ALTERNATIVAS PENAIS E REDE SOCIAL



Documentos relacionados
POLÍTICA DE ALTERNATIVAS PENAIS: A CONCEPÇÃO DE UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA E DE JUSTIÇA 1

POLÍTICA DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL CREDITÁ S.A. Crédito, Financiamento e Investimento

JOÃO CARLOS BRANDES GARCIA

11. Ciclo de Gestão do Governo Federal

ÍNDICE VOLUME 1. Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em português...

Inovação substantiva na Administração Pública

Investimento Social no Entorno do Cenpes. Edson Cunha - Geólogo (UERJ) Msc. em Sensoriamento Remoto (INPE)

Plano de Ação Socioambeintal - PAS: construindo a cidadania

CAPÍTULO III DO FINANCIAMENTO

Oficina de Planejamento Municipal em Saúde: Estratégia de Gestão Participativa na construção da Programação Anual da Saúde de Crateús 2012

de Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia

POLÍTICA CORPORATIVA Responsabilidade Socioambiental

Carta de Brasília II

Política de Gestão Estratégica de Riscos e Controles Internos CELESC

Governança Social e Gestão de Redes Organizacionais

VOTO EM SEPARADO. AUTORIA: Senador RANDOLFE RODRIGUES I RELATÓRIO

!" # ) ) * +,-+ #.! 0..1(

Ciência Política I. Soberania popular, legitimidade do poder, contratualização dos atos e validade dos atos em função da lei

OS DESAFIOS DA GOVERNANÇA PÚBLICA em tempos de transformação

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE REDAÇÃO. PROJETO DE LEI N o 2.079, DE 2003

OPAS/OMS Representação do Brasil Programa de Cooperação Internacional em Saúde - TC 41 Resumo Executivo de Projeto

Inteligência Competitiva (IC)

Escola de Turismo e Hotelaria Canto da Ilha PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Educação Integral dos Trabalhadores

$XWRU-RmR&DUORV*DOYmR-~QLRU /LQN ZZZQHWIODVKFRPEUMXVWLFDYLUWXDODFDGHPLFRKWP

Veja a seguir, o que é Coaching, para quem é Coaching e quem pode trabalhar com Coaching formal ou informal:

O processo de monitoramento do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional PLANSAN 2012/2015. Brasília, 05 de dezembro de 2013

MEDIDA DE SEGURANÇA MACAPÁ 2011 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ CURSO DE DIREITO MATERIAL DIDÁTICO

REQUERIMENTO Nº, DE 2016

Projeto Movimento ODM Brasil 2015 Título do Projeto

POLÍTICA DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

Educação financeira no contexto escolar

Edital de Projetos de Extensão FORMULÁRIO PADRÃO DE INSCRIÇÃO DE PROJETO

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2014

CNEF FASE DE FORMAÇÃO INICIAL SUMÁRIOS DE PRÁTICA PROCESSUAL PENAL. Proposta de programa a desenvolver em sumários:

MINUTA DIRETRIZES PARA MOBILIZAÇÃO E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO CONTROLE DA DENGUE.

INSTITUTOS NACIONAIS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA INCT 2º SEMINÁRIO DE ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DE PROJETO Formulário para Consultor Ad hoc

Gestão Pública Democrática

RELATÓRIO PROJETO COMPETITIVIDADE E MEIO AMBIENTE FASE DE ORIENTAÇÃO (fevereiro 2002 a 2004) MMA/SQA/GTZ/MERCOSUL

Governança Corporativa de Empresas Familiares. Migrando do Conselho para os níveis operacionais

Custos no Setor Público: Ferramenta da Melhoria da Qualidade do Gasto Público. Florianópolis 17 de Abril 2015

Auditoria Governamental, Corregedoria, Controladoria, e Ouvidoria

O Princípio do Non Bis In Idem no Âmbito do Processo Administrativo Sancionador

Descrição do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Políticas Públicas

A EQUIPE DO DIREITO CONCENTRADO ESTÁ COM VOCÊ!

