RECURSO ESPECIAL Nº 1.093.415 - MS (2008/0210978-3) (f) RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO RECORRENTE : BANCO BRADESCO S/A ADVOGADOS : LINO ALBERTO DE CASTRO VALTER RIBEIRO DE ARAUJO E OUTRO(S) RECORRIDO : SHIRLEY MARQUES PRIETTO - MICROEMPRESA E OUTROS ADVOGADO : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. PENHORA ONLINE. 1. Após a entrada em vigência da Lei 11.382/2006, é possível a penhora online, ainda que não haja o esgotamento dos demais meios de satisfação da execução, uma vez que o bloqueio de valores disponíveis em conta bancária atende a ordem legal prevista no artigo 655, do CPC. 2. A decisão recorrida foi proferida em 24 de março de 2008, após o advento da Lei n. 11.382/06, razão pela qual o procedimento a ser seguido, na execução, deve ser adequado às novas regras processuais. 3. Recurso especial provido. ACÓRDÃO A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 24 de maio de 2011(Data do Julgamento) MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO Relator Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 1 de 12
RECURSO ESPECIAL Nº 1.093.415 - MS (2008/0210978-3) (f) RECORRENTE ADVOGADOS RECORRIDO ADVOGADO : BANCO BRADESCO S/A : LINO ALBERTO DE CASTRO VALTER RIBEIRO DE ARAUJO E OUTRO(S) : SHIRLEY MARQUES PRIETTO - MICROEMPRESA E OUTROS : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS RELATÓRIO O SR. MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO (Relator): 1. Cuida-se, na origem, de ação de execução contra devedor solvente por título executivo extrajudicial relativo a cédula de crédito bancário, proposta pelo Banco Bradesco S/A em face de Shirley Marques Prietto - microempresa e outros, na importância de R$ 11.788,71 (onze mil setecentos e oitenta e oito reais e setenta e um centavos), relativa à cédula de crédito bancário. A decisão de fls. 32-33 indeferiu a inicial, ao fundamento de que o título levado à execução, em verdade, refere-se a "contrato de limite de crédito e que o exequente deve provar a forma de utilização do dinheiro posto a disposição de sua correntista", por isso não há certeza quanto ao valor líquido utilizado. Irresignada, apelou a instituição financeira, tendo o Desembargador negado seguimento ao recurso monocraticamente, nos termos da decisão de fls. 66-69. O Banco Bradesco agravou regimentalmente, oportunidade em que o Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao recurso (fls. 83-88). 99-103. Opostos embargos de declaração, foram estes rejeitados pelo acórdão de fls. Apresentou a instituição financeira o competente recurso especial de fls. 106-119, tendo sido barrado na origem pela decisão de admissibilidade de fls. 123-126. Interposto agravo de instrumento (Ag n. 845.582/MS), foi o recurso conhecido, para dar provimento ao recurso especial, a fim de cassar o acórdão recorrido e determinar ao Tribunal de origem nova apreciação dos embargos de declaração, com pronunciamento sobre a questão omissa, da forma que viesse a entender por direito, bem como afastar a multa imposta, conforme decisão de fls. 140-141. Retornando os autos à Corte local, acolheram os embargos de declaração nos Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 2 de 12
termos da ementa que se transcreve: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXECUÇÃO- - CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - APLICAÇÃO DO ARTIGO 28 DA LEI N. 10.931/2004 - OMISSÃO EXISTENTE - EFEITO MODIFICATIVO - EMBARGOS ACOLHIDOS. Constatada a existência de omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração para, emprestando-lhe efeito modificativo, conhecer e dar provimento ao recurso de apelação, e julgar insubsistente a sentença, que indeferiu liminarmente a petição inicial, para reconhecer a cédula de crédito bancário como título executivo hábil a embasar a execução, determinando, por conseguinte, o prosseguimento normal do feito. (fls. 148-156). Assim, afastada a inépcia da inicial, foi dado prosseguimento à execução (fls. 159), com a expedição de mandado de citação, penhora/arresto