CADERNO DE EXERCÍCIOS 3A Ensino Médio Linguagens Questão Conteúdo 1 Comparação entre textos que tratam do mesmo tema 2 Características do Surrealismo nas artes plásticas 3 Linguagem formal e informal (sentido literal e figurado) Habilidade da Matriz da EJA/FB H9 H69 H22 4 Confrontar opiniões em textos H9 5 Identificar e relacionar informações em textos verbais e não verbais H69 1. (Prova Brasil) Atenção: questão com quatro alternativas. Leia atentamente os dois textos: Texto I Cinquenta camundongos, alguns dos quais clones de clones, derrubaram os obstáculos técnicos à clonagem. Eles foram produzidos por dois cientistas da Universidade do Havaí num estudo considerado revolucionário pela revista britânica Nature, uma das mais importantes do mundo. (...) A notícia de que cientistas da Universidade do Havaí desenvolveram uma técnica eficiente de clonagem fez muitos pesquisadores temerem o uso do método para clonar seres humanos. O Globo. Caderno Ciências e Vida. 23 jul. 1998, p. 36. Texto II Cientistas dos EUA anunciaram a clonagem de 50 ratos a partir de células de animais adultos, inclusive de alguns já clonados. Seriam os primeiros clones de clones, segundo estudos publicados na edição de hoje da revista Nature. A técnica empregada na pesquisa teria um aproveitamento de embriões da fertilização ao nascimento três vezes maior que a técnica utilizada por pesquisadores britânicos para gerar a ovelha Dolly. Folha de S.Paulo. 1º caderno Mundo. 03 jul. 1998, p. 16. Os dois textos tratam de clonagem. Qual aspecto dessa questão é tratado apenas no texto I? 1
a) A divulgação da clonagem de 50 ratos. b) A referência à eficácia da nova técnica de clonagem. c) O temor de que seres humanos sejam clonados. d) A informação acerca dos pesquisadores envolvidos no experimento. 2. Leia o texto a seguir: O Surrealismo propõe a arte do sonho, a arte do inconsciente. A pintura pode ser figurativa ou abstrata, mas ela não representa um fato real. Por isso, as imagens, ainda que figurativas, não seguem uma narrativa lógica, formando obrigatoriamente uma mensagem que faça sentido enquanto realidade. O artista surrealista usa imagens como símbolo de suas preocupações, angústias e medos. (OLIVEIRA, Ezequiel Rodrigues et al. Novo Telecurso Artes Plásticas Ensino Médio. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2008. p. 54) Assinale a alternativa em que se podem verificar as características do Surrealismo descritas no texto: a) d) Leonardo da Vinci Mona Lisa (La Gioconda) Piet Mondrian Composição em vermelho, azul e amarelo b) e) Salvador Dalí A persistência da memória Vincent Van Gogh Quarto de Van Gogh em Arles c) Cândido Portinari Café 2
Texto para a questão 3 (ENEM 1998): Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar este fato, seu professor de Língua Portuguesa convida-o a ler o texto Aí, Galera, de Luís Fernando Veríssimo. No texto, o autor brinca com situações de discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte. Aí, Galera Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo estereotipação? E, no entanto, por que não? Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. Como é? Aí, galera. Quais são as instruções do técnico? Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. Ahn? É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? Pode. Uma saudação para a minha genitora. Como é? Alô, mamãe! Estou vendo que você é um, um... Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? Estereoquê? Um chato? Isso. Correio Braziliense, 13 mai. 1998. 3. (ENEM 1998) A expressão pegá eles sem calça poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em língua culta, formal, por: a) pegá-los na mentira. b) pegá-los desprevenidos. c) pegá-los em flagrante. d) pegá-los rapidamente. e) pegá-los momentaneamente. 3
