PRECURSORES DO COOPERATIVISMO Caroline Goerck



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Transcrição:

PRECURSORES DO COOPERATIVISMO Caroline Goerck RESUMO: No Século XIX na Europa, diante da precariedade das condições e relações de trabalho estabelecidas, foram suscitados pela classe trabalhadora movimentos sociais, como forma de protesto e manifestação à exploração exercida pelos capitalistas, naquele contexto econômico e social. Entre essas manifestações emergiu também, um movimento social designado de Socialismo Utópico. Esse movimento propunha a transformação no modo de produção, não pela violência, mas sim, através do consumo e da produção coletiva. Nesse sentido, pode-se referir que as primeiras experiências cooperativistas culminaram, como forma de resistência dos sujeitos frente ao capital. O cooperativismo propunha uma organização diferenciada de produção, em que os processos de trabalho seriam gestados, pela cooperação entre os trabalhadores. Esse estudo tem como finalidade apresentar os precursores cooperativistas. Para a realização desse trabalho foi necessária, uma pesquisa bibliográfica, em que a autora procurou fontes e autores que abordam essas temáticas. PALAVRAS-CAHAVES: Capitalismo - Movimentos Sociais - Cooperativismo. INTRODUÇÃO Diante da precariedade das condições e relações de trabalho, bem como, da exploração dos trabalhadores pelos detentores dos meios de produção, existente entre os Séculos XVIII e XIX na Europa, emergiram entre os movimentos sociais da classe trabalhadora e uma nova forma de sistematizar e conceber o trabalho, designada de cooperativismo. Os precursores do cooperativismo vivenciaram as manifestações da questão social, geradas entre a I e a II Revolução Industrial. EMERGÊNCIA DO COOPERATIVISMO No século XVIII, na Inglaterra, emergiu um intenso processo de transformação nos processos de trabalho, intitulado de I Revolução Industrial. O trabalho manufatureiro artesanal dera luz à máquina a vapor, ao tear mecânico, as estradas de ferro e ao

surgimento das fábricas. O período da Primeira Revolução Industrial corresponde ao momento de consolidação do capitalismo industrial, principalmente na Inglaterra. Os processos de trabalho e o modo de produção capitalista continuaram sendo modificados. A produção realizada pelo maquinário a vapor - na Primeira Revolução Industrial, e pelo petróleo e pela eletricidade - durante a Segunda Revolução Industrial, foram submetendo os trabalhadores à máquina. A Segunda Revolução Industrial teve como características, o desenvolvimento dos setores de transportes, comunicação, produção em série e principalmente a utilização do aço e de novas formas de energia (petróleo e eletricidade), gerando a concentração de capital. Esses novos protótipos de produções industriais, ocasionados pela Primeira e Segunda Revolução Industrial, desencadearam o acirramento da divisão social do trabalho. Nesse contexto sócio-econômico, os trabalhadores reagiram às expressões da questão social. O movimento cooperativista desde o seu princípio, pode ser considerado, uma forma de reação dos trabalhadores ao sistema capitalista e seus processos produtivos. Os precursores do cooperativismo prospectavam uma sociedade mais justa e igualitária, em que a organização e sistematização do trabalho, estariam inspiradas em pressupostos valorativos, divergentes do modo de produção capitalista. Os integrantes desse movimento foram considerados Socialistas Utópicos, por terem elaborado um projeto transformador da sociedade burguesa, sem o reconhecimento da necessidade de fazer essa transição, através da luta de classes. Alguns dos integrantes desse movimento merecem destaque, entre eles pode-se citar: Robert Owen (1771-1888): É tido como pioneiro do socialismo inglês. Revoltou-se contra a precariedade das condições e relações de trabalho existentes na Europa. Owen

pensava que o sujeito era produto do meio social em que vivia e para modificá-lo, seria necessário transformar esse meio social, de forma pacífica, moderada e gradativa (PINHO, 1977). Owen defendia que a ordem econômica e social vigente deveria ser substituída por um novo modelo baseado na convivência harmoniosa e não na competição e acumulação capitalista. Owen projetava também, uma sociedade baseada no consumo urbano e combateu o lucro e a concorrência capitalista, que considerava responsável pela desigualdade social. Criou uma colônia tida como modelo, e promoveu diversas mudanças ousadas e inovadoras para a época, objetivando uma sociedade mais justa e solidária. Após doze anos transcorridos dessa experiência, Owen conclui que a criação de colônias e/ou outros meios, não era o ideal para o modelo cooperativista, mas sim, esse deveria surgir da solidariedade e da espontaneidade entre os sujeitos (PINHO, 1977). Françóis M. C. Fourier (1772-1837): Divergia de Owen em alguns aspectos. Fourier propunha uma sociedade composta por associação de produção rural, sem abolição da propriedade privada. Fourier publicou em 1829, sua teoria de prática associativista no Le Monde Industriel et Sociétaire. Através da prática associtivista, que poderia ser composta por todos os sujeitos, Fourier objetivava solucionar os malefícios sociais, através de unidades auto-suficientes de produção. Essas unidades de produção foram nomeadas de Falansterio (Hotel Cooperativo) (PINHO, 1977). Philippe Buchez (1796-1865) e Louis Blanc (1812-1882): Buchez e Blanc idealizaram as cooperativas operárias de produção industrial. Buchez pensou numa cooperativa que agrupasse operários de um mesmo tipo de profissão, que seriam regidos por um contrato (PINHO, 1977). Para a fundação de uma cooperativa, é necessário que se arrecade uma contribuição dos próprios cooperados e/ou externa, constituindo o capital social. Blanc, também precursor de cooperativas de produção, condenava a livre-concorrência e era a