Pretendemos aqui esclarecer cada um dos principais marcos e instrumentos legais de SAN no Brasil, bem como apresentar suas inter relações.

REGIÃO SUDESTE. GRUPO 1 ALICIAMENTO PARA TRÁFICO DE DROGAS Planejamento das Ações Intersetoriais. Políticas Envolvidas. Segurança Pública.

CANAL MINAS SAÚDE: A COMUNICAÇÃO E A EDUCAÇÃO EM SAÚDE EM MINAS GERAIS

CHAMADA DE TRABALHOS EnAJUS Encontro de Administração da Justiça 24 e 25 de abril de 2018, Brasília/DF, Brasil

Primeira Infância Completa

EDUCAÇÃO INTEGRAL. Ensino Médio de Referência e Ensino Médio Nova Geração. Parceiro: Instituto Ayrton Senna

PROJETO DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DA COMISSÃO PRÓPRIA DE AVALIAÇÃO

Seduc debate reestruturação curricular do Ensino Médio

FORUM FPA IDÉIAS PARA O BRASIL

10 Anos do Estatuto do Idoso e os entraves à sua consolidação

11) Incrementar programas de mobilidade e intercâmbio acadêmicos. Propiciar a um número maior de discentes a experiência de interação

O ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO E OS ADVOGADOS

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Juizados Especiais Criminais

MANDAMENTOS PARA A APROVAÇÃO CONHEÇA E RESPONDA A PROVA

1 2 9, i n c i s o I I, d a C F ; e a r t i g o 5 º, i n c i s o V, a l í n e a s a e

ANEXO CHAMADA I EDUCAÇÃO AMBIENTAL

SELEÇÃO DE TUTORES A DISTÂNCIA ANEXO Ii DISCIPLINA/EMENTA/PERFIL DO CANDIDATO/NÚMERO DE VAGAS VAGA= Vaga imediata CR= Cadastro de Reserva

Programas Saúde na Escola e Mais Educação: O Compromisso da Educação com o PNAE

DESAFIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO CONTEXTO ATUAL

DIREITOS POLITICOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS

O DIREITO TRIBUTÁRIO... E A SEGURANÇA JURÍDICA

TERMO DE REFERÊNCIA. 1. Justificativa

Plano de Sustentabilidade. (Instrumento / Roteiro para Construção do Plano) NOME DA REDE: 1ª PARTE DO PLANO

EDITAL N 034/2016 Referente ao Aviso N 046/2016, publicado no D.O.E. de 15/04/2016.

RELATÓRIO DA REDE DE ENFRENTAMENTO AO TRÁFICO DE PESSOAS

Panorama do sistema alimentar e desafios para o consumo alimentar adequado, saudável e sustentável. Inês Rugani Ribeiro de Castro

SENADO FEDERAL PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 224, DE 2010

Integração das ações da Atenção Primária e da Vigilância em Saúde Rodrigo Said Subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde

A RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NO CONTEXTO DO PODER JUDICIÁRIO

PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - PAS

Gestão de Negócios (2)

- PARA CRIMES CUJA PENA MÁXIMA SEJA IGUAL OU SUPERIOR A QUATRO ANOS: PROCEDIMENTO ORDINÁRIO;

CIDADANIA Direitos políticos e sufrágio

Sala de Jogos da matemática à interdisciplinaridade

Construindo a Sustentabilidade: Lições na gestão do Programa Piloto e desafios para o futuro

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

Data: 06 a 10 de Junho de 2016 Local: Rio de Janeiro

PROCESSO SELETIVO 2012/1 EDITAL UFRGS Nº 1

Transcrição:

