Principais Livros Sagrados: 1. SHRUTIS



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Swami Vivekananda e diversos filósofos indianos indicam que o nome correto para o Hinduísmo deve ser Sanatana Dharma, a Fé Eterna ou Ensinamento Eterno. É denominada de eterna porque a fé não tem início nem fim. Os princípios de Sanatana Dharma não se restringem somente para os que têm fé, mas se estendem para todos os seres humanos. O Hinduismo ou Sanatana Dharma é praticado atualmente por cerca de 800 milhões de indianos, além dos seguidores fora da Índia, sendo considerado a tradição espiritual e filosófica mais antiga da Humanidade. Características do Hinduísmo: - Não é baseado em nenhum livro em particular, tampouco em um único mestre ou profeta. No entanto, existem centenas de livros e escrituras para guiar tanto o iniciante quanto e estudioso. - O Hinduísmo fala do princípio eterno, que sustenta todo o Universo e todas as manifestações de vida e que existe por detrás de tudo o que é transitório. - Ensina o ideal de liberação para todos. - Não exclui nenhuma forma de prática religiosa. Principais Livros Sagrados: 1. SHRUTIS Significa aquilo que foi ouvido ou revelado. Estes ensinamentos são tidos como de origem divina e foram recebidos por sábio (rishis) durante estados elevados de consciência. Segundo Feuerstein, a Cosmogonia Védica é uma psicocosmogonia, assim como as tradições do Samkhya e da Yoga, pois postulam um Fundamento Transcendental do qual se originam tanto as diversas realidades objetivas quanto as mentes multiestruturadas que as percebem. Os Shrutis compõem-se dos Vedas e dos Upanishads. 1 / 6

- Vedas (4.500 2.500 a.c.) São quatro Vedas: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda. Rig Veda consiste em uma coleção de hinos (mantras) que expressam verdades espirituais através do simbolismo e da mitologia. Os outros três Vedas detalham rituais e ritos que guiam o ser humano em sua jornada material e espiritual. Os Upanishads (1.500 1.000 a.c.) chamados de Vedanta (final dos Vedas), representam um refinamento dos ensinamentos espirituais dos Vedas, contendo a essência da sua filosofia. Existem em torno de 108 Upanishads, sendo 12 mais importantes: Isa, Kena, Katha, Prasna, Mundaka, Mandukya, Aitareya, Taittirya, Chandogya, Brihadaranyaka, Kaushitaki e Svetasvatara. 2. SMRITIS Significa memórias. Diferentemente dos Shrutis, que são de origem divina, os Smritis foram produzidos por sábios com a intenção de regular e orientar os indivíduos em suas condutas diárias, listando regras para governar tanto as ações dos indivíduos quanto da comunidade, da sociedade e da nação. São conhecidos como Dharma Shastras ou leis que governam a correta conduta. 3. ITIHASAS (Épicos) Constituem parábolas ou historias que contém a filosofia dos Upanishads, no intuito de torná-la mais interessante, compreensível e popular. Os mais conhecidos são: Mahabharata e Ramayana. - Mahabharata (500 a.c.) 2 / 6

Maior épico religioso do mundo, do qual faz parte o Bhagavad-Gita. Trata da guerra entre os primos das famílias Pandavas e Kauravas, e contém várias referências a Yoga e ao Samkhya. Ramayana (300 a.c.) Relata a história de amor entre Rama e Sita. Sua importância está na proclamação dos valores morais, da ética e da filosofia de vida. Para os hindus, Rama e Sita personificam o casal ideal. 4. PURANAS (500 1.300 d.c.) Dezoito enciclopédias populares que retratam os Vedas e os Dharma Shastras em forma de pequenas histórias. Misturam mito e história e constituem uma coleção de vários contos detalhados sobre os deuses e suas encarnações. Tratam de cinco temas principais: a criação do mundo, a sua recriação após a destruição ao término de um ciclo (kalpa), as genealogias dos sábio e das divindades, a descrição mitológicas das eras cósmicas e as genealogias das dinastias reais. 5. ÁGAMAS Estas escrituras têm a finalidade de guiar o devoto no seu culto a uma das manifestações divinas no Hinduísmo: Shiva (Shaiva Ágama), Vishnu (Vaishnava Ágama) ou Shakti (Shakta Ágama). Cada Ágama tem diversas sessões. A primeira consiste no conhecimento filosófico e espiritual envolvido na veneração da deidade. A segunda fala da disciplina mental mental necessária a cada escola de veneração. A terceira parte engloba as regras para a construção dos templos. Independente de onde for construído o templo, ele sempre preserva as mesmas características. Também assinala as regras para esculpir ou talhar as deidades. A quarta parte orienta os rituais feitos em casa ou na comunidade. 3 / 6

