ANAIS ELETRÔNICOS ISSN 235709765



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Transcrição:

UMA ABORDAGEM REFLEXIVA SOBRE AS PRATICAS DE PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO ESCOLAR SILVA, Ana Raquel Henriques 1. (UFCG) ARAÙJO, Gérssica Xavier Brito de 2. (UFCG) RAFAEL, Edmilson Luiz 3. (Orientador) RESUMO O presente artigo busca apresentar reflexães sobre as práticas de planejamento e avaliação presentes em um dado estabelecimento escolar e as práticas pedagogicas de planejamento e avaliação de um determinado professor em relação ao ensino de língua espanhola, no ensino médio. A LEI Nº 11.161, DE 5 DE AGOSTO DE 2005, que dispõe sobre o ensino da língua espanhola, diz no Art. 1 o diz que: O ensino de língua espanhol de oferta obrigatória pela escola e de matrícula facultativa para o aluno, será implantado, gradativamente, nos currículos plenos do ensino médio. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo averiguar como é feito o planejamento e as avaliações dentro de um determinado estabelecimento de ensino, tal como analisar as práticas pedagógicas do professor do mesmo estabelecimento escolar e os materiais didáticos que o mesmo utiliza referente ao ensino de língua espanhola. Em termos metodológicos, nosso trabalho observará o que parece ser mais importante nas leituras feitas sobre planejamento e avaliação, e sobre como é executado o ensino de língua espanhola em uma dada escola do estado da Paraíba. Nosso trabalho se respaldará nas perspectivas de Planejamento com base em Rojo (2001), Luckesi (1995) e Avaliação, propostas por Hoffman (2010), e sobre o ensino de língua estrangeira propostos por Sedycias (2005) também se embasará nos Parâmetros Curriculares Nacionais PCNS, nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio OCEM e no Guia de Livros Didáticos. Palavras Chave: Planejamento. Avaliação. ELE. 1 Graduanda em Letras Língua Espanhola pela. 2 Graduanda em Letras Língua Espanhola pela. 3 Professor Associado II da. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Ensino Aprendizagem de Língua Materna, atuando principalmente nos seguintes temas: linguística aplicada, didática e ensino de língua. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 1

Contextualização inicial O artigo apresentado, resultou de uma investigação sobre as propostas de planejamento e avaliação de um certo estabelecimento escolar, no estado da Paraíba e como é planejado, executado e avaliado pelo professor o ensino de uma língua estrangeira, nesse caso o espanhol dentro da sala de aula. Tendo em vista as orientações oficias para a educação básica, e LEI, que dispõe sobre o ensino da língua espanhola, e no Art. 1 o diz que: O ensino de língua espanhol de oferta obrigatória pela escola e de matrícula facultativa para o aluno, será implantado, gradativamente, nos currículos plenos do ensino médio. Logo, que é de grande valor a aprendizagem de ao menos uma língua estrangeira diante da evolução dos sistemas de informação, pois o conhecimento de uma segunda língua significa não só a ampliação de horizontes, como também a compreensão pela valorização de uma nova forma de linguagem oral e escrita e de uma nova cultura. Por isso torna-se imprescindível que um aluno aprenda uma língua diferente da materna, durante sua vivência escolar. Observamos que no nosso dia a dia, vivemos inúmeras situações que envolvem o ato de planejar. Planeja-se a rotina, as atividades de lazer, os compromissos profissionais, sociais e várias outras ações que se pretende concretizar. Assim sendo, todas as ações humanas requerem planejamento para que sejam bem executadas e possam alcançar êxito. Na escola, não é diferente, no espaço de ensino, o planejamento é o sinalizador das ações necessárias para a condução do processo de ensino e para que sejam atingidos os resultados desejados. E no que se refere a o processo avaliativo dentro dos estabelecimentos escolares, observamos que o termo avaliar na maioria das vezes tem sido associado a fazer prova, fazer exame, atribuir notas, repetir ou passar de ano. Nesse sentido a educação é imaginada como simples transmissão e memorização de informações prontas e o educando é visto como um ser passivo e receptivo. Em uma concepção pedagógica mais moderna, a educação é concebida como experiência de vivências Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 2

