PERFIL DA CITRICULTURA DE MATINHAS, PB, VISANDO AO MERCADO NACIONAL Edson Batista Lopes Ivanildo Cavalcanti de Albuquerque Flávio Tôrres de Moura Historicamente, existem citações de plantações de citros na China há mais de mil anos. Considerada como um dos pontos de origem dos cítricos, a China produz citros em 22 de suas divisões territoriais e municipalidades (Províncias, em sua maioria). Segundo a FAO (2002), a China, com,% do total, representa a terceira maior produção citrícola do planeta. Para os chineses, a sua produção é superada apenas pelo Brasil, deixando os Estados Unidos na terceira posição. O País é um dos maiores países do mundo com 9,5 milhões de km², e a sua produção de cítricos, é hoje, em torno de 00 milhões de caixas, praticamente consumida no próprio País. Mesmo assim, existe a necessidade de se importar laranja da Austrália e da África do Sul, para se conseguir equilibrar a demanda. Em um País com imensa população, onde as frutas e a eficiência dos sistemas produtivos assumem papel importante na alimentação, sem desperdício de alimento e, portanto, uma pequena parte da produção (2%) é destinada ao mercado externo (Rússia e Japão), conforme Medina (2005). A partir de 50, o governo português decidiu, efetivamente, colonizar as terras brasileiras, repartindo o território da colônia entre uma dezena de homens de sua confiança, que tinham que povoar e produzir açúcar em áreas chamadas de capitanias. Com a chegada de novos habitantes, apareceram as primeiras árvores frutíferas e a partir de 50/40, foi iniciada a citricultura no Brasil. As citrinas foram introduzidas pelos portugueses por volta de 540, provavelmente na Bahia (Moreira & Moreira, 99). Os documentos e livros que retratam o Brasil do início da colonização citam a excelente adaptação climática das árvores cítricas na costa brasileira. Na primeira metade do século XIX, o Brasil foi alvo de grande interesse dos pesquisadores europeus, surgindo, na época, muitos estudos e livros sobre a flora brasileira. Não foram poucos os viajantes que mencionaram a existência de laranjeiras selvagens no interior do Brasil, levando muitos a acreditarem que a laranja era uma fruta nativa. Na realidade, a boa adaptação da laranja ao clima e ao solo brasileiro produziu uma variedade com reconhecimento internacional: a laranja Bahia, baiana ou de umbigo, que teria surgido por volta de 800 (Laranjabrasil, 2005). O Brasil é o quarto maior produtor mundial de tangerinas (FAO, 2002). O Estado de São Paulo participa com 50% do total da produção interna com uma área de 2 mil hectares e 9,5 milhões de plantas. Essa produção inclui também o tangor 'Murcott' [Citrus reticulata Blanco x C. sinensis (L.) Osb.], que tem despertado grande interesse dos citricultores, na última década, devido ao alto valor de comercialização no mercado de fruta fresca e maior resistência à doenças (Pompeu Jr. et al., 998; Rossetti, 200). IMPORTÂNCIA ECONÔMICA Do total de citros produzidos e comercializados no mundo, as laranjas doces detêm 66%, as tangerinas 6%, os limões e limas ácidas 0,5% e os pomelos 6,5%. Portanto, as tangerinas e seus híbridos formam o segundo grupo em importância comercial. Quanto ao consumo da produção de tangerinas no mundo, os principais exportadores de fruta fresca são: Espanha (60%), Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba - Emepa, e-mail: emepa@emepa.org.br Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.., n., p.-, set. 200