ALTERNATIVAS PENAIS E REDE SOCIAL Márcia de Alencar 1 Desde 1984, o direito penal brasileiro possibilita que o Estado ofereça uma resposta penal diferenciada aos infratores de baixo e médio potencial ofensivo, através das penas restritivas de direito, conhecidas como penas alternativas. Esse tratamento penal alternativo é dirigido para pessoas que não representam risco à sociedade, considerando seu grau de culpabilidade, seus antecedentes, sua conduta social e sua personalidade. A pena alternativa não expõe o infrator aos males do sistema penitenciário, uma vez que não afasta o indivíduo da sociedade, não o exclui do convívio social e de seus familiares. A pena alternativa visa, sem rejeitar o caráter ilícito do fato, dificultar, evitar, substituir ou restringir a aplicação da pena de prisão ou sua execução ou ainda, pelo menos, a sua redução. 2 Trata-se de uma medida punitiva de caráter educativo e socialmente útil, imposta ao autor da infração penal, no lugar da pena privativa de liberdade 3. As medidas e penas alternativas no Brasil têm sua aplicação concentrada na prestação de serviço à comunidade e na prestação pecuniária. Ambas as modalidades dependem da estruturação de uma rede social governamental ou não-governamental - que ofereça as vagas e os serviços necessários à estruturação e ao monitoramento da execução desse instituto penal. As alterações geradas pelas Lei 9.099/95, Lei 9.714/98, Lei 10.259/01, Lei 10.826/03, Lei 11.340/06 e Lei 11.343/06 ampliaram, de modo substancial, o cenário para aplicação das alternativas penais no Brasil. 1 Coordenadora Geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça 2 GOMES, Luiz Flávio. Suspensão condicional do processo penal. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed.,1997,.111 3 SZNICK, Valdir. Penas Alternativas, São Paulo, LEUD, 2000

O caráter programático dessas leis conduz à necessária implementação de ações públicas complementares para o alcance de seus princípios e objetivos, fundamentado em quatro pressupostos básicos: a democratização da esfera pública, o alto grau de desformalização do direito durante a execução penal alternativa, a despenalização como contraponto à cultura da sentença dominante e a descentralização do sistema de justiça articulado com os equipamentos do poder público local. Diante deste contexto, as penas alternativas a partir de 2000 passam a ser tratadas pelo Poder Executivo brasileiro como uma política pública criminal, fomentada pelo Departamento Penitenciário Nacional com base nas diretrizes definidas pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça. As experiências desenvolvidas pela Secretaria de Justiça e Cidadania de Pernambuco desde 2000 4, pela Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania de Minas Gerais a partir de 2001 5 e pela Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo desde 2002 apresentam resultados expressivos sobre o protagonismo do Poder Executivo na efetividade das medidas e penas alternativas no Brasil, sobretudo, na perspectiva de assegurar o monitoramento efetivo do sistema penal alternativo através da construção de uma rede social sustentável. Não se pode deixar de considerar que a noção de rede social está diretamente relacionada ao tema da esfera pública, ou seja, refere-se à relação dialógica estabelecida entre o Estado e a sociedade civil organizada no exercício do controle social e na defesa do interesse público, através da implementação de políticas públicas. No caso específico da sanção penal alternativa, envolve a implementação de uma política de prevenção criminal que não pode ser reduzida apenas a um contexto de execução penal. Não obstante, é importante destacar que, na perspectiva estatal, a noção de rede social fica submetida à institucionalização das relações de poder entre Estado e Sociedade, uma vez que a ação pública é estabelecida com base na racionalidade do espaço, no qual o lugar institucional que o agente ocupa, determina a legalidade do ato público. 4 Em 2005, passa a ser Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e cria a Gerência de Penas Alternativas e Integração Social 5 Em 2003, passa a ser Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais e cria o Programa de Penas Alternativas na Superintendência de Prevenção Criminal.

