Ações, atos e acontecimentos Ação é Ato é Acontecimento é



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1.1.2.Os Instrumentos Lógicos do Pensamento

Transcrição:

Ações, atos e acontecimentos Ação é Ato é Acontecimento é Um acontecimento Porque é algo que ocorre Um acontecimento Uma ocorrência, um evento Que envolve um agente Porque é iniciado por alguém. Um sujeito é ativo Envolve um agente Não envolve um agente Agente que age intencionalmente Porque é iniciado por alguém porque quer (intenta) fazê-lo Que não age intencionalmente (ressonar) Há uma relação causal entre a intenção e o acontecimento Porque tem de haver uma ligação causa-efeito entre a intenção e o que acontece OU age intencionalmente, mas não há uma relação causal entre a intenção que tinha e o acontecimento ocorrido. (Por ex: levar o café a alguém e entorná-lo, por distração, sobre essa pessoa) A intenção envolve motivos (desejos + crenças) Porque a intenção tem razões que movem (motivos) o sujeito para a ação Motivo = desejos + crenças do agente Desejo= é o motivo como fim da ação (para que?) Crença= é o motivo como causa da ação ( por que?) Porque as razões para agir podem ser ideias (crenças) ou emoções e aspirações (desejos)

Determinismo Determinismo radical Radical Ideias chave/teses Tudo o que acontece tem uma causa Qualquer evento é o resultado de estados de coisas anteriores que o causaram (cadeias causais) A1 B1 C1-----H1 A causalidade é governada por leis (normas naturais) Cadeia causal + Leis = evento Radical porque é uma teoria incompatibilista Defende que as duas crenças não podem ser ambas verdadeiras Tudo está determinado Somos livres Qualquer evento é pois o resultado necessário/determinado de causas anteriores que o causaram e de leis que regulam a acção dessas causas. Explicar um acontecimento é mostrar que, Devido a certas regularidades/leis da natureza, E devido a uma determinada cadeia causal Este estava determinado a ocorrer Nega a liberdade porque: Um ato livre seria um ato em que a nossa deliberação seria capaz de iniciar uma nova cadeia causal Iniciar uma nova cadeia causal significaria que nada do que aconteceu antes causaria tal decisão Logo, Liberdade = ausência de causa = aleatoriedade Argumentos Pró 1.Argumento da causalidade universal: Premissa 1: Todos os eventos do universo têm uma causa (estão determinados) Premissa 2: Agir é um evento do universo Conclusão. A ação tem uma causa (está determinada) 2. Argumento sobre o funcionamento da ciência. Premissa 1: A ciência funciona com base no pressuposto determinista Premissa 2: A ciência tem tido um sucesso imenso na compreensão, explicação e previsão dos fenómenos do mundo com base nesse pressuposto

Conclusão: O pressuposto de que o mundo se comporta determinísticamente deve ser verdadeiro Objeção Aceitar o determinismo radical implica recusar que a vontade é livre e, portanto, recusar a moralidade e a responsabilidade individuais, bem como renunciar a sentimentos como a vergonha por ter agido mal e o orgulho por ter agido bem DETERMINISMO MODERADO ( COMPATIBILISMO) DETERMINSMO MODERADO Ideias chave/teses Tudo está determinado (tudo tem uma causa) As ações também têm causas (escolhemos e agimos determinados por causas) Causas apropriadas são as que garantem a liberdade Causas inapropriadas são as que não garantem a liberdade Causa apropriadas são as não coercivas/ que estão em nosso controlo até certo ponto (as nossas crenças, desejos, vontade, carácter e personalidade) Causas inapropriadas são as coercivas/ que não estão em nosso controlo (alheias a nós) Porque é uma teoria compatibilista As crenças/proposições Tudo está determinado & Somos livres podem ser as duas verdadeiras Somos causalmente determinados e livres, logo também somos responsáveis Liberdade não significa ausência de causa Liberdade significa ausência de compulsão/coerção Quando quero fazer algo e posso, não sendo obrigado ou impedido, sou livre ARGUMENTOS Argumento da experiência fenomenológica da liberdade na ação Premissa 1: Se queremos algo e fazemos o que queremos (sem constrangimentos), então somos livres Premissa 2: Algumas vezes fazemos o que queremos sem constrangimentos Conclusão: Algumas vezes somos livres Objeção A teoria é incoerente: ao admitir a tese de que todas as nossas ações são consequência das leis da natureza e de acontecimentos precedentes que não controlamos (por exemplo, as causas dos nossos desejos, crenças e personalidade), parece difícil admitir que possa haver margem para uma vontade livre.