múltiplas, agregando o desenvolvimento total do educando. Nessa abordagem o educando é um ser ativo e dinâmico, que participa da construção de seu próprio conhecimento. Nesse ponto de vista, a avaliação admite um significado orientador e cooperativo. As pesquisas para a realização desse artigo foram feitas por meio de leituras proposta em sala, tal como pesquisas feitas no site do MEC, e em outros documentos que regem o ensino, tendo como foco o planejamento e avaliação escolar, e ensino de línguas. Também foi feita uma entrevista com o professor dessa determinada escola, tendo como pauta: como é feito o planejamento e avaliação do seu ambiente de ensino, e como você no papel de professor realiza o seu planejamento e a sua avaliação dentro de sua sala de aula. Considerando a importância do planejar e avaliar dentro dos meios de ensino, como também a importância do ensino de língua espanhola, torna-se necessário refletir como tais práticas pedagógicas vêm sendo executadas. Neste sentido, de analise dessas práticas, nós como professoras em formação, buscamos aperfeiçoar a nossa formação crítica e reflexiva, e com isto de alguma maneira contribuir para superar possíveis problemas que venha há existir no decorrer da nossa prática pedagógica. Tendo em vista os pontos abordados acima, esse trabalho tem por objetivo averiguar como é feito o planejamento, e as avaliações dentro de um determinado estabelecimento de ensino, tal como analisar as práticas pedagógicas do professor referente ao ensino de língua espanhola, verificando e fazendo uma abordagem comparativa sobre o que está presente no manual do professor do livro proposto pelo MEC para as instituições estaduais, e sobre o que é realmente passado pelo professor em sala. Fazendo uma relação ao o ensino proposto pelo governo e o que realmente está sendo executado em sala de aula, para isso será levada em consideração as leituras propostas em sala sobre planejamento e avaliação e sobre o ensino e línguas, também será utilizado o manual do professor presente no livro didático trabalhado, como também as leis que regem tais princípios. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 3

Em termos metodológicos, nosso trabalho observará o que parece ser mais importante nas leituras feitas sobre planejamento e avaliação, e sobre o ensino de língua estrangeira no Brasil, tal como o ensino de língua espanhola dentro dessa determinada escola do estado da Paraíba. Para isso foram analisados alguns documentos relacionados à planejamento e avaliação, tal como o ensino de língua estrangeira, propostos pelo MEC, como: os PCNS, O guia do Livro Didático, o manual do professor contido no livro síntese e as orientações curriculares nacionais. Como parte integrante do nosso trabalho, foi feita também uma entrevista com o professor de língua espanhola da mesma escola, para saber como são executados o planejamento e a avaliação da escola, e como é feito o seu planejamento e sua avaliação dentro da sala de aula. Fundamentação Teórica Este trabalho se baseia em pressupostos teóricos e em documentos estabelecidos pelo MEC relacionados ao processo de planejamento e avaliação escolar, tal como o ensino de língua estrangeira no Brasil, em específico o espanhol. Pois de acordo com eles, o planejamento e a avaliação têm que fazer parte do ambiente escolar, para que os objetivos de ensino venham ser alcançados. E o ensino de língua estrangeira deve ser passado de forma que garanta ao aluno seu engajamento discursivo e a sua auto-percepção como ser humano e como cidadão. Vamos então ao que pensamos ser mais relevantes em nossa investigação em termos teóricos. Em um primeiro momento, abordaremos algumas argumentações sobre o planejamento educacional, discutidos em: Rojo (2001), Luckesi (1995) em seguida apresentaremos algumas questões relacionadas à atividade de avaliação escola discutidas em Hoffmann (2010) e em um terceiro momento apresentaremos alguns elementos mais relevantes sobre o ensino de língua estrangeira no Brasil, sempre tendo como foco a língua espanhola, em Sedycias (2005) e nos embasaremos também na coleção Explorando o Ensino Espanhol - volume 6. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 4