e avaliação (fls. 160-163). O oficial de justiça, em cumprimento ao mandado, atestou à fl. 171: Certifico que em cumprimento ao respeitável mandado, após efetuar diligências, deixei de proceder penhora, em virtude de o único bem encontrado em nome dos executados, imóvel da matrícula nº 76.104, estar sendo habitado pela mãe de Aylton Prietto, o qual alegou pagar aluguel para ceder o bem a sua genitora e, segundo ele, objeto de embargos em outros processos, pelo mesmo fato. Diante da certidão acima transcrita, requereu a instituição financeira, nos termos do artigo 655-A do CPC, a penhora online dos ativos financeiros porventura existentes em nome dos executados (fls. 176). O magistrado de origem entendeu por bem indeferir o pedido (fls. 178). Interposto agravo de instrumento, o recurso não foi provido pela decisão monocrática exarada às fls. 186-190. Interposto agravo regimental, recebeu o acórdão a seguinte ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO - PENHORA ON LINE - MANTIDA A DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU SEGUIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO - RECURSO IMPROVIDO. A ordem legal inserta no artigo 655 do Código de Processo Civil não é rígida e absoluta, sendo, portanto, passível de alteração por força das circunstâncias e em vista das particularidades de cada caso concreto, bem como no interesse das partes, devendo, outrossim, ser respeitado o meio menso gravoso ao executado. Trata-se do princípio do menor sacrifício do executado, disposto no artigo 620 do Código de Processo Civil. Antes de requerer o penhora online, o exequente deve utilizar-se de todos o meios possíveis e lícitos para que lhe sejam nomeados outros bens que garantam o processo de execução. E, se depois de esgotadas todas estas vias ao seu alcance, não obtiver êxito, é que será possível a expedição de ofício para a obtenção do bloqueio da conta corrente do executado. (fls. 211) Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 3 de 12
Irresignado, apresentou a instituição financeira o competente recurso especial (fls. 217-223), com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando, em síntese, violação aos artigos 655 e 655-A (redação dada pela Lei n. 11.382/06). Aduz que o acórdão recorrido não levou em consideração as recentes modificações operadas no processo civil pela Lei n. 11.382/2006, que em ação de execução, determina deve recair a penhor, preferencialmente, em dinheiro, em espécie ou depósito ou aplicação em instituição financeira, estando equivocada a exigência de esgotamento dos meios para a localização de outros bens passíveis de penhora. É o relatório. Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 4 de 12
RECURSO ESPECIAL Nº 1.093.415 - MS (2008/0210978-3) (f) RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO RECORRENTE : BANCO BRADESCO S/A ADVOGADOS : LINO ALBERTO DE CASTRO VALTER RIBEIRO DE ARAUJO E OUTRO(S) RECORRIDO : SHIRLEY MARQUES PRIETTO - MICROEMPRESA E OUTROS ADVOGADO : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. PENHORA ONLINE. 1. Após a entrada em vigência da Lei 11.382/2006, é possível a penhora online, ainda que não haja o esgotamento dos demais meios de satisfação da execução, uma vez que o bloqueio de valores disponíveis em conta bancária atende a ordem legal prevista no artigo 655, do CPC. 2. A decisão recorrida foi proferida em 24 de março de 2008, após o advento da Lei n. 11.382/06, razão pela qual o procedimento a ser seguido, na execução, deve ser adequado às novas regras processuais. 3. Recurso especial provido. VOTO O SR. MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO (Relator): 2. A controvérsia dos autos diz respeito à possibilidade de penhora de valores disponíveis em conta bancária dos executados, ora recorridos, por meio do sistema BACEN-JUD, sem a necessidade de comprovação do esgotamento de vias extrajudiciais de busca de bens a serem constritos. 3. Primeiramente, é necessário ressaltar que a penhora online é resultado de um convênio de cooperação técnico-institucional firmado entre o Banco Central do Brasil, o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho de Justiça Federal, que permite aos órgãos jurisdicionais solicitar, de forma mais ágil, informações sobre a existência de contas correntes e aplicações financeiras e determinar o bloqueio de numerários para pagamento de Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 5 de 12
