2º Workshop Alternativas Energéticas

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Transcrição:

2º Workshop Alternativas Energéticas SETPESP em 11/08/2011 Resumo das Palestras Em complemento ao 1º Workshop realizado no SETPESP em 12/05 p.p., foram convidadas as empresas PETROBRÁS e YARA para abordar os temas relacionados aos combustíveis e produtos complementares às novas tecnologias de motor que estarão incorporadas nos novos veículos, fabricados a partir de Janeiro/2012. Palestra Petrobrás / Diesel S-50 / Sr. Sandro Moreira O Sr. Sandro relembrou que o PROCONVE existe desde 1986, com vistas à redução dos limites dos índices de emissões de poluentes, desenvolver a tecnologia nacional e melhorar a qualidade dos combustíveis. A redução em questão foi concebida de forma cadenciada, porém a Fase P6 que deveria ter entrado em vigência em Janeiro/2009 foi cancelada, devido a alguns fatores: Falta de regulamentação do combustível pela ANP Falta de tempo hábil para o desenvolvimento dos motores por parte dos fabricantes Em contrapartida, após tratativas com o Ministério Público Federal, resolveu-se pela antecipação da Fase P7 para Janeiro/2012, a qual ainda não havia qualquer previsão de entrada em vigor. A Fase P7 impõe limites mais restritivos para a emissão de poluentes, sendo que do ponto de vista técnico, as empresas fabricantes de motores trouxeram da Europa, as tecnologias já adotadas para atendimento à Euro 5 (ver Figura 01): Tecnologia SCR (obrigatório uso do ARLA 32 e do Diesel S-50 ou S-10) Tecnologia EGR 1

Figura 01 Por conta disso, à Petrobrás se estabeleceu a obrigatoriedade de fornecimento do Diesel BTE (baixo teor de enxofre) do tipo S-50 (50 ppm de enxofre), como ação intermediária, até o prazo de Janeiro/2013, quando deve ser ofertado ao mercado o Diesel BTE S-10 (10 ppm de enxofre). Segundo a Petrobrás, os polos de suprimento já estão aptos para atender a demanda de 87% prevista para o S-50 (ver Figura 02). Figura 02 A Petrobrás deve ainda, a partir de estudos da ANP, disponibilizar o novo combustível S-50 em todo o território nacional, de forma que num raio máximo de 100 km sempre exista um posto de abastecimento disponível. Nesse ínterim, foram abordadas questões relativas à disponibilidade do Diesel BTE para as empresas operadoras que estão localizadas em regiões não atendidas, legalmente, pelo Diesel S-50 (Capital e Regiões Metropolitanas), uma vez que a maioria das empresas do interior recebem atualmente o Diesel S-1800 e os novos veículos produzidos a partir de Janeiro/2012 (Fase P7), deverão, obrigatoriamente, serem abastecidos com Diesel S-50. 2

Além disso, tais veículos devem ainda receber um tanque específico para abastecimento do ARLA 32, produto destinado à atuar no sistema de conversão catalítica, integrado com o sistema de escapamento. Nesse sentido, a Petrobrás declarou que tais empresas operadoras devem realizar entendimentos com as respectivas empresas distribuidoras de combustível, para receber o Diesel BTE S-50 em suas unidades. Outra questão levantada foi a necessidade de composição de uma equação financeira, de forma a identificar a viabilidade de aquisição ou segregação de um tanque existente para uso específico do Diesel S- 50 ou então, a substituição total do combustível antigo (S-1800) pelo novo. Caso a opção seja pela disponibilização de um tanque dedicado, seja a segregação de um tanque já existente ou então, a aquisição de um tanque novo, existem algumas considerações: para utilização de um tanque existente, devem ser realizar as respectivas ações de limpeza para utilização do Diesel S-50; para um tanque novo, o custo de aquisição deve ser avaliado; há necessidade de obtenção da Licença de Operação (LO) dos órgãos ambientais para o novo tanque; deve haver disponibilidade de espaço físico adequado na garagem para o novo tanque, o que na maioria das garagens, não existe; a logística de abastecimento da frota deve ser alterada, considerando os dois combustíveis a serem utilizados e a impossibilidade de uso do combustível antigo (Diesel S-500 ou S-1800) na frota nova (P7) que só admite Diesel S-50. Caso a opção seja a migração definitiva para o Diesel S-50 para abastecer toda a frota (veículos novos e usados), as questões são as seguintes: a dinâmica de preço ao consumidor final é difícil de ser prevista, embora informações extraoficiais indicam que o incremento num primeiro momento, pode estar na ordem dos 3%, porém a Petrobrás estima que haja um retorno ao patamar anterior devido a acomodação do mercado; a demanda pelo novo combustível pode ser um item preocupante, porém a Petrobrás afirma que não haverá problemas com relação à oferta; existe a possibilidade de aumento imediato do custo operacional pela estimativa de maior consumo de combustível (em torno de 5% segundo testes de campo realizados pelas Montadoras, por conta da menor densidade do combustível). O Sr. Sandro apresentou ainda um cenário, pelo qual se verifica no atual Plano de Negócios da Petrobrás, a convivência do Diesel S-10 (substitui S-50 em 2013) com o Diesel S-500 (substitui o S-1800 em 2014) até, pelo menos, o ano 2020 (ver Figura 03). 3