Como ponto de partida, observamos que o planejamento educacional, diferentemente do planejamento que acontece no nosso cotidiano e nas diferentes áreas humanas, não atende as aspirações que se têm em termos de processo e resultados da educação. Nesse caso, torna-se uma atividade burocrática a ser cumprida. Pois o planejamento é o ponto de partida. Nele são expressas as ações a serem realizadas em função da tomada de decisão a respeito dos objetivos que se pretende alcançar. Resulta em um plano ou projeto para a instituição. Estudos realizados mostram que a existência de um plano de trabalho bem definido é uma das características evidenciadas nas escolas com resultados positivos. Para Luckesi (1995) O ato de planejar é a atividade intencional pela qual se projetam fins e se estabelecem meios para atingi-los. Por isso, não é neutro, mas ideologicamente comprometido. Dentro dessa perspectiva, observamos que os estabelecimentos de ensino devem ou deveriam planejar suas atividades para alcançarem suas metas, obter seus objetivos e conseguir resultados constitutivos dentro dos meios de ensino. Observa-se também que esse planejamento não é neutro, nem individual sofre intervenções e contribuições de todos aqueles que compõem o corpo profissional da escola. Ele exige a delimitação das ações tanto da gestão da escola, como das ações diretamente relacionadas às atividades específicas da sala de aula. Assim torna-se necessário que todos decidam, conjuntamente, o que fazer e como fazer. Portanto o planejamento dentro do estabelecimento escolar deve ser um ato coletivo. Porém o mesmo autor aborda que muitas vezes esse ato de planejar nas escolas, tem sido um modo de operacionalizar o uso de recursos materiais, financeiros, humanos, didáticos. Este é um fato recorrente, dentro dos estabelecimentos escolares, pois ao invés de planejarem as ações didáticas que deverão ser utilizadas no decorrer do ano letivo, fazem somente o preenchimento de formulários que serão engavetados pelo diretor ou intermediário do processo pedagógico, como o coordenador ou o supervisor. Esse modo de planejar está equivocado, pois segundo Rojo (2001) o planejamento Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 5

educacional ainda exige a capacidade de definir, selecionar e organizar conteúdos que deverão ser tematizados por meio de ações didáticas distribuídas no tempo e no espaço escolar. E ato de planejar nos meios de ensino, transita hoje entre um ponto e outro, entre um planejamento reflexivo, coletivo, que busca planejar as atividades pedagógicas que deverão ser executadas durante o decorrer do ano letivo e um planejamento tradicionalista ou tarefa burocrática, impostos pelas secretarias, como mero preenchimento de formulários para arquivo. Concluindo essa abordagem sobre planejamento, temos Vasconcelos (2000) que diz: Planejar é antecipar mentalmente uma ação a ser realizada e, agir de acordo com o previsto; é buscar algo incrível, essencialmente humano: o real comandado pelo ideal. Com relação à avaliação, que faz parte do processo pedagógico e da formação do alunado dentro dos estabelecimentos escolares, temos o que diz os PCNS que: A avaliação é parte integrante e intrínseca ao processo educacional, indo muito além da visão tradicional, que focaliza o controle externo do aluno por meio de notas e conceitos. A função da avaliação é alimentar, sustentar e orientar a ação pedagógica e não apenas constatar um certo nível do aluno. ( pg. 79) Levando em conta essa perspectiva e fazendo uma relação com o que foi observado em sala de aula, vemos que não é bem isso que acontece, pois, a avaliação tem sido praticada nas escolas básicas brasileiras para aprova ou reprovar os alunos. A ênfase na utilização de provas e teste como procedimentos avaliativos são comuns e rotineiros, a atribuição de notas, menções e pontos completam a finalidade classificatória da avaliação com vista na à aprovação ou reprovação do aluno. A avaliação não ocorre em momentos isolados do trabalho pedagógico, ela inicia, permeia todo o processo e conclui. É realizada segundo objetivos escolares implícitos ou explícitos que por sua vez refletem valores e normas sociais. Nesse contexto, a avaliação também é feita de maneira prescritiva, padronizada e autoritária, com o objetivo de selecionar quem aprendeu e quem não aprendeu. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 6