Marrocos (0%), China (6%) e outros países com cerca de a 4% do total de cada um. No Brasil, a industrialização de tangerinas decresceu, nos últimos anos, e a exportação é pequena, tendo atingido de 6 a 8 mil toneladas, principalmente de 'Murcott'. Para o grupo de variedades de tangerinas comercializadas na CEAGESP, no total d a s q u a t r o v a r i e d a d e s m a i s importantes, o período de abril a agosto, é o mais importante, com quantidades superiores a 600 mil caixa/mês. A principal variedade comercializada em São Paulo é a 'Ponkan', com aproximadamente 0 até 90% nos meses de março a agosto. A segunda variedade é a 'Murcott', com aproximadamente o dobro da 'Mexerica' e da 'Cravo' que ocupam a t e r c e i r a e q u a r t a p o s i ç ã o, respectivamente. Para a 'Ponkan', os meses de abril a agosto é o período mais importante de comercialização, com os melhores preços no início (marçoabril). Para a 'Murcott', o volume comercializado se torna crescente a partir de junho, atingindo o pico em setembro-outubro, já com aumento do preço médio, por existirem poucas variedades de tangerina sendo comercializadas. Para a 'Mexerica', o período de maior oferta é maio a agosto, com melhores preços no período de abril a maio e em setembro. Para ' C r a v o ', a m a i o r q u a n t i d a d e comercializada na CEAGESP é de abril a maio, mas, no geral, os preços são mais baixos do que os das outras variedades. CARACTERÍSTICAS DAS TANGERINAS A origem das mandarinas é, provavelmente, no Nordeste da Índia e Sul da China, mas as diferentes espécies citadas podem ter sido originadas fora destes centros de origem. Assim, a tangerina King é citada como de origem na Indochina, a Satsuma no Japão e a Mexerica na Itália, mas já como centros secundários de origem, provavelmente, todas provenientes de Citrus reticulata, esta considerada uma das espécies ancestrais dos citros. Os frutos são de tamanho pequeno ou médio, de forma oblata (achatada), casca fina e pouco aderente, o centro do fruto (coração) é aberto e o aroma é distintivo. Em regiões de clima subtropical, com invernos frios, o fruto desenvolve coloração avermelhada, tanto interna como externamente. As sementes têm cotilédones verdes, mas há exceções. A planta é muito resistente ao frio, ao contrário do fruto. Tem folhas lanceoladas, com ponta e com a nervura central proeminente; o pecíolo é típico, não alado. As flores são usualmente brancas, pequenas, isoladas, ou em inflorescência de pedúnculos curtos. A planta é normalmente alternante. Há e s p é c i e s m o n o e o u t r a s poliembriônicas. Árvore de porte médio, copa arredondada tendendo a piramidal, com folhas aparentemente simples, coriáceas, de coloração verde, com glândulas de óleo essencial na forma de pontos translúcidos, variando na forma e em tamanho. As flores são, normalmente, solitárias, com cinco pétalas brancas, numerosos estames e um pistilo. ESPÉCIES E VARIEDADES As variedades cítricas comerciais pertencem a diversas espécies da família Rutaceae e, principalmente, ao gênero Citrus. Deste gênero, as principais espécies são: laranjas doces, tangerinas, limões, limas ácidas e pomelos. Outras espécies de menor importância: toranja, lima doce, laranja azeda e cidra. Enquanto para cada grupo cítrico existe uma espécie, para as tangerinas existem várias. Considerando aquelas que têm uso comercial, representadas por muitas variedades copas, quatro espécies são distinguidas: as Satsumas Citrus unshiu Marc., as Mexericas Citrus deliciosa Ten., as do grupo King Citrus nobilis Lour. e as tangerinas comuns Citrus reticulata Blanco. Muitos híbridos entre espécies ou variedades de tangerinas e entre estas e outras espécies são freqüentemente utilizados como variedades dentro do grupo, como os tangelos (tangerina x pomelo) e tangores (tangerina x laranja doce). VALOR NUTRITIVO E USO A tangerina, conforme a variedade, é chamada de mexerica, mexerica cravo, polkan e polkan extra. O valor nutritivo também varia de acordo com a espécie, mas é sempre fonte apreciável de vitaminas A, B