Tribunal de Contas da União Dados Materiais: Acórdão 641/94 - Segunda Câmara - Ata 32/94 Processo nº TC 249.035/92-8 - Apenso: TC 225.172/91-7 (c/1 vol. anexo) R.I.O. Interessado: Juiz Antônio Carlos Marinho Bezerra (Presidente) Órgão: Tribunal Regional do Trabalho - 11ª Região Relator: Ministro Paulo Affonso Martins de Oliveira Representante do Ministério Público: Dr. Jatir Batista da Cunha Unidade Técnica: SECEX/AM Especificação do quorum: Ministros presentes: Fernando Gonçalves (Presidente), Homero dos Santos, Paulo Affonso Martins de Oliveira (Relator) e o Ministro-Substituto Bento José Bugarin. Assunto: Recurso de Reconsideração interposto pelo Presidente do TRT - 11ª Região, contra determinação constante do Acórdão proferido pela 2ª Câmara, em Sessão de 25.11.93 - Relação nº 45/93, publicada no D.O.U. de 07.12.93 Acórdão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Tomada de Contas do TRT - 11ª Região relativa ao exercício de 1991, apreciada em grau de Recurso de Reconsideração, interposto pelo Juiz Antônio Carlos Marinho Bezerra. Considerando que as razões apresentadas pelo recorrente, com vistas a ser tornada sem efeito a determinação desta Corte consubstanciada no ACÓRDÃO, ora recorrido, não contêm qualquer elemento que justifique o atendimento do pedido; e Considerando que, em face de erro material ocorrido na publicação da Relação nº 45/93, Ata nº 41/93 (D.O.U. de 07.12.93 - fl. 18733, Seção I) e, de acordo com o disposto na Portaria-TCU nº 02/93, art. 18, ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão da 2ª Câmara, ante as razões expostas pelo Relator, com fundamento nos arts. 1º, inciso I, 17, 32, inciso I e 33, da Lei nº 8.443/92, em: a) conhecer do presente Recurso de Reconsideração para, no mérito, negar-lhe provimento e, em conseqüência, manter os termos
do Acórdão recorrido; b) determinar que seja procedida retificação da Relação nº 45/93, publicada no D.O.U. de 07.12.93 (Seção I, fls. 18733), uma vez que houve inexatidão material na identificação da Unidade Gestora de que tratam as presentes contas, pois, ao invés de ser publicado Tribunal Regional do Trabalho - 11ª Região, constou Tribunal Regional do Trabalho - 10ª Região, nos termos do Enunciado nº 145 da Súmula da Jurisprudência Predominante do TCU. Ementa: Tomada de Contas. TRT Região 11. Recurso de Reconsideração contra a Decisão que fora pela regularidade com ressalvas e quitação. Não provimento. Mantença da Decisão. Retificação da Relação nº 45/93 por inexatidão material. Data DOU: 27/09/1994 Parecer do Ministério Público: Proc. TC 249.035/92-8 (Anexo TC 225.172/91-7) Tomada de Contas do TRT - 11ª Região, referente ao exercício de 1991. Ante as razões expendidas nos pareceres, manifestamo-nos de acordo com a proposição da SECEX/AM, no sentido de que seja conhecido o recurso de reconsideração interposto pelo Sr. Presidente do TRT - 11ª Região, Juiz ANTÔNIO CARLOS MARINHO BEZERRA, contra a determinação contida no segundo parágrafo do ofício de fls. 183/184, proferida pela 2ª Câmara, em Sessão de 29.11.93 (Ata nº 41/93, Relação nº 45/93, Ministro-Relator Marcos Vinícios Vilaça) para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo-se os termos da Decisão recorrida. Sugerimos, ainda, que seja procedida a devida retificação da Relação nº 45/93, uma vez que houve engano na identificação da Unidade Gestora de que tratam as presentes contas, pois, ao invés de ser publicado Tribunal Regional do Trabalho - 11ª Região, constou Tribunal Regional do Trabalho - 10ª Região, conforme fls. 195 dos autos. Página DOU:
14632 Data da Sessão: 15/09/1994 Relatório do Ministro Relator: GRUPO I - CLASSE I - 2ª Câmara TC 249.035/92-8 Apenso: TC 225.172/91-7 (c/1 apenso) R.I.O. Natureza: Recurso de Reconsideração Órgão: Tribunal Regional do Trabalho - 11ª Região Ementa: Recurso de Reconsideração interposto pelo Presidente do TRT contra Decisão da 2ª Câmara, de 25.11.93, no processo de Tomada de Contas do referido órgão, exercício de 1991 (Ata nº 41/93). Conhecer do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo-se os termos da Decisão recorrida e retificar, por inexatidão material, a Relação nº 45/93, quanto à identificação da Unidade Gestora. Em Sessão da 2ª Câmara, realizada em 25.11.93, através da Relação nº 45/93, publicada no D.O.U. de 07.12.93, à fl. 232, da Seção I (fl. 195 dos autos), o Tribunal, acolhendo as conclusões do Relator, Ministro Marcos Vinícios Vilaça, de acordo com os pareceres, julgou as contas do TRT, 11ª Região, exercício de 1991, regulares com ressalva, com fundamento nos arts. 16, inciso II e 18 da Lei nº 8.443/92, dando-se quitação aos gestores, sem prejuízo de: I - determinar ao TRT - 11ª Região a adoção de providências no sentido de proceder o levantamento e ressarcimento de valores pagos indevidamente, a título de concessão de licença-prêmio por assiduidade e adicional por tempo de serviço deferida aos servidores daquele Tribunal no processo TRT-MA nº 864/90; II - recomendar ao mesmo órgão: a) que evite a realização de despesas com comemorações, festividades, solenidades e outros eventos congêneres (Decisões Plenárias de 28.09.88 - Anexo XXIII da Ata 49/88, e de 26.10.88 - Anexo XXVIII da Ata nº 55/88); b) que observe a classificação estabelecida no Plano de Contas da Administração Federal quando da compra de material adquirido como serviço; c) que evite a aquisição de uniformes para vigilantes e motoristas, por não ter amparo legal;
d) que dê cumprimento ao estabelecido no inciso VIII, art. 117, da Lei nº 8.112, de 12.12.90, quanto à indicação para funções de confiança; e) que evite o acúmulo de férias além do prazo determinado pela legislação em vigor ( 1º do art. 67, da Lei Complementar nº 35/79 e art. 77 da Lei nº 8.122/90); e III - alertar o TRT da 11ª Região para o fato de que o não cumprimento das recomendações do Tribunal sujeita o responsável à cominação de multa (art. 214, inciso VII do RI-TCU). 2. Ao ser comunicado da Decisão acima, o responsável interpõe recurso com vistas à sua reconsideração (fls. 187 a 189), argumentando que os direitos foram conferidos aos servidores ex-celetistas com respaldo no art. 100, da Lei nº 8.443/90, e que o mencionado preceito legal não discrimina que a contagem do tempo de serviço público seria apenas o que foi prestado sob o regime estatutário. 3. O recorrente entende que, quando foi editada a Medida Provisória nº 286/90, o direito dos servidores de ser contado o seu tempo de serviço público federal já se cristalizara. 4. Ao mesmo tempo em que invoca o direito dos servidores do TRT - 11ª Região, o interessado pondera, caso seja negado provimento ao recurso, que o ressarcimento dos valores pagos a título de licença-prêmio por assiduidade resultará em certas dificuldades para aferição do tempo de serviço aos servidores, para fins de anuênio e licenças-prêmio futuras e até aposentadoria, pois implicará em ficarem os mesmos sem freqüência, nos meses em que estiverem em gozo da referida licença, aventando a possibilidade de resolver o problema substituindo-se a licença recebida, indevidamente, por outra que vier a fazer jus. 5. Quanto ao anuênio, invoca a aplicação da Súmula-TCU nº 106, segundo a qual o julgamento pela ilegalidade não implica por si só a obrigatoriedade de reposição das importâncias recebidas de boa fé. 6. A Assessora-Encarregada do 2º GT, da SECEX-AM, analisa detidamente todas as alegações apresentadas pelo recorrente e afirma que: " A legislação citada, bem como sua interpretação já foi objeto de entendimento no Tribunal, conforme dito anteriormente. Quanto ao ressarcimento dos valores, cremos, s.m.j., não se aplicar aqui a Súmula 106 invocada pelo recorrente. Na inspeção realizada no órgão foram detectadas graves