Talvez este aspecto se constitua no maior desafio da prática dos juízos de execução das alternativas penais no Brasil, em reconhecer o Poder Executivo como o lócus natural do monitoramento deste sistema penal, sem com isso comprometer a competência exclusiva do papel de fiscalização exercido pelo Juiz e pelo Ministério Público, como ocorre no sistema penitenciário. O grau de efetividade das instituições que compõem o sistema de justiça do Estado - o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Defensoria Pública - revela uma espécie de equilíbrio paralisante, que reforça e protege o status quo de cada instituição em separado. Processo facilmente compreendido pelos limites da norma e dificilmente justificado pelos princípios desta norma, diante dos resultados sociais que apresentam. Basta pensar os elevados índices de violência e impunidade. As elites políticas e técnicas que concentram o poder decisório nas instituições públicas não construíram uma solução de passagem eficaz entre o seu modo de dominação tradicional e a postura moderna implícita no conteúdo central da Constituição de 1988, ao tratar da democratização dentro do próprio Estado. Não construíram um padrão de racionalidade que facilite os processos administrativos e técnicos de suas ações públicas. Não conseguiram romper com mecanismos e práticas cristalizadoras da estrutura burocrática do Estado. O campo da conquista da democracia dentro do Estado parece estar reduzido a espaços de competência, de forma verticalizada. Fazer o que compete, nos padrões modernos, é, sobretudo, não se deter ao espaço cargo ou função - e se dedicar às relações de consecução dos atos de cada agente social implicado na realização dos fins pretendidos. O fluxo, a interação, a rede de trocas digitais e a articulação interinstitucional são os principais indicadores de qualidade, para garantir o nível de efetividade de um sistema. O padrão de dominação tradicional dentro do Estado carece de redenção. Manter esta postura, antes de evitar constrangimentos institucionais, presta-se mais a preservar espaços e formas de poder em todos os níveis das instituições em questão.

Por decorrência, a problemática da execução penal no Brasil está em descompasso com o processo de democratização do Estado e da Sociedade. A sociedade brasileira encontra-se à frente do Estado nesta tarefa. Neste sentido, a perspectiva não-governamental trabalha a noção de rede social através de uma racionalidade por fluxo, de forma horizontal e transversal, realizada através dos movimentos sociais e dos debates temáticos articulados por grupos representativos que determinam o grau de legitimidade da ação pública desenvolvida pela sociedade civil organizada. Pensar em rede social e alternativas penais leva, portanto, a uma ação coordenada com aliança intersetorial, cuja operacionalização tem por base os equipamentos do poder local e sua sustentabilidade depende do grau de articulação e responsabilização dos atores implicados na ação. O resultado da ação em rede potencializa a força dos agentes sociais, através do empoderamento dos diversos segmentos envolvidos nesta práxis social. Com base nesse entendimento, torna-se evidente a compreensão do relevante papel que o Poder Executivo ocupa na concretização do monitoramento das medidas e penas alternativas, em função dessa prática está condicionada ao envolvimento da comunidade no tratamento penal de forma integrada à implantação de políticas sociais de base, nas áreas de saúde, escolarização, profissionalização e geração de emprego e renda. Não se pode insistir em estabelecer a relação entre alternativas penais e rede social sem compreender o papel inerente do Poder Executivo na interação com a comunidade, na medida em que a arena da execução penal alternativa ocorre no ambiente social, extrapolando o campo do direito penal. Apesar da demanda das medidas e penas alternativas ser de natureza eminentemente jurídica e seguir o tratamento legal em todos os seus procedimentos, seu processo é psicossocial, gerando um produto de natureza jurídico-social.