4. (ENEM 1999) E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores: é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor, seu grande mistério é a simplicidade. Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! Minha amada, de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico. (BRAGA, Rubem, Ai de ti, Copacabana. 20 ed.) O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu assim sobre a obra de Rubem Braga: O que ele nos conta é o seu dia, o seu expediente de homem, apanhado no essencial, narrativa direta e econômica. (...) É o poeta do real, do palpável, que se vai diluindo em cisma. Dá o sentimento da realidade e o remédio para ela. Em seu texto, Rubem Braga afirma que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. A afirmação semelhante pode ser encontrada no texto de Carlos Drummond de Andrade, quando, ao analisar a obra de Braga, diz que ela é: a) uma narrativa direta e econômica b) real, palpável c) sentimento de realidade d) seu expediente de homem e) seu remédio 5. (ENEM 2004) Cândido Portinari (1903-1962), em seu livro Retalhos de Minha Vida de Infância, descreve os pés dos trabalhadores. Pés disformes. Pés que podem contar uma história. Confundiam-se com as pedras e os espinhos. Pés semelhantes aos mapas: com montes e vales, vincos como rios. (...) Pés sofridos com muitos e muitos quilômetros de marcha. Pés que só os santos têm. Sobre a terra, difícil era distingui-los. Agarrados ao solo, eram como alicerces, muitas vezes suportavam apenas um corpo franzino e doente. (Cândido Portinari, Retrospectiva, Catálogo MASP) As fantasias sobre o Novo Mundo, a diversidade da natureza e do homem americano e a crítica social foram temas que inspiraram muitos artistas ao longo de nossa História. Dentre estas imagens, a que melhor caracteriza a crítica social contida no texto de Portinari é 4
a) d) b) e) c) GABARITO COMENTADO 1. Alternativa C. H9. Os textos trazem o mesmo fato, a clonagem de 50 ratos a partir de animais adultos, contados de maneiras diferentes em dois meios de comunicação distintos, no mês de julho de 1998. Ambos explicam que se trata de camundongos, que a pesquisa foi publicada em uma revista científica de grande importância, a Nature, e que foram feitos, inclusive, clones de clones. Apenas o texto II faz referência à nova técnica de clonagem e apenas o texto I aborda a questão do temor a respeito da clonagem de seres humanos. 2. Alternativa B. H69. Os seguidores do Surrealismo, uma das vanguardas artísticas do século 20 que compõem o Modernismo nas artes plásticas, se interessaram tanto pela filosofia e pela poesia, quanto pela política e pela psicologia. 5
Seus seguidores cultuavam o sonho, o instinto, a nostalgia, o fantástico, a representação alucinada, as combinações insólitas, as paisagens interiores e valorizavam as manifestações artísticas dos pintores primitivos, das crianças e dos doentes mentais. Mesmo sem conhecer o contexto histórico do Surrealismo, espera-se que o aluno possa identificar a obra A persistência da memória, de Salvador Dalí, como representante desse movimento, a partir das características descritas no texto: sonho, manifestação do inconsciente, fatos que não são reais, imagens que não seguem uma lógica nem fazem sentido enquanto realidade. 3. Alternativa B. H22. De acordo com a norma culta da língua, a maneira correta de grafar o pronome pessoal eles junto ao infinitivo do verbo pegar é: pegá-los, suprimindo a terminação verbal r, do infinitivo, acrescentando o acento para garantir a tonicidade da última sílaba do verbo e transformando o pronome pessoal eles em los. Além disso, a expressão popular pegar sem calça pode ser transcrita para a norma culta da língua como pegar desprevenido. 4. Alternativa A. H9 A partir da compreensão da intertextualidade entre os textos de Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade, é possível perceber que Drummond reconhece na obra de Braga a busca de sentidos com reduzido número de elementos. Assim como nas penas do pavão as várias cores se formam por meio de apenas água e luz, na produção do escritor, os sentidos se formam com economia de palavras, porém certeiras e bem selecionadas. 5. Alternativa E. H69. Identifica-se no texto de Portinari uma preocupação com as condições de vida dos trabalhadores rurais, denunciando uma questão social grave no Brasil. As palavras de crítica social de Portinari (pés disformes, pés sofridos, sobre a terra, difícil era distingui-los) são identificáveis na imagem da alternativa e. 6