ELABORAÇÃO DE RELATÓRIOS Mafalda Guedes http://ltodi.est.ips.pt/aguedes Departamento de Engenharia Mecânica Área Científica de Mecânica dos Meios Sólidos Setúbal, Novembro de 2006
RESUMO DA APRESENTAÇÃO 1. O que é e para que serve um relatório 2. Regras e linguagem 3. Relatório laboratorial 4. Relatório de síntese 5. Apresentação oral de um trabalho
1. O QUE É E PARA QUE SERVE UM RELATÓRIO Artigo Científico Divulgação de conhecimentos originais resultantes de experiências efectuadas ou de formulação e análise de teorias. Relatório Laboratorial O aluno expõe e discute os seus resultados em esquema análogo ao de um artigo científico, embora introduzindo modificações próprias de quem se encontra em fase de treino ou de aprendizagem. Relatório de Síntese O aluno expõe resumidamente o tema apresentado por um orador ou as observações efectuadas durante uma visita de estudo.
2. REGRAS E LINGUAGEM Linguagem apropriada utilizar termos técnicos/científicos correctos cuidado com termos traduzidos à letra atenção à simbologia utilizada Linguagem concisa e clara utilizar frases curtas, claras e gramaticalmente correctas evitar textos muito elaborados evitar a utilização de advérbios e de adjectivos utilizar o sujeito impessoal Resultados com número correcto de algarismos significativos Utilizar sempre o Sistema Internacional de Unidades (SI) Paginar o relatório
RELATÓRIO LABORATORIAL
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Elaboração de um relatório forma, linguagem e regras específicas Um relatório contém habitualmente as seguintes partes: Página de Título Índice Objectivo Introdução Teórica Procedimento Experimental Resultados Análise de Resultados Conclusões Anexos Bibliografia
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Página de Título Sóbria Indicação do estabelecimento de ensino, título e número do trabalho, nome e número mecanográfico do(s) autor(es), data e local O título tem que ser objectivo tem que chamar a atenção para o assunto tratado não deve conter um número excessivo de palavras Exemplo: INCORRECTO Relatório Acerca da Determinação do Valor de Várias Propriedades de um Aço com Baixo Teor de Carbono CORRECTO Determinação de Propriedades Mecânicas de um Aço-Carbono
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Objectivo Descreve-se, num mínimo de palavras, porque é que se efectuou a experiência em causa Exemplo: INCORRECTO Com este trabalho pretendemos saber a resistência do aço ou seja a força que este material suporta. CORRECTO Determinação de propriedades mecânicas de um aço-carbono com 0,2%C a partir da curva de tensão nominal - extensão nominal obtida através de ensaio de tracção.
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Introdução Teórica É uma iniciação ao problema em estudo Deve mostrar a adequação do método aplicado ao estudo do problema em causa Não é um amontoado de expressões e teorias Não é uma cópia da Introdução Teórica do Guia de Laboratório Exemplo: Num relatório sobre determinação experimental de propriedades mecânicas é irrelevante fazer a dedução das equações utilizadas, mas não o é a análise (breve) da importância dos resultados num assunto como, por exemplo, a selecção de materiais para aplicações estruturais.
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Procedimento Experimental Indica de forma descritiva os aparelhos (marca e modelo) e/ou materiais utilizados e as condições experimentais seguidas Descreve sucintamente o método experimental seguido Não é uma lista de aparelhos Não é uma cópia do Método Experimental do Guia de Laboratório INCORRECTO Equipamento e Material: - Máquina INSTRON de ensaios mecânicos - Provetes de aço CORRECTO Equipamento e Material: O ensaio de tracção foi efectuado numa máquina universal de ensaios mecânicos (INSTRON 1186). Ensaiaram-se provetes de aço-carbono com 0,2%C, com geometria cilíndrica normalizada.
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Resultados Descrevem-se os resultados obtidos Apresentam-se preferencialmente na forma de gráficos ou tabelas Não são só medidas directas mas também os principais valores calculados com base nessas medidas Não se apresentam cálculos triviais Apresentar os resultados com número correcto de algarismos significativos
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Resultados Exemplo INCORRECTO Tensão de ruptura 600 Tensão nominal (MPa) 500 400 300 200 100 Tensão de cedência Tensão de fractura 0 0 0,05 0,1 0,15 0,2 Extensão nominal
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Resultados Exemplo CORRECTO Os valores de Força vs. Deformação obtidos através do ensaio de tracção efectuado foram utilizados para construir a curva de tracção nominal apresentada na Figura 1. Por análise directa da curva de tracção obteve-se um valor de σ ced =379MPa para a tensão de cedência, σ R= 524 MPa para a resistência mecânica e σ f =351MPa para a tensão de fractura do aço em estudo. 600 Tensão nominal (MPa) 500 400 300 200 100 0 0 0,05 0,1 0,15 0,2 Extensão nominal Figura 1. Curva de tracção nominal obtida para o aço-carbono em estudo.