Ideias chave/teses Noção de liberdade do compatibilismo é insuficiente LIBERTISMO Compatibilismo: Liberdade = eu quero + eu posso Libertismo: Liberdade = eu quero + eu posso + poderia ter querido e feito outra coisa Nem todos os eventos têm o mesmo tipo de causalidade: Causalidade natural (própria do mundo físico) Causalidade do agente (própria de uma mente) Os agentes humanos são causa das suas ações (autodeterminam-se). Teoria incompatibilista Porque defende que as duas crenças não podem ser ambas verdadeiras Tudo está determinado Somos livres Conseguem iniciar efeitos no mundo. Algumas ações (as livres) têm uma causalidade própria

Argumentos Pró 1- Argumento da experiência da liberdade/responsabilidade Premissa 1: Se sentimos que somos livres, então somos livres Premissa 2: A experiência da liberdade é evidente porque sentimos que podíamos ter agido de outro modo Conclusão: somos livres 2.Argumento da responsabilidade moral ( modus Ponens) Premissa1: Se não somos livres, então não somos responsáveis e não faz sentido elogiar e punir as pessoas pelas suas ações Premissa 2: Mas faz sentido responsabilizar, elogiar e punir as pessoas pelas suas ações Conclusão: Somos livres 3.Argumento de que o universo não constitui um sistema totalmente determinista Premissa 1: Do facto de sermos parte de um universo determinista não se segue que as nossas ações estão determinadas Premissa 2: O princípio da incerteza mostra que nem todo o universo é determinado Conclusão: As nossas ações não estão determinadas (somos livres) 4. Argumento da causalidade própria do agente Premissa 1: O ser humano é constituído por corpo e mente que são de natureza diferente: o corpo está sujeito à leis naturais, mas a mente não. Premissa 2: A mente é capaz de se autodeterminar por intermédio da vontade Conclusão: Temos livre arbítrio Objeção Parece difícil imaginar e aceitar que a nossa mente, ou parte dela, possa funcionar em nós à margem de leis causais e do cérebro enquanto estrutura biológica, física e química, pois isso contraria o que sabemos acerca do funcionamento do mundo por intermédio da ciência

Tipos de juízo Juízo de facto Descrevem a realidade: acontecimentos, ações, coisas. Juízo de valor Apreciam a realidade: acontecimentos, ações, coisas Referem-se a factos e por isso têm um valor de verdade (são verdadeiros ou falsos) justificável pela experiência. São meramente informativos sobre o real Referem-se a valores ou princípios nos quais se baseiam para produzir a avaliação. Dependem de argumentação para a sua justificação São em grande medida normativos: prescrevem normas que obrigam sobre que deve ou não deve fazerse Psicologismo Ideias principais Objeções Natureza dos valores O valor não é uma coisa nem existe nas coisas. Os valores são subjetivos: existem porque há um sujeito que atribui valor O valor corresponde a uma preferência do sujeito. Os juízos de valor expressam essas preferências. O emotivismo é a forma extrema de psicologismo: os valores correspondem a emoções Não permite explicar a permanência de certos valores ao longo da história da humanidade. Discussões e argumentações morais são inúteis. Os acordos morais baseados na argumentação são impossíveis. Valor e valoração não são a mesma coisa. A valoração é sempre subjetiva, mas o valor pode não o ser Naturalismo Ideias principais Forma de objetivismo axiológico, pois defende que os valores existem objetivamente nas coisas Os valores são modos de ser das coisas como as suas qualidades naturais tal como a altura, peso, etc. Os juízos de valor são como juízos de facto, podendo ser verdadeiros ou falsos. Objeções Se os valores fossem qualidades naturais das coisas deveriam poder ser percebidos pelos nossos sentidos como as outras (peso, cor, etc.). Ora o certo é que tal não sucede pois como explicar as diferenças e os desentendimentos entre os homens em relação aos valores? Objetivismo Forma extrema de objetivismo: os valores não estão nas coisas, existem em si Ideias mesmos como entidades autónomas. Os valores também não são coisas. São entidades ideais e imateriais e intemporais, principais que existem independentemente das coisas e do sujeito. As coisas só têm valor por causa dos valores objetivos. Ex: uma coisa é bela por causa do valor Beleza Objeções Se os valores estão separados e independentes das coisas, de que modo se dá a relação entre o mundo ideal do valores e o mundo material Se os valores são objetivos como explicar as diferenças e os desentendimentos entre os indivíduos, sociedades e épocas históricas em relação aos valores?