favor da intervenção estatal nas cooperativas, ao contrário de Buchez (PINHO, 1977). Saint-Simon (1760-1825): É identificado como o precursor do Sansimonismo ou Socialismo Industrialista. Pensava ser a produção de coisas úteis à vida (noção construtiva) a finalidade da existência do mundo. Saint-Simon pregava à reforma do setor da produção através da própria produção, ou seja, a produção deveria alcançar o máximo de expansão, assegurando assim, com prosperidade, a melhor organização social (HUGON, 1980). Victor Considérant e Poisson: Considérant era seguidor das idéias de Fourier e expôs a Doutrina Sociale, que posteriormente, foi expandida nos Estados Unidos da América. Enquanto Considérant divulgava os ideais de Fourier, Poisson contestava essas contribuições, tanto as de Fourier quanto às de Owen. Poisson não considerava ambos os precursores, como os Pais do Cooperativismo (PINHO, 1966). P. J. Proudhon: Proudhon criticava a organização das relações econômicas sociais estabelecidas pelo capitalismo. Segundo seu pensamento, a reforma da sociedade deveria ter como princípios norteadores à ação da justiça, tendo-se essa última, como sinônimo de igualdade e liberdade. A principal contribuição de Proudhon consistiu na sua descrença com relação às mudanças realizadas através da produção ou da repartição dos produtos, acreditava ele que, a transformação deveria ser realizada tendo-se como elemento fundante as trocas (HUGON, 1980). Em 1843, um grupo de trabalhadores da cidade de Rochdale, realizou uma greve, que teve como objetivo reivindicar melhores salários e condições de trabalho. Essa manifestação fracassou, tendo-se como conseqüência a demissão de dez funcionários. Esses tecelões de Rochdale se reuniram e buscaram naquele momento, uma alternativa

econômica e viável para atuarem no mercado, frente à exploração capitalista. Os trabalhadores resolveram então formar uma cooperativa e começaram a realizar reuniões. Os ideais dos socialistas utópicos e de outros precursores permeavam as reuniões, sendo que os participantes estavam dispostos a criar um novo modelo de cooperativismo, tendo como finalidade não repetir os erros anteriores de seus antecessores. Organizaram-se e arrecadaram dinheiro entre os próprios trabalhadores para a criação de um fundo (uma libra esterlina por integrante). Esse fundo serviu para constituir o armazém da cooperativa de consumo, que era defendido por seus precursores, James Daty, Charles Howart, James Smithies, Hohn Hill e John Bent. Em reuniões posteriores, contando já com vinte e oito tecelões, os trabalhadores elaboraram o projeto desse armazém cooperativo e designaram-no de Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale (PINHO, 1966). Outra contribuição importante dos cooperados de Rochdale foi à elaboração de sete princípios, através de suas reuniões, designadas de Sala de Temperança, que posteriormente foram nomeados como os princípios do cooperativismo. Em setembro de 1966 ocorreu um Congresso em que se instituíram os Princípios Básicos do Cooperativismo consagrados pela Aliança Cooperativa Internacional, baseados nas reuniões de Rochdale e no Congresso de setembro de 1937. CONSIDERAÇÕES FINAIS O cooperativismo surge como uma alternativa diferenciada de geração de trabalho e renda, criado pelos próprios trabalhadores, em que o processo de execução e concepção é considerado dever e direito dos cooperados. Essa nova sistematização do trabalho, tendo como marco simbólico a Cooperativa Matriz de Rochdale é proveniente dos ideais dos precursores do cooperativismo - que desde meados do século XV, se respaldavam em pressupostos valorativos de auto-ajuda, autogestão, autonomia, democracia,

responsabilidade, participação, igualdade e de solidariedade entre os trabalhadores (RECH, 1991). As experiências dos precursores do cooperativismo possuem um papel muito significativo, pois se constituíram como uma forma de resistência dos sujeitos, frente ao capital. REFERÊNCIAS BULLA, Leonia Capaverde. Serviço Social, Educação e Práxis: Tendências Teóricas e Metodológicas (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Curso de Pós-Gradualção em Educação. Porto Alegre, 1992. HUGON, Paul. História das Doutrinas Econômicas. 14. ed. São Paulo: Atlas, 1980. MARX, Karl. O Capital. Crítica da Economia Política- volume I. Tradução de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Editora Nova Cultura, 1988. PINHO, Diva Benevides. A Doutrina Cooperativa nos Regimes Capitalistas e Socialistas - São Paulo, Livraria Pioneira Editora, 1966.. Economia e Cooperativismo. São Paulo: Saraiva, 1977.. O Cooperativismo no Brasil: da vertente pioneira à vertente solidária. São Paulo: Saraiva, 2004.