Resultados 3. RELATÓRIO LABORATORIAL ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS número correcto de algarismos a utilizar para expressar o resultado de uma medida ou de um cálculo cálculos intermédios devem conter mais um algarismo significativo que o resultado final esse algarismo é desprezado no final, depois de arredondado só o último algarismo de uma medida está afectado de incerteza (correspondente a metade da menor divisão da escala do aparelho de medida) o último algarismo significativo deve estar na mesma posição decimal que a incerteza associada à medida: incorrecto 9,82 ± 0,02385 correcto 9,82 ± 0,02 qualquer algarismo diferente de zero é significativo: 54 tem dois algarismos significativos e 1,892 tem quatro zeros entre algarismos diferentes de zero são significativos: 4503 tem quatro algarismos significativos
Resultados ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS 3. RELATÓRIO LABORATORIAL zeros à esquerda do primeiro algarismo diferente de zero não são significativos: 0,000034 = 3,4x10-5 tem dois algarismos significativos em números com casa decimal, zeros à direita de um algarismo diferente de zero são significativos: 2,00 tem três algarismos significativos e 0,050 tem dois numa soma ou subtracção, o resultado deve conter tantas casas decimais quantas as da parcela que as tiver em menor número: 89,332 + 1,1 = 90,432 deve ser arredondado para 90,4 numa multiplicação ou divisão, o resultado deve conter tantos algarismos significativos quantos os do factor que os tiver em menor número. 2,80 x 4,5039 = 12,61092 deve ser arredondado para 12,6
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Análise de Resultados É a parte mais importante do relatório, juntamente com os Resultados Os capítulos 'Resultados' e 'Análise de Resultados' podem ser combinados num só Avaliam-se criticamente os resultados experimentais obtidos Comparam-se os valores obtidos com o valor teórico Discutem-se as possíveis fontes de erro experimental Exemplo: INCORRECTO Variações na temperatura podem ter influenciado o resultado. CORRECTO Uma variação da temperatura de 5ºC implica uma flutuação de 0,1% no valor da densidade medido.
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Conclusões Apresentam-se as conclusões gerais que podem ser retiradas da análise dos resultados experimentais Se for o caso, podem ser apresentadas ideias para trabalho futuro sobre o tema
3. RELATÓRIO LABORATORIAL Bibliografia TODA a informação que é retirada do trabalho de outros autores e citada no relatório TEM QUE SER REFERENCIADA Exemplo: INCORRECTO Através do Método de Arquimedes obteve-se um valor experimental de 8,6 g/cm 3 para a massa volúmica do cobre, inferior ao valor teórico (8,9 g/cm 3 ). CORRECTO No texto: Através do Método de Arquimedes obteve-se um valor experimental de 8,6 g/cm 3 para a massa volúmica do cobre. Este valor é inferior ao valor de 8,9 g/cm 3, previsto teoricamente [1]. Na Bibliografia: [1] ASHBY, M. F., JONES, D. Engineering Materials: An Introduction to their Properties and Applications. International Series on Materials Science and Technology, vol. 34. Oxford: Pergamon Press, 1980.
Bibliografia 3. RELATÓRIO LABORATORIAL É essencial referenciar correctamente Geralmente ordenam-se as referências por ordem de citação Organização da lista de referências: norma portuguesa NP-405 (Mediateca) Referências devem conter os seguintes elementos essenciais: LIVROS: Autores; Título; Identificação da edição; Número do volume; Local de publicação; Editora; Ano de publicação; Páginas limite. ARTIGOS PUBLICADOS EM REVISTAS CIENTÍFICAS: Autores; Título do artigo; Título da revista; Local de publicação; Número do volume; Páginas limite; Ano de publicação. INFORMAÇÃO EM SITES DA INTERNET: Autores; Título do artigo; Nome do site; Data da última actualização do site; Data da consulta; Endereço electrónico.
RELATÓRIO DE SÍNTESE
4. RELATÓRIO DE SÍNTESE Curto (tipicamente uma página A4) Apresentar lista de palavras-chave Texto deve começar por um apanhado das características da sessão: data, nome e função do orador, tema tratado e em que âmbito O texto é um exercício de síntese descrever as ideias gerais apresentadas (um parágrafo = uma ideia) não emitir opiniões pessoais concluir com análise da importância do tema tratado no âmbito da disciplina em que se integrou Não há bibliografia a indicar
APRESENTAÇÃO ORAL DE UM TRABALHO
5. APRESENTAÇÃO ORAL DE UM TRABALHO Postura Apresentar-se e apresentar o tema Falar sempre de frente para o público Olhar o público, não falar de cabeça baixa Não colocar as mãos nos bolsos Falar pausadamente e suficientemente alto Cuidado com a gesticulação exagerada Acabar todas as frases (evitar, por exemplo, dizer etc.) Cuidar a apresentação pessoal
5. APRESENTAÇÃO ORAL DE UM TRABALHO Apresentação do Trabalho Suporte em Power Point, slides, acetatos,... O suporte deve apenas ilustrar a apresentação A apresentação é sempre oral Evitar excesso de texto (landscape) Cuidado com a escolha das cores Cuidado com a escolha de tamanho de letra
ORGANIZAÇÃO DE UM RELATÓRIO Mafalda Guedes Departamento de Engenharia Mecânica Área Científica de Mecânica dos Meios Sólidos Setúbal, Novembro de 2006