6. DARSHANAS Significa literalmente visão ou ponto de vista. Darshanas são as seis escolas de filosofia indiana, que têm em comum o objetivo de libertar o homem da sua ignorância existencial. 1. Samkhya de Kapila 2. Yoga de Patanjali 3. Nyaya de Gautama 4. Vaishesika de Kanada 5. Purva-Mimansa de Jaimini 6. Vedanta de Vyasa Formas de Culto no Hinduísmo Existem cinco grandes tradições religiosas na Índia: - Vaishnavismo (culto à Vishnu) - Shaivinismo (culto à Shiva) - Shaktismo (culto à Shakti) - Ganapatyas (culto à Ganesh) - Sauras (culto à Surya) Alguns Princípios do Hinduismo: 1. Deus para os Hindus é Nirguna, ou seja, sem forma, começo ou fim. Ele é imanente e transcendente, transcendendo tempo e espaço. Os Upanishads ensinam que todo o Universo é uma manifestação de Brahman. Uma vez que Brahman é sem forma, não é considerado nem homem nem mulher, sendo chamado de TAT. Brahman também é descrito como Satchitananda. Sat é aquele que existe, Chit é pura consciência e Ananda é pura felicidade. Para a maioria das pessoas, Nirguna Brahman é difícil de ser compreendido. Dessa forma, para facilitar essa compreensão do Espírito Universal, surgiu Saguna Brahman, ou seja, Brahman como forma e atributos, que é conhecido por Ishwara. A realidade é Uma, mas os sábios a chamam de diferentes nomes Rig Veda. 4 / 6

Brahman é o Ser Uno e Supremo. Todos os diferentes deuses são manifestações de Brahman. O hindu não considera a adoração à imagem o objetivo final da sua devoção, pois sabe que este é apenas um caminho. Swami Surnimalananda afirma que este é apenas o primeiro estágio. O segundo é pensar em Deus que está no céu, o terceiro, pensar em Deus que está no coração, e o último passo é pensar em Deus onipresente. 2. De acordo com o Hinduísmo, existem quatro ideais a serem seguidos durante a existência: 1. Dharma Virtude 2. Artha Riqueza 3. Kama Desejos 4. Moksha Liberação O desejo (Kama) por conquistar e desfrutar as coisas do mundo e a riqueza (Artha) devem ser equilibrados pela virtude (Dharma) e pela busca da liberação (Moksha). 3. Para praticar esses quatro ideais, o Hinduísmo dividiu a vida em quatro etapas (Ashrams): 1. Brahmacharya: Até os 20/25 anos, representa o estágio da vida de estudante. 2. Garhasthya: Até por volta dos 50 anos. O jovem está pronto para casar e levar uma vida de chefe de família. 3. Vanaprastha: Até por volta dos 75 anos. Após completar suas responsabilidades familiares e profissionais, vem o estágio de aposentado, em que ele estuda as escrituras religiosas. 4. Sannyasa: Dos 75 em diante. A alma se prepara para partir do mundo e de todas as suas relações, dedicando-se a pensar em Deus. 4. Sistema de Castas (Varn) O sistema Varn foi inicialmente usado para diferenciar os níveis de pureza de gerações e raças e para estabelecer uma indicação para as funções exercidas pelas pessoas na sociedade. Acreditava-se que as pessoas são diferentes e têm aptidões e habilidades distintas em função da família da qual se originam. Dividem-se em: 1. Brâmanes: Advindos da boca de Bhahman e direcionados para os estudos e atividades religiosas. 2. Kshatriyas: Advindos dos braços de Brahman para atuar como guerriros. 3. Vaishyas: Advindos das coxas de Brahman para cuidar das atividades comerciais. 5 / 6

4. Sudras: Advindos dos pés de Brahman para desempenhar as atividades de serviços orientados. Os intocáveis (párias) eram excluídos do sistema de castas e faziam outros serviços, indesejáveis para as outras castas, como: cuidar dos dejetos. A origem desta casta é atribuída a existência de pessoas que violaram o conjunto de normas de comportamento social e foram banidas de suas castas. Uma vez que o sistema é hereditário, elas passam sua casta aos seus descendentes. 5. Os Três Principais Caminhos para Brahman 1. Bhakti Yoga: Yoga da devoção. É o mais comum na Índia. O devoto escolhe uma forma de Saguna Brahman ou Ishwara e realiza Deus através do amor e da devoção. 2. Karma Yoga: Yoga da ação. Significa a união com Deus através da ação. O trabalho em si é o fim, e não o meio para se obter uma recompensa. O trabalho é uma forma de adoração. 3. Jnana Yoga: Yoga do conhecimento. Não é apenas o conhecimento racional que se busca neste caminho, mas a iluminação espiritual através do conhecimento, que permite discernir o Real do irreal, o Self, do não-self. 6 / 6