Segundo Hoffmann (2010), a concepção de avaliação que marca a trajetória de alunos e educadores, é a que define essa ação como julgamento de valor dos resultados. Daí a presença significativa dos elementos como provas, notas, conceitos, reprovação, registros, etc. nas relações estabelecidas. Para essa mesma autora, existem equívocos e contradições entre educação e avaliação. Segundo ela os educadores percebem a ação de educar e a ação de avaliar como dois momentos distintos e não relacionados. Porém eles são dependentes um do outro, a educação necessita da avaliação e vice-versa. Porém essa visão, embora ainda presente em alguns estabelecimentos de ensino, vem sendo superada e aos poucos, pensada e executada de forma mais reflexiva e construtivista, sendo levada em consideração a realidade social e política do alunado. Para Hoffmann (2010) uma nova perspectiva de avaliação exige do educador uma concepção de criança, de jovem e adulto, como sujeitos do seu próprio desenvolvimento, inseridos no contexto de sua realidade social e política. Seres autônomos intelectual e moralmente, críticos e criativos e participativos. Dessa forma a avaliação deixa de ser um momento terminal do processo educativo para se transforma na busca de compreensão das dificuldades do educando e na dinamização de novas oportunidades de conhecimento. E os testes avaliativos deixam de fazer apenas julgamentos quantitativos e passam a ter o objetivo de melhorar o conhecimento dos alunos trabalhando em cima das dificuldades enfrentadas por eles. Voltando-nos agora para o ensino de língua estrangeira, que se tornou obrigatório nas escolas brasileiras temos: A Lei de Diretrizes de Bases da Educação - LDB - de 20 de dezembro de 1996 que em seu parágrafo 5º do artigo 26 está assegurado: Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das possibilidades da instituição. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 7

Nesta mesma Constituição, no inciso III do artigo 36, o qual regulamenta o currículo do ensino médio, está disposto que: será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição. Após esta lei, o ensino de língua estrangeira é disciplina obrigatória na grade curricular no ensino fundamental a partir da quinta série, e em todo ensino médio; e dado ao caráter democrático da LDB, fica em aberto que a disciplina seja ofertada dentro das possibilidades da instituição isto é; a escolha da língua ocorrerá de acordo com questões ligadas a fatores regionais, culturais e sociais; a cargo da comunidade escolar, mantendo, contudo, sua obrigatoriedade no currículo escolar. A inclusão de uma língua estrangeira no currículo da escola possibilita outra visão de mundo além daquela que a língua materna oferece, atribuindo novos sentidos ao mundo que nos cerca e ampliando nossos conhecimentos. E dando ênfase ao ensino de língua espanhola, que passou a ser obrigatório, após o Congresso Nacional aprovar a Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005, que diz: Art. 1 o O ensino da língua espanhola, de oferta obrigatória pela escola e de matrícula facultativa para o aluno, será implantado, gradativamente, nos currículos plenos do ensino médio. Tornou-se necessário estudar essa língua, pois ela tem ganhado um grande espaço no mercado brasileiro, e muitos fatores tem influenciado para isso, como a crescente globalização da economia mundial, as privatizações que tem ocorrido na America Latina, além de ser a segunda língua oficial de muitos países que fazem fronteira com o Brasil. Em Sedycias (2005), observamos razões pelas quais os brasileiros devem aprender espanhol. De maneira sintética, se pode recordar que o espanhol é uma das mais importantes línguas mundiais da atualidade e a segunda língua nativa mais falada no mundo. Além disso, depois do inglês é a segunda língua mundial como veículo de comunicação internacional. Outro motivo importante é que entre os países que fazem parte do MERCOSUL, o Brasil é o único que não tem espanhol como língua nativa. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 8

