SESI pratica o que ensina Regionais trabalham para ampliar atuação na área de responsabilidade social A marca SESI, associada à saúde, educação, lazer e esporte do trabalhador, começa a tornar-se referência para uma estratégia de negócio cada vez mais presente na indústria brasileira: a responsabilidade social. Grandes empresas, como a Embraco, em Santa Catarina, e de pequeno porte, como panificadoras do Ceará, já contam com consultorias do SESI nessa área. Uma grande mobilização, coordenada pelo Departamento Nacional, deverá ampliar esses serviços a todo o território nacional e fazer do SESI uma instituição que ensina e pratica responsabilidade social. O SESI Santa Catarina saiu na frente ao adotar, em 2002, um modelo de gestão socialmente responsável. Um ano antes, o Departamento Regional catarinense já havia criado uma área de Consultoria Social, especializada em fornecer às indústrias programas e serviços para auxiliar na incorporação da responsabilidade social. Como toda empresa do setor privado, diz o superintendente de Santa Catarina, Sérgio Gargione, o SESI deve adotar programas de voluntariado empresarial, pesquisa de clima organizacional, Monitoras e grupo de jovens durante atividade, na Cidade Industrial de Curitiba: responsabilidade social precisa da união das partes envolvidas para poder resistir 7
FOTO: SESI/SANTA CATARINA inclusão de portadores de necessidades especiais, reciclagem de lixo, entre outras iniciativas. E foi isso o que Santa Catarina fez. Em Criciúma, por exemplo, o SESI Farmácia implantou a AS 8000, que prevê a elaboração e divulgação do Balanço Social. Além disso, incluiu em seu quadro de pessoal portadores de necessidades especiais. Outras iniciativas de responsabilidade social como orientar suas colaboradoras a fazer o pré-natal e amamentar, estimular os filhos de seus empregados a concluir o ensino fundamental e recusar fornecedores que utilizem mão-de-obra infantil conferiram ao DR, no ano passado, o título de Empresa Amiga da Criança, pela Fundação Abrinq, entidade empenhada em promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da criança e do adolescente. CAPACITAÇÃO Com todo o conhecimento acumulado ao praticar a responsabilidade social em casa, o SESI de Santa Catarina passou a oferecer consultoria a empresas do Estado, entre as quais a Empresa Brasileira de Compressores (Embraco), líder mundial na fabricação de compressores e uma de suas primeiras parceiras. Optamos pelo SESI por ser uma das entidades pioneiras no Estado em consultoria nessa área e porque já era parceira da Embraco em outros setores, lembra Sueme Andrade, especialista em Responsabilidade Social da empresa. O exemplo de Santa Catarina começa a ser seguido por Estados como o Amapá, que iniciou a fase de capacitação de seus colaboradores para adotar programas internos de gestão social, e já planeja, a curto e médio prazos, desenvolver projetos de consultoria para oferecer aos clientes. A responsabilidade social perpassa por todas as áreas em que o SESI atua, diz Antônia Francisca da Silva Néri, superintendente-técnica do Amapá. Profissionais da instituição, segundo ela, têm participado de cursos de capacitação no assunto. Estamos trabalhando o clima institucional para desenvolver programas internos de responsabilidade social, afirma. A primeira ação concreta do Regional deverá ser adotada no próximo ano, quando a superintendente planeja aproveitar o Prêmio SESI de Qualidade no Trabalho (PSQT) para realizar um programa concomitante de consultoria em responsabilidade social. A imagem do SESI será fortalecida e ganhará maior visibilidade quando a instituição mostrar sua excelência em responsabilidade social, afirma. 8 Cooperativa de costureiras, apoiada pela Bosch paranaense, e uma loja do SESI Farmácia, em Santa Catarina: possibilidades inumeráveis quando o assunto é o bem comum
FOTO: SESI/ESPÍRITO SANTO Praticar a responsabilidade social é uma prioridade do SESI Mato Grosso desde o ano passado, quando realizou o primeiro fórum sobre o assunto destinado a seus colaboradores. A instituição tem investido, também, na capacitação de uma equipe de profissionais que já passou por diversos cursos de especialização, segundo Patrícia Rodrigues, coordenadora da Unidade Estratégica de Responsabilidade Social do DR. A primeira ação interna de responsabilidade social do Regional será o lançamento do programa Cozinha Brasil, uma iniciativa do Departamento Nacional em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com o objetivo de ensinar a população de baixa renda a aproveitar melhor os alimentos. Esse programa será uma iniciativa da Unidade de Responsabilidade Social, enfatiza a coordenadora. O DR Espírito Santo também tem investido em ações internas e na capacitação de seu pessoal para, numa segunda etapa, oferecer serviços de consultoria a seus clientes, informa a superintendente Cleuza Maria Cássaro. Temos de lembrar que alguns programas nacionais do SESI já são de responsabilidade social, como o Cozinha Brasil, o SESI Por um Brasil Alfabetizado e o Segundo Tempo, aos quais temos dado atenção especial, afirma. A superintendente comenta que o SESI capixaba dedica-se à divulgação de uma outra ação de responsabilidade social há mais de cinco anos: a doação de órgãos. O Regional do Espírito Santo praticamente montou, no final dos anos 90, a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNDO) da Polícia Militar e do Banco de Olhos do Hospital das Clínicas. No ano passado, a instituição