Intelectual nº16 Destaques STJ - Não se aplica a responsabilidade objetiva ao provedor de correio eletrônico por não fazer a fiscalização prévia das mensagens enviadas TJSP No caso de depósitos realizados no mesmo dia perante o INPI tem proteção legal aquele que primeiro obtiver o deferimento do registro STF Editores requerem fim da necessidade de consentimento para publicação de biografias STJ - Novo domínio.eco.br STJ Os provedores de pesquisa não são responsáveis pelo conteúdo disponibilizado na internet STJ Provedor que hospeda site onde foi publicado falso anúncio erótico terá que indenizar por dano moral STJ - Não se aplica a responsabilidade objetiva ao provedor de correio eletrônico por não fazer a fiscalização prévia das mensagens enviadas A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em julgamento realizado no dia 19.6.2012, decidiu que o provedor de correio eletrônico não pode ser responsabilizado objetivamente, nos termos do artigo 927, parágrafo único, do Código Civil por não fazer a fiscalização prévia do conteúdo das mensagens enviadas. A ação foi proposta por José Leonardo Bopp Meister contra a Microsoft Informática Ltda. sob a alegação de ter sido alvo de ofensas veiculadas em e-mail encaminhado por terceiro por intermédio do serviço de correio eletrônico da Microsoft. No entender do STJ, o provedor de correio eletrônico deve apenas ser solidariamente responsável caso não tenha o cuidado de propiciar meios para que se possa identificar seus usuários, sob a ótica de diligência média. Fonte: STJ - REsp nº. 1.300.161/RS Este Boletim foi redigido meramente para fins de informação e debate, não devendo ser considerado uma opinião legal para qualquer operação ou negócio específico. 2012. Direitos autorais reservados a Pinheiro Neto Advogados. BOLETIM DE PROPRIEDADE INTELECTUAL é elaborado pelo Time de Intelectual de PINHEIRO NETO ADVOGADOS.
TJSP No caso de depósitos realizados no mesmo dia perante o INPI tem proteção legal aquele que primeiro obtiver o deferimento do registro Em julgamento realizado no dia 7.2.2012, a Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo TJSP decidiu que, havendo dois depósitos de desenho industrial perante o INPI para produtos semelhantes, terá proteção legal aquele que primeiro obtiver o deferimento do registro. No entender do TJSP, enquanto os Desenhos Industriais são pedidos, as partes possuem uma mera expectativa de direito, sendo que, com o deferimento do registro a parte passa a ostentar a proteção integral de sua invenção. A ação havia sido ajuizada por Antônio Luiz de Carvalho e João Carlos de Carvalho contra Metalúrgica Ramassol Ltda. e R.M. Tolentino de Materiais para Construção Ltda., sendo que tanto autor como réu providenciaram o depósito de desenho industrial no mesmo dia. Tendo em vista que o pedido do réu foi concedido antes pelo INPI, a ação foi julgada improcedente. Fonte: TJSP, Apelação nº. 0000113-69.2008.8.26.0358, Câmara Reservada de Direito Empresarial, rel. des.: Manoel de Queiroz Pereira Calças, d.j.: 7.2.2012-2-
STF Editores requerem fim da necessidade de consentimento para publicação de biografias A Associação Nacional dos Editores de Livro (Anel) ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4815) perante o Supremo Tribunal Federal STF com o intuito de afastar a necessidade de biografados autorizarem a publicação de suas biografias. A Anel sustenta que a abrangência dos artigos 20 e 21 do Código Civil atingiriam a liberdade de expressão e informação, e que pessoas cuja trajetória seja pessoal, profissional, artística, esportiva ou política haja tomado dimensão pública, gozariam de uma esfera de privacidade e intimidade mais estreita. Alega também que a necessidade de consentimento para publicação de biografias condenaria o leitor a ter acesso apenas a uma