Incluindo que a língua espanhola é a língua de nossos vizinhos o que torna mais importante no só no ponto de vista econômico e comercial, mais também cultural já que compartilhamos culturas e histórias similares. E por fim o português e o espanhol são línguas irmãs e essa familiaridade ajuda muito na aprendizagem do espanhol por parte dos falantes brasileiros. Nesse sentido, o desafio de ensinar uma língua estrangeira como disciplina curricular no atual contexto educacional implica necessariamente a elaboração de atividades que aliem o estudo do idioma ao acesso a manifestações culturais de outros povos. Dessa forma o ensino dessa língua deve preparar o estudante para refletir sobre a linguagem, relacionando os discursos que lê e produz aos contextos enunciativos. Análise dos Dados A princípio vamos descrever, sobre o planejamento e avaliação escolar da escola selecionada para essa pesquisa, com base na entrevista feita com o professor de espanhol da mesma instituição. Segundo ele, a escola faz um planejamento anual, onde são traçadas as metas que deverão ser atingidas no decorrer do ano, tal como, os objetivos de ensino e eventos pedagógicos. Esses objetivos de ensino dizem respeito a os planos pedagógicos da escola, que podem sofrer intervenções dos professores, no ato de sua elaboração. Também é feito um planejamento mensal, pela coordenadora da escola, junto com os professores. Nesse planejamento são colocados em pauta, os conteúdos que vem sendo dado por cada professor, e se os conteúdos que estão estabelecidos no plano de curso, elaborado por cada professor de acordo com o livro didático, vêm sendo executados em sala. De acordo com o professor entrevistado, esse planejamento e pensado e elaborado pela direção da escola, com foco no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e no vestibular da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba). Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 9

Segundo o professor entrevistado, a escola adota o livro didático de línguas, no nosso caso o de espanhol, proposto pelo governo do estado, para o primeiro, segundo e terceiro ano do ensino médio. O livro estabelecido pelo governo é o Síntesis, do escritor Ivan Rodrigues Martin. De acordo com o Guia do Livro Didático, essa coleção destaca-se pela coletânea de textos, tendo em vista a seleção de temas relevantes para a formação cidadã dos alunos de nível médio, permitindo-lhes refletir sobre diversidade, cidadania, estimulando o desenvolvimento da consciência crítica. Ressaltam-se, ainda, a presença equilibrada de diferentes tipos e gêneros de texto; a diversidade de esferas do mundo social apresentadas e o fato de que boa parte dos textos circulou no mundo social, nos âmbitos cotidiano, publicitário, jornalístico e literário, nos suportes impresso ou virtual. A escola também tem um plano pedagógico pré-estabelecido, que é revisto a cada dois anos, com o objetivo de ver o que estar dando certo ou não. Essa revisão é feita pela coordenação e pelos professores da escola, que interferem na elaboração e mudança do mesmo. E com relação avaliação, a escola estabelece uma semana de provas e recuperações a cada bimestre, também estipula as datas e prazos, para que os professores possam prestar conta com a coordenação, das notas dos alunos. Nesse segundo momento da nossa analise, vamos abordar sobre o planejamento e avaliação que é feita pelo professor dento da sala de aula. Segundo ele o seu planejamento é diário, e elaborado a partir do livro didático Síntesis, com base no manual do professor, contido em cada livro. Segundo o manual, afinada com as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM), a coleção apresenta uma proposta didático- pedagógica que procura valorizar o papel da língua estrangeira na formação de indivíduos dotados de consciência social, criatividade, mente aberta para conhecimentos novos, contribuindo para a construção de uma nova forma de pensar e ver o mundo. E de acordo com o Guia do Livro Didático, esse manual oferece atividades complementares, Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 10

