Fenômenos Linguísticos

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Transcrição:

Fenômenos Linguísticos Várias bancas de vestibular mudaram bastante a sua cobrança nas provas de Língua Portuguesa de dez anos para cá. É bem verdade que aquela gramatiquice, que, por muitas vezes, fazia o aluno apenas decorar a matéria, tem sido deixada de lado para ser substituída por um entendimento mais interpretativo de enunciados, de propagandas, de manchetes, de tirinhas, de fotos e de textos de uma forma em geral. Para isso ser traduzido em resultado eficaz nas nossas provas, principalmente a do Enem, precisamos estudar este módulo com bastante atenção. É fundamental saber reconhecer fenômenos linguísticos para aprimorarmos a nossa capacidade de leitura e de produção. Lembrese que os exercícios são tão importantes quanto à teoria. 1) Relações entre Palavras a) Sinonímia: Dois vocábulos possuem significados muito próximos. Como se trata de uma relação semântica entre as palavras, para determinar se dois vocábulos são sinônimos ou não, o contexto é fundamental. Veja, por exemplo, o enunciado Joana implorou por paz no mundo. Nele, poderíamos substituir implorou por rogou, embora percamos um pouco da expressividade que aquela primeira palavra emprestava ao texto. Por isso, implorar e rogar são, nesse contexto, sinônimos. b) Antonímia: Dois vocábulos possuem significações opostas. Mais uma vez, o contexto é essencial para determinar se dois vocábulos são antônimos ou não. Por exemplo, na canção O Quereres, Caetano Veloso diz: Onde queres coqueiro / Sou revólver, Criou-se uma antonímia contextual entre os vocábulos coqueiro e revólver. c) Hiperonímia e Hiponímia: Um termo é hiperônimo quando sua significação engloba o sentido de outros termos, que são, por isso, chamados de hipônimos. Por exemplo, peixe é hiperônimo de salmão, bacalhau, linguado, etc. d) Paronímia: Dois vocábulos são parecidos na grafia e na sonoridade, mas diferentes no sentido, como infligir e infringir. A utilização recorrente de parônimos em um texto pode gerar um recurso expressivo bastante interessante chamado paronomásia. e) Homonímia: Há identidade no campo sonoro e/ ou gráfico de dois vocábulos de origens distintas. Por isso, os homônimos podem ser: Homógrafos a identidade ocorre no nível gráfico - (sede lugar x sede vontade de beber)

Homófonos a identidade ocorre no nível sonoro - (sessão x seção x cessão) Perfeitos a identidade ocorre no nível gráfico e no nível sonoro (manga) f) Polissemia: Um mesmo vocábulo pode apresentar mais de um sentido. Difere da homonímia por ser a mesma palavra, e não, palavras com origens diferentes que convergiram foneticamente; a principal causa da polissemia é o uso figurado, por metáfora ou metonímia, por extensão de sentido, analogia, etc. É o caso, por exemplo, da palavra prato, que pode significar vasilha, comida, iguaria, instrumento musical, etc. 2) Ambiguidade Um determinado segmento linguístico pode produzir mais de uma leitura. A ambiguidade é um fenômeno muito frequente, mas, na maioria dos casos, o contexto (tanto o linguístico quanto o situacional) indica qual a leitura mais apropriada. Em tese, ela deve ser evitada em determinados tipos de textos, a fim de evitar ruídos ou prejuízos no entendimento. A ambiguidade pode ser causada por diversos fatores, como, por exemplo, a má colocação do pronome possessivo. Veja: A mãe de Pedro entrou com seu carro na garagem. De quem era o carro? A mãe de Pedro entrou na garagem com o carro dela. 3) Modalizadores Elementos linguísticos capazes de determinar a maneira como aquilo que se diz é dito. Nesse caso, passam a ser essenciais para a correta compreensão do texto. Analisemos, por exemplo, a modalização operada pelo verbo dever nos seguintes enunciados: Todos os cidadãos devem votar no dia da eleição. O verbo dever aqui indica algo obrigatório. O trânsito deve piorar depois das férias. O verbo dever aqui indica algo provável. A economia deve melhorar só daqui a dois anos. O verbo dever aqui indica algo possível. Alguns dos elementos linguísticos capazes de traduzir esse fenômeno são: a) expressões cristalizadas - (é provável, é possível, é obrigatório, etc.) b) advérbios e locuções adverbiais - (talvez, provavelmente, certamente, obrigatoriamente, etc.) c) determinados verbos auxiliares - (dever, poder, etc.)