dívidas. O instituto consiste na possibilidade de o credor requerer o bloqueio de valores existentes em conta bancária do devedor, a fim de alcançar a satisfação da execução, tendo previsão legal no artigo 655-A, incorporado ao Código de Processo Civil por meio da Lei 11.382/2006: Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira o Juiz, a requerimento do exeqüente, requisitará à autoridade supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico, informações sobre a existência de ativos em nome do executado, podendo no mesmo ato determinar sua indisponibilidade até o valor indicado na execução. A mencionada lei modificou, entre outros dispositivos, o artigo 655, I, do Código de Processo Civil, o qual passou a ter a seguinte redação: Art. 655. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira. A partir dessa alteração, o "depósito ou aplicação em instituição financeira " foi equiparado a dinheiro em espécie, na ordem de penhora. Antonio Carlos Marcato, informa que: Conforme se viu nos comentários ao art. 652 o executado não é mais citado para pagar ou nomear bens à penhora. Assim, o novo art. 655 passa, diretamente, a estabelecer a ordem preferencial dos bens que se sujeitarão à penhora. A ordem preferencial foi alterada, pois as transformações econômicas e sociais experimentadas nas últimas décadas demonstraram que a ordem original (prevista na redação do antigo art. 655) não mais se justifica. Bens que apresentavam atrativos nos anos 1970 e 1980 cederam a outros. Aplicações financeiras tornaram-se comuns e, assim, ignoradas na redação original, hoje despontam como bens passíveis de responderem pela dívida. 9...) Expressamente, agora, autoriza-se que a penhora recaia sobre dinheiro em espécie ou em depósito, ou mesmo em aplicações em instituição financeira. Para que se tenha conhecimento sobre esses bens penhoráveis, deve o juiz proceder na forma prevista no art. 655-A (também introduzido pela Lei nº 11.382/2006), ou seja, a pedido do exequente, requisitar as informações do sistema bancário. [...]" (Código de Processo Civil Interpretado, 3 ed. São Paulo: Atlas, 2008, fls. 2.115) Assim, com as recentes modificações operadas no processo de execução, demonstrou o legislador estar consciente da maior efetividade que o dinheiro, como forma de viabilizar a realização do direito de crédito, confere à prestação jurisdicional. Dessa forma, permite-se mais facilmente a satisfação da dívida, já que dispensa todo o procedimento destinado a permitir a justa e adequada transformação de bem Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 6 de 12
penhorado como o imóvel em dinheiro, eliminando a demora e o custo de atos como a avaliação e a alienação do bem a terceiro (MARINONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz. Curso de Processo Civil, Execução, Revista dos Tribunais, 2007, v. 3p. 270), além de que oportuniza ao exequente penhorar a quantia exata necessária ao atendimento do seu crédito. 4. Observa-se, ademais, que, em se tratando de norma processual, vigora o princípio tempus regit actum, no qual o direito intertemporal preconiza que a lei nova se aplica imediatamente, inclusive aos processos em curso. Contudo, para a verificação da possibilidade de realização de penhora online, esta Corte estabeleceu dois entendimentos, segundo a data em que foi requerida a penhora, se antes ou após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.382/2006, cuja entrada em vigor se deu em 6 de dezembro de 2006. 