e C e, em menor conteúdo os sais minerais como: cálcio, potássio, sódio, fósforo e ferro. A vitamina C, o cálcio e o fósforo são essenciais para o desenvolvimento dos dentes e ossos e para a vitalidade dos vasos sanguíneos. A vitamina A é indispensável para a saúde da vista, da pele e aumenta a resistência á infecções. As vitaminas do Complexo B estimulam o apetite, o crescimento e fortalecem os nervos. A tangerina é indicada para pessoas de qualquer idade, devendo ser ingerida com bagaço, para facilitar a formação de resíduos que melhoram o funcionamento dos intestinos. O chá de folhas de tangerina age como calmante. Além disso, a tangerina é útil contra a arteriosclerose, gota, reumatismo e cálculos renais. Na hora da compra, o melhor é escolher as que não estiverem expostas ao sol por muito tempo, para evitar perdas de grande quantidade de elementos nutritivos, principalmente, a vitamina C (ácido ascórbico). A tangerina de boa qualidade deve ser pesada, de cor brilhante e intensa. Conserva-se, em geladeira, por 2 a semanas e seu período de safra vai de abril a setembro. ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS Matinhas está localizada na Mesorregião Agreste Paraibano e Microrregião Brejo Paraibano. Geograficamente tem uma área de 29 km², com uma população de 4.086 habitantes, sendo 80% (.268 habitantes) na zona rural e 20% (88 h a b i t a n t e s ) n a z o n a u r b a n a, 2 Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v., n., p.-, set. 200
considerado, assim, um município tipicamente rural. A quase totalidade da população rural sobrevive as custas do cultivo da tangerina, a atividade principal do município. Dados do IBGE (2002) confirmam que a Paraíba com uma área colhida de.028 hectares de tangerina, foi o maior produtor do Nordeste. Já, em 200, com.049 hectares, foi responsável por,5% da produção de tangerina e o maior produtor do Nordeste (IBGE, 200). Em 2004, com uma área colhida de.22 hectares, lidera o ranking como maior produtor de tangerina do Nordeste (IBGE, 2004). A 4 km de João Pessoa e 24 km de Campina Grande, Matinhas produziu,2 mil toneladas de tangerina em 200 e ajudou a colocar a Paraíba na posição de maior produtor nordestino dessa fruta cultivada em oito outras cidades paraibanas. Também em Matinhas, foi obtida a principal produção de laranja do Estado. Em 200, do total da safra obtida na Paraíba, 5,6 toneladas, 2% foram oriundas do município de Matinhas (Paraíba, 2004). Pela Tabela, a Paraíba encontra-se no º lugar no ranking nacional em volume de produção, com 2.6 toneladas de tangerina (IBGE, 200). Considerando que o município de Matinhas é o maior produtor de tangerina e laranja cravo do Estado e fica localizado a 24 quilômetros de Campina Grande é fundamental incentivar a produção de laranja cravo e tangerina, para proporcionar o desenvolvimento da cadeia produtiva, com mais opções de emprego e renda para a população. Neste contexto, os produtores têm o propósito de criar a Cooperativa dos Citricultores de Matinhas, para possibilitar a compra de toda a produção e a garantia do preço mínimo, bem como explorar, comercialmente, a produção de suco, como acontece no Estado de São Paulo. O mercado de suco de laranja é grande no Brasil e no mundo. O município de Matinhas pode triplicar a produção de laranja cravo e tangerina, em função das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da citricultura, com possibilidade de exportação. No período da colheita, em torno de 5 caminhões de laranja saem, diariamente para grandes centros como Campina Grande e João Pessoa. A colheita de tangerina e laranja cravo começa no final de maio e se estende até setembro. Tabela Produção brasileira de tangerina e valor em reais por Estado da Federação, no ano de 200. Estado São Paulo Rio Grande do Sul Paraná Minas Gerais Rio de Janeiro Espírito Santo Paraíba Sergipe Goiás Santa Catarina Pernambuco Distrito Federal Bahia Acre Ceará Mato Grosso do Sul Mato Grosso Rondônia Tocantins Pará Piauí Amazonas Maranhão Rio Grande do Norte Volume ( t) 658.4.8 24.58 68.5 45.808.249 2.6 8.6 0.89 6.8 6.244 2.564 0. 