FRACTURA DO COLO DO ÚMERO



Documentos relacionados
PORQUE DESENVOLVER FORÇA MUSCULAR?

Clínica Deckers. Fisioterapia Exercícios Terapêuticos para o Cotovelo

Capítulo. 11 Imobilização de fraturas. Conceitos Gerais de. Capítulo 11 Conceitos gerais de imobilização de fraturas 1. OBJETIVOS

Documentos de Apoio - Disciplina de Educação Física ANDEBOL. Caracterização

Artrose do Ombro ou Artrose Gleno Umeral

VIVER COM O SEU NOVO OMBRO

Apoio Teórico de Badminton

Tonificação da musculatura abdominal:

COLÉGIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA Disciplina de educação Física

Air Alert III: Um programa completo para saltos verticais

Série criada para: Ciatalgia - piora flexão

AS DIMENSÕES ANTROPOMÉTRICAS 2 O COMPRIMENTO DOS SEGMENTOS ANATÔMICOS

Kosmodisk Programa Básico de Exercícios

Escala de Equilíbrio de Berg

Avaliação da Flexibilidade

Deformidades dos Pés Joanetes

enfarte agudo do miocárdio

Educação Física 28 Prova Prática

Hipertensão Arterial. Promoção para a saúde Prevenção da doença. Trabalho elabora do por: Dr.ª Rosa Marques Enf. Lucinda Salvador

Escalas ESCALAS COTAGEM

ANTROPOMETRIA E BIOMECÂNICA EM POSTOS DE TRABALHO. Prof. Manuel Salomon Salazar Jarufe

FUTEBOL. Como se define? Acção individual ofensiva de relação entre dois jogadores da mesma equipa, que permite a troca de bola entre eles.

TÉCNICA DE CROL TÉCNICA DE CROL

Protocolos articulações dos MMSS. Profº Cláudio Souza

Órteses para o Tronco e Coluna Cervical. Prof: Alan de Souza Araújo

A Técnica do Salto em Comprimento CARACTERÍSTICAS E PROBLEMAS DA TÉCNICA DO SALTO EM COMPRIMENTO CARACTERÍSTICAS DE UM BOM SALTADOR FORÇA DE IMPULSÃO

LER / DORT. Prevenção é

Atividade experimental - Tema: Luz

Acessos cirúrgicos aos ossos e articulações dos membros

Objectivo. Os Desportos de Combate nas Aulas de Educação Física. Sumário. Os Programas de EF em Portugal. Abel Figueiredo

G-III PRÓTESE MODULAR DE ÚMERO. Técnica Cirúrgica A

Cinemática Mandibular

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS / PROPOSTA

Espondilartrites Juvenis/Artrite Relacionada com Entesite (Epa-Are)

Centro de gravidade de um corpo é o ponto onde podemos supor que seu peso esteja aplicado.

Salto em Altura. Mário Paiva (*) e Sara Fernandes (**) O salto em altura é uma disciplina do atletismo que consiste na transposição de uma fasquia.

Atletismo O SALTO COM VARA

Cartilha para Pacientes Submetidos a Artroplastia Total de Quadril. Unidade de Reabilitação

Paquímetro: O pessoal da empresa está chegando à quarta. Um problema. Erros de leitura

r o d e s e m p r e. r o d e c o m a v o l v o.

Trabalhar em pé dá dor nas pernas?

Rotura do Cabo Longo do Bíceps

Doença do laptop dá dores nos punhos, cotovelos e costas

FÍSICA - 1 o ANO MÓDULO 10 EQUILÍBRIO DE CORPOS EXTENSOS

Os membros superiores são formados por quatro segmentos ósseos, que apresentamos a seguir. Todos os ossos desses segmentos são pares.

PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE: PROCEDIMENTOS PARA AS MEDIDAS DE PRESSÃO ARTERIAL

ORTESES PARA PARAPLEGIA E TRASTORNOS DO QUADRIL P R O F : A L A N D E S O U Z A A R A Ú J O

Leia com atenção os seguintes textos e responda depois às questões colocadas. GRUPO I NOÇÃO GERAL DE ERGONOMIA

TÉCNICAS RADIOLÓGICAS. Profº. Emerson Siraqui

Capítulo. Traumatismos das 35 Extremidades. Capítulo 35. Traumatismos das Extremidades 1. OBJETIVOS

Calculando distâncias sem medir

Stretch Out for Haemophilia and Exercise O seu guia de exercícios com faixas elásticas

Veja 20 perguntas e respostas sobre a gripe H1N1 O VÍRUS 1. O que é a gripe H1N1? 2. Como ela é contraída? 3. Quais são os sintomas?

relatam sentir somente a dor irradiada, não percebendo que sua origem está na coluna. Portanto, todo indivíduo com queixa de dor irradiada

FRANCISCO FERREIRA. Universo. Saude. Desvios Posturais

MARCHA ATLÉTICA. Da sensibilização geral ao treino de jovens. ZéEduardo, Centro de Formação da Zona Centro: Covilhã, 21/Nov/2009

ÍNDICE GIRA VOLEI REGRAS DE JOGO CAPÍTULO I FUNDAMENTOS E REGRAS DO JOGO. REGRA 1 Terreno de jogo (figs. 1 e 2) 1.1 Superfície de jogo. 1.

PROTOCOLOS DE AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA AO DESEMPENHO ESPORTIVO

Protocolos articulações dos MMII. Profº Cláudio Souza

Ano Lectivo 2009 / Projecto Nestum Rugby nas Escolas Introdução ao Tag-Rugby e ao Bitoque

Ministério da Saúde - MS Secretaria de Atenção à Saúde Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS

PENSAMENTO claro mente CRIATIVA

DIGITALIS S.r.l. SISTEMA AMBIENTE DIAGRAMA DA ANÁLISE ERGONÔMICA

ROTEIRO DE ESTUDO Osteologia do Membro Superior

O QUE É? O RETINOBLASTOMA

1964-P P-2000

- MÉTODO KABAT - FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA

Suponha que a velocidade de propagação v de uma onda sonora dependa somente da pressão P e da massa específica do meio µ, de acordo com a expressão:

Ergonomia UT. Manejo

CINESIOLOGIA Planos, Eixos e Movimentos. Prof. Dr. Guanis de Barros Vilela Junior

COMO SABER O TAMANHO EXATO DO QUADRO, RECUO E INCLINAÇÃO DO SELIM

Informática Básica. Hardware. Anibal de Macedo, Informática Básica - Hardware. Instituto Federal do Rio Grande do Norte

Cinesiologia 19/4/2011. Classificação planar da posição e dos movimentos. Cinemática: Ciência do movimento dos corpos no espaço. Prof.

Solução da prova da 2a fase OBMEP 2014 Nível 2. Questão 1. item a)

Air Alert III: Um programa completo para saltos verticais

NarizSe sente que o nariz tem ficado entupido com freqüência, se têm aparecido cascas ou

O que é o alongamento?

0. Objectivo. 1. Erros no remate Ângulo de erro

Orientações sobre Aleitamento Materno e Pós-Parto

PVClay - Polymer Clay

Artrose Guia para pacientes. Voltar a experimentar o movimento! A artrose das grandes e pequenas articulações e o seu tratamento com

Fédération Cynologique Internationale. GRUPO 9 Padrão FCI N o /06/2015. Padrão Oficial da Raça LHASA APSO

1. INTRODUÇÃO 1.1. GENERALIDADES

Utilização dos Instrumentos de Desenho Técnico e Normas

EDITAL DE RETI-RATIFICAÇÃO N 005/2015 DO EDITAL DO CONCURSO PUBLICO MUNICIPAL

EQUILÍBRIO DA PARTÍCULA

Fundamentos técnicos

NOTICE D UTILISATION ISTRUZIONI PER L USO OPERATING INSTRUCTIONS GEBRUIKSHANDLEIDING MODO DE EMPLEO MANUAL DE UTILIZAÇÃO INSTRUKCJA UŻYTKOWANIA

Manual de Operação e Instalação

Sumário. Da Terra à Lua. Movimentos no espaço 02/11/2015

Escola Secundária Morgado Mateus Vila Real

Efeito do exercício no ritmo cardíaco

Envelhecimento ativo Que exercícios posso fazer em casa?