biografia (a autorizada pelo biografado), e que, mesmo com a dispensa do consentimento prévio, o biógrafo não estaria isento da culpa em casos de abuso de direito. Fonte: STF - http://www.stf.jus.br/portal/cms/vernoticia Detalhe.asp?idConteudo=211804 Novo domínio.eco.br O novo Domínio de Primeiro Nível (DPN).eco.br já está disponível para registro no Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (Nic.br) (www.registro.br). Trata-se de domínio criado com o intuito de possibilitar que empresas e pessoas físicas divulguem iniciativas de caráter ambiental, o que representa uma nova oportunidade para divulgação de marcas institucionais aliadas a temas ambientais. Os titulares de nomes de domínio nas extensões.com.br,.emp.br,.net.br e.org.br terão prioridade para o registro do mesmo domínio no.eco.br. Para tanto, devem proceder ao registro até 31/07/2012. -3-
STJ Os provedores de pesquisa não são responsáveis pelo conteúdo disponibilizado na internet A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, em julgamento realizado no dia 26.6.2012, decidiu que os provedores de pesquisa (sites de busca) não são responsáveis pelo conteúdo disponibilizado na internet, pois não há como realizarem um controle prévio do conteúdo. Dessa forma, não podem ser compelidos a retirar conteúdo considerado ofensivo. Essa decisão foi prolatada no âmbito da ação ajuizada por Maria da Graça Xuxa Meneghel contra o Google Brasil Internet Ltda., por meio da qual a autora pretendia que o Google se abstivesse de exibir imagens contidas no buscador Google Search sob o termo Xuxa Pedófila. No entendimento do STJ, se uma página detém conteúdo ofensivo deve-se buscar a retirada desse conteúdo, não havendo justificativa para a transferência de responsabilidade para os provedores de busca, que não podem determinar se tal conteúdo é ofensivo ou não. Foi ressaltado, ainda, que tal obrigação inviabilizaria a disponibilização de conteúdo em tempo real na internet, bem como consistiria em violação ao direito à informação. Fonte: STJ REsp nº. 1.316.921 STJ Provedor que hospeda site onde foi publicado falso anúncio erótico terá que indenizar por dano moral Em decisão proferida em 21.6.2012, o Superior Tribunal de Justiça STJ determinou que o provedor que hospeda o site em que anúncio foi veiculado é responsável solidariamente pelo ilícito cometido, pois participa da cadeia de prestação do serviço. No caso, foi publicado um anúncio no portal O Click, que é hospedado pelo site ipanorama, de propriedade da TV Juiz de Fora Ltda. Em virtude do referido anúncio, Robson Gerônimo Maciel ajuizou ação por danos morais contra a TV Juiz Fora Ltda., sob alegação de que o anúncio comprometeu sua honra e idoneidade. A TV Juiz de Fora -4-
Ltda. denunciou à lide a empresa Mídia 1, responsável pelo portal de anúncios. Diante da relação comercial entre as duas empresas e por entender que há uma relação de consumo entre o provedor de internet e seus usuários, o STJ aplicou o Código de Defesa do Consumidor para determinar que a TV Juiz de Fora Ltda. é responsável solidariamente pelo conteúdo veiculado no portal O Click. Além disso, entenderam que a responsabilidade do provedor pelo conteúdo veiculado se prende à possibilidade de controle, sendo mais evidente quanto maior for a faculdade de decidir sobre o que é publicado. Fonte: REsp nº. 997.993 O Boletim de Intelectual é desenvolvido pelos profissionais que integram a Equipe de Intelectual de Pinheiro Neto Advogados. Coordenador do Boletim: José Mauro Decoussau Machado Sócios da Equipe de Intelectual: André Zonaro Giacchetta, Ângela Fan Chi Kung e José Mauro Decoussau Machado Colaboraram com esta edição: José Mauro Decoussau Machado, Carlos Edson Strasburg Junior, Pamela Gabrielle Meneguetti, Aristides Tranquillini Neto e Matheus Chucri dos Santos -5-