2.29.04.0 6 885 449.682 242 68 40 20 Valor (mil reais).450 89.989 55.82 2.46.40 5.24.65.09 2.92 2.98.856.95 90 9 00 646 40 2 20 99 99 89 2 24 Fonte: IBGE (200), Brazilianfruit (2006) SITUAÇÃO ATUAL DA CITRICULTURA DE MATINHAS Os citros, em função de suas exigências edafoclimáticas, vêm sendo cultivados, na quase totalidade, na Microrregião do Brejo Paraibano. O município de Matinhas possui atualmente uma área plantada de 99,5 ha, distribuídos entre 42 produtores, - com área média de 2,2 ha produtor. Estima-se aproximadamente um milhão e trezentos mil pés de citros e - uma média de mil plantas produtor. Esses dados conferem a Paraíba, o primeiro lugar, como maior produtor de tangerina da Região Nordeste. Produtores mais antigos relatam que a citricultura, no município de Matinhas, vem sendo explorada na região desde 996 utilizando sementes (pé franco) dos mais diferentes grupos de citros: laranja comum, laranja mimo do céu, laranja pêra, tangerina dancy, tangerina ponkan, tangerina murcote, limão comum e limão galego. A partir de 969, iniciou-se a utilização de mudas enxertadas, onde o limão galego foi escolhido como único porta-enxerto para as principais variedades (copas) cultivadas no município, sendo a tangerina dancy a laranja predominante com mais de 85% da área plantada. A maioria dos plantios de citros, na Paraíba, está localizada no Planalto da Borborema, onde a altitude está acima de 500 m, o que favorece a existência de um microclima ameno, com chuvas abundantes, em média de.000 mm/ano, distribuídas em seis meses, com chuvas esparsas, ocorrendo um período de veranico a partir do mês de setembro. A umidade relativa do ar é, em média, de 85% nos meses mais frios do ano (maio a agosto), e a temperatura noturna varia de 0 a8 ºC. Durante o dia, a temperatura varia de 20 a 25 ºC nos meses mais frios e, acima de 25 ºC, no período de verão. O clima exerce grande influência sobre o vigor e a longevidade das plantas, qualidade e quantidade de frutos. Os citros se desenvolvem melhor em regiões de clima mais ameno, desde que os solos sejam adequados e o regime pluvial atinja cerca de.200 mm anuais, bem distribuídos durante o ano, podendo-se suplementar os déficits com água de irrigação. A temperatura tem efeito acentuado sobre a qualidade do fruto, sendo um fator que determina a distribuição geográfica das plantas cítricas na grande faixa de 40º ao Norte e Sul do Equador. Os frutos produzidos nos climas frios têm melhor coloração de casca e da polpa, bem como, teores mais altos de açúcares e acidez, que acentuam o sabor. Nos climas quentes, os frutos são m e n o s c o l o r i d o s i n t e r n a e Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.., n., p.-, set. 200
externamente, com teores mais baixos de açúcares e acidez, resultando em frutos mais doces, porém de paladar mais pobre. Sob temperaturas mais altas, o período floração maturação é bastante menor e os frutos permanecem pouco tempo na planta após à maturação. Os climas quentes são propícios ao cultivo dos pomelos e toranjas, limas doces e ácidas e limões. A citricultura do município de M a t i n h a s a p r e s e n t a - s e c o m o tipicamente de minifúndio e familiar, com média de 2,2 ha/proprietário e 8% com um a três membros da família envolvidos na atividade. Quanto à experiência com o cultivo da laranja, 68% dos citricultores vivenciam a atividade há mais de dez anos. A