1 C 1,2 C 1,3 C 1,4 C 2,1 C 2,2 C 2,3 C 2,4 C 3,1 C 3,2 C 3,3 C 4,1 C 4,2 Concluiremo agora a demontração de que E é enumerável: cada conjunto C n,h poui uma quantidade nita N n,h de elemento, e E = C n,h. Logo, pelo teorema 1, etá provado que E é enumerável. Referência n = 1, 2, h = 1, 2, [FIGUEIREDO-1996] FIGUEIREDO, D. G. Análie I. 2ª edição. LTC, Rio de Janeiro,1996 [PAIVA-1995] PAIVA, M. Matemática 2. 1ª Edição. Editora Moderna, São Paulo, 1995 Santo, R.C. - 5- Quanta equaçõe exitem?