irregularidades relativas a pagamento incorreto de gratificações, utilizando-se inclusive referência errada para base de cálculo sobre vencimento e representação mensal, constituindo duplicidade de pagamentos e infringência ao Decreto-Lei nº 1341/74. Logo, não se trata de um caso isolado. No caso em comento não se tem como aceitar a argumentação da boa fé conquanto foram várias, e graves, as irregularidades detectadas na inspeção. `A gestão há que ser executada dentro da Lei e deve ser vista a luz do princípios da legalidade, legitimidade, economicidade, impessoalidade e moralidade administrativa; o ato do agente tem que atender aos interesses do Estado e da coletividade, para que possa o gestor ter suas contas julgadas regulares ou ser eximido da respectiva responsabilidade'." 7. Concluindo seu parecer, a Assessora propõe que se conheça do recurso, vez que tempestivo, mas para negar-lhe provimento, mantendo-se a decisão recorrida. 8. A Srª Secretária de Controle Externo no Amazonas acolhe as conclusões da Encarregada do 2º GT. 9. O Sr. Procurador-Geral, em exercício, Dr. Jatir Batista da Cunha, também está de acordo com os pareceres da SECEX/AM, aduzindo sugestão no sentido de que seja procedida a devida retificação da Relação nº 45/93, uma vez que houve engano na identificação da Unidade Gestora de que tratam as presentes contas, pois, ao invés de ser publicado Tribunal Regional do Trabalho - 11ª Região, constou Tribunal Regional do Trabalho - 10ª Região, conforme fl. 195 dos autos. É o Relatório. Voto do Ministro Relator: Verifica-se, no processo sob exame que, após reiteradas diligências, remanesceram irregularidades relativas à realização de despesas consideradas supérfluas (almoços, jantares, coberturas fotográficas, cartões de cumprimentos, coquetéis, etc...) e concessão de licença-prêmio, indevidamente, aos servidores do TRT - 11ª Região ocupantes de empregos regidos pela CLT até 11.12.90. 11. Quanto à concessão de licença-prêmio, o Tribunal, conforme consta dos autos, limitou-se a observar o art. 100 da Lei 8.112/90, que é extremamente genérico, invocando como respaldo os dois dias situados entre a promulgação da supracitada lei e a edição da Medida Provisória 286, de 14.12.90.
12. Esta matéria tem merecido reiteradas manifestações neste Tribunal, que já se posicionou de modo claro em relação à contagem de tempo de serviço prestado por ex-celetistas a órgãos públicos federais, há muito consolidada pelo Enunciado nº 37 das Súmulas de Jurisprudência Predominante do TCU. 13. Sabe-se que há controvérsia quanto a esta questão de acordo com o texto da Resolução nº 59/91 do Senado Federal, direcionada aos servidores do PRODASEN e CEGRAF. Todavia, tal matéria deve ser recebida como norma especial, restrita à situação que disciplina, conforme ressaltou o eminente Ministro Homero Santos, ao relatar questão semelhante. 14. As informações aduzidas ao presente processo, por intermédio da inspeção realizada no órgão, demonstram que a prática de irregularidades relativas a pagamento incorreto de gratificações tem sido procedimento costumeiro no TRT - 11ª Região, não cabendo, assim, invocar a boa fé consubstanciada no Enunciado 106 da Súmula deste Tribunal, para dispensar o recolhimento dos valores recebidos, indevidamente. 15. Entendo oportuna a sugestão do Dr. Jatir Batista da Cunha, quanto à retificação do engano ocorrido na publicação da Relação nº 45/93. Ante todo o exposto, Voto no sentido de que o Tribunal adote o Acórdão que ora submeto a esta Segunda Câmara. Indexação: Tomada de Contas; Recurso de Reconsideração; TRT Região 11; Decisão; Inexatidão Material; Regime Celetista; Tempo de Serviço; Licença Especial; Festividade;