maioria dos produtores de tangerina de Matinhas, no tocante ao contexto socioeconômico, são proprietários, financeiramente são bem capitalizados, desfrutam dos mais variados bens de consumo, socialmente participam de todas as festividades e eventos, exercem a cidadania, quando comparados aos demais produtores dos municípios vizinhos. Na Tabela 2, constata-se que 48% dos entrevistados têm a propriedade com distância de a km da sede do município, 24% responderam que a propriedade fica de 4-6 km e 28% de - 9 km da sede do município. Do total dos entrevistados, 9% dispõem de energia elétrica na propriedade, 96% são proprietários e apenas 4% responderam que são assentados. Quanto ao tamanho da propriedade, 42% dos produtores informaram de -4 ha, % de 5-8 ha, 4% de 9-2 ha e % informaram que tem propriedades com mais de 2 ha. Em relação à mão-de-obra, 8% dos entrevistados têm de a membros da família trabalhando com citros, % têm de 4- pessoas e apenas 4% têm mais de pessoas. Quanto ao tempo que explora a cultura, 68% dos produtores entrevistados informaram que trabalham há mais de 0 anos com citros, 4% responderam de -0 anos, % de 4-6 e apenas % de a anos. A maioria dos produtores rurais de Matinhas, PB, entrevistados utilizam as variedades de citros: mimo do Céu (%), laranja Baía (2%), limão comum (22%), limão Tahiti (8%). As variedades Pêra (%) e Murcot (8%) são exploradas com menor freqüência. Tabela 2 Distribuição porcentual de 00 produtores rurais entrevistados, do município de Matinhas, PB, segundo as informações relativas à propriedade. Variáveis % Distância da propriedade à sede do município, em km - 4-6 -9 A propriedade dispõe de energia elétrica Sim Não Uso da terra Proprietário Assentados Área da propriedade, em ha -4 5-8 9-2 Mais de 2 Quantas pessoas da família trabalha com a cultura - 4- Mais de Há quanto tempo explora a cultura, em anos - 4-6 -0 Mais de 0 48 24 28 9 96 4 42 4 8 4 4 68 Na Tabela, observa-se que apesar da maioria dos entrevistados usarem os conhecimentos próprios na condução dos pomares não seguindo nenhuma técnica que seja adquirida e/ou recomendada por empresa de pesquisa e de extensão, 5% disseram já terem participado de reuniões com técnicos da Extensão Rural. Para a maioria dos entrevistados o preparo do solo consiste na roçagem do mato e coveamento para plantio das mudas. Utilizam a enxada e o cavador ou picareta para abrir as covas. A adubação orgânica e o plantio são executados normalmente nos meses de março, abril e maio que coincidem com o início da estação chuvosa, mas 54% dos produtores não usam nenhum tipo de adubação, 44 utilizam adubação orgânica e apenas 2% usam adubações orgânica e mineral. Quanto ao uso de podas na condução do pomar, 9% dos entrevistados responderam que faz poda no porta-enxerto (ramo ladrão). Já a poda de formação, 9% responderam que não faz e a poda de limpeza, 9% afirmaram que faz. Em relação ao raleamento de frutos, 92% afirmaram que não faz nenhum tipo de raleamento. Quanto ao controle fitossanitário das culturas cítricas cultivadas em Matinhas, PB, de 00 produtores respondentes 9% não fazem o controle de pragas, enquanto 9% não fazem o controle de doenças do pomar. Do total de produtores entrevistados apenas 6% utilizam defensivos agrícolas. Salientase que, doenças e pragas exóticas ou nativas são componentes importantes quando se considera custo de produção, pois, muitas vezes, limitam a produção dos citros. Conhecer a demanda e a extensão dos problemas fitossanitários que afetam a citricultura no município de Matinhas, visando minimizar as perdas, mediante o manejo integrado de pragas e doenças é um dos objetivos deste trabalho. Tabela Distribuição porcentual de 00 produtores rurais entrevistados, no município de Matinhas, PB, segundo as informações de tecnologia de produção. Variáveis % Faz adubação Não aduba Orgânica Orgânica e mineral Faz poda no porta-enxerto Faz poda de formação Faz poda de limpeza Faz raleamento de frutos Combate pragas no pomar Combate doenças no pomar Uso de defensivos 54 44 9 9 8 6 4 Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v., n., p.-, set. 200