4.1 O primeiro entendimento, aplicável aos pedidos formulados antes da vigência da aludida lei, é no sentido de que a penhora pelo sistema BACEN-JUD constitui-se em medida excepcional, cabível apenas quando o exequente comprova que exauriu todas as diligências no sentido de localizar bens livres e desembaraçados de titularidade do devedor. Diversos foram os julgados nesse sentido, entre os quais destacam-se: AgRg no Ag 1.010.872/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 15.9.2008; AgRg no REsp 1.129.461/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, DJe de 2.2.2010; AgRg no Ag 944.358/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 11.3.2008; AgRg no Ag 1.087.731/BA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 3.9.2009; AgRg no REsp 726.868/SE, Quarta Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, DJ de 28.11.2005; REsp n.º 659.127/SP, Quinta Turma, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, Rel. p/ acórdão Min. Gilson Dipp, DJ de 21.2.2005. Ressalta-se, por oportuno, que discutir a comprovação desse exaurimento esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Nesse sentido, são os seguintes precedentes: AgRg no Ag 1.041.585/BA, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 18.8.2008; AgRg na MC 13.891/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Denise Arruda, Dje de 30.4.2008; AgRg no Ag 850.240, Quinta Turma, Rel. Min. Felix Fischer, DJ de 8.10.2007. 4.2 Por sua vez, o segundo entendimento, aplicável aos requerimentos efetuados após a entrada em vigor da mesma lei, é no sentido de que essa modalidade de penhora não exige mais a comprovação de esgotamento de vias extrajudiciais de busca de bens a serem penhorados. O fundamento desse entendimento é justamente o fato de a Lei nº 11.382/2006 Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 7 de 12
equiparar os ativos financeiros a dinheiro em espécie, e de que a penhora de ativos financeiros, por si só, não caracteriza ofensa ao princípio da menor onerosidade (art. 620, CPC), uma vez que a execução se processa no interesse do credor. Assim, a tese de violação do Princípio da Menor Onerosidade não pode ser defendida de modo genérico ou simplesmente retórico, cabendo à parte executada a comprovação, inequívoca, dos prejuízos a serem efetivamente suportados, bem como da possibilidade, sem comprometimento dos objetivos do processo de execução, de satisfação da pretensão creditória por outros meios. (AgRg no REsp 1.103.760/CE (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19.5.2009) Ressalte-se que o tema foi submetido a julgamento pelo rito no art. 543-C do CPC, pela Corte Especial (REsp 1.112.943-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJE 23.11.2010), ocasião em que ficou assentado entendimento no sentido de que a penhora online, antes da entrada em vigor da Lei n. 11.382/2006, configura medida excepcional, cuja efetivação está condicionada à comprovação de que o credor tenha realizado todas as diligências no sentido de localizar bens livres e desembaraçados de titularidade do devedor. Contudo, após o advento da referida lei, o juiz, ao decidir sobre a realização da penhora online, não pode mais exigir do credor prova de exaurimento das vias extrajudiciais na busca de bens a serem penhorados. Confira-se a ementa do precedente da Corte Especial: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO CIVIL. PENHORA. ART. 655-A DO CPC. SISTEMA BACEN-JUD. ADVENTO DA LEI N.º 11.382/2006. INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO. I - JULGAMENTO DAS QUESTÕES IDÊNTICAS QUE CARACTERIZAM A MULTIPLICIDADE. ORIENTAÇÃO PENHORA ON LINE. a) A penhora on line, antes da entrada em vigor da Lei n.º 11.382/2006, configura-se como medida excepcional, cuja efetivação está condicionada à comprovação de que o credor tenha tomado todas as diligências no sentido de localizar bens livres e desembaraçados de titularidade do devedor. b) Após o advento da Lei n.