Profilaxia da Infecção



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Transcrição:

Universidade Paulista UNIP Técnica Cirúrgica São José dos Campos, março de 2015 Profilaxia da Infecção

Infecção Pacientes não são livres de microrganismos Toda ferida cirúrgica é contaminada com bactérias Nem toda ferida se torna infectada Penetração e desenvolvimento de microrganismos patogênicos no organismo Agente invasor Local de implantação Condição do paciente

Fatores predisponentes Alta concentração de microrganismos Necrose e falta de higiene nas feridas Presença de seroma, hematoma e espaço morto Uso de eletrocautério Déficit vascular Extravasamento de conteúdo digestivo / urina Corpo estranho Inadimplência no tratamento Paciente: extremos de idade, desnutrição, afecções sistêmicas associadas, choque

Jogo dos sete erros Vamos apontar circunstâncias que favorecem a infecção cirúrgica?

Prevenção da infecção Seleção e preparação corretas do paciente Antibioticoterapia prévia em caso de cirurgia séptica ou potencialmente séptica Esterilização do equipamento cirúrgico Limpeza e desinfecção da sala de cirurgia Preparação da equipe cirúrgica Uso da técnica operatória apropriada Tratamento pós-operatório correto

Profilaxia da infecção Medidas destinadas a impedir o aparecimento de infecção no paciente cirúrgico

Assepsia É o conjunto de procedimentos e o uso de técnica cirúrgica adequada, empregados com intuito de prevenir a contaminação de tecidos durante a intervenção cirúrgica. Resumindo, é o cuidado com a limpeza e higiene de tudo que envolve o paciente, a equipe e o ambiente cirúrgico

Assepsia Por que fazer? Infecção nosocomial Durante a hospitalização Infecção respiratória Infecção urinária Infecção da ferida cirúrgica

Limpeza Processo que remove fisicamente a contaminação por microrganismos e material orgânico. Essencial para o sucesso da desinfecção e da esterilização.

Desinfecção Destruição da maior parte dos microorganismos patogênicos presentes em objetos inanimados localizados no ambiente cirúrgico. Este processo pode não destruir esporos bacterianos. As substâncias utilizadas em superfícies inanimadas são denominadas desinfetantes.

Desinfecção A aplicação de desinfetantes deve ser feita após o procedimento de limpeza do ambiente Diversos produtos disponíveis, com diferentes mecanismos de ação Álcool Isopropílico 50 a 70% Etílico 70% Compostos clorados (Hipoclorito) Compostos iodados (Iodóforos a 7,5%) Glutaraldeído a 2%

Esterilização É o processo do extermínio de todos os microorganismos (inclusive esporos bacterianos) sobre objetos inanimados com o uso de agentes físicos ou químicos. Materiais cirúrgicos Aventais, panos de campo, compressas, gaze, fios Equipamentos cirúrgicos Bisturi elétrico, aspirador cirúrgico, furadeira Instrumentais cirúrgicos

Esterilização Métodos físicos (mais confiáveis) Calor Calor seco estufas: corrente de ar quente Calor úmido Autoclaves: vapor d água sob pressão Água em ebulição Flambagem Radiação ionizante Métodos químicos Gasosa (esterilização por gás) Líquida (esterilização química a frio)

Esterilização Calor seco: estufas elétricas 180ºC por 30 minutos Penetração lenta do calor e distribuição heterogênea Vidrarias e metais (aço inox escurece) Invólucros Caixa de aço inox de paredes finas Caixa de alumínio Papéis laminados Polímeros resistentes a altas temperaturas

Esterilização Calor úmido: autoclaves Alta pressão e alta temperatura 132 135 C por 20 a 30 minutos Vapor penetra e umedece cada material Penetra em material poroso Borrachas, tecidos, metais (aço inox) Não usar em materiais com graxa ou termolábeis Secagem Longo tempo de armazenamento: 1 a 8 semanas

Esterilização Calor úmido: morte dos microrganismos em temperatura mais baixa e menor tempo que nas estufas secas. Fases da esterilização: remoção do ar, penetração do vapor, secagem. Introduz vapor na câmara interna sob alta pressão no ambiente a vácuo

Esterilização Estufa Autoclave Autoclave

Esterilização Radiação ionizante Luz ultravioleta (pisos, paredes) Cobalto 60 e aceleradores de elétrons Raios gama (insumos hospitalares descartáveis) Seringas plásticas Material de sutura Luvas cirúrgicas

Esterilização Água em ebulição 100ºC por 20 min Flambagem (instrumentos cortantes perdem o fio) Fogo direto no bico de Bunsen Banhar em álcool e flambar até que fiquem rubros Métodos pouco eficazes. Emergência!!!

