RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 712.023 PARAÍBA RELATORA RECTE.(S) PROC.(A/S)(ES) RECDO.(A/S) ADV.(A/S) : MIN. CÁRMEN LÚCIA :ESTADO DA PARAÍBA :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA :AMAURY BATISTA DE LIMA :RAFAELA DE OLIVEIRA RODRIGUES DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. ICMS. ISENÇÃO PARA PORTADOR DE DEFICIÊNCIA FÍSICA NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. FUNDAMENTO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra decisão que não admitiu recurso extraordinário, interposto com base na alínea a do inc. III do art. 102 da Constituição da República. O recurso extraordinário foi interposto contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça da Paraíba: Mandado de Segurança Deficiente Físico Pretensão de isenção de ICMS para adquirir carro zero quilômetro adaptado Indeferimento administrativo sob o argumento de que o CID não consta na lista do Decreto Deficiência comprovada Rol
exemplificativo Direito líquido e certo violado Segurança concedida. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2. O Agravante alega que o Tribunal a quo teria contrariado os arts. 1º, caput e inc. III, 5, caput, e 155, 2º, inc. XII, alínea g, da Constituição da República. Afirma que o acórdão, ao deferir a isenção do ICMS para portadores de doenças não previstas no rol taxativo da legislação competente, aplica ao caso concreto a isonomia prevista na Carta Magna de forma desvirtuada para fins de concessão de isenção do tributo, o que tem o efeito de propriamente violá-la. Argumenta: no que tange ao ICMS, a Constituição Federal, em seu art. 155, 2º, XII, g, remete à Lei Complementar a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. A Lei Complementar 24/75, por sua vez, determina que as isenções de ICMS serão concedidas através de convênio, que pressupõe a aprovação unânime de todos os estados da federação. Esta mesma lei impõe aos Estados a edição de decreto ratificando o conteúdo do convênio. ( ) Os Estados e o Distrito Federal, então, reunidos, firmaram o Convênio ICMS 03/07, que trata da concessão da isenção do ICMS nas saídas de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física ( ) Ora, o Convênio ICMS 04/07 apenas autorizou a existência de isenção do ICMS nas saídas de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física ( ) A norma de ratificação a que alude o convênio passará a compor o ordenamento jurídico estatal, eis que, antes dela, inexiste qualquer isenção. ( ) No caso em exame, o pretenso ato em questão seria o Dec. Nº 30.363 de 27 de maio de 2009 (Dec. 31.059/2010). Tal norma jurídica define os casos de deficiência amparados pela lesão, nos 2
termos autorizados pelo Convênio nº 03/07, 6º da cláusula primeira. ( ) Sucede que a doença alegada pelo Recorrido não es ta n rol de doenças beneficiadas com a isenção. Leia-se: não é suficiente que o beneficiário tenha uma ou outra condição incapacitante é mistes que essa doença seja uma daquelas elencadas na norma. 3. O recurso extraordinário foi inadmitido sob o fundamento de que a ofensa constitucional, se tivesse ocorrido, seria indireta. 4. No agravo interposto, o Agravante reitera os fundamentos do recurso extraordinário. Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO. 5. O art. 544 do Código de Processo Civil, com as alterações da Lei n. 12.322/2010, estabeleceu que o agravo contra decisão que inadmite recurso extraordinário processa-se nos autos, ou seja, sem a necessidade da formação de instrumento, sendo este o caso. Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo, de cuja decisão se terá, na sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário. 6. Razão jurídica não assiste ao Agravante. 7. O Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu: Em que pesem os argumentos da autoridade impetrada, entendo que o caso é de concessão da segurança, endo em vista os inúmeros precedentes jurisprudenciais deste Tribunal, que inclinamse no sentido de que o rol a que se refere o Anexo II do Decreto 30.363/09 é meramente exemplificativo (...) Com efeito, diante do contexto probatório encartado ao caderno processual, infere-se que o promovente acostou Laudo Pericial fornecido pelo próprio DETRAN 3
(fl. 19), concluindo que este se encontrava apto para dirigir veículos automotores categoria B, automático ou uso obrigatório de embreagem manual. Inapto definitivamente para dirigir veículos automotores convencionais. Nessa ordem de ideias, tem-se que o impetrante encontra-se amparado pelo disposto no ordenamento acima citado, uma vez que, consoante demonstrado nos autos, possui deficiência física, - é portador de espondiloartrose e lombociatalgia da coluna lombar entre os seguimentos L3-L4, L4-L5 e L5/S1, com repercussão para o membro inferior esquerdo (CID: M 51, G57 e M54) -, e, em razão disso, encontra-se inapto definitivamente para dirigir automotores convencionais. Concluir de forma diversa do que decidido demandaria o reexame da legislação infraconstitucional e do conjunto fático-probatório, procedimento que não pode ser validamente adotado em recurso extraordinário. Eventual ofensa constitucional, se tivesse ocorrido, seria indireta. Ademais, incide na espécie a Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. ISENÇÃO POR DEFICIÊNCIA FÍSICA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL: OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. REEXAME DE PROVAS: INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO (ARE 676.309-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe 17.5.2012). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTROVÉRSIA DECIDIDA EXCLUSIVAMENTE À LUZ DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO CONJUNTO FÁTICO- PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 279/STF. 1. Não é possível, em recurso extraordinário, reexaminar a 4
legislação infraconstitucional aplicada ao caso, bem como analisar o acervo fático-probatório dos autos. 2. Agravo regimental desprovido (RE 660.911-AgR, Rel. Min. Ayres Britto, Segunda Turma, DJe 19.3.2012). Não há, pois, o que prover quanto às alegações do Agravante. 8. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 544, 4º, inc. II, alínea a, do Código de Processo Civil e art. 21, 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 25 de outubro de 2012. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora 5