º 11.382/2006, o Juiz, ao decidir acerca da realização da penhora on line, não pode mais exigir a prova, por parte do credor, de exaurimento de vias extrajudiciais na busca de bens a serem penhorados. II - JULGAMENTO DO RECURSO REPRESENTATIVO - Trata-se de ação monitória, ajuizada pela recorrente, alegando, para tanto, titularizar determinado crédito documentado por contrato de adesão ao Crédito Direto Caixa, produto oferecido pela instituição bancária para concessão de empréstimos. A recorrida, citada por meio de edital, não apresentou embargos, nem ofereceu bens à penhora, de modo que o Juiz de Direito determinou a conversão do mandado inicial em título executivo, diante do que dispõe o art. 1.102-C do CPC. - O Juiz de Direito da 6ª Vara Federal de São Luiz indeferiu o pedido de penhora on line, decisão que foi mantida pelo TJ/MA ao julgar o agravo Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 8 de 12
regimental em agravo de instrumento, sob o fundamento de que, para a efetivação da penhora eletrônica, deve o credor comprovar que esgotou as tentativas para localização de outros bens do devedor. - Na espécie, a decisão interlocutória de primeira instância que indeferiu a medida constritiva pelo sistema Bacen-Jud, deu-se em 29.05.2007 (fl. 57), ou seja, depois do advento da Lei n.º 11.382/06, de 06 de dezembro de 2006, que alterou o CPC quando incluiu os depósitos e aplicações em instituições financeiras como bens preferenciais na ordem da penhora como se fossem dinheiro em espécie (art. 655, I) e admitiu que a constrição se realizasse preferencialmente por meio eletrônico (art. 655-A). RECURSO ESPECIAL PROVIDO (REsp 1.112.943/MA, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/9/2010, DJe 23/11/2010) É necessário ressaltar que o precedente não aborda a questão sob o foco do momento em que realizado o pedido pelo credor de penhora online, mas sim, segundo o momento em que o magistrado profere a decisão acerca da realização da penhora requerida pelo credor: se antes ou posterior às alterações introduzidas pela Lei n. 11.382/2006. Esta Corte Superior consolidou o entendimento de que antes da entrada em vigor da Lei n. 11.382/2006, a decisão deferitória da penhora online é considerada medida excepcional, cuja efetivação está condicionada à comprovação pelo credor de que tenha realizado todas as diligências no sentido de localizar bens livres e desembaraçados do devedor. 5. Dessa forma, a orientação atual do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de admitir a penhora sobre dinheiro, em espécie ou em depósito ou em aplicação em instituição financeira, por possuir preferência na ordem legal de gradação. A propósito, podem ser mencionados os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CONVÊNIO BACEN-JUD. PENHORA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INDEFERIMENTO. DECISÃO TOMADA NO PERÍODO DE VIGÊNCIA DA LEI 11.382/06, QUE EQUIPAROU TAIS DEPÓSITOS A DINHEIRO EM ESPÉCIE NA ORDEM DE PENHORA (CPC, ART. 655, I), PERMITINDO SUA EFETIVAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO (CPC, ART. 655-A). RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. (REsp 1.065.583/BA, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 4.9.2008) EXECUÇÃO FISCAL. ESGOTAMENTO DOS MEIOS PARA LOCALIZAÇÃO DE BENS PENHORÁVEIS. PRESCINDIBILIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. SISTEMA BACEN JUD. PENHORA DE DINHEIRO. ORDEM LEGAL DE PREFERÊNCIA. LEI 6.830/1980. I - A despeito de não terem sido esgotados todos os meios para que a Fazenda obtivesse informações sobre bens penhoráveis, faz-se impositiva a obediência à ordem de preferência estabelecida no artigo 11 da Lei nº 6.830/1980, que indica o dinheiro como o primeiro bem a ser objeto de Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 9 de 12