Moral Kantiana Utilitarismo de Stuart Mill Natureza Deontologismo: dever como valor supremo Hedonismo: prazer/felicidade como valor supremo Ação moral A que for motivada apenas pelo dever A que maximiza imparcialmente a prazer/felicidade do maior número Citério da moralidade Imperativo categórico: possibilidade de Princípio da maior felicidade universalização das máximas (transformá-las em leis) Pontos fortes da teoria Respeito pelos princípios morais Recusa em instrumentalizar o ser humano (não usar as pessoas como meios, mas apenas como fins) Valorização dos resultados da ação Valorização das condições específicas em que se pratica a ação Objeções à teoria O cumprimento cego das obrigações pode ter más consequências. Conflito entre deveres absolutos: em algumas situações cumprir uma obrigação pode impedir de cumprir outra Pode colocar em causa os direitos individuais ou de minorias em nome da felicidade da maioria Em certas circunstâncias pode indicar como obrigatórias ações que consideraríamos imorais. Ex: sacrificar um inocente para usar os seus órgãos para salvar várias pessoas Nem sempre é fácil calcular em toda a sua extensão as consequências das nossas ações ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DA DEUS Argumento ontológico ou de Santo Anselmo Natureza É um argumento à priori (Baseia-se apenas na razão. Nenhuma das premissas é conhecida por meio da experiência) Tipo É um argumento do tipo dedutivo. Na forma chamada redução ao absurdo, isto é, aceita-se uma hipótese inicial (Deus existe no pensamento, mas não na realidade) e tenta-se deduzir dela um absurdo lógico, uma contradição (neste caso Deus seria e não seria simultaneamente aquilo maior do qual nada pode ser pensado.) Se se conseguir obter essa contradição temos de abandonar a hipótese que a ela conduziu. Argumento Premissa1: Deus é aquilo maior do qual nada pode ser pensado (existe no pensamento) Premissa2: Existir na realidade é ser maior do que existir só no pensar Premissa3: Aquilo maior do qual nada pode ser pensado existe no pensamento e não existe na realidade (hipótese absurda) Conclusão: Aquilo maior do qual nada pode ser pensado é aquilo maior do qual algo pode ser pensado (conclusão absurda) Mantêm-se as duas primeiras premissas Rejeição da hipótese absurda Nova conclusão: Deus existe Críticas Leva a consequências absurdas: através deste género de definições poderia ser demonstrada a existência de todo o género de coisas que podem existir no pensamento, mas não existem na realidade, como unicórnios, sereias, ilhas feitas de ouro, etc. A existência não é uma propriedade: quando se diz que algo existe não estamos a qualificar esse algo com mais uma propriedade. A existência não faz parte da definição de algo, é a condição para que as coisas tenham certas propriedades (objeção de Kant)