PRAGAS Foram identificadas as seguintes pragas: mosca-das-frutas, pulgãopreto, orthezia, escama-farinha, brocade-caule, irapuá, lagarta-das-folhas e minador-dos-citrus, afetando o desenvolvimento vegetativo e a produtividade das culturas cítricas exploradas economicamente no município de Matinhas, PB. É importante o conhecimento dos problemas fitossanitários dessas culturas para minimizar as perdas, mediante o uso de técnicas eficazes de controle de pragas. DOENÇAS Pragas identificadas atacando as culturas cítricas Município de Matinhas na Paraíba Mosca-das-frutas (Ceratitis capitata) Danos do fruto Larva do inseto Pulgão-preto (Toxoptera citricidus) Foram detectadas as seguintes doenças: gomose, fumagina e verrugose, afetando a produtividade das culturas cítricas exploradas no município de Matinhas, PB. Para minimizar perdas e prejuízos econômicos recomenda-se controle eficiente com orientação técnica. COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO Os produtores entrevistados responderam que fazem a colheita dos frutos manualmente, armazenando-os em pilhas e fazem a classificação por tamanho (, 2, ) colocando-os em caixas plásticas de 8 kg. A comercialização é feita, na m a i o r i a, d i r e t a m e n t e c o m o atravessador no campo, vendendo 80% da safra para Natal, Recife, Fortaleza, Maceió e João Pessoa. Pela Tabela 4 25% dos produtores comercializam a produção diretamente na Empresa enquanto % comercializam nas feiras livres. Cerca de 20% da produção são destinados às centrais de abastecimento, feiras livres e supermercados de Campina Grande. A tangerina pequena (20%) se perde no campo por não ter preço no mercado. Quanto a empréstimo, 4% dos produtores responderam que já tiraram empréstimos para custeio do cultivo dos citros e 29% para investimentos em cultivos de citros. Ataque nas brotações Ortézia (Orthezia praelonga) Colônias com fêmeas adultas Minador-dos-citrus (Phyllocnistis citrella) Sintomas do ataque em folhas Adultos alados em folhas Ortézia e fruto coberto por fumagina Larva do inseto Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.., n., p.-, set. 200 5
Doenças identificadas infeccionando as culturas cítricas Tabela 4 Distribuição populacional de 00 produtores rurais entrevistados, do município de Matinhas, PB, segundo informações de colheita e comercialização. Município de Matinhas na Paraíba Variáveis % Gomose (Phytophthora citrophthora) Onde vende a colheita? Direto com o atravessador no campo Na Empasa Em feiras Livres Levados para outras Cidades Levados para outros Estados Ainda não produziu Supermercados Feira da Emater Já tirou algum empréstimo para custeio do cultivo dos citrus Já tirou algum empréstimo para investimento do cultivo dos citrus 80 25 5 2 4 29 Exudação de goma no colo da planta Fumagina (Capnodium sp.) A planta seca e morre por anelamento CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados obtidos neste trabalho confirmaram a vocação do município de Matinhas nas atividades da citricultura voltada, notadamente, para a exploração da tangerina e permitiram identificar e classificar os pólos ou sítios que se sobressaem na atividade dessa frutífera; Sintomas de fumagina em folhas Verrugose (Elsinoe sp.) Sintomas de fumagina em fruto Sintomas da verrugose em folhas Sintomas da verrugose em fruto O diagnóstico revelou uma série de p r o b l e m a s q u e d e v e m s