ANATOMIA DOS. Sistema Nervoso Periférico. Nervos Espinhais PROF. MUSSE JEREISSATI

Presente em sua vida.

Síndrome de Guillain-Barré

INTRODUÇÃO PROTOCOLO DE JOGO

PARA UMA VIDA MELHOR. Vamos fazer exercícios!

Transcrição:

FRACTURA DO COLO DO ÚMERO FRACTURA DO COLO DO ÚMERO

FRACTURA DO COLO DO ÚMERO FRACTURA DO COLO DO ÚMERO

É uma das fracturas mais frequentes em idosos, habitualmente resultado de um traumatismo por queda para a frente com o braço esticado a mão ampara a queda mas o ombro é que recebe a energia da pancada e parte. Uma queda directamente sobre o ombro pode também provocar a fractura, favorecida por estados de osteoporose ou seja, osso pouco denso, fraco, tão frequente em idades avançadas ou na mulher pós menopausa. CONHEÇA O SEU OMBRO O ombro é a região do corpo onde o braço se articula com o tronco. Do lado do braço a articulação é constituída por uma superfície óssea redonda, a cabeça do úmero. Do lado do tronco, a omoplata forma uma cavidade arredondada, a glenóide, onde a cabeça umeral se aloja. Esta articulação forma um encaixe que permite grande mobilidade. 0 seu ombro 3

O QUE É A FRACTURA? A fractura pode ser mais ou menos grave, em função do número de fragmentos ósseos e da presença ou não de luxação. A luxação é a perda de contacto entre a cabeça do úmero e a glenóide, ou seja, um desencaixe destas duas estruturas. Fractura do colo do Úmero TRATAMENTO Conservador: A maioria destas fracturas pode ser tratada conservadoramente, ou seja, com imobilização do membro superior afectado sem recurso à cirurgia. Tal será sempre desejável, evitando a agressão de uma operação. Imobilização do membro superior com suspensor de braço com banda torácica - mantém ombro imóvel e mão ao peito Esta imobilização deverá manter-se cerca de 3 semanas, a decidir conforme a gravidade, seguindo-se o início dos movimentos de recuperação. 4

Cirúrgico: Obriga a um internamento e não é isento de riscos, mas é a melhor alternativa quando há um desvio ou separação significativos dos fragmentos ósseos. Isto é, a posição em que iriam consolidar (cicatrizar) não é a desejável, obrigando a operar para montar o puzzle. As técnicas existentes são várias e a escolha depende da qualidade óssea (osso denso ou osso com osteoporose, como nos idosos) e da gravidade da fractura. Se a reconstrução for impossível, a solução pode ser a prótese do ombro. As indicações para operar não são lineares, isto é, cada caso é considerado separadamente pelo seu Ortopedista antes de decidir qual o tratamento mais acertado. A REABILITAÇÃO Seja qual for o tratamento a que foi sujeito - conservador ou cirúrgico - eis que chega a altura de iniciar a recuperação dos movimentos do seu ombro. O início será custoso e, ao longo de todo o período de reabilitação, a sua colaboração é essencial. Afinal, o interesse é todo seu. A altura certa para começar a mobilização será decidida pelo seu Ortopedista. Tal depende do tratamento a que foi sujeito e, caso tenha sido operado, do tipo de cirurgia efectuado. Em primeiro lugar, fará movimentos passivos, isto é, sem esforço e com a acção do outro braço, que têm como principal objectivo evitar a rigidez do ombro. 5