penhora. II - Nesse panorama, objetivando cumprir a lei de execuções fiscais, é válida a utilização do sistema BACEN JUD para viabilizar a localização do bem (dinheiro) em instituição financeira. III - Observe-se ademais que, de acordo com o artigo 15 da Lei de Execuções Fiscais, a Fazenda Pública pode a qualquer tempo substituir os bens penhorados por outros, não sendo obrigada a preferir imóveis, veículos ou outros bens, o que realça o pedido de quebra de sigilo, indo ao encontro do princípio da celeridade processual. Precedente: REsp 984.210/MT, Rel. MINISTRO FRANCISCO FALCÃO, julgado em 06/11/2007. IV - Recurso especial provido. (REsp 1.009.363/BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe de 1º.4.2008). PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL BLOQUEIO DE ATIVOS FINANCEIROS POR MEIO DO SISTEMA BACENJUD ARTIGOS 655 E 655-A DO CPC, ALTERADOS PELA LEI N. 11.382/06 - DECISÃO POSTERIOR - APLICABILIDADE. 1. A Lei n. 11.382, de 6 de dezembro de 2006, publicada em 7 de dezembro de 2006, alterou o CPC quando incluiu os depósitos e aplicações em instituições financeiras como bens preferenciais na ordem de penhora como se fossem dinheiro em espécie (artigo 655, I) e admitiu que a constrição se realizasse por meio eletrônico (artigo 655-A). 2. A decisão de primeiro grau que indeferiu a medida foi proferida em 20 de abril de 2007, após o advento da Lei n. 11.382/06, assim tanto ela como o acórdão recorrido devem ser reformados para adequação às novas regras processuais. Recurso especial provido. (REsp 1.056.246/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 23.6.2008) 6. Depreende-se dos autos que o oficial de justiça, após efetuar diligências, deixou de proceder à penhora, "em virtude de o único bem encontrado em nome dos executados, imóvel da matrícula nº 76.104, estar sendo habitado pela mãe de Aylton Prietto, o qual alegou pagar aluguel para ceder o bem a sua genitora e, segundo ele, objeto de embargos em outros processos, pelo mesmo fato." (fls. 171) Determinado ao exequente que se manifestasse sobre o teor da referida certidão, foi requerida "a penhora de ativos financeiros por ventura existentes em nome dos executados nas instituições financeiras" (fls. 176) A decisão que negou o pedido de penhora online foi proferida em 24 de março de 2008, conforme depreende-se das fls. 178, posterior ao advento da Lei n. 11.382, de 6 de dezembro de 2006, que, alterando dispositivos do CPC, colocou na mesma ordem de preferência de penhora "dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira" (art. 655, I) e permitiu a realização desse gravame, preferencialmente, por meio eletrônico, por isso que plenamente possível é a penhora online. Ademais, tal possibilidade está corroborada pelo fato incontroverso no sentido Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 10 de 12
de que "o único bem encontrado em nome dos executados está sendo habitado por terceiro e que tal bem é objeto de constrição em embargos em outros processos pelo mesmo fato". Assim, possível é a determinação da penhora online, ainda que não haja o esgotamento dos demais meios de satisfação da execução, visto que o bloqueio de valores disponíveis em conta bancária atende a ordem legal prevista no artigo 655 do CPC. 6. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial para declarar a possibilidade de bloqueio de numerário em contas bancárias dos executados, sem que haja a necessidade do esgotamento de vias para verificação de outros bens passíveis de constrição, e determinar o retorno dos autos à instância de origem para que realize o procedimento, nos termos dos artigos 655, inciso I, e 655-A, ambos do Código de Processo Civil. É como voto. Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 11 de 12
CERTIDÃO DE JULGAMENTO QUARTA TURMA Número Registro: 2008/0210978-3 REsp 1093415 / MS Números Origem: 002051029725 20080114516 20080114516000101 2051029725 PAUTA: 24/05/2011 JULGADO: 24/05/2011 Relator Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS PESSOA LINS Secretária Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI AUTUAÇÃO RECORRENTE : BANCO BRADESCO S/A ADVOGADOS : LINO ALBERTO DE CASTRO VALTER RIBEIRO DE ARAUJO E OUTRO(S) RECORRIDO : SHIRLEY MARQUES PRIETTO - MICROEMPRESA E OUTROS ADVOGADO : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS ASSUNTO: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO CERTIDÃO Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Documento: 1063833 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 12 de 12