e r solucionados, ou pelo menos minimizados, para não comprometer o futuro dos pólos e da atividade, assim, evitando a decadência econômica e sociocultural dos mesmos, à medida que contribuem para acelerar a degradação dos recursos naturais e a destruição do patrimônio vegetal das comunidades envolvidas; Dentre os problemas identificados destacam-se: mudas inadequadas, plantio e espaçamento incorretos, adubações química e orgânica deficientes, manejo e conservação do solo inadequados, tratos culturais deficientes (podas incorretas, impedimento na formação da planta, raleamento de frutos), problemas fitossanitários diversos, colheita e comercialização inadequadas, transporte da produção e assistência 6 Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v., n., p.-, set. 200
técnica deficientes, pesquisas deficientes, financiamento agrícola deficiente, cooperativismo e agroindústria inexistentes. Diante do potencial da citricultura como alternativa econômica e social é recomendável a adoção de medidas capazes de assegurar o uso sustentável dos recursos naturais e culturais e a consolidação da cadeia produtiva da tangerina, como forma de inserção competitiva do município no segmento da economia estadual e regional. Algumas diretrizes devem ser implementadas: produção e certificação de mudas, objetivando atender a demanda local e externa; organização do produtor; normas de classificação e embalagem; estímulo ao cooperativismo junto às associações existentes no município; inclusão da tangerina no programa de segurança alimentar ou merenda escolar estadual e municipal; cultivo da tangerina como proposta para inclusão social - geração de emprego e renda e fixação do homem no campo; aprimoramento e agilização da estrutura de suporte para introdução de material genético estratégico à citricultura do município (viveiro de mudas); programas de pesquisa e desenvolvimento em tangerina; definição de um sistema de produção para tangerina; assistência técnica permanente; capacitação de técnicos e produtores envolvidos no negócio da tangerina; sensibilizar os bancos oficiais, mostrando a Municípios produtores de Tangerina na Paraíba - Alagoa Grande 2 - Alagoa Nova - Areia 4 - Bananeiras 5 - Borborema 6 - Matinhas - Pilões 8 - Serraria 2 6 4 5 8 viabilidade econômica da tangerina quanto ao financiamento da produção. REFERÊNCIAS BRAZILIANFRUIT. Produção brasileira de tangerina por Estado - 200. Disponível em: http://www. brazilianfruit.org/mapa_do_site/mapa_ do_site.asp Acesso em: 2 dez. 2006. F O O D A N D A G R I C U LT U R E ORGANIZATION - FAO. FAOSTAT Statistical databases: Agriculture. 2002. Disponível em <http://apps.fao. org>. Acesso em: 2 dez. 2005. IBGE. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Principais produtos das lavouras permanentes. Produção agrícola municipal. 2002, 200 e 2004. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/ estatistica/economia>. Acesso em: 2 dez. 2005. LARANJABRASIL. Surgimento da laranja no Brasil. Disponível em:<www.laranjabrasil.com.br.>. Acesso em 4 dez. 2005. MEDINA, C. A citricultura Chinesa. Disponível em: <http://www.todafruta. com.br> Acesso em: 2 dez. 2005. MOREIRA, C.S., MOREIRA, S. História da citricultura no Brasil. In: RODRIGUEZ, O. et al. Citricultura brasileira. 2 ed. Campinas: Fundação Cargill, 99. v., p.-8. POMPEU Jr., J.; LARANJEIRA, F.F.; HARAKAWA, R.; FIGUEIREDO, J.O.; CARVALHO, S.A.; COLETTA FILHO, H.D. Detecção de sintomas de clorose variegada dos citros e Xyllela fastidiosa em plantas cítricas infectadas em condições de campo. Laranja, Cordeirópolis, v.9, n.2, p.2-0, 998. ROSSETTI, V.V. Manual ilustrado de doenças dos citros. Piracicaba: FEALQ, 200. 20 p. Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.., n., p.-, set. 200