Manual de Boas Práticas



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Transcrição:

Manual de Boas Práticas Centro Regional de Saúde Pública do Algarve CCI dos Cuidados de Saúde Primários Setembro2004

INTRODUÇÃO É do conhecimento de todos a importância que têm actualmente as infecções nosocomiais e a relação directa que existe entre estas e a utilização, cada vez mais frequente de técnicas invasivas. A infecção urinária é a infecção nosocomial mais frequente, representando cerca de 33% das infecções identificadas nos inquéritos de prevalência nacionais. A cateterização vesical é a principal causa de infecção urinária adquirida em meio hospitalar (segundo alguns autores 65% das infecções são secundárias a uma cateterização vesical e para outros esse valor eleva-se para 80%). A septicémia é a complicação mais grave da infecção do tracto urinário tendo sido verificada em 1-3% dos casos e a taxa de mortalidade por esta patologia é de 30% ou mais. O risco de se adquirir uma infecção urinária depende do método e duração da cateterização, da qualidade dos cuidados ao catéter e da susceptibilidade individual. A presença de um catéter favorece a multiplicação anormal das bactérias na urétra e mais tarde ou mais cedo estas atingem a bexiga. As taxas de infecção que se encontram referidas na bibliografia variam desde 1-5% após uma algaliação de muito curta duração até cerca de 100% em doentes algaliados por mais de 4 dias com sistema de drenagem aberto. Embora nem todas as infecções urinárias possam ser prevenidas, acredita-se que um grande número delas pode ser evitada através de adequado cuidado ao doente algaliado.

AGENTES As bactérias que mais frequentemente causam infecção urinária são a Escherichia coli, Klebsiella spp. e Streptococcus spp. Porém os microrganismos responsáveis variam muito com o tipo de doente, duração da cateterização e política de utilização de antibióticos da instituição. Os principais factores de risco são os problemas urinários crónicos, algaliações prolongadas e tratamento numa instituição onde exista um uso abusivo e descontrolado de antibióticos. Nestes casos os doentes podem apresentar infecções causadas por bactérias Gram -, multiresistententes como por exemplo, Klebsiella spp, Pseudomonas aeuginosa e Candida spp. VIAS Com excepção da região distal da urétra, um tracto urinário saudável é estéril. A porção distal da urétra está colonizada pelos elementos da flora saprófita do períneo. As lavagens periódicas e o fluxo constante de urina da bexiga, em simultâneo com a secrecção de substâncias bactericidas pela próstata no homem, e pelas glândulas periuretrais na mulher, previnem que haja colonização do restante tracto urinário. O tracto urinário é mais frequentemente invadido de baixo para cima, através da urétra (via ascendente), e menos comunemente a partir do sangue, via rim (descendente). Os agentes infectantes podem ser introduzidos mecanicamente no momento da cateterização, quando a ponta do catéter passa através da porção colonizada da urétra. Mais tardiamente podem passar através do espaço entre a face externa do catéter e a mucosa uretral (extraluminal) ou entrar através do lúmen do catéter (intraluminal).

Num sistema de drenagem os pontos de maior risco para a introdução de microrganismos são a união meato-catéter e a união sonda-saco colector. A contaminação pode também ocorrer no saco colector ocorrendo uma disseminação retrograda dos microrganismos até à bexiga (figura 1) A maioria das infecções urinárias, são auto-infecções (as bactérias têm origem na flora saprófita do utente, possivelmente modificada durante o internamento). As bactérias que entram por via intraluminal, muito provavelmente tiveram origem nas mãos do pessoal. Estes são casos de infecção cruzada. A importância relativa das duas vias (auto-infecção ou infecção cruzada) deve ser julgada pela larga diferença entre as taxas de colonização e infecção nas drenagens abertas (100% após 4 dias) e fechadas (100% até 30 dias). Figura 1 Pontos de contaminação (adaptado de Arnau & Zaplana, 1988)

A transição entre colonização e infecção nos doentes algaliados está normalmente obscurecida, porque estes não se queixam de disúria e polaquiúria, os sintomas iniciais de infecção urinária. As estatísticas mostram que apenas 25% dos utentes com bacteriúria associada à algaliação apresentam sintomas. INDICAÇÕES A sondagem vesical não deve ser utilizada como método rotineiro de recolha de amostras urina, salvo em casos excepcionais. São indicações absolutas para a algaliação: - Retenção urinária aguda; - Controlo hemodinâmico; - Descompressão da bexiga no pré-operatório e manutenção dessa descompressão durante a cirurgia, principalmente em cirurgias do abdómen e da região pélvica; - Prevenção da distensão no pós-operatório, quando o doente não é capaz de urinar espontaneamente; - Avaliação do volume residual pós micção; - Irrigação vesical - Administração de medicamentos directamente na bexiga. É indicação relativa para algaliação a incontinência urinária, embora deva ser sempre considerado o uso alternativo do pen-rose ou fraldas. Nos casos em que está indicada a algaliação esta deve ser mantida durante o menor tempo possível. COMPLICAÇÕES As complicações mais frequentes após cateterização vesical são: - Infecção por ascensão de germens; - Formação de um falso trajecto por traumatismo da mucosa uretral; - Cistouretrites; - Perfuração da urétra - Estenose da urétra