Esterilização Esterilização química: método para materiais termo-sensíveis ou sensíveis à umidade, que sofrem danos após a esterilização pelo calor/vapor. Esterilização por gás (Óxido de Etileno) Baixa temperatura: instrumentos cirúrgicos delicados, tubos de borracha ou plástico (seringas, endoscópios) Esterilização por líquidos Equipamentos termossensíveis, sondas orotraqueais Podem não eliminar esporos e vírus. Não utilizar em material cirúrgico crítico!!!

Esterilização Esterilização por líquidos Glutaraldeído: 10 horas de exposição Formalina (formol): 24 horas de exposição Lisofórmio (formalina + álcool): 24 horas de exposição Álcool etílico 70% e isopropílico 50 a 70% Compostos de amônia quaternária (Cloreto de benzalcônio) Derivados fenólicos (Germikil ) Halogênios e derivados Cloro (Líquido de Dakin, água sanitária) Iodo (cuidado com corrosão e manchas nos tecidos)

Esterilização Esterilização por líquidos Produtos tóxicos que necessitam enxágue! Independente do método, baixas concentrações ou tempo de exposição menor que o recomendado podem não proporcionar esterilização, apenas agindo como desinfetantes (bacteriostáticos, que não atuam sobre vírus ou esporos).

E como devo cuidar do... Instrumental cirúrgico Boa limpeza após o uso, esfregando ranhuras e submergindo em solução desinfetante (Ex. Sulfato trissódico) Depois de limpo, encaminhar preferencialmente para autoclave Caixa cirúrgica com orifícios, ou embalada em material poroso e com a tampa aberta Estufa seca é opção para esterilização, mas escurece o instrumental

E como devo cuidar de... Tecidos (aventais, panos de campo, compressas) Lavar e passar para reduzir carga microbiana Empacotar com material poroso Papel craft Tecido musselina de algodão Embalagem plástica selada (grau cirúrgico) o único aceito pela vigilância sanitária Encaminhar para autoclave Em estufa seca pega fogo!!!

Armazenagem

Antissepsia Processo que leva à inativação ou destruição dos microrganismos em tecidos vivos (pele do paciente, pele do cirurgião). As substâncias utilizadas em tecidos vivos são denominadas antissépticos. Neste processo não se obtém esterilização!

Antissepsia Antisséptico ideal Amplo espectro antibacteriano Não corrosivo Ação imediata Colorido Grande efeito residual Baixo custo Não irritante Baixa ou nula toxicidade Alto poder de penetração Boa atividade em matéria orgânica Não interferir com reparação Mínima absorção sistêmica Existe?

Antissepsia Tipos de antissépticos Álcoois Baixo espectro de ação e curta ação residual. Ardor! Agentes oxidantes: H 2 O 2 (Peróxido de Hidrogênio) Curta ação residual, uso prolongado atrasa cicatrização. Mercuriais: Mercúrio Cromo, Merthiolate (Timerosal) Proibidos pela ANVISA. Merthiolate com nova fórmula. Halogênios e derivados Iodo 0,1 a 2% (Iodopovidine). Maior concentração: tóxico! Clorexidina: não irritante, alta ação residual (até 6 horas).

Como preparo o paciente? Pelo e pele são fonte de contaminação! Fora da sala de cirurgia: Banho no dia anterior (se possível) Tricotomia ampla imediatamente antes da cirurgia Lâmina de barbear, máquina de tosa com lâmina 40 Aspirar ou retirar os resíduos de pelo Limpeza geral com antissépticos

Como preparo o paciente? Dentro da sala de cirurgia: Antissepsia cirúrgica (cirurgião, auxiliar paramentado) Álcool, iodopovidine, clorexidina (cuidado com a pinça de antissepsia após o uso!) Colocação de panos de campo

Profilaxia antimicrobiana Uso de antibióticos Indicada para procedimentos cirúrgicos prolongados (mais de 1 hora e meia) Indicada em procedimentos com alto risco de infeção Fratura exposta Cirurgia gastrintestinal Cirurgia urogenital Cirurgia respiratória

Profilaxia da infecção é dever do Médico Veterinário responsável e ético, e um ato de respeito pelo paciente! Boa semana!