O fortalecimento dos músculos, essencial para permitir boa capacidade para mexer o ombro em todas as direcções, será conseguido com a mobilização activa, mais exigente. Recuperar a mobilidade - Os movimentos pendulares passivos evitam rigidez De pé, incline-se para a frente e deixe o braço solto e descontraído. Depois, apenas faça o seu braço oscilar como um pêndulo, em todas as direcções. Não esqueça que ainda não são estes os movimentos que irão permitir mexer o ombro até aos limites máximos. - Deve também aumentar a amplitude dos movimentos passivamente (ou seja, sem fazer força com o ombro doente). Primeiro, deitado: Elevação para a frente - pegar no braço operado com o braço são, levantá-lo até à vertical e deixá-lo cair lentamente para trás da cabeça, controlando sempre o movimento com o braço que está bem para evitar a dor. 6

Rotação externa colocar um pano dobrado sob o cotovelo do lado operado (para permitir braço paralelo à cama), agarrar uma barra com as duas mãos (por exemplo vassoura), mantendo entre elas a distância entre os 2 ombros (antebraços na vertical). Sem largar a barra, a mão do lado são inclina-se em direcção ao tórax, empurrando para fora a mão do lado operado, levando à rotação externa do ombro operado. De pé: Elevação passiva assistida colocar-se próximo da parede, braço operado em elevação máxima, cotovelo esticado. Aproximar lentamente o tórax da parede, sem mexer os pés. Manter esta posição durante 1min. e repetir 5 vezes. 7

Rotação externa assistida agarrar uma esquina de porta, de frente para esta, com a mão do lado operado. A mão do lado são mantém o braço operado encostado ao corpo, com o cotovelo a 90º. Sem largar, voltar a bacia (A) e depois o ombro são (B) para trás. Mobilidade para trás com um pano sobre o ombro são, agarrálo atrás com a mão do lado operado e à frente com a outra mão. Com os movimentos desta, permite-se que o braço operado se mova mais alto e mais longe pelas costas. Manter esta posição 1min., repetindo até 10 vezes. 8

Recuperar a Força Numa primeira fase será útil a ajuda de outra pessoa para diminuir a força necessária para elevar o braço, mas depois fará os exercícios sozinho. Elevação lateral e anterior trabalhar a elevação do braço contra a parede, subindo com os dedos para diminuir o esforço. Repetir 5 vezes de lado e outras 5 de frente para a parede. Rotação externa deitado sobre o lado saudável, encostar o cotovelo ao corpo e pousar a mão na cama. Elevar a mão o mais possível sem afastar o cotovelo do corpo, baixando lentamente a seguir. Repetir 5 a 10 vezes, em 2 ou 3 séries. Pode usar um pequeno haltere ou outro objecto pesado caso o movimento já lhe seja fácil de efectuar. 9

AINDA ALGUNS CONSELHOS Não hesite em contactar o seu Médico se constatar o aparecimento de sinais anormais (inchaço, dor severa, febre) Esteja atento ao mais pequeno sinal de infecção - dor de dentes, unha encravada ou febre sem causa aparente. À menor infecção dentária, respiratória, urinária ou outra, previna o seu Médico se foi operado ao ombro. Do mesmo modo, se for submeter-se a tratamento dentário, previna o seu Dentista. Não receba injecções intramusculares no lado da fractura, se foi operado Mantenha um programa de reabilitação fisiátrica por alguns meses para melhores resultados Faça exercício físico regular e mantenha acompanhamento pelo seu Médico do Centro de Saúde ele dar-lhe-á medicamentos que evitam que o seu osso enfraqueça, se necessário, retardando a osteoporose e diminuindo o risco de fracturas. 10

Apoio: Dr. Nuno Sampaio Gomes (H. G. Stº António / H. Militar Porto) Dr. José Manuel Lourenço (H. G. Stº António) Secção do Ombro da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia

Colaboração www.msd.pt www.univadis.pt Rua Quinta da Fonte, Edifício Vasco da Gama, Quinta da Fonte, 2770-192 PAÇO DE ARCOS