TRATAMENTO Retirar o catéter é a forma mais simples de tratamento da bacteriúria provocada pela algaliação. Porém, quando após avaliação da situação é decidido mantê-la, o uso de antibióticos tem que ser bem ponderado. A presença de sintomas que sugiram o envolvimento renal com risco de septicémia, é um factor a ter em consideração. Infelizmente na grande maioria das vezes, o resultado da introdução da antibioterapia é a substituição do microrganismo inicialmente presente por um mais resistente. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS Como regra de ouro OS SISTEMAS FECHADOS NÃO DEVEM SER ABERTOS POR RAZÕES TRIVIAIS. A única razão para se abrir o sistema regularmente é a drenagem da urina do saco (Figura 2). O esvaziamento do saco deve ser feito de forma limpa e cuidada As mãos devem ser lavadas antes e depois do esvaziamento e se se prevêem salpicos deve ser usado um avental protector, de plástico. O recipiente de recolha deve ser cuidadosamente lavado e seco entre cada uso, ou de preferência ser lavado numa máquina com ciclo de desinfecção pelo calor. Como alternativa poderão ser utilizados recipientes de uso único. Só se justifica o uso de luvas se dada a forma como foi fabricado o saco, se prevê a contaminação das mãos com urina. Estas devem ser mudadas entre doentes. O SACO COLECTOR NUNCA DEVE SER COLOCADO ACIMA DO NÍVEL DA URÉTRA, (o refluxo da urina provoca a contaminação vesical e aumenta a possibilidade de infecção) SER ARRASTADO OU FICAR NO CHÃO. Se existe o risco de refluxo, antes de qualquer movimento o catéter deve ser clampado. Após algaliação é discutível o uso de anti-sépticos para evitar a colonização da urétra uma vez que esta habitualmente começa com a inserção da algália. Uma boa e cuidada higiene genital parece ser suficiente. As amostras de urina para exame microbiológico devem ser colhidas do sistema fechado com seringa e agulha na porção distal da sonda (não na ligação entre catéter e saco colector e NUNCA do saco de drenagem).

Procedimento: Uso de técnica asséptica e material estéril Clampar a algália durante alguns minutos Preparar o material Desinfecção higiénica das mãos Colocar luvas esterilizadas Desinfectar o local de punção com álcool Aspirar 5-10 ml de urina, puncionando, com um ângulo de 45º, na parte oposta do canal do balão ou no local indicado pelo fabricante, e colocar o produto em frasco esterilizado Retirar a pinça de clampagem e limpar o local de punção após colheita Enviar a amostra para o laboratório no prazo máximo de 1hora. Se não for possível refrigerar a 4ºC Figura 2 Sistema fechado

Deve evitar-se clampar o catéter desnecessariamente. A sonda não deve ser mobilizada com movimentos para dentro e para fora, uma vez que este gesto aumenta a possibilidade de traumatismo e infecção. Em caso de necessidade os movimentos devem ser de rotação. As lavagens vesicais devem ser evitadas, mas se são necessárias devem ser respeitadas todas as regras de assépsia. Na cateterização a longo prazo, as algálias devem ser mudadas não por rotinas pré estabelecidas mas através da avaliação do utente. No entanto, recomenda-se substituição do sistema fechado Folley siliconada ao fim de 30 dias e 100% silicone ao fim de 60-90 dias podendo chegar aos 180 dias desde que a urina se mantenha límpida. A mudança dos sacos deverá ocorrer a cada 5-7dias e, no domicílio, onde não existe o risco de infecção cruzada poderá ir até 15 dias. Os sacos, neste caso poderão ser lavados com água e detergente e reutilizados, dependendo da aparência e da quantidade de sedimento. A mudança de saco de perna para saco de noite, ou qualquer outra mudança de saco implica sempre a desinfecção do ponto de conexão com álcool. Nota: Actualmente existem algálias com uma cobertura de hidrogel de prata que possuem a vantagem de atrasar a colonização, no entanto, apresentam a grande desvantagem de serem muito mais caras.