d) determinadas locuções verbais, em geral com verbo principal no infinitivo - (ter de/que, precisar + infinitivo, dever + infinitivo, etc.) e) determinadas orações - (tenho certeza de que, há possibilidade de, todos sabem que, não há dúvida de que, etc.) 4) Marcadores de Pressuposição Elementos linguísticos que nos fazem entender informações secundárias, não-explícitas nos enunciados. Veja, por exemplo, o segmento: Jorge parou de fumar. A presença da locução parar de nos permite pressupor que, antes, Jorge fumava. Perceba, também, que o emissor, ao proferir esse enunciado, parte do princípio de que seu receptor já domina esse conteúdo pressuposto, sob pena de a comunicação se tornar incoerente ou, no mínimo, pouco eficiente. Essa característica possibilita ao emissor trabalhar os conteúdos pressupostos para construir enunciados interessantes do ponto de vista argumentativo. Analise, por exemplo, o segmento: Lamentamos não aceitar cartão de crédito nos pagamentos. A utilização do verbo lamentar para inserir de forma pressuposta a ideia de que o estabelecimento não aceita pagamento em cartão de crédito. No entanto, constituído dessa forma, o enunciado sugere que o receptor já tinha domínio dessa informação (o estabelecimento não aceita cartões), o que atenua o tom desagradável dela. Além dos operadores, podem instituir conteúdos pressupostos os seguintes marcadores, por exemplo: a) Verbos auxiliares que modificam o aspecto verbal, indicando mudança ou permanência de estado (começar a, deixar de, continuar, passar a, tornar-se, etc.) b) Verbos que introduzem uma noção ou um estado de espírito diante de um fato (lastimar, sentir, saber, etc.) c) Conectores circunstanciais, especialmente quando a ideia por eles introduzida vem anteposta (desde que, visto que, antes que, etc.) 5) Polifonia Em um mesmo texto, ouvem-se outras vozes (que não a do emissor), sejam elas explícitas, sejam elas implícitas. Trata-se de um fenômeno interessante porque permite que o emissor mostre perspectivas diversas da sua, para se identificar com elas ou refutá-las. A polifonia vem sendo utilizada na linguística para analisar os enunciados nos quais várias vozes são percebidas simultaneamente.

Veja, por exemplo, no slogan da propaganda abaixo, que diz: Aventura está no nosso sangue. Repare que a aventura pode tanto estar no sangue de quem lê como no da Ford, fornecedora do produto. Isso fica bastante evidente com o uso do pronome nosso. Determinados elementos gramaticais podem funcionar como índices da presença, no texto, de uma outra voz. Alguns dos principais são: a) Determinados operadores argumentativos, como, por exemplo, o pelo contrário na sequência Clara não é relaxada. Pelo contrário, tem organizado muito bem o seu quarto. Repare que tem organizado muito bem o seu quarto não se opõe a Clara não é relaxada. O que explica a presença do termo pelo contrário, que possui claro valor adversativo, é a presença de uma outra voz que afirma ser Clara uma pessoa relaxada. O termo em questão, portanto, introduz uma oposição ao pensamento definido por essa outra voz, e não uma oposição ao enunciado anterior. b) Os marcadores de pressuposição; c) Em alguns casos, as aspas e outros recursos gráficos como o itálico e o negrito; d) A intertextualidade; e) O discurso indireto livre. Sabemos que, nessa modalidade discursiva, o narrador fala como se fosse o personagem. Assim, caracteriza-se facilmente a polifonia.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 1. (ENEM 2003) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete: CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação: a) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase. b) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha. c) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência. d) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase. e) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase. 2. O enunciado a seguir é ambíguo por apresentar mais de uma possibilidade de leitura: A indicação do neurocientista trouxe benefícios para a pesquisa. a) Explique quais são as leituras possíveis. b) Desfaça a ambiguidade, deixando clara uma dessas leituras. 3. O verbo poder é considerado um modalizador da nossa língua por contribuir para a construção de sentido do discurso, determinando o modo como se diz aquilo que é dito. Observe, portanto, os enunciados abaixo e explicite o sentido que o verbo poder assume em cada um deles. a) Dutcher pode escrever substantivos, adjetivos ou advérbios sem qualquer dificuldade. b) Um derrame pode lesar uma área do cérebro onde os verbos são processados. 4. I. Para se candidatar a um emprego, o recém- formado compete com levas de executivos de altíssimo gabarito, desempregados. O jovem, sem experiência, literalmente, dança. II. Acostumados às apagadas, às vezes literalmente, mulheres dos dirigentes do Kremlin, os russos achavam que ela era influente demais, exibida, arrogante. a) O advérbio literalmente está adequadamente empregado nos dois textos? Justifique sua resposta. b ) A que palavra, em II, se refere a expressão às vezes literalmente? Qual é o duplo sentido produzido pela relação que aí se estabeleceu?

Gabarito 1. E 2. a) Uma das possibilidades de leitura seria considerar o termo do neurocientista como paciente da ação, ou seja, nesse caso, o neurocientista foi indicado (indicaram o neurocientista; alguém indicou o neurocientista), e esse fato trouxe benefícios para a pesquisa. A outra possibilidade seria reconhecer o termo do neurocientista como agente da ação, isto é, o neurocientista fez a indicação (indicou algo/alguém) e essa indicação feita por ele trouxe benefícios para a pesquisa. b) A indicação que o neurocientista fez trouxe benefícios para a pesquisa. / O fato de terem indicado o neurocientista trouxe benefícios para a pesquisa / A indicação feita pelo neurocientista trouxe benefícios para a pesquisa. 3. No enunciado (a), o verbo poder traz a ideia de ter capacidade, e no (b), de possibilidade. 4. a) Não. "Literalmente" significa rigorosamente. Nenhuma gíria ou termo conotativo ("dança" em I e "apagadas" em II) podem ser interpretados com rigor, visto que múltiplas significações sempre estão presentes. b) "Apagadas". Há ambigüidade: as mulheres dos dirigentes do Kremlin tinham um papel inexpressivo na sociedade russa (veja o contraste entre Raísa "ela", esposa de Gobartchev e as esposas dos outros líderes russos). Além disso, muitas foram assassinadas. Conhecimentos de História auxiliariam na resposta dessa questão.