Argumento Cosmológico de São Tomás de Aquino Natureza Tipo Argumento É um argumento à posteriori (pelo menos uma das premissas baseia-se em dados da experiência) É um argumento dedutivo Premissa 1: Tudo o que existe tem uma causa Premissa 2: Nada pode ser causa de si própria Premissa 3: As cadeias causais não podem regredir até ao infinito (porque sem primeira causa não haveria efeitos) - Conclusão: tem de haver uma primeira causa. Essa causa é Deus Críticas Podemos desafiar a ideia de que uma série infinita de causas não é possível Não temos razões para pensar que lá porque tudo tem uma primeira causa, que há uma única primeira causa de tudo. Mas mesmo que isso fosse o caso, não temos razões para achar que essa primeira causa é Deus Natureza Tipo Argumento Argumento do desígnio ou teleológico de William Paley É um argumento à posteriori (pelo menos uma das premissas baseia-se em dados da experiência) É um argumento indutivo por analogia pois tira conclusões a partir de uma comparação entre aspetos que considera semelhantes para outros Premissa 1: Se abrirmos um relógio e inspecionarmos o modo como todas as peças do mecanismo trabalham conjunta e harmoniosamente, compreendemos que o relógio teve de ser criado por alguém inteligente Premissa 2: O universo e os organismos vivos são muito semelhantes aos relógios. Revelam complexidade, organização e harmonia (desígnio) Conclusão: o universo e os organismos vivos devem de ter um criador inteligente, que é Deus Críticas A analogia é fraca pois entre uma máquina e o universo há diferenças substanciais que suplantam as semelhanças Deus não é a única explicação possível para a complexidade e harmonia do universo Não há razões para aceitar que foi um só Deus que fez o universo poderiam ser vários deuses (não apoia o monoteísmo) Mesmo que fosse um só Deus que causou o universo há razões para pensar que não é todo-poderoso e perfeito pois o Universo parece ter vários defeitos de conceção (a existência do mal e do sofrimento são dois exemplos) ARGUMENTO CONTRA A EXISTÊNCIA DE DEUS Problema do mal : Como é possível conciliar as seguintes proposições? 1- Deus é infinitamente Bom 2- Deus é omnipotente 3- Deus é omnisciente 4- O mal desnecessário existe A lógica do argumento é defender que há uma incompatibilidade entre a noção de um Deus bom, sábio e poderoso e a existência do mal

Argumento sobre a existência do mal Premissa 1: Deus é um ser sumamente bom, omnipotente e omnisciente Premissa 2: O sofrimento existe Premissa 3: Deus sabe do mal e não o evita Conclusão: Deus não é bom Premissa 1: Deus é um ser sumamente bom, omnipotente e omnisciente Premissa 2: O sofrimento existe Premissa 3: Deus sabe do mal quer evitálo, mas não consegue Conclusão: Deus não é omnipotente Premissa 1: Deus é um ser sumamente bom, omnipotente e omnisciente Premissa 2: O sofrimento existe Premissa 3: Deus não sabe do mal Conclusão: Deus não é omnisciente Objeções ao argumento do mal Um teísta responderia que existem razões moralmente suficientes para que Deus opte por não eliminar o mal. O principal argumento é o da existência do livre arbítrio, e a sua existência como condição essencial da moral: A existência da livre vontade no homem implica que tenha de haver bem e mal, para ele poder optar. Se só pudéssemos escolher o bem seria um real exercício do nosso livre arbítrio (estávamos obrigados a escolher sempre o bem) Se só pudéssemos escolher o bem nada de extraordinário estaríamos a fazer do ponto de vista moral (não poderíamos ser responsabilizados e elogiados por ela) Contra objeções É possível imaginar que alguma dose de mal pudesse ser necessária ser autorizada por Deus para atingir certos objetivos morais, mas sendo a natureza de Deus a de um ser sumamente bom, é incoerente com tal natureza que o mal exista por duas razões: A dose do mal atinja, por vezes, proporções calamitosas. O sofrimento que o mal causa atinja muitas das vezes pessoas completamente inocentes (pode um Deus bom deixar sacrificar inocentes para que outros seres humanos exerçam o seu livre arbítrio?)