contribuiu com a compra e modernização dos equipamentos. Para a superintendente, o SESI desempenhará No alto, unidade móvel do Cozinha Brasil atende população no DR-ES. Acima, programa de voluntariado de funcionários da Embraco (SC) promove visitas a crianças hospitalizadas importante papel ao desenvolver ações de responsabilidade social: É uma forma de amenizar as carências e ajudar a sociedade a conquistar o crescimento sustentável, conclui. CONHECIMENTO E ESTRUTURA No Ceará, os programas Pão, Educação e Arte, Formação Cidadã e Difusão da Cultura Indígena Por Meio da Arte são desenvolvidos com a participação do Núcleo de Responsabilidade Social do SESI. Nossa prioridade agora é a gestão social na organização com a oferta de consultoria nas empresas, diz Wania Cysne Pummar, vice-diretora do Instituto Fiec de Responsabilidade Social. 9 FOTO: EBNER GONÇALVES
FOTOS: SESI/CEARÁ 10 No Paraná, na foto acima, ou no Ceará, nas outras imagens: com esporte, arte e música, a melhor prevenção de doenças sociais A mais recente iniciativa de responsabilidade social do DR paranaense é o Colégio SESI Paraná (ver matéria nas páginas 4 a 6). A consultoria em responsabilidade social já é um dos pilares da instituição. Temos aqui duas vertentes: primeiro, oferecer serviços sociais, muitos dos quais relacionados ao cumprimento da legislação em relação à saúde; segundo, mostrar ao empresário que investir no social pode ser uma oportunidade de negócio, explica o diretor-executivo do SESI-PR, José Antonio Fares. O Regional conta com equipe de profissionais capacitados na área há mais de um ano e meio. O SESI tem know-how, recursos, capilaridade, conhecimento e estrutura para atender à indústria nessa área, afirma. BENEFÍCIOS Um de seus principais parceiros é a unidade da Bosch localizada na Cidade Industrial de Curitiba, que, com o auxílio de consultores do SESI, está ampliando o programa Peça por Peça, lançado há cinco anos com o objetivo de promover o desenvolvimento social da Vila Verde, uma comunidade com 21 mil habitantes, instalada no entorno da fábrica. O projeto contribuiu para a elevação da auto-estima das crianças, aumento dos cuidados com a saúde e higiene, interesse pela educação, redução da evasão escolar, entre outros benefícios. A empresa se prepara para levar o programa para outro bairro carente das imediações e o SESI tem contribuído nos trabalhos dessa nova etapa. Além de elaborar a pesquisa de captação dos benefícios do programa, os consultores da instituição vão realizar um diagnóstico para definir as principais necessidades da comunidade que será beneficiada. Eles também ajudam a traçar a estratégia de formação de voluntários dentro
A valorização das atividades do cotidiano e organização da tarefas básicas: ações de programas de responsabilidade social oferecem perspectiva de vida da Bosch para trabalhar na iniciativa. A questão social está na cultura, no DNA da Bosch que, além de produzir, promove educação e saúde, diz Karina Martins Nogueira, coordenadora da área de Responsabilidade Social da empresa. Todas essas experiências dos departamentos regionais estão sendo avaliadas por um grupo integrado pelos superintendentes do Amapá, Espírito Santo, Ceará, Mato Grosso e Paraná, liderados pelo superintendente de Santa Catarina, Sergio Gargione, que procura elaborar um projeto de práticas de responsabilidade social para servir de referencial aos demais DRs. A primeira iniciativa será a realização de um curso de Extensão em Responsabilidade Social Empresarial, de junho a setembro, elaborado pela Uni- SESI com o objetivo de capacitar profissionais para gestão de programas e projetos nessa área. Segundo Gargione, o curso será o primeiro passo para preparar profissionais no âmbito nacional e começar a definir estratégias comuns de responsabilidade social. Na dimensão interna, o objetivo é incorporar em todos os Estados o conceito de gestão que implica ética, transparência e participação, conclui o superintendente. Conselho de Responsabilidade Social FOTO: MIGUEL ÂNGELO Parente, ao lado de Monteiro Neto e Milú Villela, no dia da posse: mapeamento, estudos e participação na elaboração de leis As ações de responsabilidade social da indústria brasileira ganham impulso com a criação do Conselho Temático Permanente de Responsabilidade Social da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O novo órgão oferecerá informações às empre- sas interessadas em praticar atividades na área. Uma de suas primeiras ações será o mapeamento das iniciativas sociais realizadas pela indústria nacional, apontando resultados e perspectivas. Será também elaborado um estudo sobre os incentivos fiscais previstos pela legislação para empresas que desenvolvam programas do gênero. O Conselho pretende participar do processo de definição de leis específicas para o assunto. Jorge Parente Frota Júnior é o primeiro presidente do órgão, formado por 16 conselheiros. Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, e a presidente do Museu de Arte Moderna, Milú Villela, participaram da cerimônia de lançamento do Conselho e posse do presidente e conselheiros. Segundo Parente, a idéia é inserir a responsabilidade social em toda cadeia produtiva para satisfazer as reais necessidades do cliente. Ele disse que as ações deverão ser compartilhadas, para que haja uma sociedade mais justa e um país mais equilibrado. Vamos também cobrar do governo ações para não haver dispersão de recursos em investimentos sociais, afirmou. 11