CONCLUSÃO A incidência das infecções urinárias adquiridas em meio hospitalar pode ser reduzida evitando-se, sempre que possível, a algaliação ou, quando esta é realmente necessária, através da sua remoção logo que deixe de se justificar. Os que algaliam apenas por sua conveniência devem lembrar-se que a algaliação acarreta por vezes infecções graves que podem levar à morte. O uso de dispositivos do tipo pen-rose para os homens evitam a infecção mas é necessário muito cuidado para que não aconteça a lesão da pele do pénis e/ou garrote por inadequado tamanho do dispositivo ou má colocação do adesivo. A cateterização suprapúbica reduz a infecção por via uretral mas é demasiado invasiva para situações de curto prazo. A cateterização intermitente pode substituir tanto a algaliação de curto prazo como a de longo prazo. Em boas mãos ela reduz as infecções, mas é necessário cuidado para se evitar o trauma da uretra. ~

BIBLIOGRAFIA Barrio, J.,Pi-Suñer,T,: Medidas de prevención de la infección nosocomial (II) ROL de Enfermeria 165 14-18. 1989 Cardoso, A,: Algaliação vesical Sinais Vitais 3 15-16 1995 Zaplana, I., Arnau, M.: Sonda vesical permanente- sonda Foley ROL de Enfermeria 116 57-60 1988 Centers for Disease Control: Guideline for Prevention of Catheter associated Urinary Tract Infections Madigan, E., Neff, D. (June 30, 2003) "Care of Patients with Long-Term Indwelling Urinary Catheters" Online Journal of Issues in Nursing. Available: www.nursingworld.org/ojin/hirsh/topic2/tpc2_1.htm Programa Nacional de Controlo da Infecção (2004) Recomendações para a prevenção da Infecção do tracto urinário. INSA

ANEXOS INFECÇÃO ASSOCIADA A ALGALIAÇÃO

ALGALIAÇÃO Equipamento Sonda vesical de calibre ajustado ao meato urinário (o menor possível); Lubrificante estéril hidrossolúvel (dose individual); Seringa de capacidade semelhante à do balão da sonda se esta for do tipo Folley; Água destilada para encher o balão da sonda; Recipiente com água e detergente; Pacote de algaliação formado por: Compressas estéreis Cuvete Campo com janela Taça Pinça de Kocher Luvas estéreis; Luvas de exame não estéreis; Sistema de drenagem, (fechado para algaliação de permanência); Figura 3 Material para algaliação

TÉCNICA LAVAR AS MÃOS E JUNTAR TODO O EQUIPAMENTO NECESSÁRIO (FIG. 3); INFORMAR O DOENTE DO PROCEDIMENTO QUE SE VAI EXECUTAR E SUA FINALIDADE; Posicionar o doente em decúbito dorsal com joelhos flectidos em abdução, pés assentes e afastados na mulher e com os membros inferiores esticados no homem; Colocar o material em condições de ser utilizado facilmente; Abrir a embalagem do catéter de forma asséptica (se estiver a trabalhar sem ajudante); Calçar as luvas de exame e realizar a lavagem perineal com água e detergente; Lavar as mãos após a lavagem dos genitais do doente; Desinfecção higiénica das mãos; Calçar as luvas estéreis; Colocar o campo com janela na região perineal; Desinfectar com ajuda da pinça de Kocher (na mulher abrir os pequenos lábios para visualizar o meato urinário e no homem repuxar o prepúcio); Lubrificar o catéter (a lubrificação da urétra demonstrou reduzir a taxa de infecção);

NO HOMEM (Figura 4): Desfazer o ângulo peni-escrotal, levantando o pénis no sentido do abdomén ; Figura 4 Algaliação no Homem Introduzir o catéter de forma segura até surgir urina. Colocar (com a mão esquerda) o pénis em posição vertical em relação ao plano da cama, e avançar (com a mão direita) a algália com cuidado evitando movimentos bruscos alongando um pouco o pénis para manter a posição ideal; a passagem do esfincter externo sente-se como uma resistência moderada que em condições normais é facilmente ultrapassada (não forçar a passagem, já que a dor assim infligida provocará um espasmo reflexo que complicará consideravelmente a inserção da algália); Fixar a algália internamente, enchendo o balão com a quantidade de água destilada recomendada pelo fabricante; Fixar externamente o cateter, na região do abdomén, quando acamado.

NA MULHER (Figura 5): Afastar os grandes lábios com os dedos, polegar e indicador, (com a mão esquerda), e identificar o meato urinário; inserir gentilmente a algália (com a mão direita), que deve entrar na bexiga sem resistência. Se por engano, acontecer a inserção vaginal, dever-se-á utilizar uma nova algália esterilizada e tentar outra vez; Introduzir mais cerca de 2.5 cm; A inserção da algália com sucesso é acompanhada por fluxo urinário imediato; se não obtiver urina por a bexiga estar vazia dever-se-á fazer o reforço hídrico e aguardar; Encher o balão com a quantidade de água destilada recomendada pelo fabricante; Conectar o sistema de drenagem; Fixar a algália na face interna da coxa na mulher, deixando folga suficiente para os movimentos. Figura 5 Algaliação na Mulher Setembro de 2004