HABEAS CORPUS 117.934 SÃO PAULO RELATOR PACTE.(S) : MIN. DIAS TOFFOLI :DUILIO BERTTI JUNIOR IMPTE.(S) :EDUARDO VON ATZINGEN DE ALMEIDA SAMPAIO E OUTRO(A/S) COATOR(A/S)(ES) :RELATOR DO HC Nº 269.477 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DECISÃO: Vistos. Habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado pelos advogados Eduardo Von Atzingen de Almeida Sampaio e André Kesselring Dias Gonçalves em favor de Duilio Bertti Júnior, apontando como autoridade coatora a Ministra Assusete Magalhães, do Superior Tribunal de Justiça, que indeferiu liminarmente a inicial do HC nº 269.477/SP, impetrado àquela Corte de Justiça. Inicialmente, asseveram os impetrantes que o caso concreto autoriza o afastamento do enunciado da Súmula nº 691/STF. No mais, sustentam, em linhas gerais, que a decisão do juízo de piso que determinou a quebra de sigilo bancário de conta tipo pool, que contém movimentações financeiras de outros condomínios residenciais que não seriam objetos da investigação, teria desrespeitado o art. 5º, X, da Constituição Federal. Asseveram, ainda, a falta de justa causa para a adoção de medida tão gravosa que cinge direitos fundamentais expressos na Carta Magna (fl. 17 da inicial). Requerem o deferimento da liminar para suspender a determinação judicial de quebra do sigilo bancário e, no mérito, pedem a concessão da ordem para revogar medida. Examinados os autos, decido. Há óbice jurídico-processual para o conhecimento do habeas corpus. Pelo que se verifica nesta impetração, a decisão da Ministra Assusete Magalhães indeferiu liminarmente referido writ, pois questionava decisão indeferitória de liminar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Embora os impetrantes não tenham juntado cópia da decisão ora questionada, é possível acessá-la através do sítio do Superior Tribunal de Justiça na internet, cujo teor transcrevo: Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de DUILIO BERTTI JUNIOR, contra decisão de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que, nos autos do HC 0056438-95.2013.8.26.0000, indeferiu pedido de liminar, que buscava a suspensão de quebra de sigilo bancário, deferida em desfavor do paciente. Narram os impetrantes que o paciente DUILIO BERTTI JUNIOR e a Administradora Condominial Duílio Participações, da qual o paciente é sócio-proprietário, são investigados pelo suposto cometimento de irregularidades na administração do Condomínio Residencial Miami Gardens, em São Paulo/SP, sendo o paciente, pela suposta prática dos crimes previstos nos arts. 171, 168 e 298, todos do Código Penal. O Juízo de 1º Grau deferiu a quebra de sigilo bancário da conta apontada na representação. Impetrado Habeas corpus, perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, objetivando a suspensão da ordem de quebra de sigilo bancário, foi o pedido de liminar indeferido, de forma monocrática, por Desembargador daquela Corte, sendo contra essa decisão manejado o presente writ. Nesta oportunidade, sustentam os impetrantes que a conta bancária que teve o sigilo quebrado é uma conta bancária tipo pool, que contém as movimentações financeiras de diversos outros condomínios residenciais, que não são objetos da investigação, o que implica em violação ao art. 5º, X, da Constituição da República (fls. 10/12e). Requerem, nesse contexto, o deferimento do pedido de liminar, para que se suspenda a autorização de quebra de sigilo bancário, até o julgamento deste writ. No mérito, pugna pela revogação da ordem de quebra de sigilo bancário. A Súmula 691/STF, plenamente adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, afirma a impossibilidade de utilização do 2
habeas corpus contra decisão de Relator que, em writ impetrado perante o Tribunal a quo, indefira o pedido de liminar. O comando inserto neste enunciado somente pode ser afastado, de modo excepcional, quando demonstrada a presença de manifesta ilegalidade ou teratologia, hipóteses inexistentes, no caso, conforme se depreende da decisão impugnada, que se encontra devidamente fundamentada: O inquérito policial anexo ao habeas corpus indica eventual falsificação de guias de recolhimento praticado pelos pacientes (fls. 266). Além disso, há notícias de que deixaram de recolher valores devidos ao INSS, ainda que tivessem dinheiro em caixa (fls. 275). Em razão destes fatos, o MM. Juiz monocrático deferiu o pedido de quebra de sigilo bancário (fls. 278). O pedido, portanto, exige análise e comparação das provas trazidas aos autos, o que torna impossível a apreciação do pleito de deferimento da medida em decisão sumária. De outro lado, as informações do Juízo a quo contribuirão, para que, no mérito, melhor se analisem as alegações constantes da inicial. Assim fica indeferido o pedido de decisão liminar. Requisitem-se informações da autoridade coatora, remetendo-se os autos à Procuradoria Geral de Justiça (fl. 319e). Nesse contexto, deve ser aplicado o óbice da Súmula 691/STF, devendo-se aguardar a apreciação do mérito da impetração, no Tribunal de origem, sob pena de indevida supressão de instância. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. REITERAÇÃO DE PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. INDEFERIMENTO LIMINAR DO WRIT. SÚMULA 691. 3
INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE PATENTE. EXCEPCIONALIDADE INOCORRENTE. DECISÃO MANTIDA. 1. Revela-se manifestamente incabível o habeas corpus que veicula pedido idêntico ao formulado em pleito anterior, que tramita nesta Corte. 2. A aceitação de habeas corpus impetrado contra decisão que indeferiu a liminar em prévio writ se submete aos parâmetros da Súmula 691 do STF, somente afastada no caso de excepcional situação, o que inocorre na espécie dos autos. Decisão monocrática mantida por seus próprios fundamentos. 3. Agravo regimental a que se nega provimento (STJ, AgRg no HC 237.324/SP, Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, DJe de 14/05/2012). ( ) Pelo exposto, diante da manifesta inviabilidade do writ, indefiro liminarmente o presente Habeas corpus, nos termos do art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Decorrido o prazo, arquivem-se os autos (www.stj.jus.br). Não há o que ser censurado nessa decisão. Percebe-se que o habeas corpus foi indeferido liminarmente pelo Superior Tribunal de Justiça, pois a questão levada para discussão e trazida no presente writ não teria sido objeto de análise de forma definitiva por aquele Tribunal de Justiça estadual. Com efeito, sua apreciação, de forma originária, neste ensejo, configuraria verdadeira dupla supressão de instância não admitida. Nesse sentido, os precedentes seguintes: HC nº 92.264/SP, Primeira Turma, Relator o Ministro Menezes Direito, DJ de 14/12/07; HC nº 90.654/SP, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 25/5/07; HC nº 90.162/RJ, Primeira Turma, Relator o Ministro Ayres Britto, DJ de 29/6/07; HC nº 90.312/PR, 4
Segunda Turma, Relator o Ministro Eros Grau, DJ de 27/4/07; e HC nº 86.997/DF, Segunda Turma, Relator o Ministro Carlos Velloso, DJ de 3/2/06, entre outros. Ante o exposto, nos termos dos arts. 38 da Lei nº 8.038/90 e 21, 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, nego seguimento ao presente habeas corpus, ficando, por consequência, prejudicado o pedido de liminar. Publique-se. Brasília, 24 de maio de 2013. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente 5