propostas de avaliação e sugestões de leituras teóricas, permitindo ao professor aprofundar seus conhecimentos sobre o que se aborda em cada unidade. No final de cada mês ele apresenta seu planejamento à coordenadora da escola, porém ela não faz nenhuma interferência, pois segundo ele, a mesma não tem conhecimento sobre o ensino da língua espanhola. Com relação a esse ponto, o professor falou: cabe ao professor ser realmente um profissional, e seguir o que está estabelecido no livro didático e o que foi estabelecido pela direção da escola. No quesito avaliação, o professor avalia os seus alunos continuamente, em cima das quatro habilidades referentes ao ensino de língua estrangeira, que são: leitura, escrita, escuta e fala, através da participação em sala e da realização das atividades. Também é feita uma prova bimestral, que avalia a escrita, leitura e interpretação textual. Segundo o manual do professor presente no livro didático, a avaliação é um componente essencial em qualquer processo educacional e, como tal, precisa ser entendida como parte de um percurso e não apenas com resultados de um processo. Observamos que o professor, no seu modo de avaliar, esta de acordo com o que diz no manual, pois realiza uma avaliação continua, avalia o percurso e o processo de aprendizagem do seu aluno, não só estipula notas com base nas avaliações bimestrais, mas avalia seu aluno como um todo. Porém, como acontece em grandes partes das escolas, os professores são orientados pela direção, a trabalhar os conteúdos e fazer suas avaliações pensando nas provas do Enem, e nos possíveis vestibulares, que os alunos da instituição venham fazer. Nesse sentido vemos que de algum modo, o professor fica limitado a produzir suas aulas e suas avaliações baseados nestes exames finais do ensino médio. Mas de modo geral, a escola e o professor na sua ação pedagógica procuram se desviar de certa forma do ensino tradicional e passa a desenvolver um ensino reflexivo, com o objetivo de torna seu aluno um ser reflexivo, discursivo, capaz de se envolver e envolver outros no seu discurso. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 11

Considerações finais Neste trabalho, abordamos algumas questões referentes às praticas pedagogias de planejamento e avaliação escolar, de uma dada instituição de ensino e do professor de espanhol da mesma instituição. Com o panorama de discussões que foram expostos a cerca de planejamento e avaliação, foram observados como o professor em parceria com o corpo docente no estabelecimento escolar, realiza seus planejamentos e avaliações e se os mesmos estão seguindo o que está proposto pelo governo, nos documentos oficiais que regem o planejamento e avaliação escolar, e o ensino de língua estrangeira. Dentro da nossa observação foi possível perceber, em relação à escola e o professor, que a elaboração e a execução do planejamento e avaliação, segue positivamente dentro de um todo, apesar te terem defeitos, ambos, instituição e professor, procuram meios para aperfeiçoar sua prática de ensino e transforma em um ensino reflexivo, não somente tradicionalista. Ainda que, o ensino de certa forma, seja voltado para os exames finais do ensino médio, como: ENEM e o vestibular da UEPB, se percebeu que o docente junto com a escola, visa um caminho de construção, de uma educação de qualidade se preocupando com a evolução e aprendizagem do alunado. Referências BRASIL, Linguagens, códigos e sãs tecnologias. Orientações curriculares para o ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Básica, 2006, p.239. BRASIL, Guia de livros didáticos: PNLD 2011. Língua Estrangeira Moderna. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira /Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2010. LUCKESI, Cipriano C. Planejamento, Execução e Avaliação no Ensino: A busca de um desejo. In: Avaliação de Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 1995. SEDYCIAS, João. Por que os brasileiros devem aprender espanhol? Em: (org.). O ensino do espanhol no Brasil - passado, presente, futuro. São Paulo: Parábola, 2005. (p.35-44) Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 12

ROJO, Roxane Helena Rodrigues. Modelização didática e planejamento: Duas Práticas esquecidas do professor? - Campinas, São Paulo, 2001. Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino 13