A administração do sistema criminal alternativo à prisão tem, portanto, dois focos de intervenção de competências específicas e complementares: procedimentos de natureza jurisdicional e procedimentos de natureza administrativa. Por decorrência, a formação da rede social que assegura a base político-institucional do monitoramento das alternativas penais precisa ser articulada, considerando dois princípios metodológicos fundamentais: a interinstitucionalidade, relacionada à forma como o sistema de justiça interage entre si, através dos procedimentos técnico-jurisdicionais; e a interatividade, refere-se ao modo como o sistema de justiça interage com o sistema social, através dos procedimentos técnico-administrativos. A interinstitucionalidade pode ser compreendida como a ação integrada do Estado. O sistema de justiça abrange o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Defensoria Pública. A administração do sistema de justiça criminal passa necessariamente pelo Poder Executivo. O fluxo das ações desenvolvidas pelos agentes públicos dessas instituições revela o nível de sustentabilidade político-institucional do instituto das alternativas penais como intervenção coativa do Estado. O princípio da interatividade também assegura a sustentabilidade político-institucional do processo de trabalho na vertente da relação do Estado com a sociedade civil organizada, tendo, como insumo, o exercício do controle social. O Estado e a sociedade civil organizada executam a política criminal e a consolida como política pública de prevenção à criminalidade, através da constituição da rede social de apoio à execução dos substitutivos penais. Esta rede social é composta por entidades parceiras governamental (estatal) e não governamental - que disponibilizam as vagas e os serviços, além de viabilizar a execução penal propriamente dita. A rede social conta com a participação de entidades representativas da comunidade que legitimam e influenciam esta prática, dentre elas: OAB, universidades e organizações não-governamentais voltadas para área de justiça, desenvolvimento social, cidadania e direitos humanos.

A interinstitucionalidade se dá, na vertente da execução, sendo processada no campo da legalidade. A interatividade processa-se no campo da legitimidade, voltada para o controle exercido pela Sociedade sobre a ação do Estado. Os princípios da interinstitucionalidade e da interatividade representam o processo de execução das alternativas penais em esfera macrossocial e, quando articulados, compõem o sistema político das alternativas penais, conforme demonstra o fluxo a seguir: ESTADO legalidade Ação Integrada de Estado Agentes Públicos e Sociais C O N T R O L E interatividade Sistema Político das Alternativas Penais enas interinstitucinalidade E X E C U Ç Ã O Mobilização da Sociedade Civil Organizada Rede Social legitimidade SOCIEDADE Na dimensão microssocial, a interdisplinaridade representa o princípio metodológico essencial que gera a base técnico-operacional para formação da rede social de monitoramento das alternativas penais. Os agentes públicos e sociais envolvidos na administração do sistema criminal necessitam construir uma prática consensual e ativa que integre o discurso do mundo jurídico à linguagem do mundo social, a partir da realidade local. O monitoramento ativo só acontece quando o poder local participa da decisão e não apenas operacionaliza as decisões técnico -jurisdicionais ou técnico-administrativas.

Neste sentido, não se pode deixar de reconhecer que a formação da rede social depende dos equipamentos locais e de ferramentas gerenciais adequadas para produzir um sistema de informações confiável que ofereça a segurança jurídica necessária ao Judiciário, ao Ministério Público e à Defensoria Pública. Com base nos instrumentos de trabalhos formalizados institucionalmente, o Poder Executivo pode produzir os indicadores, sistematizar o conhecimento acumulado das boas práticas, além de monitorar o gestor local e a equipe na elaboração de diagnósticos, planejamento e avaliação dos resultados de forma sistemática. Desta forma, o Poder Executivo ao captar, cadastrar e capacitar a rede social, cria um sistema integrado de monitoramento das penas e medidas alternativas que se materializa através das vagas e serviços oferecidos ao cumpridor da sanção penal, como demonstra o quadro a seguir:

ESTADO CONTROLE SOCIAL SOCIEDADE Política Pública de PrevençãoCriminal Agentes Públicos REDE SOCIAL Agentes Sociais Sistema de Monitoramento das Alternativas Penais VAGAS Prestação de Serviço à Comunidade Prestação Pecuniária Limitação de Fim de Semana SERVIÇOS Tratamento Escolarização Profissionalização Trabalho