Figura 03 Esse foi um item questionado, pois se ocorrer a renovação da totalidade da frota nos próximos 10 anos (aspectos de ordem contratual), esses veículos obrigatoriamente irão necessitar ser abastecidos com Diesel BTE S-10. A Petrobrás afirmou que caso isso seja identificado, o Plano de Negócios poderá ser alterado. A partir dessa questão, o Sr. Sandro explorou questões de ordem técnica e operacional, com relação à mudança de conceitos a partir da oferta do novo combustível e por consequência, da fabricação de novos motores, chamados de P7. Finalmente, a Petrobrás apresentou seu produto ARLA 32, necessário para utilização obrigatória nos motores com Tecnologia SCR (ver Figura 04). Figura 04 4

Palestra Yara / ARLA 32 / Sr. Achille Liambos O Sr. Achille Liambos apresentou a empresa Yara, segundo ele, a maior fabricante mundial de fertilizantes e pioneira na fabricação do ARLA 32. Como foi apresentado no 1º Workshop sobre Alternativas Energéticas realizado no SETPESP, o ARLA é uma solução aquosa de ureia técnica que será armazenada em um tanque no veículo, sendo injetada diretamente no tubo de escape, misturando-se aos gases da combustão e, depois de passar por um sistema de catalisadores, converte os poluentes (60%) em gases inertes (ver Figura 05). A empresa YARA explanou sobre o conceito do ARLA 32, detalhando sua formulação, regulamentação e função técnica para reduzir quimicamente, as emissões de NOx dos veículos equipados com motores diesel. Reiterou ainda que no caso da opção pela aquisição de veículos equipados com motores P7, com Tecnologia SCR, haverá a necessidade, obrigatória, da utilização do produto ARLA 32. Figura 05 Nos novos motores P7 (SCR) haverá um sistema de diagnóstico eletrônico de eventos (OBD) e por conta disso, a não utilização do ARLA 32 acarretará, num primeiro momento, o corte de 40% da potência do motor. Caso não haja solução no prazo de 48 horas, o motor é totalmente bloqueado eletronicamente, impedindo o acionamento. Segundo o Sr. Achille, o sistema ARLA tem uma vida útil estimada em 1,2 milhão de quilômetros, sendo necessária apenas a substituição do filtro a cada 200 mil km. Apresentou, também, os problemas que podem interferir na composição química do produto como, por exemplo, a incompatibilidade com diversos materiais, armazenagem e movimentação, os quais prejudicam sobremaneira a eficiência técnica. A empresa YARA ressaltou a importância que deve ser dada ao produto e a manutenção de suas características químicas, demandando ações por parte das empresas operadoras: 5

disponibilização de local adequado e protegido da incidência solar para estocagem e manuseio do produto; treinamento do pessoal de abastecimento visando a mudança de comportamento com relação aos cuidados de manuseio do produto, pois a contaminação provoca a troca do catalisador do veículo, com custo atual estimado em cerca de R$ 30 mil; e correta utilização do produto para evitar a perda inicial de 40% da potência do motor em operação e o seu posterior desligamento total. Do ponto de vista operacional, a empresa YARA informa que nos teste operacionais realizados pelas empresas montadoras, há a estimativa de economia de combustível em torno de 5%. 3º Workshop SETPESP sobre Alternativas Energéticas A terceira etapa do projeto do SETPESP, destinado à apresentação das alternativas energéticas às empresas associadas, prevê a abordagem do tema pelas empresas fabricantes de chassi e motores (ANFAVEA) e pelas empresas fabricantes de carrocerias (FABUS). Embora não tenham sido abordados diretamente no 2º Workshop, há assuntos que devem ser avaliados, técnica e operacionalmente: a escolha da Tecnologia SCR implica em aumento do peso bruto total do veículo, decorrente da instalação do tanque do ARLA 32 e do sistema de catalisadores, entretanto, os atuais projetos veiculares já estão no limite da legislação específica sobre transferência de peso ao pavimento (Lei da Balança); e a possível perda de espaço nas carrocerias devido ao posicionamento do tanque do ARLA 32 e sistema de catalisadores, principalmente nos bagageiros dos ônibus rodoviários. 6